Resenha: Like a love story (Tipo uma história de amor)

  • 09:00
  • 22 de jun. de 2020
  • Resenha: Like a love story

    Like a love story (Tipo uma história de amor) é um premiado título de Young Adult contemporâneo do autor Abdi Nazemian. Hoje eu vim exaltá-la como a minha melhor leitura do semestre, e certamente uma das melhores da vida.


    Sinopse: É 1989 na cidade de Nova York e, para três adolescentes, o mundo está mudando. Reza é um garoto iraniano que acaba de se mudar para a cidade com sua mãe para morar com seu padrasto e meio-irmão. Ele tem pavor de que alguém adivinhe a verdade que mal reconhece sobre si mesmo. Reza sabe que é gay, mas tudo o que sabe da vida gay são as imagens da mídia de homens morrendo de Aids. Judy é uma aspirante a estilista que adora seu tio Stephen, um homem gay com AIDS que dedica seu tempo ao ativismo como membro do ACT UP. Judy nunca imaginou encontrar romance... Até que ela se apaixona por Reza e eles começaram a namorar. Art é o melhor amigo de Judy, o único adolescente orgulhoso de ter se assumido para o mundo. Ele nunca será quem seus pais conservadores querem que seja, então se rebela documentando a crise da Aids por meio de suas fotografias. À medida que Reza e Art se aproximam, Reza luta para encontrar uma maneira de escapar da mentira para não quebrar o coração de Judy - e destruir a amizade mais significativa que ele já teve.

    A trama acompanha três personagens principais: Art, Reza e Judy. Cada um deles com suas peculiaridades e individualidades, conectados pela amizade e pelo amor e pela luta pelos direitos da comunidade LGBQTIA+. Estamos falando de uma história que se passa no fim dos anos 80, quando a AIDS ainda estava em surto e ainda era um estigma, quando as pessoas olhavam para pessoas com HIV como se fossem contagiosos pelo simples fato de existirem.

    Art, Reza e Judy vivem e se divertem e amam e sofrem em meio a esse momento conturbado, trilhando suas histórias em conjunto e solitariamente de maneira agradável e apaixonante.


    Não se esqueça de mim. De nós. Todos nós. O que fizemos. Pelo que lutamos. Nossa história. Quem somos. Eles não vão ensinar sobre nós nas escolas. Não querem que tenhamos uma história. Não nos veem. [...] Você precisa fazer com que eles nos vejam.

    A narrativa do autor é gentil, carismática e cheia de vida. É impossível pegar esse livro e não querer devorá-lo do início ao fim; é uma obra sobre juventude, descobertas, sobre diferentes tipos de medos e abandono e recomeços. Fala sobre família - a de sangue, de coração e a que a gente escolhe. Fala sobre amizade - as coisas boas dela e as ruins. Fala sobre amor - os ganhos e perdas ao se apaixonar.


    Resenha: Like a love story

    É um livro tão doce. Tão melancólico. Tão dolorosamente atual, quando menciona a intolerância e o medo de ser quem você é que recai sobre crianças e jovens da comunidade queer. É uma história sobre independência e liberdade, mas também sobre o peso que fazer escolhas. Fala sobre morte e luto e sobre vida e alegria.

    Fazia muito tempo que uma história não me tocava tanto a ponto de arrancar sorrisos genuínos e lágrimas e soluços em diferentes pontos da trama. A narrativa é linear e encaixa bem seus momentos de virada, quando precisamos sentir mais e nos conectar mais com que nossos personagens estão sentindo.

    Reza é iraniano; chegou nos Estados Unidos há pouco tempo, depois do novo casamento da mãe com um homem rico e influente de seu país, e está tentando se adaptar. Sempre movido pelo medo de ser quem é e do que isso significa para si e para quem ele ama; sempre com medo da vergonha que pode causar à mãe e a si mesmo, mas também do horror de se manter preso a alguém que não é. Reza sabe e entende que é gay, mas não dá voz a isso e nem a seus sentimentos, mantendo-os nos confins de sua mente para tentar escapar deles.


    Talvez eu não seja corajoso o suficiente para o amor.

    Sua trajetória é cheia de dor e ferimentos emocionais pesados. Envolve autoaceitação e o sentimento de se libertar e ser feliz com isso, e é desesperador o quanto ele se prende ao que ser feliz pode significar para as outras pessoas. O quanto o medo que o mundo externo, com seus preconceitos e julgamentos e ataques, jogou sobre a comunidade LGBTQ+ causa na mente de um jovem se entendendo.


