Resenha: Não Sou Este Tipo de Garota


Não Sou Este Tipo de Garota, da autora Siobhan Vivian e lançado no Brasil pela Editora Nova Conceito JOVEM, é uma história sobre como o julgamento alheio em relação às mulheres pode influenciar na vida de uma garota e no quanto ela sabe sobre si mesma.
Sinopse: Perversa ou inofensiva? Confiável ou hipócrita? Controlada ou insensata? A vida é sobre suas decisões e escolhas, e Natalie Sterling se orgulha de sempre fazer as melhores. Ela ignora os caras populares e babacas da escola, sempre ganha medalhas de honra e está prestes a ser a primeira estudante jovem a ser presidente do conselho estudantil em anos. Se apenas todas as outras garotas fossem tão sensíveis e fortes. Como o grupo de novatas que querem ser brinquedos dos jogadores de futebol. Ou sua melhor amiga, que tomou uma decisão idiota que quase arruinou sua vida. Mas ser sensível e forte não é fácil. Não quando uma brincadeira quase a faz ser expulsa. Não quando seus conselhos doem mais do que ajudam. Não quando um cara que ela já deu um fora se torna o cara que ela não consegue parar de pensar. A linha entre o certo e o errado foi distorcida, e cruzá-la poderá resultar em um desastre… ou se tornar a melhor escolha que ela já imaginou fazer.
Natalie Sterling é uma jovem metódica, planejadora e inteligente. Ela se orgulha de estar acima do contentamento comum, porque, diferente das outras meninas da escola, ela não se preocupa com garotos, festas e bebedeira sábado à noite. Tudo que Natalie quer é passar de estudante promissora a alguém que realmente realiza coisas, como ganhar a eleição para presidente estudantil e passar em uma boa faculdade para morar bem longe dali. Apesar disso, para ela é muito fácil julgar alguém que não pensa do seu jeito e que se preocupa exatamente com o contrário do que ela. As coisas começam a mudar depois que Natalie consegue sua vitória e ao tentar ajudar a menina de quem foi babá na infância, Spencer, se vê envolvida em coisas que jamais pensou que faria, mas que são o caminho para descobrir mais sobre um lado seu que nem sabia existir.
- Garotos como o Sr. Domski sentem-se intimidados por mulheres poderosas, Natalie. A única forma que ele tem de diminuir você é simplesmente o fato de você ser mulher. Mas você deve se manter forte e equilibrada assim como tem sido nos últimos três ano do ensino médio. Não deve permitir que ele ganhe a eleição de você. 

