Resenha: Wintersong


Wintersong foi uma surpresa maravilhosa; uma releitura interessante do mito de Hades e Perséfone, se você juntar isso a universos fantásticos pouco explorados até então. O romance de estreia da autora S. Jae-Jones desenvolveu-se em uma narrativa poética e apaixonante, contando uma história de amor perigosa em um mundo traiçoeiro.
Sinopse: Em meio ao seu reino aterrorizante, o frio e proibido Rei Goblin lança uma sombra escura sobre uma jovem garota chamada Liesl. Sua avó sempre a alertou sobre as leis antigas. Sobre como nos anos  onde a mais longa noite do inverno nasce, o Rei Goblin emergirá em busca de sua noiva eterna. Sensível e concisa, Liesl sabe que é seu dever manter sua linda irmã Käthe segura de qualquer perigo. Mas Liesl encontra refúgio apenas na sua música selvagem e cativante, composta em segredo em homenagem ao misterioso Rei Goblin. Quando Käthe é roubado pelo Rei Goblin, Liesl sabe que ela deve deixar suas fantasias bobas para viajar até o Mundo Inferior e salvá-la. Com o tempo e as leis antigas trabalhando contra ela, Liesl deve descobrir quem é de verdade antes de seu destino ser selado. No início do século XIX, quando jovens compositores como Beethoven alteraram para sempre os caminhos da música, o lançamento de S. Jae-Jones, ricamente imaginado, gira em torno de um conto arrebatador sobre melodias, amor, irmandade e uma jovem mulher que busca a auto-realização.
Elisabeth vive através da música. A composição delas faz parte de quem a personagem é, mas a família mantém os olhos no filho caçula, o aspirante a protegido de um importante músico da região. Em meio à solidão e às próprias lamúrias, Elisabeth não nota que alguma coisa despertou na floresta - e essa coisa está em busca de alguém. De uma rainha. O inverno está chegando, e o Rei Goblin precisa de uma esposa. Quando a irmã de Elisabeth é levada até o mundo mágico, cabe à garota destacar-se em meio à magia sombria para salvar aquela que ela ama, sem imaginar que esse universo fantástico pode ser a oportunidade para se encontrar.
A última noite do ano. Agora chegam os dias de inverno e o Rei Golin vem até o mundo em busca da sua noiva.
Eu fiquei abismada com a qualidade dessa obra. Já imaginava que seria uma leitura fantástica, mas superou todas as minhas expectativas! S. Jae-Jones tem uma narrativa poética, apaixonante para quem já ama a escrita de autoras consagradas como Laini Taylor e Maggie Stiefvater (rainhas da minha vida). Além disso, toda a construção de mundo feita no universo de Wintersong é arrebatadora; nós temos o mundo real como conhecemos - Elisabeth vive na Alemanha, em uma vila com poucas promessas de grandiosidade - e o mundo abaixo dele, onde criaturas fantásticas ganham vida em meio às sombras e ao inverno interminável. A morada dos goblins e dos outros povos mágicos é assustadora, mas fascinante por causa disso.



Elisabeth foi uma protagonista muito bem construída. Nós vemos a história através dos olhos dela, e eu gostei muito de como, em meio à fragilidade, existe arrogância, egoísmo e inveja. Ela é humana, e uma humana marcada pelo pouco interesse dos pais, pela necessidade de destaque sem de fato conseguir alcançar nada notável. O pouco que ela fez de extraordinário - suas composições musicais - acabavam ficando sob a sombra do talento do irmão caçula, mesmo com ele fazendo o possível e o impossível para nomeá-la o gênio por trás daquelas melodias. As interações com a família, principalmente com a Käthe - que ela tanto anseia salvar - mostraram bastante da maneira com que Elisabeth se via e como viam ela. Ela não era uma sombra, mas sempre se entendeu como tal. E viver submissa e esquecida deixa cicatrizes na consciência dela, na maneira como reage à própria presença.
Há música em meu espírito. Uma música selvagem e indomável que fala comigo.
Sua história é uma canção de inverno, melancólica e sombria e fria como se espera, mas com momentos grandiosos e arrebatadores bem desenvolvidos na narrativa poética da autora. Uma trama viva e encantadora envolvendo desejo e poder e mundos distintos convergindo através da música e da magia.


