Resenha: Vinte Garotos no Verão

  • 09:00
  • 3 de jan de 2019
  • Resenha: Vinte Garotos no Verão

    Vinte Garotos no Verão, publicado por aqui pela editora Novo Conceito, é o primeiro romance de Sarah Ockler, e tem como premissa uma aventura de verão de duas melhores amigas, Anna e Frankie, que apostam entre si para ver quem conhece primeiro vinte garotos durante as ferias de verão - o problema é que Anna não quer viver um amor de verão, pois já encontrou o seu: Matt, o irmão mais velho de Frankie, que morreu um ano antes.
    Sinopse: Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que você aprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá).As pessoas não querem saber que você jamais comerá bolo de aniversário de novo porque não quer apagar o sabor mágico de cobertura nos lábios beijados por ele. Que você acorda todos os dias se perguntando por que você está viva e ele não. Que na primeira tarde de suas férias de verdade você se senta diante do mar, o rosto quente sob o sol, desejando que ele lhe dê um sinal de que está tudo bem.
    Em seu aniversário de quinze anos, Anna Reiley deseja que Matt, seu melhor amigo menino e o irmão mais velho de sua melhor amiga, Frankie, finalmente a note. E assim acontece. Após uma guerra de bolo de aniversário no quinta, enquanto ambos estão se limpando na pia da cozinha, Matt finalmente beija Anna e o sabor do beijo dele misturado com cobertura de bolo de aniversário é a melhor coisa que Anna já provou.

    Pelo mês que eles tem antes da viagem anual da família de Matt para a praia de Zanzibar, no outro lado do país, os dois desenvolvem uma relação secreta, escondida dos olhos de seus pais e de Frankie - pois Matt quer ser ele o responsável por contar a novidade a irmã, e quer fazer isso quando os dois tiverem um tempo sozinhos em Zanzibar. E ele faz Anna prometer que não contará nada a Frankie antes dele.

    O problema é que, na véspera de sua viagem, os três se envolvem em um acidente de carro, onde Anna e Frankie sobrevivem, mas Matt não.

    A morte inesperada do rapaz faz sua família ruir e deixa Anna com duas promessas para cumprir: não contar nada sobre sua relação para Frankie, e cuidar dela.

    E eu queria dizer que só de escrever isso já fiquei com lágrimas nos olhos - se é a TPM ou apenas o fato de que EU CHOREI A CADA PARÁGRAFO DOS PRIMEIROS CAPÍTULOS DESSE LIVRO nunca saberemos.

    Mas também acho importante destacar que, embora Vinte Garotos no Verão tenha uma ótima premissa, se desenvolva muito bem em grande parte e seja acompanhado por uma narrativa simples, emotiva e bem feita, eu não o aproveitei como pensava que faria.

    Resenha: Vinte Garotos no Verão

    Vinte Garotos no Verão tinha tudo para ser bem do jeitinho que eu gosto: drama, romance proibido, e melhores amigas em uma aventura de verão. Mas não consegui me conectar de verdade com as personagens, apesar de ter chorado muito no início do livro. A ideia de uma morte tão trágica e tão cedo sempre me abala muito, e a forma como Sarah Ockler escreve isso - fazendo questão de nos apresentar bem Matt, seus hobbies, o que ele amava e o que o futuro guardava para ele, como o inicio na faculdade - tornou ainda mais pesaroso e dolorido de ler sobre a morte e a falta que ele fazia.

    O fato de sua família, mesmo um ano depois, ainda viver muito intensamente essa perda, também contribui para a comoção toda. O livro é narrado por Anna, que mesmo depois de um ano não sabe exatamente como deve se sentir - embora se sinta muito triste, ela acha que não tem tanto direito a isso como Frankie, pois não sabe o que perdeu. Definitivamente perdeu seu melhor amigo, mas Matt era muito mais que isso, ela só não sabe o que, e sempre que coloca sua dor em comparação com a de Frankie ou de seus pais, sente-se culpada. Como se eles tivessem direito ao luto e ela não. Então, no começo, é bastante sentimental.