Natalie é uma boa protagonista, não é insegura e sempre tentar dar o melhor de si mesma, também não tem medo de falar o que pensa. Mas se preocupa imensamente com sua própria imagem e com o julgamento dos outros, e é caí que ela começa a decair (e evoluir). No início, é contado que sua amiga, Autumn, conheceu um menino do último ano e se apaixonou por ele, mas foi vítima de bullying quando se recusou a fazer sexo com ele no vestiário, que inventou coisas terríveis sobre ela. Natalie considerava isso uma estupidez, pois garotas inteligentes como Autumn não deveriam perder tempo se envolvendo com gente como aquele menino e que o que ocorreu a ela deveria servir como lição para as outras meninas. Óbvio que Natalie apoiava a amiga, mas ela não tinha o senso de que Autumn apenas teve o azar de estar no lugar errado com a pessoa errada, não foi uma escolha dela sofrer por isso. Esse tipo de percepção por parte da personagem principal começa a mudar quando ela reencontra Spencer, que tem uma maneira de pensar muito diferente da dela. E é logo depois que ela começa a conhecer melhor um dos garotos da escola, Connor, a quem julgava extremamente mal por ele andar com um bando de caras do mesmo tipo daquele que inventou as histórias ruins sobre Autumn. Mas justamente ao conhecê-lo, é que ela começa a mudar sua maneira de pensar sobre muitas coisas e sobre ela mesma. Ps: não quero dar spoiler, mas ele é um amorzinho.
Mas como explicar para a teimosa da Spencer que suas escolhas eram realmente péssimas? E também para o resto das garotas? Gostaria que houvesse uma forma de ajudá-las, como ajudei Autumn. - É uma pena que não podemos levar todas as garotas da escola à conferência das jovens mulheres que a Srta. Bee nos contou. Infelizmente é em Boston e começa só nas férias de verão.Autumn virou a cabeça. - E se você organizasse um encontro de mulheres na escola, por exemplo?Fazia mesmo todo o sentido do mundo.- Autumn, você é um gênio! Eu poderia usar o mesmo método. Palestras, discussões. Poderíamos organizar tudo juntas!
Esse livro foi difícil de resenhar, porque tanto as minhas próprias opiniões, quanto as de Natalie, eram conflitantes. A história te faz pensar sobre o que é considerado certo e errado e o quanto nós, mulheres, temos dificuldades em saber se estamos em poder de nossa sexualidade, ou sendo vítima da objetificação. Por exemplo, uma menina que faz de tudo para atrair a atenção masculina utilizando da beleza física do seu corpo e tendo consciência disso, está mostrando o poder em si ao se aceitar ou sendo vítima das influências da sociedade de que a mulher só pode ser poderosa se mostrar o corpo? Esse é um dos dilemas que Natalie passa. Ela pensa que é errado uma garota ficar se mostrando assim, mas também não acha justo que a garota leve suspensão por tirar a blusa no meio da escola e um menino que compartilha fotos íntimas dela não. Natalie se vê no meio disso tudo, não sabendo se é sua opinião ou se é a influência alheia que a faz pensar de determinada forma. Em parte porque, por mais que a garota não se importasse de ter suas fotos espalhadas pela internet, Natalie se importaria e muito com o que pensariam dela, então quando algo assim acontece, ela tenta interferir não somente pela garota, mas sobre como as pessoas vão reagir a esse acontecimento.


Então é bem interessante ver esse conflito interno da personagem e como ela vai mudando ao longo da história. Precisa ser perfeita o tempo todo? Precisa realmente ligar para o que os outros dizem? Basicamente, ela aprende o famoso ditado “não se julga um livro pela capa” e que, ao aceitar a si mesma e aos próprios atos, tendo assim, certeza de quem é, não precisa realmente gastar tempo se preocupando com o julgamento alheio. Ela mesma julgava coisas que não entendia, apesar de sempre se mostrar contra as injustiças que aconteciam às meninas e ao quantos os meninos se safavam das coisas apenas por serem meninos. Mas talvez, Natalie julgava justamente por não querer se perder de si mesma, não querer se magoar e nem correr o risco de sair de seu caminho tão bem traçado. Ela se orgulhava tanto de estar onde estava, sendo quem era e diferente das outras meninas que não percebia de verdade o que estava acontecendo. Somente quando passou pelo que outras passaram que pode ver isso e mudou seu comportamento.
Ele passou as mãos sobre os cabelos, ainda molhados do banho matinal.- Caramba! Só queria ouvir um obrigado.- Sabe de uma coisa, Connor? Aí vai uma lição importante. Nem sempre conseguimos o que queremos. Nem mesmo garotos como você - enquanto me observava desaparecer pelo corredor, amarelo, desnorteado, provavelmente como se sentia em suas aulas de reforço de matemática, Connor sorriu. Com certeza, nunca havia sido tratado daquela maneira por uma garota. Como muitas coisas na vida, me fez muito bem ser a primeira.
A leitura é muito rápida e fluída, o volume tem um pouco mais de 200 páginas, então, assim que você se acostuma, os capítulos se vão rapidamente. Devo dizer que o título não me agradou muito no início, mas depois que você lê compreende o significado dele e faz muito sentido. Tanto a capa brasileira, quanto a original não me agradaram muito, acho uma história dessas teria muito potencial para a capa, mas não souberam aproveitar isso. Queria ter o volume físico para mostrar mais detalhes, mas infelizmente só consegui o ebook.

