Controle Remoto: Siempre Bruja

  • 09:00
  • 12 de abr de 2019
  • Controle Remoto: Siempre Bruja

    Siempre Bruja, ou Sempre Bruxa (seu título em português), é a segunda série colombiana original da Netflix e traz a história de Carmen, uma jovem mulher negra escravizada no século XVII. Ela é, também, uma bruxa, e sentenciada pela inquisição espanhola a morrer na fogueira após ser acusada de bruxaria por sua dona.

    A premissa de Siempre Bruja gira em torno de um acordo feito entre Carmen e o poderoso bruxo Aldemar. Carmen deve viajar no tempo para encontrar um objeto que ajudaria a libertar Aldemar e, em troca, ele a traria de volta para sua época a tempo dela salvar seu amor, Cristobal - o filho de seus donos.

    Dessa forma, Carmen acaba na Colômbia de 2019, precisando contar com a ajuda de estranhos para encontrar quem procura ao mesmo tempo em que precisa se proteger de um poderoso e cruel bruxo, Lucian, que aparentemente tem assassinado mulheres queimas pela região.

    Controle Remoto: Siempre Bruja

    De maneira geral, Siempre Bruja é uma série que me divertiu muito, entreteve e me mante presa, querendo desvendar seus mistérios. As personagens principais são cativantes e Carmen me conquistou bastante. Embora a fórmula seja batida, com a ideia de um romance proibido, fantasia e ambientação escolar, mas ela consegue acertar os elementos fantásticos de forma que nos ocupe bastante.

    Ela é bem humorada, também, e não soou forçada com as atuações. Também se propõe a discutir temas atuais, em especial a posição da mulher na sociedade atual. Ela não nos dá muito background sobre as personagens ou muitos plots paralelos, e embora eu tenha sentido falta de conhecer mais a fundo as personagens secundárias, ainda assim não me afetou tanto.

    Ao menos não como o arco com o "romance proibido", que foi a parte que realmente me incomodou na série. O romance acontece entre Cristobal, um rapaz branco, filho dos donos de Carmen, e ela, uma jovem negra escravizada. Nunca vemos, de verdade, o começo e o desenvolvimento do romance dos dois, e Carmen é condenada a fogueira depois que a mãe de Cristobal descobre sobre o romance dos dois e a acusa de ter enfeitiçado seu filho.

    Controle Remoto: Siempre Bruja

    E eu tenho um mega problema com um romance entre um senhor de escravos e uma escrava - ainda mais agora depois de ler Kindred - Laços de Sangue. Acredito que a série teria ganhado muito se o romance fosse com outra personagem negra ou, então, com uma personagem branca que estivesse ativamente envolvida com a abolição da escravidão. Mas com um senhor de escravos, não.

    Como eu disse, o desenvolvimento do relacionamento deles nunca é mostrado de verdade, eles nos apresentam os dois com juras de amor eterno e coisas do gênero e esperam que a gente aceite o relacionamento e pronto. A condição dela, como escrava, nunca é realmente explorada e parece que ela é apenas uma moça pobre se apaixonando por um rapaz abastado. E essa diminuição da escravidão, do que ela foi, do que fez as pessoas, das marcas que deixou na sociedade, realmente me incomodou muito.

    A forma como eles retrataram esse romance saiu tão fora da realidade que, pra mim, é mais fácil aceitar magia do que os dois juntos, honestamente. Foi uma pincelada muito de leve, que relevou muitos dos horrores da escravidão, que transformou tudo em uma coisa bonitinha de romance proibido e a gente quase cai nessa.

    Não é meu lugar de fala, e para mim deveria ser muito natural a ideia de que SENHORES e ESCRAVOS dificilmente vão viver um romance consentido e recíproco. E como não faz muito tempo tivemos uma polêmica bem semelhante com um livro nacional, deixo esse vídeo da Thati Machado e da Lyli Lua falando sobre o assunto para quem quiser entender mais:


    Por fim, dizer "fora isso" para a questão do racismo parece realmente péssimo, mas é uma pena que a série tenha se escorado nesse artifício preconceituoso para desenvolver o romance, porque o restante é bastante legal. A série é colorida, divertida, e tem ganchos bem interessantes para uma segunda temporada.

    Siempre Bruja também é baseada em um livro - que, descobri, tem muito pouco a ver com a série - chamado Yo, Bruja, da Isidora Chacón. E se você ainda tiver interesse em conhecer a série, vou deixar o trailler aqui abaixo.

    1. Olá, Bianca.
      Eu já nem tinha me interessado pelo enredo e agora lendo seus comentários acho que é uma série que não vou assistir. Eu li o ano passado um livro nacional que tinha essa relação patrão e escravo e não consegui engolir. E também lembro da polêmica do livro citado hehe.

      Prefácio

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    2. Oi Bianca,
      Eu comecei a ver o primeiro episódio, mas algo ali não se encaixava e me incomodava. Não levei para frente. Confesso que não sei ainda se é essa romantização, mas pode até ser, porque eu não conseguia acreditar naquele enredo (e não é pela parte mágica), achei o roteiro fraco.
      E não sabia que era um livro!
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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