Resenha: O Último Reino - Queria Estar Lendo

Resenha: O Último Reino

Resenha: O Último Reino

O Último Reino é o primeiro volume da aclamada saga de Bernard Cornwell, as Crônicas Saxônicas. O autor entrega aqui o prólogo de uma jornada sobre justiça e destino.
Sinopse: O Último Reino é o primeiro romance de uma série que contará a história de Alfredo, o Grande, e seus descendentes. Aqui, Cornwell reconstrói a saga do monarca que livrou o território britânico da fúria dos vikings. Pelos olhos do órfão Uthred, que aos 9 anos se tornou escravo dos guerreiros no norte, surge uma história de lealdades divididas, amor relutante e heroísmo desesperado. Nascido na aristocracia da Nortúmbria no século IX, Uthred é capturado e adotado por um dinamarquês. Nas gélidas planícies do norte, ele aprende o modo de vida viking. No entanto, seu destino está indissoluvelmente ligado a Alfred, rei de Wessex, e às lutas entre ingleses e dinamarqueses e entre cristãos e pagãos.
Uhtred é filho de um rei, mas uma guerra por poder e conquista o afasta de casa e de tudo que conhece. Prisioneiro dos invasores vikings, Uhtred é apresentado a uma nova cultura, à guerra e ao amor pelas batalhas; a história acompanha o crescimento do garoto inglês (nortumbriano, como ele sempre relembra) criado por dinamarqueses que tem seu coração dividido quando se trata de honra e de seguir as linhas do destino.


Resenha: O Último Reino

Meu interesse nessa série vem de um tempo, mas preciso confessar que a quantidade de títulos sempre me assustava. Depois da estreia da adaptação - The Last Kingdom - e de eu finalmente ter assistido as duas temporadas disponíveis, falei "quer saber? É agora". E comprei o primeiro livro; deveria ter comprado outros três junto.
Sou Uhtred, filho de Uhtred, e esta é a história de uma rixa de sangue. É a história de como tomarei do meu inimigo o que a lei diz que é meu.
O Último Reino é um prólogo. Um início bem pontuado, com ótimas apresentações de personagens, cenários e possibilidades. É o início de uma saga grandiosa, e Cornwell sabe exatamente como prometer a grandiosidade sem deixar o leitor antever como ela vai chegar.

Uhtred, para minha surpresa, foi um personagem carismático. Temos tempo de entender suas motivações e relutâncias. Acompanhamos o garoto assustado em meio a uma guerra inacabável - dinamarqueses contra ingleses - e o nascimento do seu sonho de reaver o reino que é seu por direito. Uhtred foi arrancado de casa e feito prisioneiro por Ragnar, um comandante viking de grande coração e fama; apesar de cativo, Uhtred acaba encontrando uma figura confiável em Ragnar, e um lar entre os dinamarqueses.
Nossos homens começaram a bater com as armas nos escudos e esse era um som temível, a primeira vez que eu escutava um exército fazendo aquela música de guerra; o choque de lanças de freixo e lâminas de espadas de ferro contra a madeira dos escudos.
Ele não pertence à sociedade viking, mas também não pertence à Inglaterra. Seu coração está dividido e, apesar das suas escolhas, dá para entender que sempre será assim.

Já crescido, o destino de Uhtred acaba ligado ao de Alfredo - recém-nomeado rei da Inglaterra e um nome a se tornar grandioso na História. Tenho que confessar que meu ranço pelo Alfredo só cresceu com o livro. Ele é ainda mais fanático religioso e insuportável no livro - não dá pra negar que é um líder e estrategista nato, de fato, mas isso não tira o crédito da sua embustidão. E isso ele tem de monte.
- Você deveria ter cuidado com homens que só recebem ordens dos deuses.
Gosto muito de como a personalidade do Uhtred, uma mescla da selvageria dos vikings com a disciplina de batalha e determinação de um earl sem seu reino, bate de frente com a resiliência de Alfredo. Uhtred é seu servo, mas não se curva completamente à sombra do rei.

Resenha: O Último Reino

O livro acontece através do ponto de vista do protagonista, mas Cornwell sabe como transportar os leitores para a história. As descrições são de tirar o fôlego, especialmente as de batalha. Foi minha primeira vez lendo uma parede de escudos e, minha nossa, chegou a arrepiar. Tem muita adrenalina na narrativa do autor, ao mesmo tempo em que momentos lentos aparecem para equilibrar com a ação. Já digo sem medo que Cornwell se tornou um favorito.
- Ele pensa com o coração, Uhtred, não com a cabeça. Você pode mudar o coração de um homem, mas não sua cabeça.
Brida e Leofric são coadjuvantes muito importantes para o Uhtred. A primeira, uma prisioneira inglesa que encontrou no garoto seu melhor amigo e companheiro; ela é selvagem e perigosa e minha heroína, uma garota que não se curva à vontade dos homens e faz com que todos ouçam sua própria voz. Leofric, por outro lado, é um guerreiro inglês de boca suja e pavio curto que se junta a Uhtred no meio da história - eles se bicam e se provocam, mas é um bromance em todas as interações.