Enfim, o livro aborda muito temas como bullying, sexualidade e feminismo e te deixa refletindo depois sobre todos esses assuntos e sobre a influência, não só do julgamento dos outros na sua vida, mas também o seu próprio. Quer dizer, até que ponto o que eu julgo é certo? E como saber se o que eu penso é ou não minha opinião própria? Se fosse pela Natalie, ela provavelmente te diria para deixar a mente aberta e ver o mundo com olhos mais compreensivos.

E você, acha que seria uma leitura interessante para ampliar seu modo de ver as coisas?

Título original: Not That Kind of Girl
Autor: Siobhan Vivian
Editora: Novo Conceito
Gênero: YA
Nota: 4,5

Saiba mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

10 comentários:

  1. Oi, Camila!
    É bem interessante essa questão que a autora levanta...
    Confesso que tinha uma ideia bem diferente da história, mas sua resenha me fez repensar sobre ler o livro.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio de aniversário do Balaio de Babados e O que tem na nossa estante

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    1. Oi Luiza!
      Ah sim, a capa e o título realmente dão outra impressão
      Espero que você goste se escolher ler!
      Xoxo

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  2. Olá, Camila.
    Eu li esse livro logo que lançou e infelizmente não gostei muito não. Achei ele muito fraco. Os temas são fortes, mas a autora não soube aproveitá-los.

    Prefácio

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    1. Oi Sil!
      Que pena que você não gostou, acho que depende muito se você gosta de como a autora escreve, né?

      Xoxo

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  3. Olá
    Eu li esse livro a alguns anos e não me lembrava muito bem da história. Lembro que comprei meu exemplar em uma promoção por 10 golpes. A edição é bem bonita, mas realmente a capa não ajuda. Eu troquei meu livro no Skoob, porque lembro de ter gostado da leitura, mas eu não releria... É bem bacana essa reflexão que o livro levanta. Porque tipo, eu gosto de me sentir bonita. Gosto de por uma roupa bacana, usar make, arrumar o cabelo de uma forma que eu me sinta bem, mas isso é pra mim, porque eu gosto. Mas será que um pouco não é pra atrair olhares? Lembro que quando eu estava no ensino médio, gostava bastante de chamar atenção de alguns garotos... Algo a se pensar.

    Vidas em Preto e Branco

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    1. Oi Lary,
      que sorte você ter achado por 10 golpes, porque eu, infelizmente, achei só por 30 hahaha. Gostei muito de você ter compartilhado sua reflexão com a gente porque nem sempre quem lê um livro assim faz isso, talvez porque seja difícil responder a nós mesmos esse tipo de pergunta. Mas ainda é muito importante, e mesmo que não tenhamos uma respostas, que nem você disse que é algo a se pensar, pelo menos podemos observar nosso comportamento para sabermos mais se é realmente próprio ou realizado sob alguma influência.
      Obrigada pelo comentário!

      Xoxo

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  4. Oi Camila! Eu lembro que na época do lançamento fiquei com bastante vontade de ler, mas depois eu acabei esquecendo. Li outro livro da autora com a Jenny Han e gostei bastante e por todo o questionamento que a obra aborda que fiquei novamente com vontade de ler.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oie!
      Sim, eu conheci a autora pelo livro com a Jenny Han também, elas são ótimas!
      Fico contente que você tenha se interessado e espero que goste quando ler ;)
      Xoxo

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  5. Oi, Camila!

    Admito que a capa desse livro nunca me chamou muito a atenção, mas fiquei super interessada agora que soube um pouco mais da história. Acho que os temas presentes no livro são muuito importantes e achei muito interessante esse questionamento que você colocou na resenha. Quero muito ler!

    Beijos,
    Isa
    http://viciadas-em-livros.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Renata!
      Me deixa muito contente saber que você se interessou pelo livro, se acha que esses são assuntos relevantes, então tenho certeza de irá gostar!
      Obrigada pelo comentário,

      xoxo

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