Resenha: Side Effects May Vary

  • 09:00
  • 17.12.18
  • Resenha: Side Effects May Very

    Side Effects May Vary (Efeitos Colaterais Podem Variar, em tradução livre) é o primeiro livro escrito por Julie Murphy, mesma autora de Dumplin'. O livro, contado em dois tempo, traz a história de Alice ao ser diagnosticada com leucemia e sua milagrosa recuperação, que acaba por estragar todos os seus planos.
    Sinopse: E se você estivesse vivendo sua vida como se fosse morrer - só para descobrir que tem toda a sua vida pela frente? Quando Alice é diagnosticada com leucemia aos 16 anos, seu prognóstico não é bom. Para maximizar o tempo que ainda tem, ela jura passar seu tempo corrigindo o que está errado - do jeito que acha que deve ser feito. Ela convence seu amigo Harvey, que ela sabe que sempre teve sentimentos por ela, a ajudá-la com uma lista maluca de "coisas para fazer antes de morrer" que é tanto sobre vingança (humilhar seu ex-namorado e sua arqui-inimiga) como é sobre esperança (fazer algo inesperadamente bondoso para um estranho). Mas quando seu placar está acertado, Alice entra em remissão. Agora, Alice é forçada a encarar as consequências de tudo que ela fez e disse, assim como seus verdadeiros sentimentos por Harvey. Mas será que ela causou danos irreparáveis as pessoas a sua volta, e para a pessoa que mais importa?
    Ao ser diagnosticada com leucemia aos 16 anos, Alice vê rapidamente que os tratamentos não estão funcionando como deveriam e passa a acreditar que vai morrer logo. Por isso, prepara uma lista de coisas para fazer antes de morrer - que inclui algumas vinganças com pessoas que foram bastante escrotas com ela - e, para realizá-las, conta com a ajuda de Harvey, seu melhor amigo de infância.

    A história se passa em dois tempo, no "antes" quando Alice descobre sua doença e inicia sua lista, e o "agora" quando Alice descobre que, enquanto pensavam que ela estava morrendo, na verdade seu corpo estava se recuperando e ela acabou de entrar em remissão. O que é um grande ajuste, porém, diferentemente de muita gente que estaria dando uma festa por saber que "vai viver", Alice está preocupada com as consequências das coisas que fez achando que ia morrer, em especial, como deixou seu relacionamento com Harvey sair da zona de amizade.

    Side Effects May Vary foi uma leitura bem diferente daquilo que eu estava esperando. Eu realmente pensava que seria uma história sobre como ela fez todas essas coisas malucas achando que ia morrer e agora precisava lidar com os resultados, mas na verdade Alice é só uma garota egocêntrica e mimada, que usou e manipulou o melhor amigo para conseguir o que queria, se vingou de duas pessoas e, no fim, tudo com o que teve que lidar foi com o fato de que ela era basicamente uma pessoa horrível e agora Harvey acha que eles vão ter um final felizes para sempre.

    Sem querer ser chata (mas já sendo?), a  história é bem escrita, o diálogo é fluído, a narrativa é fácil e a premissa bastante interessante, e a gente pode ver os primórdios da Julie Murphy nesse livro (que, curiosamente, ela escreveu durante o NaNoWriMo). Dito isso, preciso ressaltar que o ponto principal, os protagonistas, são um saco.

    Alice é a que eu menos odiei, porque ela é uma babaca com a maioria das pessoas, mas ela foi escrita para ser assim. Ela era a mean girl da escola, orgulhosa, que sempre tinha que sair por cima. E quando ela descobriu que tinha leucemia e preparou a lista de coisas que queria fazer antes de morrer, tudo que ela tinha lá era normal ou vingança bem a cara de gente como ela. Além dela ser imatura e mimada, também.

    Resenha: Side Effects May Very

    E a ideia é que, ao longo do "antes" e "agora", a Alice cresça, percebe seus comportamentos inadequados, a forma como ela não consegue lidar com vulnerabilidade emocional, como sentimentos verdadeiros e intensos a assustam, como perder o controle a assusta - o que é até compreensível quando você descobre que tem uma doença como câncer, onde você tem absolutamente zero controle de tudo.

    Então, embora ela seja horrível, foi mais "aturável" porque ela não tentava passar uma coisa sendo outro, e de fato houve um crescimento ali em direção ao fim do livro - que, confesso, não me satisfez porque ficou parecendo que ela só fez aquilo para agradar o Harvey, como se, sem ele, ela fosse incapaz de perceber o quão babaca era.

    Agora o Harvey... Meu Deus, o Harvey. Eu odiei esse menino com a força de mil sóis desde o primeiro POV dele. E eu sei que no começo foi só birra porque eu tô muito cansa da trope de amigo apaixonado pela melhor amiga que se sente do direito de cobrar dela um amor romântico recíproco. Não sei se eu já comentei o quanto eu odeio a ideia de "friendzone", mas eu odeio de uma forma tão intensa que eu queria queimar cada cara que diz isso.

    Mas então a história vai avançando e a gente vai percebendo que não é que a Alice não gosta do Harvey, mas sim que ela não sabe lidar com aquele sentimento, tendo a vida inteira pela frente ou um "prazo de validade expirado", como ela diz. Por isso vamos nos aprofundando mais nele, e Harvey é simplesmente... Chato. Tão chato que eu queria gritar com ele a todo momento. Ele vive deixando que a Alice faça e o trate da forma que quer, sem consequências, e ai fica chocado quando ela "abusa" disso, mas logo depois já volta com o rabo entre as pernas.

