Resenha: A Rainha de Tearling - Queria Estar Lendo

Resenha: A Rainha de Tearling

erika johansen

A Rainha de Tearling é o primeiro livro da trilogia que leva o mesmo nome, e foi publicado aqui no Brasil pela editora Suma das Letras, que nos cedeu um exemplar para resenha. O romance de estreia da autora Erika Johansen é uma fantasia com uma protagonista feminina que não mede esforços para obter aquilo que quer: ser uma boa rainha e salvar o seu povo.
Sinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda... ou uma tragédia.
Kelsea foi levada para longe da Fortaleza quando tinha apenas um ano de idade, e permaneceu escondida por longos 17 anos enquanto era treinada em história, política e no que fosse necessário para garantir que viesse a ser uma boa rainha. Durante sua vida de isolamento a garota apenas conheceu o mundo através dos livros e dos olhos e histórias de seus dois tutores, as únicas pessoas com quem convivia. Ela não possuía uma família; por mais que amasse Barty e Carlin eles nunca foram seus pais de verdade, sua mãe havia muito que já estava morta e seu tio, o único parente vivo que ela possuía, queria garantir que a menina nunca chegasse viva até a Fortaleza, onde ele agora reinava como regente.
Sou a rainha. Ninguém manda em mim.Isso é o que a maioria das rainhas pensa até o momento em que o machado desce.
Quando seu décimo oitavo aniversário chega a Guarda da Rainha bate à porta do chalé onde Kelsea vive escondida, e sua jornada rumo ao trono de Tearling tem seu início. Acompanhada de guardas que juraram proteger sua vida, ela precisa cavalgar em direção ao futuro e ao trono que a aguarda, mas não serão poucos os empecilhos que tentarão a impedir de chegar ao seu destino. Além de seu tio que a quer morta para que ele possa continuar como regente, a Rainha de Mortmesne também possui muito interesse em fazer com que a princesa nunca venha a se tornar rainha. 

É em meio a perseguições, atentados contra sua vida e até mesmo sequestros que Kelsea faz seu caminho rumo à Fortaleza apenas para se deparar com algo terrível ao finalmente concluir sua jornada. Seu povo e sua terra foram esmagados, anos de um governo que não se importava com os mais pobres e que vivia sob a sombra de um poder maior acabaram fazendo de Tearling um reino fraco e vulnerável, seu povo escravo e subjugado. É em meio ao caos, a dor e ao horror que ela realiza seu primeiro ato como rainha, ainda nos gramados da Fortaleza: Kelsea vai libertar seu povo, mesmo que isso signifique ir a guerra com a Rainha Vermelha.

erika johansen

A Rainha de Tearling é um livro de fantasia que carrega sua magia em doses leves e pontuadas, ainda que ela exista e seja de extrema importância os elementos fantásticos se restringem a certos aspectos mágicos. A construção de mundo é muito interessante, tendo em vista que parte da premissa de que o mesmo se passe em um futuro onde povos da América, Europa e África descobriram novas terras após a longa Travessia, e ali decidiram morar, deixando no passado toda a tecnologia existente. Ou seja, tratasse de um livro com ambiente medieval mas que se estabelece numa linha temporal do futuro.
Mas Tyler sabia que a história era tudo. O futuro consistia apenas nos desastres do passado esperando para acontecerem novamente.
Quanto a escrita o livro tem seus problemas de desenvolvimento durante as 100 primeiras páginas, onde existem muito mais perguntas do que respostas e o leitor ainda está se ambientando a história e seus personagens. Passado esse primeiro momento, muito comum em livros de fantasia, tudo começa a fluir de uma maneira muito mais rápida e interessante, criando uma necessidade de continuar a ler e entender como todos os fios soltos apresentados irão se juntar e onde eles irão nos levar, que história irão contar.