Resenha: O Último Reino

Além de Alfredo, outros nomes da História aparecem para dar vida à jornada de Uhtred; Ivar e Ubba Lothbrok sendo os de maior destaque. Eles são líderes e conquistadores e seus nomes espalham medo e cautela nos campos de batalha; são os principais antagonistas à ordem de Alfredo, e representam muito da ameaça que é o povo viking.
- Seus deuses são falsos, são excrementos de demônios, são coisas malignas que trarão trevas ao mundo, ao passado que nosso Deus é grandioso, é todo-poderoso, é magnífico. 
- Mostre - disse Ivar. 
Essa palavra produziu um profundo silêncio.
Esse cenário da guerra entre dinamarqueses e ingleses é o que eu mais admiro nessa história. É tudo tão rico, bem detalhado e com os acontecimentos devidamente introduzidos na trama que não dá vontade de parar de ler; e, de novo, é uma pequena amostra da grandiosidade que vai ser essa saga.

Minha única ressalva com essa história e com o próprio Cornwell é a falta de personagens femininas - principalmente no núcleo viking. A sociedade viking era muito avançada no quesito "papel de mulher"; tinham guerreiras e líderes em igualdade com os homens, e no núcleo dinamarquês o Cornwell não colocou uma guerreira sequer.

WE COULD HAVE IT ALL
Brida, companheira de Uhtred, não pode ser considerada dinamarquesa, mas pelo menos está ali para representar um pouco da força feminina - e espero que ganhe mais destaque nos próximos volumes.
A guerra é travada no mistério. A verdade pode levar dias para viajar. Adiante da verdade voa o boato e é sempre difícil saber o que realmente está acontecendo, e a arte é arrancar o osso limpo do fato da carne pobre do medo e das mentiras.
O Último Reino é perfeito para fãs de histórias épicas, com personagens carismáticos e cenas de ação de deixar seu queixo caído. O início de uma jornada poderosa e inesquecível.


Título original: The Last Kingdom
Autora: Bernard Cornwell
Editora: Record
Gênero: Ficção Histórica
Nota: 4,5
Skoob


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COMENTÁRIOS

17 comentários:

  1. Oie, tudo bem?
    Ainda não conhecia, mas infelizmente não é muito o meu estilo de leitura preferida. Ainda assim, adorei sua resenha
    Blog Entrelinhas

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    1. Oi Felipe!
      Que bom que gostou da resenha, muito obrigada :D

      Beijos.

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  2. Oi, Denise!
    Não conhecia essa livro ainda. Nunca tive problemas para ler livros desse gênero, mas comecei um que tive que parar no meio, pois estava me atrasando com tudo. Parece que deu uma cansada e estou com dificuldade de ler qualquer coisa dessa temática.
    Espero que isso passe e eu possa me aventurar de novo em livros como O Último Reino :)
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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    1. Oi Mari!
      Esse tipo de livro tu tem que ler no feeling certo, realmente, senão só arrasta leitura e acaba perdendo a vontade :/ eu demorei pra criar coragem pra começar a série, mas tô no momento perfeito pra ela!
      Espero que tu consiga ler algum dia *-*

      Beijos.

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  3. Sempre tive curiosidade de ler os livros de Cornwell, principalmente os que se referem ao Rei Arthur (simplesmente amo essa lenda), mas nunca encontro em boas promoções e também fico com medo de me arrepender, de não gostar da leitura =(
    Mas vou tentar deixar esse medo de lado, pois adoro esse tipo de história haha

    Beijão
    Toca da Lebre
    Universo DC 52

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    1. Oi Dora!
      Eu tenho a trilogia do Arthur aqui comigo, vou começar em Abril. Falam que é uma das melhores dele <3
      Cara, sério? :O eu comprei o box da trilogia por 40 reais uma vez no Submarino, tô sempre vendo essa e a trilogia do Arqueiro por um preço muito bom! Dá uma buscada por lá, principalmente em época de promoção geral. Os livros dele não costumam ser muito caros não - tanto que eu paguei só 20 nesse bonitinho aqui.
      Vai na fé que se você gosta de história assim, o Cornwell é a leitura certa!

