Resenha: Todas as deusas do mundo - Queria Estar Lendo

Resenha: Todas as deusas do mundo

Resenha: Todas as deusas do mundo

Todas as deusas do mundo é um livro guia para conhecer e adorar a Grande Mãe. Escrito por Claudiney Prieto há mais de uma década, serviu como base e busca de conhecimento para a apreciação da Deusa, quando informações acerca do assunto não eram tão divulgadas quanto hoje. A editora Alfabeto, que publica esta e outras obras do autor, nos cedeu um exemplar para resenha.
Sinopse: Ao ler a nova edição desta importante obra, que há mais de uma década tem inspirado as pessoas a celebrar novamente a Grande Mãe em suas diferentes faces, a verdade vai se revelar para você. Informações sobre a Deusa eram raras quando essa obra precursora foi lançada pela primeira vez, o que a tornou em uma das mais influentes fontes a respeito do tema no Brasil e América Latina. Depois dela a criatividade da Deusa explodiu em muitos outros livros...
Em suas quase 350 páginas o livro procura contar a história, ainda que de forma resumida e simples, de deusas oriundas das mais diversas culturas. Muitas delas, você pode até estranhar, não são vistas como deusas em um âmbito de conhecimento geral. Por exemplo, Ariadne, que apesar de ser conhecida por seu feito envolvendo um novelo de lã, e o labirinto do Minotauro, nunca foi vista como algo além da princesa mortal que ajudou Teseu e depois foi abandonada. Mesmo em seu aspecto como esposa de Dionísio, ela ainda não adquire o perfil de deusa.

Outras deusas por sua vez, como Artemis e Athena, são notoriamente conhecidas. O Panteão Grego, e também o Romano (ainda que em menor escala), costumam ser os mais reconhecidos. Mas ainda assim algumas deusas dentro deles passam despercebidas, como por exemplo Héstia ou Hécate. O que é algo bem comum: só são mais reconhecidos aqueles deuses que convém as pessoas. Principalmente quando se trata das deusas.

Afinal, você já percebeu os aspectos e arquétipos atrelados as deusas femininas gregas, por exemplo? Hera é a esposa fiel e ciumenta, que vive sendo traída e como resposta castiga e caça as amantes (e os filhos!) de seu marido, embora sempre o deixe em paz e permita sua volta. Afrodite é a representação da beleza e do amor, a quem todos encanta e seduz. Artemis é a caçadora, jovial e audaciosa, porém, eternamente virgem. Athena é a deusa da sabedoria e também da guerra, muito respeitada e cultuada, também uma deusa virgem, e que possui todos os aspectos masculinos, até mesmo na forma de se vestir, chegando ao ponto de ter nascido da própria cabeça de Zeus (e não de uma mulher). Perséfone é a donzela sequestrada e forçada a dividir-se em dois mundos, ora no submundo com seu marido e ora na Terra com sua mãe, Deméter, que, por sinal, ainda que seja a deusa da fertilidade e da agricultura, tem sua história toda amarrada a Perséfone e ao seu papel de mãe.


Resenha: Todas as deusas do mundo

Me diga que eu não sou um floquinho de neve único e especial e que você, leitora, também notou como esses arquétipos se enquadram perfeitamente com os esteriótipos femininos que presenciamos ainda hoje na literatura, no cinema e na mídia. E agora me diga, também, que você acredita que isso seja uma grande coincidência, que não existem ninguém se beneficiando disso, e que o motivo pelo qual estes arquétipos são tão forçadamente repetidos não possui relação alguma com a questão de como a representatividade cria, replica e reforça os papéis sociais.

A quem interessa, por exemplo, que deusas como Hécate, uma deusa tríplice e sombria, cultuada muito antes de Zeus, tenha perdido muitos de seus aspectos e forças, caindo quase no esquecimento? Mais ainda, onde reside a surpresa ao perceber que as maiores mudanças em face da deusa se dão exatamente na transição da queda do matriarcado para o sistema patriarcal?

