Resenha: Querido Evan Hansen

  • 09:00
  • 18 de abr de 2019
  • Resenha: Querido Evan Hansen

    Querido Evan Hansen é inspirado no musical de mesmo nome. Escrito por Val Emmich, Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul, é um dos lançamentos da Editora Seguinte para este mês - o eARC foi cedido pela própria editora através do NetGalley.

    Sinopse: Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma. Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira. Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter? Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.

    A história acompanha o jovem Evan Hansen; ele se acidentou durante as férias e carrega o gesso em seu braço quebrado, tem consultas regulares com um terapeuta para tratar sua ansiedade e não tem muitas esperanças de que essas consultas vão ajudá-lo a superar seus problemas em se aproximar das pessoas.

    Para tentar melhorar isso, seu terapeuta pede que escreva cartas de incentivo a si mesmo - e uma dessas cartas acaba indo parar nas mãos de Connor, um garoto solitário e encrenqueiro da turma. Quando Connor se suicida, essa carta é a única coisa que encontram para explicar os motivos de ter feito isso, e uma mentira de Evan o coloca em uma situação em que contar a verdade pode desencadear mais problemas do que prosseguir com essa invenção.

    Como boa amante de musicais, Querido Evan Hansen era um que eu me interessava justamente por toda hype em cima da história - quando soube da publicação do romance aqui no Brasil, fiquei animada com a ideia de conhecer a trama. Eis que a leitura foi meio a meio, no fim das contas; ao mesmo tempo em que gostei de uns pontos, outros deixaram muito a desejar.

    Evan é um bom protagonista. Apesar das minhas críticas a respeito da situação em que ele se colocou, gostei de como a narrativa trabalhou sua ansiedade - eu vivo com isso e entendi os problemas, os medos, as reações que ele teve. Me vi no personagem e foi fácil simpatizar com seus temores e nervosismos. Evan soou bem real dentro da narrativa. Sua ansiedade foi bem trabalhada, bem apresentada e toda a questão de entendê-la e conviver com ela foi o que me agradou no arco do protagonista.

    Em contraponto, a questão da mentira me pegou de um jeito que só fez irritar. A trama usou uma coisa bem simples e transformou numa problemática egoísta e bastante aproveitadora. Evan se esconde atrás das invenções a respeito de Connor e de sua "amizade" (que nunca existiu) para existir, para ser notado, para não ter medo. Eu entendi o susto inicial de não conseguir dizer a verdade sobre a carta, mas o resto foi puro egoísmo.

    Evan cria essa cadeia de mentiras que se torna uma montanha de catástrofes e foi horrível porque Connor nunca teve a chance de viver e contar sua própria história. Ele passou a existir através das invenções de Evan - ele rouba cada momento de Connor para si. Transforma a tragédia dessa perda em um palco para seu teatro, tornando impossível simpatizar com os momentos em que ele se sentia mal pelo que estava fazendo: mentindo para os colegas e para a família do garoto que se fora.

    Connor tem alguns pontos de vista "observando tudo do outro lado" e gostei do tom ácido e de como ele encarava as escolhas de Evan da maneira correta, julgando-o por tomar voz em uma história que nunca pertenceu a ele. Deu para entender muito sobre Connor em seus poucos momentos dentro da narrativa, e pra se emocionar com o que ele ainda tinha para contar. Foi sensível e cheio de dor ver a pouca esperança se esvaindo; conhecê-lo sem ter a chance de vê-lo crescer.

    Os personagens secundários acabam secundários demais dentro desses arcos. Porque Evan tem um foco muito grande, todas as cenas com os pais de Connor ou com Zoe, a irmã dele, ou mesmo com os colegas na escola acabam se desenvolvendo para ele e não com ele. A única que teve uma participação melhor e alguns belos momentos foi a mãe de Evan; momentos emotivos e de nítido crescimento para ambos, pelo menos.

    O fim, para minha grata surpresa, não foi uma grande redenção e nem um grande momento de redescobrimento. Foi bem realista dentro do apresentado; gostei de como não apresentou fórmula mágica, de como lidou com as consequências da história toda.

    No mais, Querido Evan Hansen é, para mim, uma leitura bastante válida justamente pela maneira com que desenvolve o psicológico do seu protagonista; foi sensato e bastante realista. A narrativa é bem fácil e gostosinha de acompanhar, tem toda uma melancolia poética dentro do seu desenvolvimento; não fosse por essa atitude do Evan - que, entendo, move a trama, mas a move para caminhos que dificultaram a minha empatia (pode não ser um problema pra você) - eu teria favoritado essa história.


    Título original: Dear Evan Hansen
    Autor: Val Emmich, Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul
    Editora: Seguinte
    Tradução: Guilherme Miranda
    Gênero: Young Adult
    Nota: 3

    1. Oi, Nizz!
      Menina, acho que vou ficar só com o musical mesmo... quem sabe depois de assistir eu leia o livro, mas por agora vou passar a dica.
      Beijos
      Balaio de Babados

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      1. Oi, Lu!
        ASUHASUHASUHASUHASUHASUHUHASUH pelo menos com as músicas deve dar pra ignorar os erros do Evan :v

        Beijos!

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    2. Oi Denise! Eu curti este livro, mas em alguns momentos eu achei o comportamento do protagonista meio reprovável.Ainda assim, foi uma boa leitura. Bjos!! Cida
      Moonlight Books

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      1. Oi, Cida!
        Pois é, apesar das escolhas do Evan ainda deu pra aproveitar bastante a leitura. Tem ótimos pontos nessa história!

        Beijos.

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    3. Oi Denise,
      Uma pena que não foi melhor, porém como eu amo musicais quero ter a experiência de ler um, sabe?
      Ainda mais pela temática que me interessa.
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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      1. Oi, Alê!
        A romantização desse musical é muito bem feita, acho a leitura extremamente válida (até pelos pontos positivos que citei!). Vai na fé!

        Beijos.

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    4. Oiii! Eu acabei de terminar a leitura e gostei bastante. Não foi nossa, aquela leitura maravilhosa, mas foi bom para refletir... Curti e já fui pro Youtube procurar trechos da peça!!!

      Beijosss
      www.angelicabrunatto.com

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      1. Oi, Angelica!
        Eu gosto bastante das músicas! O livro teve suas falhas mas teve seus acertos também <3

        Beijos.

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    5. Julia Azariti12.6.19

      Oii! comprei o livro a pouquissímo tempo e estou nos primeiros capitulos da segunda parte dele, gostei bastante da ideia da historia, como colocaram a narrativa de ansiedade e etc ( tenho então tbm me identifiquei ), acho que não irei me arrepender de ter comprado, mas a questão da mentira tbm está me irritando bastante. Tbm espero ansiosa pelas participções de Connor do ``outro lado´´, gostei mais dele do que do Evan na vdd, ansiosa para o fim do livro ( e como vão acabar pq mds a mentira tá piorando a cada paragrafo ).

      vou pesquisar sobre o musical quando acabar, adorei a resenha ^^.

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