Resenha: Sorrisos Quebrados


Cedido em cortesia para essa resenha, Sorrisos Quebrados foi o lançamento da Editora Valentina lá na Bienal do Livro - best-seller da Amazon, essa grande história de amor e superação escrita pela Sofia Silva agora ganha as estantes de todo o Brasil.
Sinopse: Sorrisos Quebrados gira em torno de três personagens: a jovem Paola, a pequena Sol e seu pai, André. Os três são vítimas de violências distintas, que deixaram marcas profundas em cada um. Trata-se de uma história de superação de dores, magia, estrelas e de como importantes laços humanos podem se formar a partir da autoaceitação, da arte e da tolerância no cotidiano.
Paola e André não têm muito em comum além do fato de ambos estarem quebrados; ela, violentada dentro de um relacionamento tóxico, marcada na pele e no psicológico por causa do marido abusivo. Ele, com uma filha pequena e alguma história sombria por trás dos comportamentos tímidos e receosos da menina, alguma coisa relacionada à mãe que não se faz presente no dia a dia dos dois. Um acaso cruza os caminhos de Paola e André, e esse mesmo acaso pode ser responsável por despertar neles sentimentos dos quais ambos fugiram por tanto tempo.

Eu queria tanto, mas tanto ter gostado desse livro. Fiquei super entusiasmada com a história depois da nossa entrevista com a Sofia lá na Bienal. Parecia o tipo de temática perturbadora que se faz necessária na literatura atual - e se por um lado a parte romântica e do desenvolvimento de alguns personagens não me agradou, pelo menos a crítica dentro da trama foi bem trabalhada e salvou a leitura para mim.



Acho que meu maior problema com esse livro foi como ele se vendeu. Esperava uma história muito focada nas dores da Paola, na superação através do emocional e do convívio, aquela coisa de criar uma rotina com o par romântico, desenvolver um relacionamento longe do contato físico muito antes de pensar em introduzir a parte romântica da história. A superação através de outros meios que não com um novo romance; que o romance fosse apenas pano de fundo. E infelizmente não foi o que aconteceu; Paola é uma mulher extremamente traumatizada, do tipo que relata o ter medo de olhar na direção de um homem, de ouvir a voz de um homem, de viver com tanto medo que buscou de internar em uma clínica para evitar o mundo lá de fora. Até esse ponto eu a estava achando uma personagem muito bem construída - aí entrou o André e as coisas foram pra um caminho muito diferente do que eu esperava e queria ver.
Estou rindo. Sim, estou rindo. Não me importo com o contorno dos meus lábios ou com a pele cicatrizada que encolhe e estica de forma estranha. Nada disso interessa porque, neste momento, estou feliz, e isso... isso nunca aconteceu.
O primeiro capítulo é um baque no emocional. Cria empatia com a protagonista, dá todo o background pesado que a mente dela vai viver. E depois de alguns capítulos isso se perde completamente; eu queria ver as nuances da Paola, queria estar ao lado dela nos piores e melhores momentos. Queria que a história me entregasse uma jornada de redescobrimento, de solidariedade. No entanto, a partir do momento que somos apresentados a André, isso se torna quase figurante para dar espaço a um romance que não me convenceu nem o mínimo que precisava convencer - algumas semanas de convivência passadas por cima das páginas só pra introduzir os beijos e a parte física da relação? A "convivência" consistiu em cenas breves e rápidas mostrando como a Paola aprendeu a olhar para o André e não ver nenhuma ameaça, mas como você me convence que uma mulher que passou seis anos enclausurada em uma clínica por medo do que um homem - e consequentemente todos os homens -, fez a ela, aceitou tão facilmente se entregar a um cara?



Desculpa, mas não rolou. Toda a história de "liberdade" através do sexo e do amor não coube aqui. Eu sou muito de a personagem feminina ter toda a liberdade que quiser, inclusive empodere ela o máximo, sempre, mas o tom da Paola era outro. Era muito distante do sexo em um primeiro momento - o hot da história deveria ter ficado para o final, depois de todo um desenvolvimento emocional entre os protagonistas. A história fez o contrário e aí todo o drama ficou muito, mas muito piegas.

Senti que a autora se perdeu em vários momentos, entregando resoluções fáceis demais e dramas fora da casinha. O único arco que realmente me conquistou foi o da Paola sozinha. Seus entendimentos a respeito da vida, da sua liberdade e da sua voz como mulher - isso foi bastante importante, esclarecedor para a jornada da protagonista. Quando ela estava com o André... Ai, cara. Eu já li tantas vezes essa coisa de "eu sou o cara frio porque sofri então você vai ter que aceitar que estamos tendo só uma noite de prazer" e aí a mocinha aceita, mas ela fica se remoendo por isso" que não dá mais. Não engulo esse sapo. E desculpa, mas alguns pequenos desaforos que a Paola aguenta por esse macho chato eu já teria chutado longe. Todo Dia um Macho da Literatura Me Fazendo Passar Raiva.



