Resenha: As Quatro Rainhas Mortas

  • 09:00
  • 21 de nov. de 2019
  • Resenha: As Quatro Rainhas Mortas

    As Quatro Rainhas Mortas é um standalone escrito pela autora Astrid Scholte e lançado recentemente pela Galera Record - que cedeu o exemplar em cortesia. Prometia ser uma história com tramas políticas intensas e reviravoltas investigativas emocionantes, tudo isso ambientado num mundo fantástico completamente novo. No fim das contas, não deu muito certo.


    Sinopse: No continente de Quadara, há séculos quatro rainhas reinam absolutas, cada uma representando o próprio quadrante. Juntas, mas separadas. A decidida iris fala por archia, a ilha de terras férteis; a estoica corra representa a tecnológica eonia; marguerite, a mais velha das rainhas, é a soberana de toria e de seus curiosos habitantes; e stessa, a mais jovem, é o rosto de ludia, o quadrante da diversão e da arte. As quatro mulheres dividem o poder, sempre respeitando as leis das rainhas, sempre pensando no povo e no melhor para a nação. Mas elas têm segredos, e estes podem ser letais. Tão letais quanto Kelarie Corrington. Aos 17 anos, a toriana é a mais hábil larápia e a melhor mentirosa de jetée. Um distrito de excessos, contrabando e charlatões. O último lugar que varin, um mensageiro eonista, deveria visitar. Mas ele foi roubado. Por kpKeralie, e a jovem é a única esperança de reaver a mercadoria e manter seu emprego. Um mensageiro nunca pode perder sua encomenda. Para piorar, há coisas muito mais sinistras nos chips de comunicação afanados por Keralie. Algo que pode enredar a larápia e o mensageiro em uma conspiração para assassinar as quatro rainhas de Quadara. Sem opção, os dois resolvem se unir para descobrir o assassino e salvar a própria vida no processo. Quando sua relutante parceria começa a se transformar em algo mais, os dois precisam aprender a confiar um no outro e a superar as diferenças entre quadrantes para viver esse amor. Mas será que uma curiosa toriana e um insensível eonista têm alguma chance.

    A trama se passa no continente de Quadara, onde quatro rainhas reinam juntas, cada uma responsável por um quadrante específico. Quando uma delas é assassinada, as tramas políticas e segredos sombrios escondidos dentro das paredes do palácio começam vir à tona, e parece questão de tempo até que o assassino cace as governantes que restaram.

    Eu usei o exemplo de "farofa" pra explicar pra uma amiga o que estava acontecendo na história e foi essa sensação que me acompanhou durante toda a leitura: junte um monte de ingredientes numa mistureba e você tem esse livro; só que, infelizmente para ele, a farofa não ficou boa.

    A autora criou um mundo com ares antigos, mas ao mesmo tempo com um quadrante todo tecnológico. Mostrou quatro rainhas mas de repente tinha seus conselheiros, aias, interesses amorosos, investigador, antigas rainhas, antigos reis, aí mostrou outra personagem fora do núcleo do palácio que tinha todo um núcleo só dela com aliados, inimigos, inimigos caçadores, um mensageiro, família, conhecidos. Para que eu tô muito confusa! (Narrador: nunca parou).

    Em trinta páginas esse livro tinha me apresentado TANTOS personagens (a maioria bem superficialmente) que eu não sabia para onde estava indo, só tinha certeza de que não ia dar certo. Tive a mesma sensação vazia e perdida com Três Coroas Negras e não errei com o feeling, porque a perdição aqui foi idêntica.



    As Quatro Rainhas Mortas tem seus méritos, com uma narrativa bem construída, diálogos bastante naturais e interessantes e até se sustenta no mistério sobre os assassinatos das rainhas - ainda que tenha um detalhezinho ali no meio que entregou completamente o mistério do assassino - mas se perde com todo o resto.

    A sensação foi que a autora tentou colocar tanta coisa em um livro solo que acabou não colocando nada, sabe? O fato de você se perder nos núcleos por causa da quantidade de personagens e lugares citados é frustrante. Eu cheguei no fim do livro sem saber direito quem era qual rainha e elas eram só quatro (mas o fato de a narrativa citar TANTA gente levianamente enquanto as estava desenvolvendo tornou suas presenças igualmente levianas).

    Eu não me liguei a nenhum personagem com exceção da rainha Corra - que, dentre todas, tinha um plano de fundo mais instigante - e foi uma pena, porque as rainhas tinham personalidades e segredos interessantes. Só faltou espaço na trama para que elas me ganhassem.