Ele era real onde todo o resto era um reflexo.
O Rei Goblin é um grande mistério dentro da história. Ele é o segredo que Elisabeth quer desvendar, mas igualmente um problema no caminho da garota. Além do fato de termos uma mitologia quase inédita na literatura fantástica - não consigo me lembrar de nenhuma obra envolvendo goblins - também temos um personagem masculino extremamente bem escrito dentro da sua proposta. Personalidade fria, marcado pela solidão e pelo alento doloroso que é carregar a coroa daquele reino invernal, o Rei Goblin encontra em Elisabeth um espelho dos próprios sentimentos melancólicos, e também uma força na qual pode se sustentar para encontrar quem um dia ele já foi. Apesar de o livro entregar pouco sobre o passado do Rei, achei essa alternativa misteriosa interessante aqui; quem ele era antes de se tornar um governante importará para o próximo livro. Aqui, conhecemos o que a coroa fez com o personagem, quanto o poder o marcou.



O relacionamento entre os dois é a base principal do livro, e foi um romance que começou inesperadamente e se tornou uma mistura de sensações. Ambos dividem inseguranças, sem de fato dividi-las. Elisabeth tem seus medos e o Rei Goblin tem suas hesitações. Esses detalhes formam obstáculos que os dois precisam aprender a contornar para encontrar um ao outro; especialmente Elisabeth, teimosa e determinada e disposta a arriscar tudo o que conhece para entender o homem a quem jurou sua breve eternidade. Ela é uma rainha mesmo antes de aceitar se entregar a um rei, e a mágica vem através de suas melodias. Ele é um rei sem liberdade, sem visão do mundo, que encontra em Elisabeth o tipo de riqueza e vida que há muito não experimentava.
A voz dele estava em todos os lugares e em lugar nenhum. Ele era o vento, ele era a terra, ele era as árvores, as folhas, o céu e as estrelas.
Eu me apaixonei pela ambientação de Wintersong, pela grandiosidade e pela solidão que o reino dos Goblins passou através das páginas. Mesmo um universo mágico outrora rico pode ser marcado por uma escuridão sem fim. Os detalhes sobre o inverno duradouro, sobre as antigas rainhas e sobre a sina do Rei são desenvolvidos com calma, dentro do seu ritmo, e encaixam com o crescimento da personalidade de Elisabeth.


Uma vela não é nada além de cera e um pavio se não for usada. Eu preferiria acender a chama, sabendo que se apagará, do que me sentar para sempre na escuridão.
Em relação ao mundo humano, temos o pouco que a personagem deixou para trás e também o anseio dela para que isso não se perca. Elisabeth se divide entre ambos os mundos conforme começa a se encontrar em cada um deles; os mais diferentes tipos de amor e devastação desenvolvem-se na personagem, e é intenso e perturbador o quanto isso salta das páginas do livro.


"Eu sou o monstro do qual te alertei." 
"Você é o monstro que eu clamo."
Wintersong é música e magia e paixão. É uma lenda antiga e uma trama simples, uma história de amor e de entrega e de pertencimento.

Título original: Wintersong
Autora: S. Jae-Jones
Editora: Thomas Dunne Books
Gênero: Romance / Fantasia
Nota: 5 + 

Saiba Mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. Olá!

    Não conhecia o livro, mas ameei a capa! Me chamou a atenção você ter citado Maggie Stiefvater na resenha, pois sempre ouço elogios a respeito da escrita dela.

    Beijos,
    Isa
    http://viciadas-em-livros.blogspot.com.br/

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    1. Oi Renata!
      Maggie Stiefvater é minha rainha e tá tatuada na minha pele, amo a narrativa dessa mulher <3
      Wintersong tem os mesmos feels que Raven Boys!

      Beijos.

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  2. Oiieee

    Depois dessa notaça de 5 o que mais posso dizer? Esse livro já tinha me conquistado pela capa quando vi lá no Goodreads, agora com a resenha me anima ainda mais. POr enquanto ainda não me arrisco em fantasias em Inglês, faz pouco tempo que leio no idioma e por enquanto só thrillers / romances e juvenis, mas quem sabe mais adiante quando eu estiver mais acostumada eu agrego esse à listinha né?

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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    1. Oi Alice, tudo bom?
      O inglês dele não é muito pesado, quando tu quiser te arriscar em fantasias gringas, super recomendo! Eu tô apanhando é de Truthwitch, pqp que inglês ferradooooo ASUHUHASUHASUHASUH
      Que bom que a resenha ajudou seu interesse. O livro é ótimo *-*

      Beijos.

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  3. Tem alguma editora quedai trazer este livro aqui no brasil?

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    1. Oi Cynthia.
      Por enquanto não vi anúncio de nenhuma editora, acredito que os direitos não tenham sido comprados não :/ Infelizmente.
      Vamos torcer pra isso mudar!

      Beijos.

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