Nem preciso dizer que não gostei do André, né? Não me fez suspirar, não me emocionou, sequer despertou um pingo de empatia quando foi desenrolando seu drama de vida. Eu amo um enredo de novela mexicana, mas aqui, por não ter criado ligação com o personagem, soou exagerado do jeito errado. E, de novo, o romance dos dois não me convenceu. Eu acho que a Paola merecia muito mais, um mulherão da porra desses merecia mais.



Outros personagens compõem o cenário principal, como os pais do André e a diretora da Clínica; mas Sol, a filhinha do André, é uma das mais importantes. E eu vou problematizar aqui também. Sabe aquele esteriótipo de criança exagerado ao máximo? Nem minha prima, que é a criança mais doce do mundo, age dessa maneira. E a Sol tinha um sub-plot muito interessante a ser trabalhado - envolvendo todo o drama ali do André - que deveria render uma caracterização melhor. Li recentemente um livro com um garotinho vítima de trauma e aquele menino sim é real. A Sol me pareceu estar ali só como suporte, não como personagem que merecia o próprio desenvolvimento paralelo ao dos protagonistas.
Será que estamos irremediavelmente quebrados? E se sim, qual dos dois está mais?
Gostei bastante da escrita da Sofia. É poética e cheia de metáforas e analogias, mas elas encaixam bem dentro da psiquê da Paola - do André eu prefiro nem comentar pelos motivos já citados - e da aura dela. Suas falas sobre pincelar o mundo, sobre se encontrar em constelações e viver dentro do próprio universo são arrepiantes e funcionam bem para a narrativa. Infelizmente, isso não conseguiu melhorar o livro para mim.



A edição da Valentina é a coisa mais linda do mundo. Eles mantiveram a capa original, e os detalhes brilhantes formando estrelas são incríveis! É o tipo de livro que você folheia por horas pelo simples prazer de ver o trabalho gráfico tão bem feito.
A vida não deve ser medida por 'mais um dia'. Não. Ela é feita de pequenos e efêmeros momentos que mudam tudo.
Apesar dos pesares com a minha experiência, recomendo a leitura. As discussões sobre a violência contra a mulher e o peso que isso deixa no consciente são grandiosas e bem desenvolvidas; o romance, para mim, ficou bem descartável e repetitivo, nada novo no horizonte, e o André poderia não existir que não faria falta, mas a Paola e sua jornada salvaram a história. E com certeza merecem ganhar a atenção dos leitores.


Título original: Sorrisos Quebrados
Autora: Sofia Silva
Editora: Valentina
Gênero: Romance / Drama
Nota: 3

Saiba Mais: Skoob | Amazon | Saraiva

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COMENTÁRIOS

17 comentários:

  1. Amo esse livro.
    A escrita da Sofia é exemplar. Escreve muito bem. Fiquei salvando quotes em todo livro.
    Para mim André foi humano. Homem e errou mas teve também seu motivo.
    Paola é mulherão. Acredito que autora quis mostrar que homem é mais fraco emocional que mulher por isso resultou para mim.
    Sorrisos Quebrados está no top dos melhores livros de 2017.

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    1. Oi Pri, tudo bom?
      Também achei a escrita da Sofia muito boa, quase acabei com os meus post-its selecionando quote.
      Não concordo em relação ao André (pra mim ele foi mais do mesmo de homem de NA que culpa o passado sombrio pra agir feito um babaca), mas respeito sua opinião :D
      Paola é maravilhosa, queria muito que ela tivesse encontrado alguém à altura.
      Obrigada pela visita.

      Beijos!

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  2. Oi, Denise
    Não estou conseguindo comentar com blog.

    Você fez leitura diferente da minha.rsrs Já eu amei esse livro com todas as forças.

    E como falou a escrita da Sofia Silva é um show. Meu livro está todo marcado e colorido com trechos de cores e ligação com universo.

    Abraços literários,
    Jan

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    1. Oi Janaina! Tudo bom?
      Faz parte, flor! O importante é a gente respeitar as opiniões. Fico muito feliz pelo livro ter sido uma ótima experiência pra ti; queria muito, muito ter passado pelo mesmo.
      A escrita da Sofia é um arraso, amei o jeito poético e as alegorias que ela usava dentro da narrativa.
      Obrigada pelo comentário!

      Beijos!

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  3. Oi, Dê

    Mulher, quando eu li na minha resenha que o livro não tinha funcionado pra você eu até fiquei aliviada, porque sério, todos que falaram para mim que leram, amaram! E eu fiquei super frustrada pensando: NÃO É POSSÍVEL QUE TÔ SOZINHA NESSE MUNDO!!! ahahahha
    O potencial do prólogo é tão enorme e aí depois vem aquele balde de água fria, tudo mais do mesmo, uma pena.
    Só pensamos diferente em relação a Sol, pois achei que ela é um pedacinho de amor andante. Lembrei muito do meu sobrinho, que é aquele tipo de criança que acorda sorrindo e falando literalmente "bom dia mamãe, bom dia papai", "bom dia casa"... e que espera o irmão chegar da escola pra dividir um doce com ele, mesmo que o irmão não faça o mesmo.
    Mas realmente ela tinha uma história que poderia ter sido melhor explorada, só que no fim esse foi o menor dos meus problemas.
    Lerei o próximo da autora e espero que eu sinta esse fervor que a maioria sente. Aguardemos...

