Resenha: Cemitério Maldito

  • 09:00
  • 29 de mai de 2019

  • Cemitério Maldito está sendo novamente exaltado pela Editora Suma - que cedeu este eARC através do NetGalley - graças a adaptação que chegou aos cinemas neste mês. Curiosa como eu sou, e medrosa também, finalmente me aventurei na leitura desse clássico do terror de Stephen King. E não me arrependi nem um pouco da experiência!


    Sinopse: Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um "simitério" no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.

    Na trama, Louis e a família estão se mudando para uma casa afastada no Maine. Ele acaba de conseguir um emprego na enfermaria da faculdade e tudo parece correr bem com as mudanças; a casa fica frente a uma gigantesca rodovia e é ali que eles conhecem seu vizinho de estrada, Jud, um velhinho simpático e cheio de histórias.

    E é ali que Louis é apresentado ao "simitério de bichos" que fica nos fundos da sua nova casa. Um lugar aparentemente inofensivo onde gerações de crianças enterraram seus animais de estimação - uma vez explorado, coisas bizarras começam a rondar a família. Louis, principalmente. E a história de "aparentemente inofensivo" se prova uma mentira.

    Esse resumo foi um dos piores que já fiz na minha vida, fiquem à vontade para ignorá-lo.

    Cemitério Maldito se mostrou exatamente a história que me prometeram; é aterrorizante e perturbador na medida certa. King, como sempre, constrói a tensão através de seus personagens, seu protagonista, principalmente, desenvolvendo essa aura macabra e esquisita que ronda a nova casa, os arredores, o cemitério e até mesmo visões enlouquecidas que surgem aleatoriamente.

    Louis é um homem centrado e racional. Tem um carinho gigantesco pela família - a relação com os filhos, Gage e Ellie, é doce e dedicada, com a esposa, Rachel, é fiel e apaixonada - e seu arco se desenvolve entre animação pelo recomeço e receio por ele também. Uma vez confrontado o cemitério de bichos, no entanto, alguma coisa começa a mudar nele.


    - É como muitas outras coisas na vida, Ellie. Você se conserva no caminho e tudo bem. Você sai do caminho e, a não ser que tenha sorte, descobre logo que está perdida. E então, alguém tem de mandar uma equipe de busca para salvá-la.

    É gradual e vagaroso como as narrativas do King costumam ser, mas me fisgou pela aura de que alguma coisa ruim estava para acontecer o tempo todo. O terror desse livro se constrói nisso; na sensação de que as tragédias são inevitáveis. Você não sabe quando, mas sabe que elas vão acontecer em algum momento. É aquela coisa de prender a respiração e virar a página com medo do que está por vir.

    E quando a desgraça acontece, rapaz. Ela nunca para.

    A paranoia que cerca Louis evolui até um estado desesperador e é uma desconstrução de personagem muito bem feita. Você vê aquele homem racional se desprender de tudo que acreditava ao confrontar a morte e o luto e o quanto isso o afeta a ponto de roubar sua sanidade, levá-lo a beirar um abismo de horror sem fim.


    - Alguma coisa está acontecendo aqui, rapaz. Alguma coisa muito estranha, eu acho.

    Os elementos de terror usados pelo King são perturbadores por lidar com a morte de diferentes maneiras; a perda e o quanto isso afeta uma pessoa, o que existe depois que uma pessoa se vai, o que pode existir se trouxer alguém de volta. Isso sem falar na aura que ronda o cemitério dos bichos que SANGUE DE JESUS TEM PODER!

    Um único ponto que me quebrou na leitura foi a escolha da "forma do mal" que ele usou no fim que, sinceramente, não me convenceu. O novo filme escolheu abordar isso de uma maneira mais razoável e sinto que combinou muito mais. Ainda passa a mensagem, mas carrega um novo elemento de horror.

    Cemitério Maldito é um clássico e isso não é a toa. Uma boa história para perturbar seu sono e te fazer pensar; o tipo de trama que te faz ter medo de olhar para os cantos escuros do quarto.


    Título original: Pet Sematary
    Autor: Stephen King
    Tradução: Mário Molina
    Editora: Suma
    Gênero: Thriller | Terror
    Nota: 4,5
    Skoob


    1. eu li esse livro e mais alguns do King na minha adolescencia e na época eu gostei bastante; quero ver essa nova versao pro cinema!

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    2. Oi Denise, eu ri sobre a sinopse kkkkkkkkk acho que tem uma enorme tensão e o King sabe fazer isso muito bem!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oi Denise!
      Uma das minhas vergonhas literárias é não ter lido nada do Stephen King até hj, sei nem por onde começar! rs
      E eu sou muito de ver terror, mas ler é bem raro... Tem muito mais chances de eu ver a adaptação num futuro próximo do que encarar o livro, hahah
      Bjs
      http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    4. Oiii Denise

      eu assisti ao filme do Cemitério Maldito quando era criança e na época lembro que me aterrorizou....kkkk, sempre que vejo esse livro me lembro que preciso ler essa obra do King porque acho que vai ser uma experiência diferente pra mim já que é um autor que leio muito pouco. Dica anotada pra quando surgir um tempinho livre

      Beijos

      www.derepentenoultimolivro.com

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