      Beijos.

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  4. Oi Denise.
    Ainda não li nada do autor, mas vi ótimas críticas sobre essa série.
    Mas, não gosto muito do tema viking, então não fiquei com vontade de ler essa série.
    Espero que a Brida tenha um papel maior nos próximos livros. Adoro personagens femininas fortes e precisamos mais delas no meio literário.
    Beijos

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    1. Oi Pamela!
      Ahhh que pena que tu não gosta :/ talvez a trilogia do Rei Arthur seja uma boa pra ti, caso queira se aventurar nas obras do Cornwell.
      POIS É, único ponto falho dele é a falta de figuras femininas. Espero que os próximos livros melhorem isso u_u

      Beijos.

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  5. Oi, Nizz!
    Menina, então.. eu amo o tema viking mas acho que vou ficar assistindo só a série mesmo. No momento não rola começar séries novas.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da Folia Literária 2018: cinco kits, cinco sortudos.

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    1. Oi Lu!
      Nem faaaaaaaale. O problema de ler o livro é que É TÃO MELHOR QUE A SÉRIE, agora que eu não vou resistir a largar os próximos 298572397236 volumes e_e

      Beijos!

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  6. Oi Denise,
    HAHA eu também fiquei meio assustada com o tamanho da série de livros, mas ainda tenho curiosidade. Assisti uns episódios da adaptação e achei bacana, só preciso colocar em dia HAHAHA.
    E que triste sobre a falta de personagens femininas, mas quem sabe os próximos livros não te surpreendem. Ótima resenha.

    bjs
    Nana - Canto Cultzíneo

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  7. Difícil não se interessar pelo livro depois desta super resenha e apresentação sobre a série. Confesso que nunca nada do gênero e apesar de gostar bastante de seriados com esta temática, acaba se tornando mais um atrativo para sair correndo e adicionar o livro/série a lista de desejados!!

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  8. Oi Denise!
    O livro parece estar impecável heim?
    Gostei mto dessa capa, é linda, gosto mto de livros com ilustrações, espero conseguir uma oportunidade de conhecer o enredo que parece ser bom tbm.
    Bjs!

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  9. Eu ainda não li esse livro mas pelo que eu vi tem uma série na Netflix chamada The Last Kingdom que eu acho que é baseada nessa série de livros eu já conferi a serem mas ainda não li nenhum dos livros apesar de estar muito tentado em começar a lê-los

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  10. Denuse!
    Tão bom poder ler um livro bem escrito, carregado de detalhes importantes, afinal falar sobre disputa entre países e reinos não é fácil, trazer um romance épico e ainda com mapa para nos localizarmos, acho fantástico e de ser uma leitura genial.
    “Eu escolho um homem que não duvide de minha coragem, que não me acredite inocente, que tenha a coragem de me tratar como uma mulher.” (Anaïs Nin)
    cheirinhos
    Rudy

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  11. Grande autor, um dos poucos da nossa atualidade que escreve tão bem, essa é minha opinião. É uma verdade a falta de personagens femininas, não sei o porquê, mas continuo a gostar dos livros de Cornwell.

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  12. Olá, Denise!
    Conheço toda a série e é mesmo excepcional. Lembro que iniciei a minha jornada depois de muita insistência de um amigo, que me emprestou o primeiro volume. Nisso já se vão uns três anos - pouco antes do lançamento da minha série, pra minha sorte. Sorte porquê devorei o livro e resolvi comprar o seguinte. Encontrei um box com sete livros numa dessas blackfraudes da vida, com preço beeeeeeem em conta. Não saberia precisar o valor, mas acho que era coisa de 120 reais. Acho. Devorei eles ao longo do ano, comprei o oitavo, o nono e, no ano passado, o décimo livro, já no frisson da série. Estou esperando o 11º, que está marcado pra outubro deste ano. Para além do conflito político e da dualidade nórdico-saxônica, me interessa o embate religioso entre os "deuses de verdade" e o "deus pregado". As citações dele sobre o cristianismo são hilárias e nos trazem uma série de reflexões. Reitero os seus comentários sobre a qualidade da narrativa, sem deixar de ressaltar o trabalho de pesquisa feito pelo Cornwell - estamos em boas mãos. Pra finalizar, parabéns pela resenha. Adorei a ideia dum site proposto por mulheres. Precisamos de mais e mais iniciativas desse tipo. Sucesso, garotas!!! #grlpwr!!!
    P.S. vi aqui que é historiadora também. Valeu, colega!

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