Controle remoto: Sharp Objects - Queria Estar Lendo

Controle remoto: Sharp Objects


Eu mesma, a atrasada do rolê. Sharp Objects já acabou e já deve até estar entrando na temporada de prêmios de 2019 e só consegui terminar agora; como foi um serião maravilhoso, eis-me aqui para contar nesse Controle Remoto um pouquinho sobre a experiência de assisti-lo.

A minissérie de oito episódios produzida pela HBO é uma adaptação do livro da Gillian Flynn, a mesma autora do aclamado Garota Exemplar - e também produtora executiva da série, ao lado da Amy Adams. É dirigida Jean-Marc Vallée e estrelada pela própria Amy, que interpreta Camille, uma jornalista assombrada pelo passado que precisa retornar a Wind Gap, sua detestada cidadezinha de infância para cobrir um furo. Uma garota foi encontrada morta e o assassino ainda está a solta; quem está caçando as garotinhas? E como Camille, com todos os seus problemas e perturbações, vai lidar com esse cenário caótico e íntimo que costumava ser seu lar?







Rapaz, pense numa história angustiante. Desesperadora. Que ataca seus nervos das maiores maneiras possíveis. É Sharp Objects.

Fazia tempo que uma trama não me fisgava e me dava tanto nervoso quanto essa; é coisa de os minutos do episódio voarem e eu nem perceber que passaram e de eu precisar de um dia pra assistir o próximo, porque a história mexe com o seu emocional e com a sua cabeça e você fica tela branca em vários momentos.

Amy Adams, como sempre, está um absurdo de atuação. Sua Camille é crível do instante em que pisa em cena, e ela sustenta a personagem de tal maneira que é sufocante assistir seus traumas, tentar entender o que se passa em sua cabeça. Camille é uma mulher devastada pelo passado, não só perturbada. Muita coisa ruim e traumatizante aconteceu com ela, mas a gente não tem IDEIA do que seja. Os episódios são construídos de tal maneira a segurar o suspense até o último segundo, soltando pequenos flashes e cenas soltas como as peças de um grande quebra-cabeça.

E quando as peças se encaixam... meu bom deus.

O final, inclusive. A última cena e a pós-créditos eu tô tentando digerir até agora, tamanho choque.

Honestamente, se a Amy não ganhar pelo menos um Emmy ou Globo de Ouro ou os dois pela atuação dela nessa série eu vou pessoalmente até Academia dar um soco em cada um dos membros.


 

  

A atuação da Amy é visceral, perturbadora, e todo o elenco entrega as melhores performances possíveis, mas vale principalmente comentar aqui sobre as outras duas grandes mulheres em cena junto à protagonista.

Patricia Clarkson interpreta a matriarca, Adora Crellin, a mãe sulista que vê em Camille todos os erros que a humanidade já cometeu. É uma mulher elegante, educada, mas a fala mansa e os olhares vazios e a falta de emoção na voz que a atriz carrega chegam a arrepiar. A relação dela com a Camille é de uma tensão e desespero e solidão que dá medo. Eliza Scanlen, por outro lado, interpreta a irmã mais nova de Camille e toda sua juventude e rebeldia batem de frente com o que a mãe presa; se por um lado Amma Crellin é um espírito livre, por outro está aprisionada dentro da própria casa.

O nível do relacionamento entre as três é que carrega toda a série. Não só a relação perturbada da Camille com sua mãe, mas a extremamente cautelosa de Adora com Amma e a fascinação/adoração de Amma com sua irmã mais velha. É um carrossel que desenvolve a história e dá pano pra manga, com dramas bem trabalhados e interações de tirar o fôlego.

A cidade, em si, é cheia de figuras estranhas e pretensiosas. Personagens que enriquecem a narrativa com o famoso "olha toda essa gente branca fazendo merda". Personagens ambíguos que sorriem mas escondem segredos desagradáveis; pessoas de má índole que pagam de cidadãos de bem.

A fotografia bem escura e as cenas parecem trabalhar pra trazer a sensação de sufocamento, como se não houvesse espaço suficiente além dos olhares aterrorizados, bêbados, amedrontados. Como se você estivesse confinada naquela cidade pequena diante dos horrores do desconhecido.

O brilhantismo de Sharp Objects está nas sutilezas. Nos flashes que entrega. No suspense carregado que consegue produzir sem deixar de dar respostas; é uma série rápida, de oito episódios, e entrega performances magistrais e um final de te deixar de ponta cabeça.

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Oi Denise! Td bem?
    Essa minissérie foi brilhante! Concordo que a Amy precisa ganhar um prêmio pela atuação!
    E nem me fale daqueles minutos finais, SEM OR 😱
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  2. Oi, Nizz!
    Eu comecei a assistir, mas preferi esperar terminar para maratonar.
    Gente, Amy muito injustiçada nessa vida essa fada!
    Beijos
    Balaio de Babados

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