Resenha: Você

  • 09:00
  • 23 de mar. de 2019
  • Resenha: Você

    Você, escrito pela Caroline Kepnes, foi um dos títulos que escolhi para a Maratona Mulheres da Literatura - na categoria "terror escrito por uma mulher" porque a premissa é basicamente um conto de terror moderno; um homem branco stalker obcecado com uma garota e disposto a tudo para tê-la em sua vida.

    Sinopse: Bestseller do The New York Times, o romance de estreia de Caroline Kepnes ganhou elogios de escritores do calibre de Stephen King e Sophie Hannah, além de resenhas estreladas, e deu origem a uma série de TV homônima que estreia neste primeiro semestre nos EUA. Não é para menos. Hipnótico, assustador, brilhante são alguns dos adjetivos usados para descrever este thriller sobre um amor obsessivo e suas perigosas consequências. A trama tem início quando Guinevere Beck, que deseja ser escritora, entra na livraria do East Village onde Joe Goldberg trabalha. Bonita, inteligente e sexy, Beck ainda não sabe, mas é a mulher perfeita para Joe, que, a partir do nome impresso no cartão de crédito de sua cliente, passa a vasculhar sua vida na internet e a orquestrar uma série de eventos para garantir que ela caia em seus braços, fazendo com que tudo pareça obra do acaso. À medida que o romance entre os dois engrena, porém, o leitor descobre que Beck também guarda certos segredos e os desdobramentos desse relacionamento mutuamente obsessivo podem ser mortais.

    A história é narrada por Joe. Tudo começa em um dia normal, quando uma desconhecida passa pelas portas da livraria onde ele trabalha; essa desconhecida é "você", Guinevere Beck. A visão de Joe nos mostra uma musa nascendo à frente de seus olhos e, de repente, ele precisa tê-la porque foram feitos um para o outro. Porque o simples fato de respirarem o mesmo ar significa que foram destinados a ficarem juntos.

    A obsessão logo se transforma em uma caçada e é desesperador acompanhar tudo pelos olhos do psicótico stalker que acredita que tudo que faz é por amor. E uma vez que as atrocidades começam, elas nunca têm fim.

    Você foi uma montanha-russa de tensão e desespero e com certeza conseguiu me deixar mais tensa do que muita história de terror sobrenatural por aí. O foco da narrativa, nos prendendo aos olhos de Joe, é justamente dar essa sensação claustrofóbica de que sabemos tudo que há de errado nesse cenário, mas não podemos fazer nada além de acompanhar e esperar pelo pior.

    E o pior sempre fica pior.

    Gostei muito de como a autora desenvolveu o protagonista. A narrativa quer nos fazer acreditar de que ele é um homem amoroso, doce, gentil, dedicado - mas a quebra disso com as atrocidades que ele comete está ali o tempo todo para mostrar o quanto sua existência é doentia e o quanto ele distorce tudo, absolutamente tudo que acontece ao seu redor e ao redor de Beck, para que o "relacionamento" deles seja real. Para acreditar que está fazendo o melhor pelos dois; não importa o quanto isso envolva violência e assassinato e terrorismos a parte.

    Dá pra ver o lado psicopata nos pensamentos do Joe. O seu "amor" é, na verdade, um traço obsessivo e possessivo e se desenvolve como uma doença. Primeiro começa com olhares e suposições e eles continuam existindo junto a perseguições, invasão de privacidade e de propriedade e até assassinato. 

    Os coadjuvantes são personagens imperfeitos. A meu ver, a autora fez isso de propósito só pra criar laços de empatia ainda mais desesperadores; aquela sensação de essa personagem é problemática mas nem tanto quando comparada ao protagonista. Joe usa isso a seu favor, para justificar em pensamento que está livrando Beck de alguns males, de que ela na verdade é a vítima e ele o herói; mas só fica pior e pior e o nojo pelo personagem principal só ultrapassa barreiras que eu nem sabia que tinha criado.

    Meu único problema com esse livro foi o fim. Tudo caminhava bem, mas a autora... desembestou em uma situação que me deixou inconformada. Não é que eu queira algo mirabolante ou longe da casinha, mas gosto muito mais de fins como o de Corra! (Jordan Peele) do que a desgraça ridícula do fim de Dias Perfeitos (Raphael Montes). A nota só baixou porque o final me deixou puta da cara.

    Você, no fim das contas, serviu ao propósito de me angustiar e fazer olhar por cima do ombro, quase esperando ver algum maníaco medonho do outro lado da rua. Pode ter entregado um fim meia boca, mas funcionou como terror psicológico.

    Título original: You
    Autora: Caroline Kepnes
    Editora: Rocco
    Tradução: Alexandre Martins
    Gênero: Thriller
    Nota: 3,5
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    1. eu assisti a serie e gostei bastante, fiquei bem curiosa pra ler o livro tbm

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    2. Oi Denise!
      Eu nem sei se o final do livro é o mesmo da série, mas acho que deveria ser uma história sem continuação. Dei a mesma nota para a série.
      Bjs
      http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    3. Oi Denise
      Eu assisti a série mas não tenho interesse porque apesar da série ter me prendido, não posso dizer o mesmo do livro. Imagino que a obra seja bem interessante pelo tanto de resenha que já vi aqui. Pena que o final não colaborou.
      Beijo
      http://www.capitulotreze.com.br/

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    4. Olá, Denise.
      Eu assisti a série e gostei bastante, mas não tinha me interessado em ler o livro até agora ao ler sua resenha. Eu acho que essa jogada da autora em fazer os personagens secundários sem carisma funcionou porque vi muita gente "torcendo" pelo protagonista. Vai entender. mas em um mundo onde relacionamento abusivo é aprovado e ainda taxado como amor não é de se esperar muita coisa não. Assim que der vou ler ele.

      Prefácio

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    5. Oi, Nizz!
      Eu decidi ficar só com a série mesmo... vi uns comentários que a narrativa é meio lenta, então já não rola comigo.
      Beijos
      Balaio de Babados

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