Controle remoto: Bacurau

  • 09:00
  • 6 de fev. de 2020


  • Doismilidezenove foi muito doido. No mesmo ano em que vimos nosso presidas desmantelando tudo quanto foi órgão de cultura, tivemos um filme nacional premiado no Festival de Cannes. Hoje lhes apresento: Bacurau.

    O longa que foi escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho (que também foi diretor de Aquarius) e Juliano Dornelles é uma co-produção de Brasil e França, mas que tem muito mais Brasil do que França.

    Ambientado no interior do nordeste brasileiro, em uma cidade fictícia que dá nome ao filme, Bacurau pode ser categorizado como um filme de western; entretanto, rolam também algumas partes que trazem um pouco de terror à cena. Conta ainda com uma pitada de coronelismo e é recheado de críticas sociais. Tem crítica para todos os gostos.

    Crítica ao imperialismo estadunidense? Tem. Crítica à esfera política que só aparece de 4 em 4 anos quando precisa de votos? Tem. Crítica aos povos do sudeste do país que acreditam serem superiores aos nordestinos? Tem também. E essas são só algumas.


    A história acompanha esse pequeno povoado que, de repente, sem mais nem menos, deixa de aparecer no mapa e têm sua comunicação cortada com o mundo externo, fora de Bacurau. 

    Além das diversas críticas sociais presentes, o filme se apresenta de uma maneira otimista e positiva. Mostra que é possível uma organização popular contra aquilo que causa mal àquela sociedade.

    Assisti duas vezes e pretendo ver pelo menos mais uma vez. Numa dessas vezes, pude ver gratuitamente no CineClube Vladmir Herzog, situado no sindicato dos jornalistas em São Paulo, onde houve um debate que me trouxe visões muito interessantes.

    O filme não têm um herói, a população toda pode ser considerada heroína de sua própria sorte. Bacurau também nos traz algo novo que é a identificação com o povo que está sendo oprimido, sendo esse povo um povo nordestino. Estamos acostumados a ver filmes em que os marginalizados são frequentemente retratados de uma maneira que não nos identificamos com eles e sim com os opressores, mas não é o caso de Bacurau.

    A fotografia é linda e existem detalhes sutis na produção que fazem com que a situações pareçam mais reais, como roupas desgastadas e até moscas que fazem parte do cenário.  E a trilha sonora? Absolutamente incrível.

    O elenco manda muito bem, com presença de Sônia Braga que faz a Domingas, Thomas Aquino como Pacote, Silvero Pereira como Lunga e até alguns atores estrangeiros como Udo Kier. Vou destacar aqui a atuação de Silvero Pereira, que fez um personagem equivalente a um cangaceiro moderno com um diferencial, era um cangaceiro Queer.

    Inclusive a forma como o longa aborda a sexualidade e principalmente os gêneros não normativos é sensacional, porque ao contrário do nosso imaginário do nordestino machista, a sexualidade é tratada com muita naturalidade e a coisa é quase imperceptível, sem chocar.

    Bacurau foi o melhor filme que assisti em 2019. Ele ainda está em cartaz em São Paulo mas já está disponível em DVD e na plataforma Telecine NOW.

    Será que ainda existe quem tenha preconceito com cinema nacional? Espero que não.

    1. Eu amo um filme e é isso! Foi uma baita surpresa e ele foi um dos melhores que li ano passado.
      Beijos
      Balaio de Babados

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    2. Oi meninas, puxa eu queria ter visto na época do lançamento, mas não deu, fico feliz que ainda tenha sala passando vou dar uma olhada, acho a premissa tão curiosa! Quero conferir!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oi meninas!
      Nossa eu vi muita gente falar desse filme, bastante, inclusive treta que rolou sobre a representatividade nordestina e talz. Sinceramente não é muito a pegada de longa que eu pare para vê, mas noa deixa de ser importante a mensagem que traz.

      Abraços
      Emerson
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    4. esse é mesmo um filmaço! bem diferente de tudo que já tinha visto de cinema nacional que levanta MUITAS questões importantes, principalmente do imperialismo

      www.tofucolorido.com.br
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