Resenha: Condição artificial - Martha Wells - Queria Estar Lendo

Resenha: Condição artificial - Martha Wells

Publicado em 4 de mai. de 2026

Resenha: Condição artificial - Martha Wells

Dando sequência à minha paixão que é a série Diários de um Robô-Assassino, Condição artificial acompanha o dito cujo algum tempo depois da sua decisão de seguir em frente em sua liberdade para buscar respostas sobre o seu passado.

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Esta resenha contém spoilers do primeiro volume da série.

Um robô com seu sistema hackeado não quer guerra com ninguém, e definitivamente não quer se envolver em mais problemas do que já se envolveu. Agora que está livre (depois de fugir da sua antiga tripulação, que o ajudou a obter certa liberdade), ele quer respostas. E isso significa voltar em busca do passado.

Mais precisamente, viajar até a área de mineração onde ele atacou e massacrou toda a equipe para a qual trabalhava na época. O que pode significar um grande trauma no sistema do robô-assassino, mas também uma resolução sobre quem é e o que tem feito.

O problema é que sua viagem até lá o coloca em contato com uma nave de transporte simpática e curiosa, e de um grupo de humanos jovens que estão, obviamente, em grandes problemas.

Resenha: Condição artificial - Martha Wells

Condição artificial foi tão bom quanto o primeiro livro, me certificando de que tudo que eu vier a ler da Martha Wells, especialmente no que concerne o robô-assassino, é um primor puro.

Então, nos fizeram mais inteligentes. A ansiedade e a depressão foram efeitos colaterais.

O adorável robô antissocial que narra a sua jornada em busca de respostas não poderia estar mais engraçado. Desprovido do contrato e de um empregador, ele é livre para decidir o que fazer. E, se depender dele, se afundar em séries é a melhor opção. Talvez a única opção viável.

A partir do momento em que começa a conversar com a nave de transporte (delicadamente apelidada de TED - Transporte Exploratório Desgraçado), vai descobrindo mais sobre si mesmo nessa jornada de autodepreciação informativa.

Ele quer saber o que aconteceu no passado, mas também tem medo. Ainda que não reconheça o sentimento. Por ser um construto senciente, emoções e sentimentos passam por ele sem que perceba. Ansiedade, medo, raiva, melancolia. Tudo está ali, lindamente escondido por uma boa dose de deboche e de negação.

Resenha: Condição artificial - Martha Wells

Afinal, um robô não deveria estar sentindo porcaria nenhuma. Mas a beleza do livro é justamente brincar com a percepção do protagonista sobre si mesmo, sentindo e pensando como um ser vivo, mas também vivendo com as condições artificiais a ele impostas desde a sua criação.

As crises de ansiedade do robô são tão engraçadas quanto do primeiro livro, mas mais escancaradas por causa da liberdade. Como ele está sendo procurado pela fuga, esconder-se entre os humanos é a melhor opção para conseguir cumprir o que veio buscar. E é o TED quem o ajuda com isso.

Duas inteligências artificiais contra o mundo! Eu amei tanto as discussões e questões com TED. Diferente do protagonista, é uma nave firmada em protocolos, mas ela tem suas questões internas, bloqueios e desvios que pode fazer para ajudar um amigo robô em necessidade. Ainda que seu amigo não admita isso.

Vou me abster de reclamar, disse a nave. (Imagine essa fala no tom mais sarcástico possível e talvez você chegue perto de como soou).

Condição artificial traz um núcleo de personagens humanos bem menos desenvolvidos do que a tripulação de Alerta Vermelho justamente para elucidar que o protagonismo, aqui, é do robô em fuga. E do seu amigo, que é quase uma nave de fuga.

As interações do robô com os humanos são divertidas e no mínimo interessantes, já que ele está se passando por humano também. Vê-lo fingindo ser uma pessoa me arrancou boas risadas (principalmente por causa das crises de pânico interna que ele está vivendo).

Eu não queria parecer mais humano do que já era.

A tradução de Laura Pohl ficou ótima, mais uma vez. E toda a edição da Aleph, idem. Eu sou apaixonada pelas capas brasileiras da série, acho que falam bem demais da jornada do protagonista e de quem, e não o que, ele está vindo a se tornar.


Condição artificial é mais um capítulo simpático nessa jornada de descobrimentos, sarcasmo e ansiedade social que amamos acompanhar. Eu mal posso esperar pela próxima aventura do meu robô-assassino favorito!

Sinopse: Um robô com o sistema hackeado (por ele mesmo) e longe das amarras da empresa que o fabricou não se importa mais com sua missão original: matar sempre que for preciso; ele quer apenas ter sossego para assistir milhares de séries de TV. Sozinho. Em paz. Contudo, antes de começar sua vida tranquila entre os humanos, o robô precisa ter certeza de que eventos suspeitos que ocorreram no passado não voltarão a se repetir. Afinal, a última coisa de que necessita é colocar pessoas em perigo. Para desvendar o que aconteceu mesmo depois de ter parte da memória apagada, ele deverá confiar em uma nave de transporte petulante e em um novo grupo de humanos - que parecem estar em uma enrascada maior ainda.

Título original: Artificial Condition
Autora: Martha Wells
Editora: Aleph
Tradução: Laura Pohl
Gênero: Fantasia
Nota: 5

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