erika johansen

Um aspecto, porém, que me desagradou muito durante toda a leitura mas principalmente no começo foi o problema que a protagonista tem com a beleza. Cheguei a comentar no nosso Instagram que a Kelsea só "pensava em omi" e fui corrigida por várias pessoas. O que eu acho que as pessoas não entenderam, e talvez eu não tenha explicado direito, é que o fato da personagem não ter um relacionamento romântico ou um par em específico, não signifique que ela não fique pensando em homens. Logo no início do livro, por exemplo, quando ela conhece a Guarda da Rainha, seus primeiros pensamentos são em relação a beleza - ou não - deles, até mesmo sobre como um dos guardas era "muito bonito apesar da idade". E isso se estende por diversas situações, onde a narrativa sobre personagens masculinos sempre estão relacionados a aspectos físicos e estéticos. Mesmo sob ameaça de morte ela consegue tomar um tempo para pensar na beleza do seu sequestrador. E isso me irritou, e muito, principalmente porque não era a imagem vendida da personagem.
- Todo mundo morre um dia. É melhor ter uma morte limpa.
Demorei algumas páginas para entender, no entanto, que isso não era culpa da personagem em si, mas sim da autora. Não é Kelsea quem tem um problema, mas Erika Johansen. Isso fica claro com o decorrer da história e como a personagem lida com a beleza; quando masculina, sempre a atraindo, mas quando feminina, causando inveja ou desconfiança. Este aspecto se dá, principalmente, porque a autora recorreu a certas técnicas clichês das quais já estou bem cansada e que acho um completo desserviço. 


erika johansen

Eu explico: a mãe de Kelsea, a Rainha Elyssa, é branca, loira, linda, feminina, fútil e uma péssima rainha. Kelsea, por sua vez, é morena (negra?), acima do peso (gorda?), de traços comuns (feia?), inteligente, apaixonada por livros, aversa a futilidades (vestidos e jóias, sempre coisas relacionadas à feminilidade) e uma boa rainha. Colocando as características assim, lado a lado, fica claro como a autora buscou contrapor as duas personagens: onde uma é linda, é má rainha, onde a outra é feia, é boa pessoa e rainha. Assim, a autora não apenas peca ao caracterizar certos aspectos físicos de forma negativa, mas também ao expor a beleza de forma negativa. Poderia ser apenas representações e caracterizações destes personagens em específico e não um erro geral da autora? Poderia, não fosse o contraponto que as duas personagens estabelecem durante o livro inteiro, não fosse a relação que Kelsea tem com a beleza e a forma como os demais personagens comparar ela e a mãe, e, principalmente, não tivesse eu lido outras dezenas de livros que sigam a mesma linha de narrativa clichê e problemática.
- Está preparada para morrer hoje?- Estou preparada para morrer por esta nação desde o dia em que nos conhecemos, Pai dos Ladrões.
A Rainha de Tearling tem seus problemas, que devem ser discutidos, mas conta uma história que merece ser lida. Kelsea é uma personagem muito interessante, e seu caminho na luta por dar um futuro melhor a seu povo é longo e perigoso. E digno de ser acompanhado. 

Título original: The Queen of Tearling
Autora: Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Gênero: Fantasia; YA
Nota: 4,5

Saiba mais: Skoob | Amazon | Submarino

Share this:

, , , ,

COMENTÁRIOS

14 comentários:

  1. Oi, Eduarda!
    Menina, vendo a descrição das características da Kelsea, eu quero entender como as pessoas querem que a Emma Watson seja a personagem... Enfim..
    Eu fico com um pé atrás com essa história. Amo fantasia, mas esse ainda não tem algo que diga "ME LEIA POR FAVOR"
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do Natal Literário e ganhe prêmios maravilhosos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Lu!
      Então menina, eu e as gurias aqui do blog tivemos essa mesma discussão: como colocaram a Emma de cast da Kelsea? Mas vale lembrar que ela além de fazer a personagem também é produtora do filme, deve ser por isso... E é aquela coisa né: personagem forte, feminina e que goste de livros: Emma Watson...
      O interessante de Tearling é que ele é um livro exatamente sobre o início do reinado dessa Rainha que promete tantas mudanças, ele não é exatamente político mas é muito sobre as atitudes dela como rainha. Isso é o que me chamou muito a atenção na história, agora quero ler o 2 e ver o que ele me reserva.