    Resenha: As Quatro Rainhas Mortas

    Eu não tenho nada contra narrativas rápidas, mas existe uma grande diferença entre contar informações de maneiras periódicas para deixar o texto mais fluido e jogar tudo na minha cara pra desenvolver o mistério no resto da história. Esse livro fez a segunda coisa.


    Conheça todas as coisas, e você compreenderá tudo.

    Por exemplo, a questão do PORQUE existem quatro rainhas para governar os quadrantes. Tá, ela explica em alguns parágrafos e aí segue o baile. Eu queria me ligar a isso, queria sentir pena das rainhas por estarem presas a tantas leis ridículas, queria sentir frustração por elas não poderem mudar isso, queria que a história do mundo revoltasse para poder me importar com elas. Mas não senti absolutamente nada porque o texto não me deu tempo disso.

    A outra personagem distante dos núcleos da realeza é a Keralie, uma larápia que vive nas ruas a comando de um "rei do crime", por assim dizer. Ela se envolve na trama das rainhas de maneira inesperada e conta com a companhia de um mensageiro que desconhecia até pouco tempo para se entender nessa bagunça toda.

    Ela foi legal, teve seus momentos descontraídos. Uma óbvia anti-heroína feita para a gente se ligar - diferente da pompa e circunstância das rainhas, Keralie é a alma jovem rebelde e perdida num mundo de indiferenças e problemas. De TODO MUNDO na história, ela foi com certeza a que mais teve desenvolvimento - já que, a cada POV de uma rainha, voltávamos para sua trama linear. Foi o que mais me agradou no livro como um todo, especialmente do meio para o final.

    A parte do romance com o mensageiro... Nhé? Claramente ali só pra cumprir cota de romance heterossexual em fantasia e eu tenho 100% de preguiça disso, porque desenvolvimento que é bom nada.

    O mistério e as investigações sobre as rainhas foram ok, eu diria. Nada surpreendente, com exceção de um twist no fim que DEU PRA VER NITIDAMENTE ANTES DE ACONTECER, repito. E eu não sou boa adivinhando tramas de assassinato!

    A edição da Galera Record está linda demais, com os mapas estampados atrás da capa e contracapa, com uma diagramação e revisão perfeitinhas.

    É uma pena, como disse uma amiga, ver uma ideia tão curiosa se perder no desenvolvimento. A autora prometeu tanto que não conseguiu cumprir quase nada, com exceção da narrativa bem feita e da criação de uma trama investigativa interessante. Eu queria muito não ter me decepcionado, mas aconteceu.


    Título original: Four Dead Queens
    Autora: Astrid Scholte
    Editora: Galera Record
    Tradução: Adriana Fidalgo
    Gênero: Fantasia | Mistério
    Nota: 2
    Skoob


    1. Ai, amiga! Sinto pena que você tenha gastado seu precioso tempo com essa farofa que nem foi legal.
      Eu já tinha visto umas reviews no goodreads e já sabia que não seria uma leitura.
      Beijos
      Balaio de Babados

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      1. Oi, Lu!
        Dias de luta, dias de glória (infelizmente os de luta duram mais) infelizmente. Quebrei a cara mais uma vez, mas vida que segue UHHUASHUASHUSAHUSAHUSA

        Bjs!

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    2. Olá...
      Adorei sua resenha e parabéns por toda a sua sinceridade!
      Ultimamente venho vendo muito esse livro nas redes sociais e confesso que estava bem curiosa pra ler, porém, ao ler sua resenha fiquei com o pé atrás agora...
      Bjão

      http://coisasdediane.blogspot.com/

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      1. Oi, Diane!
        O marketing tá muito bom e conseguiu vender a história pra mim, pena que deixou tanto a desejar no desenvolvimento. Uma pena, porque a premissa é fantástica :/

        Bjs.

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    3. Olá, Denise.
      Acabei de comentar na resenha da Tamires e as opiniões são bem parecidas, inclusive a minha que já escrevi a resenha e infelizmente também achei que deixou muito a desejar. A autora tinha história para escrever uma série e virou essa correria ai. E o final então? foi um dos piores que li nos últimos tempos.

      Prefácio

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      1. Oi, Sil!
        A autora tinhja uma história muito boa pra desenvolver numa duologia (ou até num solo, contanto que usasse mais tempo pra trama né) e ficou naquela encheção de linguiça que aaaaaaaaaa pra que, moça????
        O final... sei nem o que dizer, só sentir.

        Bjs!

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