    Resenha: Like a love story

    Com Art, Reza percebe que existe um caminho para felicidade - mas envolve se assumir. Assumir seu amor por garotos para o mundo. E a jornada de Reza é sobre isso; sobre superar o medo, e não realmente deixá-lo para trás.


    Jimmy uma vez que a AIDS é como a guerra. Governos e pessoas poderosas não se importam porque não são suas crianças sendo enviadas para as trincheiras. Não são suas crianças que estão morrendo. Mas eu sou uma dessas crianças, e estou nessa guerra.

    Art, inclusive, é uma estrela em questão de carisma e emoção, mas também vive seus momentos cheios de problemas. Ainda que esteja rodeado do amor de Judy, sua melhor amiga, e da comunidade queer num todo, se assumir gay para o mundo e para quem está nele tem seu preço. E envolve bullying e perseguições na escola e o pior de tudo, os olhares e palavras dos seus pais, que vivem em negação.

    Enquanto a narrativa de Reza fala de medo, a de Art fala sobre raiva. Ele é cheio de vida e sorrisos e emoção, ansioso por um mundo que o aceite e ame quem ele ama, mas também está cheio de raiva e querendo descontar isso naqueles que causam dor. E não está errado por isso; há quem olhe para o preconceito e queira combatê-lo com tolerância, mas aquele que olha para a intolerância e sente fúria dela, a meu ver, também tem razão.


    Se você usa Deus para dizer a pessoas criadas por Deus que são pecadoras por amar quem amam, então eu estendo meu dedo do meio para você e te convido a se sentar nele.

    Por fim, Judy é uma bússola amigável entre os dois, e seus dilemas envolvem peso e beleza e aceitação. Ela é apaixonada por moda e por dar vida a estilos que ninguém pensaria em criar e se molda através de suas criações para esconder os temores à rejeição e ao modo como o mundo a vê.

    Sua relação com Reza tem muito a ver sobre o medo dele de se assumir, e também traz conflitos importantes para o desenvolvimento do caráter dos três protagonistas. Que os faz repensar a vida e as mentiras que machucam e as verdades que libertam.


    Resenha: Like a love story

    Suas histórias se combinam através dos protestos pelos ativistas da comunidade LGBTQ+, pelas vozes de milhares de pessoas oprimidas e esquecidas enquanto um vírus mortífero apagava sua existência do mundo como se fosse nada - enquanto autoridades não faziam nada. Elas se combinam também através do amor por Madonna, sua influência e presença e músicas que guiaram toda uma geração esquecida a ganhar voz. Suas histórias se combinam através de Stephen, tio de Judy e ativista gay que está lidando com a AIDS em seus estágios terminais da maneira mais forte e poderosa possível.


    Eu acho que essa é a primeira vez que cheguei perto de ser eu mesmo.

    Stephen, com seus sorrisos e suas sessões de filmes antigos e seu coração grandioso disposto a abraçar aqueles que precisam sem nem saber. Um dos personagens mais queridos e adoráveis e dolorosos que já tive a alegria de conhecer em livros juvenis; um que eu gostaria de conhecer e conversar e prometer que o mundo vai ser um lugar melhor para quem ama. Que leva tempo, mas o amor prevalece.

    Like a love story é uma mensagem de aceitação, um grito por direitos e respeito, um ode ao amor e à juventude. É um livro emocionante, inesquecível e com certeza uma leitura obrigatória na estante de todo mundo.


    Título original: Like a love story
    Autor: Abdi Nazemian
    Editora: Balzer + Bray
    Gênero: YA | LGBTQIA+
    Nota: 5+

    1. Não tinha associado o nome do livro com a capa... mas ali lendo tua resenha lembrei que tinha anotado ele pra ficar de olho no lançamento, mas pelo visto eu flopei
      Só sei que agora quero muito ler e sei que ele seria mó sucesso aqui no Brasil
      Beijos
      Balaio de Babados

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    2. Olá, Denise.
      Menina li a resenha até com mais vontade depois de ver você dizer que ele foi uma das melhores leituras da vida. Eu vivi nessa época e sei como era a perseguição aos gays. A associação com a AIDs. Espero que lane logo por aqui porque fiquei morrendo de vontade de ler ele agora hehe.

      Prefácio

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    3. Oi, Denise

      Eu não gosto de YA, mas calha de vez ou outra um livro do gênero chamar minha atenção quando se propõe a falar sobre assuntos tão relevantes. Ele está lá nos meus desejados da Amazon e eu estou acompanhando o preço. O hardcover tá até consideravelmente barato, mas ainda não vou comprar não... Vou ver se o ebook chega nuns vinte reais.

      Beijos
      - Tami
      https://www.meuepilogo.com

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