Protocolo Rebelde, o terceiro volume da série Diários de um Robô-Assassino nos leva a acompanhar o dito cujo em outra missão em busca de informações, o que também o coloca no caminho de humanos prestes a enfrentar um perigo desconhecido. Não que ele se importe, mas talvez dê para ajudar. De novo.
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A resenha vai conter alguns spoilers dos livros anteriores.
O robô-assassino tem um plano simples: reunir informações sobre a poderosa empresa de malfeitores que causou todo o caos permeando a vida dele até então. Para isso, ele precisa embarcar em uma nova viagem enquanto se disfarça de humano modificado porque, afinal, é uma UniSeg rebelde e está sendo procurado por autoridades.
O que deveria ser uma tarefa fácil acaba se complicando quando um grupo de humanos entra em seu caminho numa estação aparentemente abandonada. Ele não sabe por que estão ali (ainda mais com um robô de estimação junto), mas descobre que não estão sozinhos. E ele talvez seja o único capaz de protegê-los da ameaça desconhecida, o que é um saco.
Protocolo Rebelde traz aquele ritmo frenético do volume anterior, com uma penca de novas informações e um clima tenso pelo perigo desconhecido. Depois de lidar com humanos corruptos, uma empresa maligna e até mesmo outra UniSeg perigosa, tudo o que o nosso robô-assassino não queria era ter que enfrentar uma nova ameaça.
Eu odeio me importar com as coisas. Só que depois que você começa, aparentemente, não dá para simplesmente parar.
Mas se preocupar é inerente a ele, ainda que negue veemente. Ele não quer se importar, mas está cada vez mais difícil deixar emoções de lado. Sua parte sintética pode resistir, mas a outra parte está cada vez mais próxima dos humanos do que ele gostaria de admitir.
Eu gosto demais dos dilemas sentimentais e sociais que o protagonista dessa série vive. Sem nome, sem rumo, com uma missão estranha em seu caminho só para se livrar dos próprios fantasmas do passado, ele acaba se envolvendo em situações empáticas sem perceber, porque está se tornando uma criatura cada vez mais empática.
Suas relações com os personagens dessa parte da história são pautadas em estranhamento, porque ele entra de supetão na missão, e de confusão, porque o robô que acompanha os humanos é esquisito. Ele age como se fosse amigo dos humanos, como se fosse muito próximo da líder, Don Abene; como se fizesse parte desse grupo como um igual. O que, para o robô-assassino, é impensável.
Eu amei, amei, amei o Miki, o robô que acompanha a missão dos humanos. As interações dele com o protagonista são pautadas em inocência e amizade, ainda que o nosso robô-assassino relute tanto em aceitar que essas características podem vir naturalmente de um robô.
Eu com certeza me reportaria. UniSegs Rebeldes são perigosas para caralho, confie em mim.
Até que começa a se provar ao contrário - ainda que a teimosia do protagonista não deixe isso vencer. Para ele, estar como um igual entre humanos é impossível. Mesmo hackeado e rebelde, ele ainda vê essa diferença entre as raças; mesmo sendo tratado como igual, ele não consegue aceitar que existe uma visão de mundo como essa.
Protocolo Rebelde tem ótimas cenas de ação e perseguição, um espaço para um plot twist envolvendo traições e um final agridoce que me pegou de surpresa depois do que foram dois livros aconchegantes. Apesar da violência e das crises de ansiedade do protagonista, até então a série tinha mantido um tom mais esperançoso. O fim desse livro é um baque nessa sensação, mostrando que nem sempre dá para ter um final feliz.
Sigo adorando a tradução da Laura Pohl, que faz um excelente trabalho com as adaptações e em manter o tom humorístico depreciativo do personagem principal. A edição da Aleph também ficou ótima; muito confortável de ler, fácil de manusear, com o que é a minha capa favorita da série.
Protocolo Rebelde segue a deixa dos volumes anteriores e entrega uma aventura cheia de adrenalina, ameaças robóticas e crises sociais de um protagonista que se aproxima cada vez mais da humanidade da qual ele tanto quer distância.
Sinopse: Depois de uma viagem conturbada, o robô-assassino está de volta e em busca de vingança pelo seu passado. Tudo o que ele precisa é encontrar provas contra a empresa que o criou. Por isso, decide visitar Milu, local que pode ser mais do que um antigo projeto abandonado de GrayCris: o plano é achar evidências de que a empresa ainda conduz operações ilegais no lugar. É uma pena que, no meio do caminho, ele também tenha que lidar com homens descontrolados, naves que precisam de ajuda para mediar conflitos e um pequeno robô que acredita ser amigo verdadeiro de... humanos.
Título original: Rogue Protocol
Autora: Martha Wells
Tradução: Laura Pohl
Editora: Aleph
Gênero: Ficção científica
Nota: 5
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