Essas e outras perguntas ficam a cargo de você, leitora, para que busque informações e principalmente o seu próprio entendimento. Todas as deusas do mundo não chega a levantar a fundo estes questionamentos, limitando-se a apresentar algumas deusas e suas histórias, assim como rituais e elementos para melhor criar uma conexão com as mesmas. Mas não creio que ao decorrer da leitura, tomando conhecimento de tantas histórias, você não queira se aprofundar ou não passe a questionar muitos dos aspectos ali descritos.


Resenha: Todas as deusas do mundo

Ler este livro é maravilhoso, principalmente quando você já tem algum conhecimento prévio ou está trabalhando com algo semelhante, como é meu caso com a leitura de When God Was a Woman (esse livro é divino, piada não intencional aqui). Porque é notória a forma como você identifica a fusão de deusas menores, a forma como entidades masculinas absorveram poderes e aspectos de algumas deusas, ou como algumas delas tiveram suas características mudadas a partir do avanço do patriarcado (ou de inimigos de guerra com deuses diferentes).

Quanto a questão dos rituais e tudo que envolve a parte do wiccanismo não sou apta a fazer uma análise, tendo em vista que pouco ou nada sei a respeito da religião. O autor possui outros livros que tem o assunto como foco e, apesar de ser uma figura masculina em uma religião predominantemente feminina, recomendo que busquem mais informações sobre suas demais obras caso estejam interessadas. 

Todas as deusas do mundo foi uma leitura rápida e elucidante, que serviu muito bem ao seu papel de guia. Gostaria muito de conseguir encontrar algo neste mesmo estilo mas mais aprofundado, pois tenho certeza que facilitaria ainda mais a compreensão e conexão com as entidades nele apresentadas.

Título original: Todas as deusas do mundo
Autor: Claudiney Prieto
Editora: Alfabeto
Gênero: Esoterismo | Religião e Espiritualidade
Nota: 3,5
Skoob


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COMENTÁRIOS

7 comentários:

  1. Oi, Duda
    Tudo bem? De cara esse não seria um livro que eu leria, não faz nem um pouco o meu estilo, mas eu lembrei que gosto de conhecer culturas diferentes e acho que em relação a conhecimento cultural e mitológico, esse livro está cheio de ensinamentos, leria somente por isso haha
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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    1. Oi Miriã,
      um dos primeiros motivos pelos quais eu sempre me interessei por deuses é exatamente esse multiculturalismo trazido pela mitologia. Então ter isso aliado a questão do feminino foi incrível pra mim, quero ler cada vez mais sobre!

      Att.,
      Eduarda Henker

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  2. Olá, Eduarda.
    Como em tudo no mundo as mulheres só são mencionadas quando convêm. Inclusive na Bíblia é assim. Achei o livro muito interessante e gosto muito de mitologia. Por isso se der eu vou ler sim.

    Prefácio

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    1. Oi Sil,
      é aquela mesma ideia de "a história é escrita pelo vencedor", e ele sempre é homem e branco. Apagaram as mulheres da história, nos reprimiram das mais diversas forma, gosto de pensar que é por puro medo. Quanto ao livro, leia sim! Vou começar a trazer mais livros do gênero aqui no blog, quem sabe tu não se interessa ainda mais?

      Att.,
      Eduarda Henker

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  3. Oi, Eduarda!
    Desde que você mostrou esse livro no storie eu fiquei bastante interessada em ler. Gosto muito de mitologia e afins, principalmente quando se trata das deusas.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi Lu,
      menina vem aqui e vamos ser bff! Como eu disse na resenha e nos stories, eu to iniciando as leituras sobre o assunto ainda, mas nossa é algo incrível e que abre os olhos, tu passa a ver o mundo sob uma perspectiva diferente. Se tudo ocorrer como o planejado quero trazer mais livros com um conteúdo semelhante!

      Att.,
      Eduarda Henker

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  4. De cara me chamou a atenção eu pegaria esse livro para ler, aprender sobre outros culturas e outros tempos adoro

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