    Um ano após a morte de Matt, a família decide retormar a viagem anual para Zanzibar e, a fim de deixar Frankie mais animada, levam Anna junto, e é ai que entra o projeto Melhor Verão de Todos os Tempos. Em Zanzibar, Frankie e Anna podem ser quem quiserem, com o passado que quiserem e, mais do que isso, solucionar o que consideram um "problema" de Anna: sua virgindade. Sem saber como dizer não para Frankie - tanto porque não quer deixá-la triste como porque não pode contar que a única pessoa com quem gostaria de perder a virgindade era Matt - Anna acaba aceitando.

    E eu acho que foi aqui que a história me perdeu um pouco. Porque em Nova Iorque Anna estava completamente apaixonada por Matt, guardando com esmero a blusa que usou em seu aniversário, ainda com as manchas da cobertura do bolo de aniversário, e guardando na memória o sabor de seu primeiro beijo com Matt. Mas a partir do momento que ela decide dar uma chance para o plano de Frankie e começa a se envolver com um garoto local, Sam, seus sentimentos por Matt parecem desaparecer. Tudo que ela sente é culpa e medo de esquecer Matt ao formar novas memorias e criar novos sentimentos por outra pessoa.

    Resenha: Vinte Garotos no Verão

    E isso meio que me pegou, essa ideia de que luto é algo linear. Porque não é. A forma como o livro trabalhou a ideia de que, depois desse verão, Anna estava pronta para desapegar de Matt e seguir em frente me incomodou bastante. Quando a gente perde alguém que ama, não existe um momento em que deixamos de pensar neles. As vezes, dez anos depois, nos lembramos de algo e simplesmente dá uma vontade de chorar que não tem como segurar. E isso não quer dizer que você não passou pelo luto "da forma certa" ou que não "superou" a perda. A ideia de que depois de "superar" uma morte, nunca mais vamos sentir a perda, é absurda para mim. E ainda assim, foi o que eu senti com esse livro.

    Para além disso, senti que o fim do livro não resolveu nada. A autora abriu algumas questões ao longo do livro - como a forma como Frankie lida com a perda e o distanciamento de seus pais - nunca são fechadas. Embora o foco fosse a Anna, me pareceu que a história também mostraria alguma resolução para a família de Matt, mas não foi isso que eu vi.

    Dito isso, eu ainda escrevi essa resenha chorando e, como falei antes, ela tem tudo que uma boa história precisa. Tirando esses dois pontos citados acima, eu não acho que Vinte Garotos no Verão seja uma história ruim, mas acho que eu li em um momento que não deveria ou que, talvez, eu já tenha superado essa trupe. O livro também tem uma pegada bem mais adolescente do que a maioria dos que eu leio e por ser mais antigo, alguns comentários das personagens me incomodaram ao longo da leitura.

    Mas não descarto a possibilidade de que Vinte Garotos no Verão seja uma leitura que muita gente vá gostar, por isso escolhi uma nota "neutra" para ele. Assim como aconteceu com Queria que Você me Visse, eu acho que Vinte Garotos no Verão é um livro que você precisa ler para saber se vai gostar, pois os motivos que me fizeram deixá-lo na zona da neutralidade são bastante triviais e pessoais.

    Título original: Twenty Boy Summer
    Autora: Sarah Ockler
    Tradutora: Paulo Polzonoff Jr.
    Editora: Novo Conceito
    Gênero: YA
    Nota: 3
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    1. pena que nao rola aquela conexao com os personagens e que o final nao é aquelas coisas pq o enrredo parece mesmo bem interessante

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    2. Oi, Bibs!
      Eu realmente não sei o que falar... Nunca me interessei pelo livro porque achei que era mais um YA da vida com uma apostinha e tals, mas ele vai mais a fundo e eu me surpreendi. Quem sabe um dia dou uma chance.
      Beijos
      Balaio de Babados

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    3. Oi, Bibs
      Eu gostei muito desse livro porque adoro o tema, mas eu achei o livro muito lento. Eu chorei muito no início mas também achei que a personagem principal não era tão apegável assim, não consegui gostar muito dela infelizmente.

      Beijo
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