    Beijocas
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  4. Oi, Dê

    Mulher, quando eu li na minha resenha que o livro não tinha funcionado pra você eu até fiquei aliviada, porque sério, todos que falaram para mim que leram, amaram! E eu fiquei super frustrada pensando: NÃO É POSSÍVEL QUE TÔ SOZINHA NESSE MUNDO!!! ahahahha
    O potencial do prólogo é tão enorme e aí depois vem aquele balde de água fria, tudo mais do mesmo, uma pena.
    Só pensamos diferente em relação a Sol, pois achei que ela é um pedacinho de amor andante. Lembrei muito do meu sobrinho, que é aquele tipo de criança que acorda sorrindo e falando literalmente "bom dia mamãe, bom dia papai", "bom dia casa"... e que espera o irmão chegar da escola pra dividir um doce com ele, mesmo que o irmão não faça o mesmo.
    Mas realmente ela tinha uma história que poderia ter sido melhor explorada, só que no fim esse foi o menor dos meus problemas.
    Lerei o próximo da autora e espero que eu sinta esse fervor que a maioria sente. Aguardemos...

    Beijocas
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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    1. Oi Tami, tudo bom?
      POIS É GURIA. Eu me senti tão representada pela sua resenha, gimme a hug! Fucei o Skoob inteiro e só achei outra review que batesse com a minha, aí morri de medo de ser a 'do contra' UHASUHASUHASUHASUH
      O prólogo foi um baque, sim. Eu fiquei esperando TANTO por causa dele, aí veio o livro e... de novo? A mesma coisa de todo santo NA? DE NOVO UM MACHO CHATO SE FINGINDO DE MOCINHO? AAAAAAAAAA
      Que bom que a Sol salvou pra ti! D: eu realmente não consegui me ligar com ela exatamente por ter saído de um livro com um garotinho muito real, aí a expectativa tava lá no alto.
      Quero muito ler outro livro da Sofia, sim. Tenho esperanças de que o que me incomodou nesse melhore no próximo.
      Obrigada pela visita!

      Beijos.

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  5. Oi, Denise!
    Menina, então... eu nunca tive taaaanta vontade de ler esse livro. Livros muitos hypados eu acabo não gostando (A Rainha Vermelha, estou falando de você).
    Eu li a resenha da Tamires e também soube da opinião de outra blogueira minha, e agora com a sua resenha eu já sei que vou passar longe dessa história.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi Lu!
      ASUHASUHUHASUHASUHASUHASUHASUHASUHAS Red Queen maior hype que caiu num abismo da vida, sei como você se sente. Sorte que o 2 compensou - estou esperando que a Sofia faça o mesmo com o próximo livro dela.
      Obrigada pelo comentário! <3

      Beijos.

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  6. Gostei muito da sua resenha, fiquei com muita vontade de ler :D

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  7. Conheci esse livro na Bienal, infelizmente não pude comprar mas tenho vontade de conferir a leitura.
    Bjs
    https://eternamente-princesa.blogspot.com.br

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    1. Oi Luiza!
      Faz parte, a gente lê o que desperta a curiosidade mesmo.

      Beijos!

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  8. Tenho uma enorme curiosidade em ler este livro, acho a capa lindíssima.
    Ela é portuguesa e vai ver finalmente os seus livros publicados aqui :)
    Espero que quando lançarem aqui o livro, mantenham a capa =)

    MRS. MARGOT

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    1. Oi flor!
      O livro já foi publicado aqui :) foi lançado na Bienal, tanto que essa é a versão da editora Valentina. Eles mantiveram a capa e fizeram um acabamento bem lindo na edição toda :D

      Beijos!

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  9. Oi, Denise. Não sinto vontade de ler essa obra da autora porque fico com a impressão que ela tem uma escrita muito poética e eu não curto muito isso. Fiquei sabendo também que a trama decepcionou um pouco por causa desse romance muito rápido, já que muita gente esperava que a história fosse se desenvolver de uma maneira diferente. Por isso e o adendo acima, não sinto vontade alguma de ler.
    Beijos
    http://www.leitoraencantada.com/

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    1. Oi Miriã!
      Pois é, a escrita da autora é beeem poética mesmo. Se não é sua praia, talvez a leitura realmente não funcione contigo :/ ai nem vale a pena.
      O romance foi uma baita decepção, sim. Sem ele, eu teria amado o livro com certeza - seria outra história.

      Beijos!

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