Resenha: Ele - Quando Ryan conheceu James - Queria Estar Lendo

Resenha: Ele - Quando Ryan conheceu James

HIM resenha livro

Ele - Quando Ryan conheceu James é um romance gay e hot escrito pelas autoras Elle Kennedy e Sarina Bowen. Publicado no Brasil pela editora Paralela, que nos cedeu um exemplar para resenha, o livro presta um desserviço a literatura LGBTQ+.
Sinopse: James Canning nunca descobriu como perdeu seu melhor e mais próximo amigo. Quatro anos atrás, seu tatuado, destemido e impulsivo companheiro desde a infância simplesmente cortou contato. O maior arrependimento de Ryan Wesley é ter convencido seu amigo extremamente hétero a participar de uma aposta que testou os limites da amizade deles.Agora, prestes a se enfrentarem nos times de hóquei da faculdade, ele finalmente terá a oportunidade de se desculpar. Mas, só de olhar para o seu antigo crush, Wes percebe que ainda não conseguiu superar sua paixão adolescente. Jamie esperou bastante tempo pelas respostas sobre o que aconteceu com seu relacionamento com Wes, mas, ao se reencontrarem, surgem ainda mais dúvidas.Uma noite de sexo pode estragar uma amizade? Essa e outras questões sobre si mesmos vão ter que ser respondidas quando Wesley e Jamie se veem como treinadores no mesmo acampamento de hóquei.
Ryan Wesley é gay e completamente apaixonado por James Canning, seu melhor amigo a quem ele acredita ser hétero. Não sabendo lidar com seus sentimentos e desejos, propõe uma aposta ao amigo: aquele que perder deve pagar um boquete para o outro. Quatro anos depois, com a amizade acabada após o desenrolar da dita aposta, Wes vai finalmente reencontrar James. E por mais que ele queira fugir e evitar seus sentimentos, dessa vez parece que é James quem está disposto a não deixar a chance escapar.
"O perdedor paga um boquete para o outro", ele disse, enquanto eu dava a tacada.
Dito isso, posso basicamente resumir o livro a: sexo, bifobia, machismo e muito preconceito. A questão envolvendo o sexo não é um incômodo, de fato, visto a proposta do livro e o gênero ao qual ele pertence. Não posso negar, no entanto, que me senti lendo uma fanfic pwp (porn whitout plot). Sem falar, é claro, que eu dei muita risada com as cenas e não acho que esse era bem o objetivo da coisa. Talvez possa ser algo de tradução, e aqui não é culpa da tradutora mas sim da forma como enxergamos certas palavras, mas a coisa simplesmente não funcionou pra mim.

Quanto a bifobia, foi um circo de horrores. Preciso dizer antes de mais nada o quão complicada é a situação dos bissexuais na nossa sociedade, e aqui eu falo no geral e não apenas em nosso país. O preconceito existente contra as pessoas LGBTQ+ se estende para os bissexuais até mesmo de pessoas que também pertençam ao espectro. Dentro da própria comunidade há quem não se relacione com quem é bi por preconceito ou medo de traição, já que bi "tem o dobro de possibilidades e, portanto, o dobro de chance de trair". 
Passo mal quando o imagino me deixando. Ficando pior ainda quando penso que estou competindo não apenas com um, mas com dois gêneros pela sua afeição.
Afora isso, no sentido de entender as pessoas bissexuais como sendo promíscuas, também existe o fator da indecisão. Na ideia de que um bissexual na verdade ou é um hétero curioso ou alguém que não se assumiu. Quando em um relacionamento hétero, um bi sempre será visto como hétero, e quando em um gay ele então será tido como finalmente alguém que se assumiu. Um bissexual nunca é um bissexual. Ser bi é sinônimo de ser invisível.

