Resenha: The Girl from Everywhere

  • 09:00
  • 13 de ago de 2019
  • Resenha: The Girl from Everywhere

    The Girl from Everywhere - O Mapa do Tempo é um romance que mistura viagem no tempo e História a uma caça ao tesouro. A obra de Heidi Heilig - publicada aqui pela Editora Morro Branco - é perfeita para os apaixonados por uma boa aventura.


    Sinopse: Nix é uma viajante do tempo. Ela e seu pai, Slate, velejam a bordo do Temptation, um navio pirata repleto de tesouros. Ao longo do caminho eles encontram amigos, uma tripulação de refugiados do tempo e até mesmo um charmoso ladrão que pode significar muito mais para Nix. Tudo que Slate precisa é um mapa certo para viajar a qualquer tempo e lugar, real ou imaginário: seja para a China no século 19; terras vindas direto das Mil e Uma Noites ou até mesmo uma mítica versão da África. Apesar das inúmeras possibilidades, o pai de Nix está obcecado com um mapa específico: Honolulu, 1868 – o ano de nascimento de Nix e a última vez em que ele viu sua esposa viva. E, por uma chance de reencontrá-la mais uma vez, Slate está disposto a sacrificar a tudo e a todos. Quando o desejado mapa aparece, Nix vê sua própria existência em perigo e agora deve descobrir o que quer, quem é, e aonde realmente pertence, antes que seu tempo acabe. Para sempre.

    Nix faz parte de do Temptation, um navio cujo capitão - que também é pai da protagonista - tem a habilidade mágica de Navegar através do tempo e das realidades. Essa embarcação, junto à sua tripulação, pode voltar ao passado através dos mapas encontrados por eles, até mesmo para realidades paralelas - contanto que exista uma cartografia para guiá-los.


    Voltar no mesmo lugar não significa que vá encontrar a mesma coisa.

    Slate, o capitão, está atrás de um mapa específico, uma representação do Havaí em 1886, onde existe a oportunidade de salvar sua esposa de um incidente terrível - e assim, quem sabe, construir uma segunda chance, algo que ele nunca teve. Essa obsessão em encontrar o mapa do tempo é a missão principal da história, mas a da protagonista vai além disso; ela quer liberdade, ela quer existir, e ela quer encontrar seu próprio rumo para escapar de um destino terrível, caso seu pai consiga de fato mudar o passado.

    The Girl from Everywhere foi uma leitura divertida. Como pessoa bastante apaixonada por pirataria, encontrei muitas coisas nostálgicas dentro da narrativa envolvendo essa temática; e não é só um livro sobre jornadas em alto mar, mas sobre viagens no tempo, então me considere duplamente aficionada.


    Resenha: The Girl from Everywhere

    Dito isso, preciso comentar que a construção de universo dessa história me decepcionou um pouco. Eu esperava mais explicações e mais introduções ao mundo mágico criado pela autora; as informações sobre as viagens no tempo foram jogadas dentro da história como se o leitor já soubesse o que estava contemplando, não como um marinheiro de primeira viagem. Eu demorei um tempinho a me habituar com os termos e com a narrativa da protagonista porque ela falava comigo como se eu já soubesse tudo que estava acontecendo ali, quando não entendia bulhufas - e isso continuou até o fim.


    Abri a boca e fechei em seguida. Na mitologia sânscrita, dizem que o sopro é a vida, e eu não queria dar vida aos meus medos.

    Acho que faltou tato da autora em tornar seu mundo mágico mais acessível. Esse é um livro de Fantasia, afinal. Não tenha medo de explicar o que está acontecendo. Foi a maior falha e também o motivo de eu não ter dado cinco estrelas.

    Resenha: The Girl from Everywhere

    Os personagens têm construções rápidas, mas que funcionam bem para o estilo narrativo. Nix é uma boa protagonista. Não é perfeita e nem inquebrável. Tem suas falhas e suas qualidades, seu arco de desenvolvimento é bem notável e ela tem momentos brilhantes dentro da jornada principal; eu gostei, principalmente, de como ela se manteve fiel ao seu coração, e como seu coração a conectava com as pessoas com quem ela mais se importava. Sua tripulação; sua família.

    Slate tinha mapas do seu passado, por que eu não podia ter um do meu futuro?

    A relação com o pai foi um problema porque Slate, o capitão, é problemático. Obcecado com a esposa falecida e desesperado por mudar o passado, ele acaba cego para o presente e para as possibilidades de um futuro. Vou confessar que queria ver esse personagem sendo devorado por um Kraken, tamanho meu desprezo por ele. É o típico sofredor que acaba descontando as frustrações na maneira ridícula com que trata aqueles ao seu redor, principalmente a sua filha.