    Harvey fica umas três vezes ao longo do livro "eu tô saindo por aquela porta e nunca mais quero ver você" e aí não dá 3 dias e ele já está de volta, ajudando a Alice ou fazendo algo por ela ou choramingando porque como ele ama ela.

    Resenha: Side Effects May Very

    Mas ele também é o tipo "bonzinho" que é bonzinho demais, sabe? Só faz as coisas certas e é chato até quando a melhor amiga dele está morrendo de câncer e colocou na lista de coisas para fazer antes de morrer que quer fumar maconha. Honestamente, senhores e senhoras. A menina tá morrendo, os pais e os médicos estão falando de cuidados paliativos, e ele tá falando "ai vamos só dizer que a gente fumou, mas não vamos fumar", ele tá muito preocupado que fumar maconha uma vez na vida vai afetar as chances de sucesso futuro deles - um futuro que a Alice não tem, no momento - e fica enchendo o saco dela. E no fim nem a decência de comprar maconha de verdade para realizar um desejo de uma pessoa morrendo ele foi capaz de ter.

    O Harvey passa tempo demais julgando a Alice porque ela está aproveitando os últimos meses de vida se vingando das pessoas que lhe fizeram mal e fazendo uma lista de coisas perfeitamente normais - como querer aprender a dirigir ou ir ao baile. E eu também não acho legal que a Alice queira se vingar de certas pessoas, mas a guria descobriu que tinha uma doença que não deixa muita margem para sobrevivência, que seus tratamentos não estão funcionando, e pouco antes disso, descobre a traição do namorado. Ela não tem psicológico nem emocional para lidar de forma saudável com as duas coisas, então eu acho muito coerente que ela esteja buscando vingança como uma forma de conseguir um pouco de controle sobre as coisas que acontecem a ela.

    A Alice diz que Harvey é o mais perto de uma consciência que ela tem e, de fato, o Harvey é assim chato. Não deixa nem a guria morrer em paz e ainda fica insistindo que prefere quando ela "faz coisas boas" e não gosta daquela Alice vingativa e orgulhosa. Mas ao mesmo tempo, vive falando que a ama, o que meio que dá tela azul aqui. Porque se você ama alguém, você ama apesar das falhas, mas o Harvey vive querendo mudar quem é a Alice. E eu entendo você querer ser uma pessoa melhor para a pessoa por quem está apaixonada, mas é uma decisão que não deveria partir do Harvey, e sim da Alice.

    Honestamente, gente. Eu fiquei extremamente decepcionada com o livro e fico aqui me perguntando se o erro foi eu ter lido um dos livros mais recentes da Julie Murphy antes dele, ou se é só o esperado mesmo, que o primeiro livro sempre seja bem pior do que os mais recentes - porque isso também aconteceu com o John Green quando eu li Quem é Você Alasca? e odiei com a intensidade de mil sóis.

    No fim, embora eu recomende a Julie Murphy, não posso, em boa consciência, recomendar Side Effects May Vary porque os personagens são uma parte gigantesca da história e eles são apenas chatos, nada mais. 

    Título original: Side effects May Vary
    Autora: Julie Murphy
    Editora: B+B
    Gênero: YA - Contemporâneo
    Nota: 2
    Skoob

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    1. Uau, impossível ler sua resenha e não querer explorar essa história. Ela deve ser emocionante e cheia de lições. Já quero conhecer!

      www.kailagarcia.com

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    2. Olá, Bianca.
      Eu achei a ideia do enredo bem bacana. Que pena que foi só isso e de resto nada funcionou. Eu particularmente acho um desserviço isso de ficarem escrevendo livros de melhores amigos que se apaixonam porque só reforça a ideia de que não existe amizade entre homens e mulheres sem interesse sexual. E já peguei birra desse cara porque se ele ama tanto ela a ponto de aceitar todo tipo de coisa, porque não aceita ela como ela é na verdade? Acho que é um livro que eu não leria.

      Prefácio

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    3. Oi. Bibs
      Eu acho que a ideia da trama é muito legal, e soaria divertida se fosse por outro caminho. Se caso a Alice tivesse que lidar com as consequências como você falou mas de forma mais desembestada e engraçada, não do jeito que foi feito. Eu detesto personagem que quer pagar de bom moço o tempo todo, porque pinta muito falso. Gente assim sempre tem algo a esconder, principalmente na vida real então já não curti. Se a trama fosse rescrita acho que daria super certo se os personagens fossem diferentes.

      Beijo!
      http://www.capitulotreze.com.br

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    4. Oi, Bibs!
      É... já sei que vou passar longe desse livro. Só pelos seus comentários eu já matei esses protagonistas umas 46874535 vezes na minha cabeça.
      Beijos
      Balaio de Babados
      Natal Literário 2018: 5 kits, 10 ganhadores. Participe!

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    5. Eita muito ódio em mil sóis rsrsrsrs Eu nunca li nada da autora e não gosto tanto assim de livros com doenças, confesso rs Enredo é interessante, mas os personagens são chatos, acho que passo...

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    6. Oi Bibs,
      Vixi, eu nem me arrisquei em Dumplin ainda e lendo por sinopse, confesso que esse me atrairia mais, porém acho que vou desistir de ler hein? Esses personagens não me cativariam.
      P.S.: Quem é Você, Alasca? também foi uma decepção para mim, rs.
      beeeijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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