Resenha: Uma dobra no tempo - Queria Estar Lendo

Resenha: Uma dobra no tempo

Resenha: Uma dobra no tempo

Uma Dobra no Tempo é um elogiadíssimo clássico de Fantasia e Ficção Científica que ganhou uma mega edição especial pela Editora Harper Collins. A obra, da autora Madaleine L'Engle, coloca uma garota à frente de uma aventura entre galáxias e o desconhecido.
Sinopse: Era uma noite escura e tempestuosa; a jovem Meg Murry e seu irmão mais novo, Charles Wallace, descem para fazer um lanche tardio quando recebem a visita de uma figura muito peculiar. “Noites loucas são a minha glória”, diz a estranha misteriosa. “Foi só uma lufada que me pegou de jeito e me tirou da rota. Descansarei um pouco e seguirei meu rumo. Por falar em rumos, meu doce, saiba que o tesserato existe, sim.” O que seria um tesserato? O pai de Meg bem andava experimentando com a quinta dimensão quando desapareceu misteriosamente... Agora, com a ajuda de três criaturas muito peculiares, chegou o momento de Meg, seu amigo Calvin e Charles Wallace partirem em uma jornada para resgatá-lo. Uma jornada perigosa pelo tempo e o espaço. Uma dobra no tempo é uma aventura clássica, que serviu de inspiração para os mestres da fantasia e da ficção científica do mundo, agora adaptada para os cinemas pela Disney. Junte-se à família Murray nesta jornada, entre criaturas fantásticas e novos mundos jamais imaginados.
Na história, acompanhamos Meg. Ela não entende seu lugar na família, na escola e no mundo. Questionadora e extremamente teimosa - e birrenta - Meg não tem muita expectativa para seu futuro. Com o desaparecimento misterioso do pai em uma missão para o governo, a garotinha só quer continuar emburrada e reclamando de tudo até que o universo resolve colocá-la a prova.

Resenha: Uma dobra no tempo

Meg, seu irmãozinho genial e incompreendido chamado Charlie e um garoto que ela só conhecia de vista, Calvin, mas que aparentemente também se encaixa nessa questão de "não se encaixar em lugar algum" são convocados por três entidades esquisitas a viajar para muito longe de casa a fim de salvar a vida do pai da Meg - e, quem sabe, o próprio planeta Terra.
"O escuro tem algo de tangível, é possível se mover através dele, você pode senti-lo; no escuro, você caminha e pode bater a canela; o mundo das coisas segue existindo ao seu redor. Aquilo em que ela estava perdida era o vácuo horripilante."
Uma Dobra no Tempo foi uma leitura agradável, leve e bastante refrescante para o cenário da Ficção Científica. A obra, publicada nos anos 60, se tornou um clássico aclamado justamente por desafiar o padrão, dando o protagonismo a uma garota, usando linguagem mais simples para explicar situações complicadas sobre viagem entre dimensões, física, mundos novos e uma galáxia de possibilidades. E também por usar muito de religião em um cenário questionador.

Madeleine tem uma narrativa bastante juvenil; familiar a quem acompanha séries como Percy Jackson e Magisterium, mas com um humor bem mais delicado e com personagens menos rebeldes ou exaltados. Crianças de sua época, de fato.
- Guarde a fúria, pequena Meg. Você vai precisar dela agora.
Meg é um pé no saco, mas é parte da sua história e do seu arco agir de tal maneira. Não acho suportável, mas justificável. Ela não evolui, exatamente, dentro da trama; não existe uma crescente de desenvolvimento ou de melhora em sua postura porque a história precisa que ela seja furiosa e birrenta.

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Charlie, por outro lado, é o lado racional e perspicaz. O doce garotinho, considerado problemático para as pessoas que não o conhecem, é de uma inteligência e sagacidade que completam os conhecimentos específicos da irmã - e forma o equilíbrio perfeito às birras e chatices de Meg.

Calvin, por último, cai de paraquedas no grupo e acaba se entendendo muito bem com os dois irmãos. Crescido em uma família gigante e com pouca atenção sobre si, a consciência e a sabedoria de Calvin vêm para completar o que o trio tinha até então. Onde Meg é furiosa e Charlie é sagaz, Calvin é empático.

Guiada por três Senhoras esquisitas e que pouco fazem sentido - pelo menos até que você entenda, de fato, o que elas são - a jornada das três crianças pelo universo é rápida, sem grandes enrolações. Somos apresentados a três cenários distintos dentro desse mundo de possibilidades, o que deixa em aberto sobre até onde a autora pode levar os personagens na missão de salvar o mundo da Escuridão; uma massa de sombras desconhecida que se arrasta pelo universo e devora planetas e deixa o caos para trás.
- Acho que, dentro das nossas limitações de ser humano, nem sempre somos capazes de entender as explicações. Mas, veja bem, Meg: não é porque não entendemos alguma coisa que essa explicação não existe.
Usando artifícios sutis, a autora explora religiosidade e ciência dentro da trama principal. Tal como As Crônicas de Nárnia, Uma Dobra no Tempo levanta questionamentos sobre fé e devoção, o poder do amor e da esperança - ao mesmo tempo em que cria esse mapa de planetas e tecnologia e explora ideias malucas e bizarras que, aqui, fazem bastante sentido.

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Das figuras coadjuvantes ao trio principal que fazem parte do bizarro, as Senhoras se  destacam. Elas são entidades misteriosas, cada uma com seu jeito peculiar de falar e de se portar, convenientemente escondendo respostas nos momentos certos para que as crianças descubram tudo sozinhas. 

A edição da Harper Collins está um capricho. Definitivamente uma homenagem à saga que conquistou tantos leitores com o passar de todos esses anos; capa dura, diagramação agradável e revisão impecável.
- Você ajudou muito porque me deixou furiosa, e quando eu fico furiosa, não sobra espaço para o medo.
Uma Dobra no Tempo é um bom livro para quem gosta de viagens no espaço e mundos fantásticos embasados em ciência; uma jornada sobre coragem, amor e esperança com um fim curioso que deixa um gostinho de "quero mais".

Título original: A Wrinkle in Time
Autora: Madeleine L'Engle
Editora: Harper Collins
Tradutora: Érico Assis
Gênero: Ficção Científica | Romance
Nota: 5
Skoob

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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Oi, Denise
    Sempre vejo ótimos elogios a essa obra, ela encanta qualquer um, mas ainda assim não consigo sentir aquela vontade enorme de ler, acho que o enredo não me chama tanto atenção, vai saber. Eu acho que trazer uma criança birrenta é até plausível por causa da idade, o chato é esses adolescente chato pra carai que não muda nunca hsuasha
    Beijo
    http://www.suddenlythings.com/

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  2. Gostei da sua postagem, sempre estou visitando seu blog e lendo suas postagens.. Seu blog está salvo em meus favoritos..

    Parabéns!

    Amo seu blog ❤️ ..

    Meu Blog: Tudo Sobre o Badoo

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  3. Olá, Denise.
    Essas edições são lindas demais. Dá até gosto de ter na estante hehe. Eu gostei bastante do livro, até mais do que achei que gostaria. E o primeiro ainda é o mais fraco, depois as histórias só vão melhorando. Mas a Meg continua igualzinha hehe.

    Prefácio

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