Controle remoto: Hunters

  • 09:00
  • 27 de mar. de 2020

  • Meu nome é Eduarda Henker, e eu estou viciada em Hunters. A nova série da Amazon Prime, criação de David Weil, narra a história de um grupo de caçadores de nazistas no final da década de 70 em pleno Estados Unidos da América.

    O elenco que trás Logan Lerman como Jonah, um jovem judeu que vê seu mudo desabar ao perder a avó, tem um acréscimo de peso com a presença de Al Pacino no papel de Meyer um dos protagonistas e líder da Caçada. Nomes como Jerrika Hinton, Lena Olin, Saul Rubinek, Carol Kane, Josh Radnor (nosso eterno Ted Mosby), Greg Austin, Tiffany Boone, Louis Ozawa, Kate Mulvany e Dylan Baker também compõem o rol de artistas.

    Não enxergue o mal. Não ouça o mal. Não fale sobre o mal.
    Mas o mal ainda existe, não é mesmo?
    Os primeiros dois minutos da série já deixam claro o tom que a história vai seguir, seja pela violência gráfica ou o posicionamento nada sutil. Dali para frente se inicia um show de personagens marcantes e bem dentro de seus arquétipos. O texto sarcástico e sempre afundando o dedo na ferida, também da espaço a momentos delicados e intimistas. São feitas várias referências, cada vez mais intertextuais, entre a história em si e o mundo dos quadrinhos, levantando questionamentos quanto aos personagens e a trama. 


    Harriet é uma freira espiã com contatos na KGB e que está pronta para fazer o trabalho sujo nessa caça aos nazistas. Desde a inteligência até a execução de missões, Irmã Harriet é a integrante da Caçada com quem Meyer pode contar o tempo todo, seu braço direito. E sua história tem muito mais segredos e camadas do que seu habito pode sugerir.


    Roxxy é uma mulher negra, com uma filha pequena e que é a definição de "eu sou foda, e eu sou real". Diferente da Harriet que tem um apelo fictício muito forte, a Roxxy é incrível exatamente pela maneira como sua luta e suas dores fogem do estigma da série. 


    Joe é um neném e que eu preciso que seja mais desenvolvido na próxima temporada. O soldado do time, com passagem pela guerra do Vietnã e carregando todos os traumas que isso pode causar, é também um dos corações mais puros da equipe.


    Murray e Mindy são os gênios por trás dos armamentos e tecnologias da Caçada. O casal tem uma história familiar traumática envolvendo a perca do primogênito durante o holocausto e são os personagens mais doces da trama. 


    Lonny Flash é um ator que já foi nominado ao Golden Globe, mas agora se encontra em um momento decadente da carreira. Lonny é o alívio cômico do time e ainda tem muito a entregar como personagem, o potencial a ser aprofundado - assim como Joe e Roxxy - é muito grande e mal posso esperar por mais. 


    Meyer é um judeu rico e influente que decidiu utilizar seu dinheiro e poder para formar uma equipe e caçar nazistas que vivem infiltrados como cidadãos americanos. Durante o holocausto teve uma história de amor com a avó de Jonah e agora, após seu falecimento, se vê como mentor do garoto.


    Jonah acaba de passar por um momento traumático; sozinho, com dor e raiva busca em Meyer e na Caçada a oportunidade de vingança e o senso de pertencimento. Um menino em uma luta interna entre a luz e a escuridão, tentando entender as diferenças entre justiça poética e vingança, envolto em um jogo maior do que tudo que ele já conheceu.



    Mas o principal, o ponto alto de todo o show para mim, são as esquetes pontuais que são responsáveis por levar o telespectador a um nível ainda mas profundo do discurso da série. Hunters não é apenas uma ficção sobre caçar nazis. 

    Hunters é sobre brincar com o "impossível" e o exagero e saber que, se você olhar com atenção, o impossível pode morar na casa ao lado. Ou na sua casa. Ou em você.

    Então, eu te pergunto: porque as pessoas odeiam os judeus?
    ou os negros?
    ou os gays?
    ou *insira aqui qualquer outra minoria*?

    1. Se eu cheguei nessa série foi por causa do Logan Lerman, mas continuei porque eu amei a história
      Beijos
      Balaio de Babados
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    2. Olá, Eduarda.
      Eu vi essa série sendo divulgada e achei o enredo interessante. Mas ainda não parei para assistir. Adorei a forma como você terminou a postagem porque são perguntas que precisamos sempre fazer, mesmo que as pessoas ainda ignorem as respostas.

      Prefácio

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    3. Oi Eduarda,
      Eu vi a divulgação, mas não assisti a série. A Amazon está pegando pesado nas propagandas, mas não tinha nada que chamasse minha atenção, como sua crítica fez. Agora, acho que devo pelo menos ver o primeiro episódio para sentir a série, se é o momento de maratoná-la.
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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