Resenha: Dando um tempo

  • 09:00
  • 22 de abr de 2019
  • Resenha: Dando um tempo

    Dando um Tempo é um dos mais recentes títulos da autora Marian Keyes, e foi lançado aqui pela Editora Record. Conta a história de Amy que se vê numa situação bem inusitada; é comum as pessoas darem um tempo no namoro, mas em um casamento? Pois é, essa foi a proposta de Hugh, seu marido. 

    Sinopse: Amy e Hugh vivem o que se pode chamar de casamento perfeito, e apesar de o dinheiro ser curto e o estresse ser muito, sua vida segue uma rotina confortável... até que a morte do pai e de um grande amigo desencadeia em Hugh uma intensa crise durante a qual ele decide que precisa dar um tempo de tudo, sobretudo da vida a dois, e parte rumo ao sudeste asiático, por onde viajará por seis meses. Incapaz de fazer o marido mudar de ideia, Amy sabe que muita coisa pode mudar nesses seis meses. Quando Hugh voltar — se voltar —, será ainda o mesmo homem com quem se casou? E será ela a mesma mulher? Afinal, se ele está dando um tempo do casamento, ela também está, não é?

    Hugh é um bom homem e aparentemente bom marido, porém nos últimos anos teve duas perdas enormes: o pai e um amigo. Essas perdas impactaram muito na sua felicidade, na sua forma de viver e no seu casamento. Nesse turbilhão de sentimentos, ele decide que o que precisa para resolver todos os seus problemas é de seis meses longe de tudo e dando um tempo no seu casamento. Hããã, oi?!

    Uma jornada de mil quilômetros começa com uma decisão idiota.

    Amy então se vê sem opção a não ser aceitar, já que Hugh diz que vai tirar seus seis meses de qualquer jeito. Apesar de estar muito triste e se sentir humilhada, Amy segue sua vida trabalhando e cuidando de suas três filhas. Essa não é a primeira vez em que ela se vê abandonada, sua primeira filha Neeve, é fruto de outro casamento com o jogador de futebol Richie Aldin.

    Richie traiu Amy e isso deu fim ao casamento dos dois, ele o típico homem que a gente aqui do blog detesta, dominador e machista, em resumo: ele foi um babaca. Além de abandonar Amy, deu pensões ridículas - quando pagou - e nunca teve uma gota de participação na vida da filha, que apesar de tudo o ama muito e admira muito o pai.

    Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo, por favor? Isso é algum tipo de prêmio de consolação? O universo lhe tira um marido, um marido ótimo, e, como tentativa de se desculpar, devolve o babaca a quem você amava vinte anos atrás?

    Neeve é youtuber, tem um canal de dicas de maquiagem e vestimenta chamado Miga, Se Liga! que já é bem promissor; ela foi uma adolescente complicada e agora, com 22 anos, não é muito diferente. Por não ser filha biológica de Hugh e por Amy nunca ter dito o quão babaca o pai dela realmente é, ela acredita muito em Richie e despreza bastante Hugh, ressaltando sempre que ele não é o pai dela, apesar de praticamente ter criado ela. 

    Além de Neeve, Amy tem Kiara, que é filha de Hugh, uma garota doce que se importa muito com o meio ambiente e tem suas próprias crenças. Por fim veio Sofie. Tem 17 anos e foi para casa de Amy com 3, filha de Joe, irmão de Amy e Ursula, que é aquela típica mulher fitness que controla a comida dos outros, além de ser bem egoísta. Ambos são bem imaturos, desnaturados e péssimos pais, por esse motivo Amy vivia cuidando de Sofie até o momento que ela não saiu mais da casa dela. Dentre as três, Sofie é a mais apegada com Hugh, a mais compreensiva, a mais meiga e sensível das três meninas.

    Resenha: Dando um tempo

    Apesar de serem de pais diferentes, as três são muito unidas, como três mosqueteiras e estão ali uma pelas outras. Em vários momentos do livro as três mostram essa irmandade e amizade. São bem compreensivas e ajudam muito a Amy, sendo muitas vezes o que a mantém com a cabeça no lugar.

    Amy é relações públicas em uma agência na qual é sócia com dois amigos: Tim e Alastair. Tim é o centrado dos três, sério e super profissional, já Alastair é o eterno solteirão mulherengo e extremamente divertido. Os três cuidam de algumas marcas e principalmente de artistas que tiveram sua imagem manchada por alguma gafe.