    - Paraíso é uma promessa que nenhum deus se incomoda de cumprir. Só existe o agora, e amanhã nada será igual, gostemos disso ou não.

    Kashmir é outro coadjuvante essencial para a história; ele é um dos tripulantes do Temptation e, pode-se dizer, melhor amigo da Nix. A relação entre eles é meio Han Solo/Leia e meio "morreria por você" e minha nossa como eu amei cada cena entre os dois! As personalidades se destacavam, os diálogos eram vívidos e cheios de energia e a química saltava das páginas. E Kash, aliás, que homem! Que crush literário.


    Ele é um amigo e companheiro e a melhor pessoa para todos os momentos. Eu me apaixonei por seu humor, por sua presença e por seu espírito; pela maneira com que ele lida com os problemas e como estende a mão para ajudar quem precisa - com Nix, principalmente, Kash é atencioso e compreensivo e eu queria que eles se amassem logo porque claramente nasceram um para o outro!


    Resenha: The Girl from Everywhere

    Acho que o único personagem que passou tão inútil quanto um sopro no meio de um furacão foi o Blake. Sim, em determinado momento da trama ele foi bastante importante, mas de maneira geral, eu não poderia me importar menos com sua existência. O fato de ele fazer parte de um triângulo amoroso com a protagonista e o Kash tornou tudo ainda mais tedioso; Blake não tem personalidade, não tem carisma e não tem presença como interesse amoroso.


    Talvez fosse possível a coexistência de duas versões da mesma pessoa: uma que conhecia a excitação da aventura e outra que só conhecia o conforto de casa.

    A autora ter jogado esse triângulo foi desnecessário e um dos motivos de eu ter tirado uma estrela do livro. Várias das cenas com o Blake e a Nix foram um desperdício e de um enrolação sem tamanho. Dava pra notar que a Heidi estava tentando construir aquela tensão para nos deixar em dúvida sobre qual dos dois a Nix escolheria, mas, honestamente, só deixou tudo bem chato. Eu não me importo em ler triângulos amorosos, contanto que sejam bem construídos; esse definitivamente não foi.

    As cenas de ação e de caça ao tesouro foram bem orquestradas. A trama principal pode dar um nó na cabeça, mas faz sentido conforme as respostas vão chegando até o leitor. Eu consegui acompanhar bem porque sou formada em 12 Monkeys e viagens no tempo, mas garanto que não é de toda uma confusão; faz sentido se você prestar atenção nos detalhes, porque os detalhes são os mais importantes em histórias assim.


    - Quando todo mundo aceita que alguma coisa é de um jeito, todos os outros jeitos de que ela poderia ter sido desaparecem.

    The Girl from Everywhere teve um final fechado e, admito, o motivo de eu não querer ler a sequência. Talvez minha curiosidade fale mais alto, mas para quem está procurando uma aventura solo vai ser a pedida perfeita. Os pontos são explicados e existe a promessa de mais aventuras, mas a trama principal fecha com perfeição.


    Resenha: The Girl from Everywhere

    É um livro divertido, de personagens vivos e com uma caça ao tesouro para todos os apaixonados por uma boa viagem através de diferentes tempos.

    Título original: The Girl from Everywhere
    Autor: Heidi Heilig
    Editora: Morro Branco
    Gênero: Fantasia | Ficção Científica
    Nota: 3,5
    Skoob


    1. Amei seu artigo, estou acompanhando seu blog há alguns dias e posso dizer é estou adorando. Sempre tem conteúdo de qualidade com bastante dicas e informações interessantes!

      Parabéns!

      Meu Blog: Cap Legal

      ResponderExcluir
    2. Olá, Denise.
      Eu já vi alguns autores fazendo isso, contam a história como se nós leitores estivéssemos lendo o que se passa na cabeça deles, onde lá sim tem toda a história montadinha hehe. Eu que já sou meio perdida nesse negócio de viagem no tempo, vou ficar mais perdida ainda hehe. Por isso acho que é um livro que não lerei.

      Prefácio

      ResponderExcluir
    3. Oi Denise!
      Tbm gosto de piratas e viagem no tempo!
      Ppena q o livro teve esses probleminhas, mas dei ufa aqui qnd vc disse q a trama fecha bem nesse primeiro volume, tô fugindo de séries, rs.
      Fiquei curiosa sobre o crush Kash, hahah
      Bjs
      http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

      ResponderExcluir
    4. Oi Dê, uma pena a autora ter problemas pra inserir os leitores no seu universo, mas gostei bastante da premissa. E te entendo sobre ler ou não a continuação rs

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

      ResponderExcluir

    Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!

    Tecnologia do Blogger.