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir
  2. Oie
    Estou numa fase boa agora de fantasias, eu custo a voltar a ler e depois que começo não paro mais, curto muito este gênero. Estou curiosa por este livro, ainda não tinha me despertado interesse, mas depois de sua resenha resolvi que darei uma chance, apesar das ressalvas fiquei curiosa.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Nessa!
      Também tenho essas fases de fantasia, mas também tenho fases em que me mantenho o mais longe de fantasia o possível, hahaha.
      A leitura é muito válida, indico mesmo, tem essas ressalvas mas no geral eu gostei muito do livro. Depois que tu ler me conta o que achou!

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir
  3. Fiquei bem curiosa com esse livro, já vou procurar <33
    Parabéns pelo blog, já estou seguindo para poder acompanhar as novidades

    www.papomoleca.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, espero que tu goste da leitura! :)
      Muito obrigada pelo comentário e volte sempre!

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir
  4. Oi, Eduarda, sempre vejo muitos elogios a respeito desse livro.
    É uma história que não li, confesso, mas sempre fiquei muito curiosa.
    Uma pena que tenha pontos a melhorar, mas o importante é que vale a pena a leitura.


    Abraços,
    Natalia
    http://www.revelandosentimentos.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Naty, pois é o livro tem seus deslizes mas como tu disse: vale a pena a leitura!

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir
  5. Eduarda!
    Minha maior surpresa foi descobrir que o livro não é um romance, porque pelo título dele, achava que era mais um romance delicioso de época.
    E fiquei até feliz em ver que é um enredo medieval, cheio de tramóias, luta pelo reino e algo até mais obscuro.
    Gostaria de ler.
    Que a semana seja abençoada!
    “Desejo a você e à sua família um Natal de Luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas Festas!” (Priscilla Rodighiero)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Rudy,
      hahaha o título pode dar uma enganadinha mesmo. Indico a leitura, acho que tu ia curtir sim!

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir
  6. Oiii Eduarda!

    Não tinha parado pra pensar nesse detalhe do quanto a Kelsea indiretamente só pensa em homem, pior que é verdade analisando bem. A gente acaba deixando passar e não prestando atenção nessa relação dela com a beleza justamente por que não há romance no livor, mas lendo a resenha percebi que vc está certa, tem mesmo bastante fundamento. Desse livro eu gostei da escrita mais madura da autora, apesar de ser juvenil ela aborda (ainda que às vezes sutilmente) diversos temas sem dar voltinhas... Enfim, tem prós e contras mas ja sinto curiosidade em conferir A Invasão de Tearling

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Alice,
      que bom que tu concordou comigo! Depois de ter recebido tantas críticas sobre o que eu falei, até repensei tudo, conversei com as meninas sobre, mas no fim minha opinião foi exatamente essa da resenha. As vezes a gente deixa passar detalhes na leitura mesmo, acontece. Também curti bastante a escrita e o fato dela ser mais direta e madura, acho que fez toda a diferença na história. Somos duas ansiosas para ler a Invasão de Tearling, hahaha

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir
  7. Oi Eduarda!

    Caramba essa foi a resenha mais completa que eu já livro sobre este livro, junto com os prós e contras, eu acompanhei seus stores e logo já fiquei com pé atrás por que só ouço elogios sobre este livro, então fico feliz com sua sinceridade e também me perguntando como a Emma vai fazer esse papel, GOOD! Eu já tenho o exemplar sabe? E quando ler sei que vou me incomodar com tudo isso, principalmente essa colocação de a bonita e má e feia e ruim, enfim ao menos não e de todo ruim né? Vou ler de qualquer forma e espero tira proveito de algumas coisas.

    Beijinhos

    Resenha Atual Por favor deixe nome do seu blog para que eu possa visitar <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. AHHH me senti tão feliz com esse comentário, principalmente porque eu AMO as tuas resenhas!!! Sobre a Emma, de novo, ela não tem nada a ver fisicamente com a personagem, mas o perfil da Kelsea é o que Hollywood costuma atribuir a ela (como se só existisse a Emma no mundo, né). Vou ficar esperando tu ler o livro para saber tua opinião, vamos ver se tu encontra os mesmos problemas que eu, hahaha

      Att.,
      Eduarda Henker

      Excluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!