Resenha: Alerta Vermelho - Martha Wells - Queria Estar Lendo

Resenha: Alerta Vermelho - Martha Wells

Publicado em 23 de fev. de 2026

Resenha: Alerta Vermelho - Martha Wells

O primeiro volume da série Diários de um Robô-Assassino, da autora Martha Wells, é um primor de ficção científica e bom humor. Alerta Vermelho nos coloca para acompanhar os diários do dito cujo enquanto trabalha como guarda-costas de cientistas investigando um novo planeta.

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A unidade UniSeg designada para a equipe da doutora Mensah só quer fazer o seu trabalho, se desligar no fim do dia e assistir suas séries sem perturbações. Ele é um robô-assassino designado por uma empresa de segurança para proteger e garantir o retorno dos cientistas intactos da sua missão de reconhecimento e pesquisa num planeta desconhecido.

O que ninguém sabe é que esse robô-assassino deu um jeito de hackear o próprio sistema, o que dá a ele controle sobre suas decisões e julgamentos alheios. Deveria ser um problema, mas acaba sendo a solução quando a equipe de cientistas começa a ser rastreada e caçada por uma ameaça desconhecida.

Alerta Vermelho foi tudo o que eu esperava e mais. É um primor não apenas da ficção científica, mas da comédia também, porque o robô-assassino é hilário do começo ao fim. Ele é cínico, debochado e está de saco cheio de tudo; mas tem uma missão a cumprir, e vai cumpri-la porque... sim.

Resenha: Alerta Vermelho - Martha Wells

O livro é curtinho, pouco mais de 200 páginas, e nos guia através dos relatos do robô UniSeg a partir do momento em que uma mini catástrofe acontece com a equipe da doutora Mensah, colocando os eixos e a rotina dos cientistas dos avessos. Dali, só pra baixo.

O que deveria ser um período de descobrimentos e pesquisas se torna um pequeno pesadelo quando percebem que tem algo de errado com aquele planeta. Não necessariamente o planeta, mas uma ameaça que não deveria estar ali. O que coloca todos eles em alerta vermelho.


E justamente porque o nosso robô rebelde tem liberdade e julgamento liberados pelo sistema hackeado (para assistir suas séries favoritas, que fique bem claro!), ele é a peça chave para ajudar os cientistas a sobreviver.

Tem toda uma relação complicada, tanto hierárquica quanto social, considerando que o robô é uma máquina (senciente, sim, e com partes orgânicas, mas um construto criado para servir humanos) que é muito bem explorado pela autora. Cria simpatia por estarmos dentro da cabeça do robô-assassino, entendendo os humanos com quem ele está convivendo através dele mesmo.

É irônico o quanto é fácil se identificar com o construto. De todos os personagens, ele é a representação de uma pessoa que só quer fazer o seu trabalho e aproveitar o pouco tempo de entretenimento e alienação que a vida corrida permite. Ele é a emoção reprimida, a fobia social e o silencioso anseio que a gente tem de querer pertencer, mas ter medo de se entregar à situação.

Era confuso, e eu queria gritar. Talvez a morte fosse assim para um robô-assassino.

Alguns humanos são mais simpáticos à presença do robô, outros contidos, e alguns até mesmo encaram a presença e a postura dele como um problema extra, inserindo uma nova camada de tensão. Tudo isso para a autora desenvolver muito bem, através dos sentimentos que o próprio robô oprime dentro dele, a relação dos humanos com o protagonista.

Resenha: Alerta Vermelho - Martha Wells

Gostei bastante das interações entre o robô-assassino e os cientistas, mas as mais interessantes foram justamente as que mais renderam questões internas para ele: a gentileza e humanidade da doutora Mensah, cuidando dele como uma amiga faria; e a desconfiança e julgamento do doutor Gurathin, que vê a presença do construto como um problema.

A questão que permeia a história, com as ameaças externas e a resolução dela, também é muito satisfatória. Quando achei que o livro estava caminhando numa direção, ele foi para outra, abrindo margem para reviravoltas instigantes e um clímax carregado em adrenalina. O fim, inclusive, é brilhante. Combina demais com o que o robô-assassino viveu, e abre espaço para uma galáxia de possibilidades no futuro dele.

Na verdade, eu era uma entidade inteiramente confusa, sem ideia do que eu gostaria de fazer.

A tradução de Laura Pohl ficou excelente (eu amei as adaptações para o português) e toda a edição da Aleph é linda demais. Eu amo a capa, a diagramação é super confortável, e o livro em si ficou uma gracinha.

Alerta Vermelho é uma delícia de história de ficção científica, comédia e found family. Encanta pela narrativa direta e cativante de um robô sarcástico e nos ganha quando desenvolve o que ele mais teme, que são as suas "emoções".

Sinopse: Qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando você pensa em um robô humanoide que hackeia o próprio sistema e conquista autonomia? Um banho de sangue? Bem, o autointitulado robô-assassino de Alerta vermelho tem outras prioridades... Mais especificamente, maratonar milhares de horas de conteúdo audiovisual em seu feed de entretenimento. Isso, é claro, se os humanos deixarem. Porém, ao ser enviado como parte de uma expedição a um planeta remoto - até mesmo um robô precisa trabalhar -, uma série de eventos misteriosos coloca em risco os humanos que ele foi designado a proteger. Mesmo sem entender muito bem o motivo, ele agora se importa de verdade com a segurança daquele grupo irritante - e ninguém vai tocar nos humanos dele. O robô vai se certificar disso.

Título original: All Systems Red
Autora: Martha Wells
Tradução: Laura Pohl
Editora: Aleph
Gênero: Ficção científica
Nota: 5+

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