    Além dos sócios, uma presença constante na vida de Amy é a família. Ela tem quatro irmãos, além de Joe -  o caçula, desmiolado e pai de Sofie - ainda tem Mauren, a mais velha e Derry, que tem a idade mais próxima de Amy, o outro irmão de Amy não aparece muito nas cenas e, por isso, não vou falar muito dele aqui. Acho bem ruim quando o autor faz isso, se não vai explorar o personagem, não tem necessidade de colocá-lo na história.

    Mauren é super-protetora e a que tenta colocar juízo na cabeça da família, desde muito cedo foi responsável por cuidar dos irmãos. Derry é solteira e vive muito bem assim, obrigada, foi uma das personagens que mais gostei. Ela não liga se os outros dizem que aos 40 e tantos anos já deveria estar casada, com filhos e não saindo por ai namorando um atrás do outro.

    O pai de Amy tem Alzheimer e a mãe só agora tem saúde e quer curtir a vida que não curtiu. A mãe dela é a responsável por cenas muito divertidas e comentários que dão vários tapas na nossa cara. Ela e Alastair são quem dão leveza para o livro, sem eles seria muito pesado e cansativo.

    - Deus está morto!
    - Jura? - pergunta papai - Bem, até que ele durou bastante.

    Já Amy, por sua vez, teve Neeve muito nova e se viu sozinha com um bebê aos 22 anos, sem ter para onde correr. Suas necessidades e vontades sempre foram deixadas de lado pela Neeve, depois por Kiara, Sofie e Hugh. Como a maioria das mulheres casadas, sua família vinha primeiro. Por isso, ela não sabe muito bem como viver sem Hugh e fica perdida no início, quando ele a deixa para sua aventura. Ela tem que cuidar de três meninas e uma casa sozinha, tem que continuar mantendo tudo em ordem e o mais normal possível.

    Vemos muito de como foi parte da vida e alguns dos relacionamentos de Amy por meio de lembranças desencadeadas com a ida de Hugh. Ela lembra como conheceu ele, o modo que foi largada por Richie, a ida de Sofie para casa dela, entre outras cenas. 


    Não importa, acabou, e não pretendo repetir a dose. Não com um homem casado. Na verdade, com homem nenhum. Não quero um. Não preciso de um. Posso me virar sozinha.

    Comecei o livro com um pouco de preconceito, confesso, por dois motivos. Primeiro porque comecei a ler Melancia uns anos atrás e não gostei e depois porque sou totalmente contra essa história de "dar um tempo"; ou termina ou não, não tem meio termo.

    Não sei se foi por não ter gostado de Melancia e já vir com esse julgamento para o livro, não gostei muito do início. A leitura foi se arrastando até a página 300, depois disso que as coisas começaram a ficar mais interessantes e a vida de Amy saiu do "Hugh me largou, e agora? O que faço da vida?" e começou a viver a própria. Afinal, se o tempo valia pra ele, valia pra ela também, não é mesmo?

    Torci muito para Amy ter um final feliz, só queria que ela se livrasse desses homens da vida dela, não gostei de nenhum deles, ô dedinho podre que essa mulher tem.

    O final não foi exatamente como eu esperava, achei que Amy precisava de um final diferente. Apesar disso, não foi ruim, é possível entender o porquê desse final e o quê a autora quis passar com ele, mas não fiquei muito satisfeita. O final desse livro é aquele típico que divide opiniões, tenho certeza que alguns vão amar e outros nem tanto.

    Título original: The Break
    Autora: Marian Keyes
    Editora: Bertrand
    Gênero: Ficção | Literatura Estrangeira | Chick-lit
    Nota: 3,5
    Skoob

    1. OI Raquel
      Fiquei muito confusa com tanto nome kkkk mas eu já tentei ler Melancia também e super te entendo, praticamente odiei. Eu não leria infelizmente outra obra da Marian.
      beijo!

      http://www.capitulotreze.com.br/

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    2. Oi, Raquel!
      Pra mim também não tem dessa de dar tempo. Ou acaba ou acaba hahahahha
      Nunca li nada da autora, mas pelos comentários que já vi de seus livros acho que não seriam muito do meu agrado.
      Beijos
      Balaio de Babados

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    3. Oi Raquel! Que ótima resenha, parabéns. Eu adoro a Marian Keys, mas ela é um pouco prolixa mesmo rsrsrrss eu tenho uma amiga que amou o livro e acho que autora sempre trata tudo de uma maneira muito real, e a realidade nem sempre é das melhores, né? Espero ainda ler apesar das ressalvas.

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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