Portanto, é necessário dizer que acolho com muita felicidade toda boa representação de personagens bissexuais que a cultura pop e a literatura possam me oferecer. Por isso que me dói tanto quando vejo os mesmos preconceitos e esteriótipos sendo reproduzidos com estes personagens. O que foi exatamente o que ocorreu nesse livro.
Não tenho dúvida de curto mulheres.
Mas, aparentemente, também curto homens.
Maravilha. Meu pau é um cara complicado.
James é bissexual, mas durante a história é inicialmente tido como "o amigo hétero" - o que não vou julgar, pois condiz com a heteronormatividade (em que assumimos que ser hétero é o padrão) -, e depois como possivelmente gay ou com atitudes/preferências gays. Quando finalmente compreendido como homem bissexual, passa a então gerar inseguranças e ciúmes por parte de seu interesse amoro. Afinal, ele poderia ter quem ele quisesse - fosse homem ou mulher -, ou poderia "sentir falta de uma vagina".

Toda a situação envolvendo a sexualidade de James é confusa e desrespeitosa, mais até da parte de Wes do que do próprio Jamie (quem estava se descobrindo e teria, por isso, razões para não saber agir inicialmente quanto a isso). Enquanto isso, Wes tem sua sexualidade tratada de forma totalmente fetichista.
Sinto gosto de chuva, cerveja e uma masculinidade viciante.
A masculinidade excessiva e desnecessária dos personagens apenas ressalta um esteriótipo, o gay sarado e gostoso que é safado e arranca suspiros. Porque o problema não é ser gay, o problema é ser afeminado. Isso fica bem claro nas diversas vezes em que as autoras recorreram a recursos narrativos para jamais deixar o leitor esquecer de Wes e James poderiam até estar fazendo sexo um com o outro, mas faziam isso de forma máscula, "como homens". 

Sendo um livro com tão pouca história para além do casal transando, é de se surpreender com a quantidade de machismo que existe nele. São poucas as mulheres a fazerem uma aparição, mas nem isso as livra de serem vistas com maus olhos. Já nas primeiras páginas vemos Wes se referir a namorada de outro amigo de forma depreciativa, depois faz o mesmo com a amiga-colorida de James, e segue tendo esse tipo de atitude e pensamento em todas as páginas que restam. Me senti ofendida como mulher, e duplamente ofendida como mulher bissexual.
"Nenhum. Só não sabia que você estava convertendo héteros agora."
Ele - Quando Ryan conheceu James é o exemplo perfeito de duas mulheres tendo fetiche em dois homens se pegando. E isso não teria problema, não fosse o fato de se dar de maneira tão errada e preconceituosa. Não tivesse atacado os bissexuais e as mulheres da forma como atacou. Não tivesse sido um erro do início ao fim.

Título original: Him #1
Autor: Elle Kennedy e Sarina Bowen
Tradução: Lígia Azevedo
Editora: Paralela
Gênero: Erótico; LGBTQ+
Nota: 1,5


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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Olá, Eduarda.
    Me confundi porque achei que já tinha lido a resenha desse livro aqui hehe. Que pena que um livro que poderia ser tão bom acabou sendo assim. Esperava mais da Elle porque gosto muito dos seus livros mesmo não gostando do gênero. Isso de acharem que bissexual é alguém que ainda não se assumiu eu já ouvi muita gente falando, inclusive amigos gays. E como assim fazer sexo como homens. Aff. Tem cada uma que aparece. Definitivamente não leria ele.

    Prefácio

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  2. Oi, Eduarda! Tudo bem?

    Cheguei até aqui por causa do seu comentário no meu blog sobre esse livro também. Fiquei feliz de ler seu comentário lá e por você ter compreendido meu olhar para esse livro. Na sua resenha também pude observar mais um pouco e melhor a questão do bissexual. Obrigado.

    Esse livro de fato foi uma decepção. Tão heteronormativo, personagens mal construídos e expressões bem toscas. O estereotipo do gay machão e do gay apaixonado pelo hetéro é fail. Representatividade, cadê?

    Diante de tantos comentários positivos sobre o livro (o que me preocupa) encontrar opiniões como a sua não me faz sentir sozinho (rs.).

    Bjão,

    Diego.
    www.vidaeletras.com.br

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