Resenha: Joyland


Joyland é um dos muitos títulos brilhantes escritos pelo mestre Stephen King. Publicado aqui no Brasil pela Editora Suma das Letras, que cedeu o exemplar em cortesia, esse livro acompanha um jovem estudante, um parque de diversões e um provável caso sobrenatural, mesclando tudo isso às emoções da vida.
Sinopse: O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.
Devin Jones resolve trabalhar em um parque de diversões durante o verão; Joyland é para ser uma experiência temporária antes de Dev voltar para a cidade e começar sua faculdade, mas acaba se tornando algo muito maior e importante. Joyland é quase um mundo alheio ao que Devin conhecia - é um parque pequeno, mas carregado de história e personalidade e, surpreendente, até mesmo de um mistério nunca resolvido.



Stephen King nunca para de me surpreender. Aqui não foi diferente. Joyland foi um livro completo e simples. A coisa mais absurdamente boa dentro dessa história foi a construção dos personagens. King deu espaço a diversos nomes, colocou eles na trama de maneira exemplar e fez toda a jornada do Devin parecer o tipo de história que uma pessoa contaria à outra na vida real. É um livro curto e rápido, a narrativa tem pausas nos momentos certos para deixar aquela curiosidade no ar, e consegue equilibrar drama, suspense e o cotidiano com maestria.
Quando se trata do passado, todo mundo escreve ficção.
Devin foi um protagonista maravilhoso. Ele não é perfeito e exatamente por isso encaixa tão bem aqui. É um jovem pré-universitário ansioso pela vida amorosa, pelos estudos e pela oportunidade de se provar. Quando uma desilusão com a garota por quem estava apaixonado acontece, Devin decide ficar por Joyland um tempo mais - aparentemente, aquele parque tem muito a oferecer para o corpo e o espírito do garoto. Existe uma ligação entre os dois; os brinquedos, as atrações e os visitantes, tudo isso dá novos ares ao Devin. Ele fica mais radiante, mais esperançoso, mais consciente do que significa realmente viver. E sua convivência com os outros personagens do núcleo de Joyland é vital para o arco de crescimento que ele enfrenta dentro da história.
Era difícil deixar tudo para trás. Mesmo quando as lembranças machucam, é difícil esquecer.
Em Joyland, figuras carismáticas não faltam. Os mais importantes para começo de conversa são Tom e Erin, também jovens pré-universitários com quem o Devin passa a dividir seus dias, uma vez que eles fazem parte da mesma equipe dentro do parque. Tom é cético, divertido e cheio de energia, e Erin é o tipo de garota disposta a se arriscar em troca de uma boa aventura - fato esse comprovado quando ela e Devin começam a investigar o tal mistério envolvendo Joyland; uma jovem foi assassinada em um dos brinquedos, anos atrás, e o caso nunca foi resolvido. Dizem que esse brinquedo é assombrado pelo espírito dela. Verdade ou não, há uma energia esquisita perto do túnel do terror, e entender o que isso significa, talvez qual a a história por trás de tal atrocidade é uma das motivações do Devin.



A outra reside em uma casa à beira da praia. Devin passa por lá todos os dias, e essa rotina o aproxima dos moradores - Annie e Mike. Mãe e filho. Ela, cuidando para proteger o garoto, uma vez que, doente e frágil, Mike não pode se aventurar no mundo. Uma pipa e a promessa de uma visita ao parque aproximam Devin e Mike - e, segundo a Madame Fortuna, isso era parte do destino. O caminho do protagonista está entrelaçado ao desse garotinho, e ambas as tramas convergem junto à investigação para dar vida a tudo o que o Devin vive naquele lugar, durante todo aquele tempo.
Só posso dizer o que você já sabe: alguns dias são preciosos. Não muitos, mas acho que em quase toda vida há alguns.
Magistral e cheio de realidade, é como eu classificaria Joyland. Por ser um livro simples, sem grandes reviravoltas, ele acaba sendo uma leitura fácil e que com certeza vai emocionar. Stephen King sabe como escrever um bom drama, mas sabe ainda mais como escrever bons personagens. Seja através de um mistério esquecido ou de um senhor rabugento sofrendo um ataque cardíaco, Joyland conquista com a sutileza e faz valer cada página de leitura.


Título original: Joyland
Autora: Stephen King
Editora: Suma das Letras
Gênero: Drama / Suspense
Nota: 5


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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Oi, Denise!
    Diferente de muitos fãs do King, eu amei esse livro. Como você disse, a história é simples, mas bem envolvente.
    Gostei dessa construção dos personagens, que é algo que falta em algumas histórias dele.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

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  2. Oi, Denise

    Eu tenho uma relação de amor e ódio com o King. Não li muitos livros dele, mas em relação aos que li são sentimentos controversos, pois amo alguns e detesto outros! Hahaha
    Acho essa coisa do assassinato não solucionado e do provável brinquedo assombrado bem bacana. É uma coisa até banal considerando o gênero e suas possibilidades, mas o King transforma até a coisa mais simples em algo maior.
    Que bom que os personagens são bacanas... pois ele costuma desenvolver muito mais o cenário do que os personagens propriamente ditos! Hahahah

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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