Resenha de Filme: Aves de Rapinha - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

  • 09:00
  • 17 de fev. de 2020
  • Resenha de Filme: Aves de Rapinha - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

    Uma semana depois e eu ainda não sei exatamente o que dizer de Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Às vezes acho que me faltam as palavras para essa resenha, mas vamos tentar, né?

    Primeiramente, vamos já dar destaque ao fato de que o filme foi produzido por uma mulher (Margot Robbie, a Arlequina), dirigido por uma mulher (Cathy Yan), escrito por uma mulher (Christina Hodson) e protagonizado por cinco mulheres (Margot Robbie, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell e Ella Jay Basco). E gosto de começar deixando isso claro porque, ao meu ver, foi extremamente importante para a construção do filme.

    Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa começa com uma rápida introdução ao mais recente rompimento entre Harley Quinn e o Joker. E dessa vez, Harley decidiu que não vai rastejar de volta para ele. Lutando para encontrar sua identidade própria após o rompimento e para mostrar a todos em Gotham que ela não precisa mais do Mr. J, ela anuncia para toda a cidade que está solteira. O que acaba trazendo diversos inimigos a sua porta, agora que eles acreditam que finalmente tem uma chance de se vingarem, já que não vão mais precisar lidar com a ira do Joker.


    Resenha de Filme: Aves de Rapinha - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

    E é assim que Harley acaba com um cordo que pode salvar sua vida: encontrar uma jovem ladra e recuperar um diamante para o Máscara Negra. O que, é claro, não é uma tarefa fácil, já que ela precisa lidar com diversos outros mercenários, além da detetive Renee Montoya. No entanto, quando as coisas não vão como o planejado e Harley percebe que o Máscara Negra não tem a intenção de deixá-la sair da situação com vida, ela acaba se juntando a Renee, Canário Negro e a Caçadora para defender a jovem Cass e se emancipar do Coringa de uma vez por todas.

    Quando o filme acabou e a Eduarda queria que eu falasse o que tinha achado, demorei um pouco para formular algo compreensível. No fim, Aves de Rapina foi muito mais do que eu estava esperando. Acho que eu buscava algo com o mesmo tom de Capitã Marvel, que chegou metendo o pé na porta e falando EU NÃO PRECISO DE HOMEM e EU SOU PODEROSA O SUFICIENTE SOZINHA. Que abraçou o feminismo e gritou tão alto que muita gente só viu isso.

    Mas não. Aves de Rapina tem um roteiro bem simples, para falar a verdade. Quando olhamos para a superfície, ele não é muito diferente de outros filmes do gênero. Ele mostrou um lado humano da Harley, que me fez pensar durante o filme todo como ela só queria alguém que a amasse e que ela pudesse amar de volta. E como isso acaba influenciando as decisões dela (claro que não apaga o fato de que ela é doida mesmo).

    No entanto, para mim, a beleza do filme está nas camadas. Como eu disse, na superfície Aves de Rapina tem um roteiro OK, uma história OK. Mas quando você olha mais de perto, pode ver que ele é muito mais do que a união dessas quatro mulheres para salvar uma criança das mãos de um bandido.


    Por isso, a resposta que eu dei para a Eduarda quando o filme acabou, foi a de que Aves de Rapina é um filme sobre 5 mulheres lutando contra a misoginia. O Máscara Negra é a encorporação física da misoginia e isso fica claro em várias partes do filme. Explicitamente quando Harley elenca os motivos dele não gostar dela (quem leu o "porque tenho uma vagina"?), quando ele força a garota a subir na mesa, e até mesmo nas pinturas das paredes da casa dele.



    Além disso, também podemos ver pelo menos duas alegorias ao estupro no filme, que foram interrompidas por mulheres salvando outras mulheres. E o melhor de tudo: mulheres que defenderam outras mulheres por sororidade, e não porque eram melhores amigas ou algo do tipo.

    Foram cenas, inclusive, difíceis de assistir. Especialmente quando Zsasz diz para Harley "Você vai poder sentir tudo, mas não vai poder fazer nada" em uma declaração de duplo sentido. Embora a cena esteja falando do trabalho dele - de arrancar rostos - faz uma alusão perfeita ao estupro. E acho que muita gente deixou passar, embora tenha deixado eu e a Eduarda bem desconfortáveis assistindo (ainda mais quando podemos ver claramente a expressão da Harley e as lágrimas se formando em seus olhos).

    Para mim, até o fato do brinquedo no parque ser no formato de uma mulher é significativo, já que um dos motivos do Máscara Negra não gostar da Harley é por ela falar demais. O que torna a cena em que todos atiram na entrada do brinquedo (a boca da mulher) ainda mais considerável, na minha opinião.

    Por fim, ver todas aquelas mulheres, que tem tão pouco em comum, se unirem por um objetivo maior foi importante. Além de divertido e um grande entretenimento.

    Aves de Rapina me conquistou no visual, com o humor bem dosado e distribuído; com a forma não linear de contar a história, que deixava um tom mais leve e divertido; não apelou para pack shots das mulheres e conseguiu dar vida ao meme "sexy sem ser vulgar"; me ganhou com a trilha sonora que estava simplesmente perfeita e no ponto em cada cena; e com um roteiro que soube existir em diferentes níveis de interpretação.



    Embora ele não se apresente tão "na sua cara" com o feminismo, como fez Capitã Marvel, por exemplo, e trabalhe com mais sensibilidade e sutileza em suas cenas, eu não vejo outra forma de colocar ele. Pelas acusações de "panfleto feminista" que vi muito homem dando por aí, eu realmente esperava por uma coisa mais "mate um homem", mas não foi o que vi.

    Vi muita sensibilidade em Aves de Rapina, também vi bastante respeito pelo corpo feminino na maneira como elas não foram objetificadas. E também vi a descoberta de identidade e propósito de vida. Eu só queria ver esse filme todo sábado pelo próximo ano até que finalmente tirem Sereias de Gotham da geladeira porque agora nós PRECISAMOS dele!


    1. Oi Bianca, gostei das suas considerações quanto ao filme, eu ainda não vi e não sei quando verei, pois vejo mais séries do que filme. Adorei saber mais com sua resenha viu!

      Beijos Mila

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    2. Olá, Bianca,
      Se está incomodando os homens, mesmo algo mais sutil, é porque vale a pena assistir. Eu vi bastante gente falando mal, mas quero assistir. Adorei ler sua opinião sobre ele e já vou assistir com outros olhos.

      Prefácio

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    3. Oi, Bibs!
      Realmente a história deixou muuuuuuito a desejar nesse filme, infelizmente, mas o girl power compensa bastante.
      Beijos
      Balaio de Babados
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    4. Nossa que artigo fantástico, por isso que estou quase todos os dias visitando e lendo seus artigos. Porque sempre tem conteúdos interessantes e de qualidade.

      Beijos !!

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    5. Oi Bibs!
      Eu nao achei o filme ruim, pelo contrario, me diverti pacas, mas confesso que o roteiro me desagradou em certas partes. Acho que ele foca demais a ação e as outras mulheres ficam meio perdidas. E o grupo nao pareceu ter muita quimica pra mim. Mas é bom, mediano pra mim tambem.

      Abraços
      Emerson
      https://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    6. a Margot é ótima e ela arrasa nesse papel da arlequina, deve ser mesmo um filme divertido

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