Resenha: Amante Sombrio

  • 10:00
  • 10 de ago de 2012

  • A primeira vez em que eu vi os títulos de A Irmandade da Adaga Negra foi durante uma sessão de exploração da biblioteca da minha universidade. Eu era caloura e estava lá olhando prateleira por prateleira me sentindo no melhor lugar do mundo entre todos aqueles livros quando me deparei com essa coleção. Passei batido por eles e continuei assim. Foi só 2 anos depois que peguei Amante Sombrio, graças a indicação da Eduarda.

    Sinopse: Nas sombras da noite, em Caldwell, Nova York, desenrola-se uma sórdida e cruel guerra, entre vampiros e seus carrascos. Há uma irmandade secreta, sem igual, formada por seis vampiros defensores de sua raça. Ainda assim, nenhum deles deseja a aniquilação de seus inimigos mais que Wrath, o líder da Irmandade da Adaga Negra. Wrath é o vampiro de raça mais pura dentre os que povoam a terra e possui uma dívida pendente com os assassinos de seus pais. Ao perder um de seus mais fiéis guerreiros, que deixou orfã uma jovem mestiça, ignorante de sua herança e destino, não lhe resta outra saída senão levar a bela garota para o mundo dos não mortos. Traída pela debilidade de seu corpo, Beth Randall se vê impotente em tentar resistir aos avanços desse desconhecido, incrivelmente atraente, que a visita todas as noites envolto em sombras. As histórias dele sobre a Irmandade a aterrorizam e fascinam. Seu simples toque faísca, um fogo que pode acabar consumindo a ambos.

    Eu acho meio engraçado como a gente se engana no começo das coisas.

    Em Amante Sombrio, JR Ward nos conta a história de Beth Randall, uma jornalista que, sem saber de sua natureza metade vampira, está prestes a passar por sua transição. A preocupação de seu pai, Darius, de que ela não sobreviva a transformação faz com que ele peça a Wrath, o último vampiro de sangue puro – e rei da raça – para ajudar na transição da filha.

    Quando Darius morre em um ataque planejado pela Sociedade Redutora, seus inimigos, Wrath sente-se em divida com o Irmão e atende a seu último pedido. O que ele menos esperava era acabar vinculado à Beth.

    No inicio do livro eu me senti completamente desconfortável. A escrita da Ward me lembrava algumas autoras de fanfictions com alguns vícios de escrita, parágrafos curtos ou ênfase em coisas que não me pareciam extremamente interessante. Odiei o Wrath, achei ele um personagem forçado demais, mas me apaixonei loucamente pelo Tohr e pelo Darius bebendo no Screamer’s. Então eu dei uma segunda chance e continuei lendo.

    E não preciso dizer o quanto eu me perdi naquela história fantástica, né?


    Adorei a Beth desde o primeiro parágrafo de Amante Sombrio. Gostei da determinação dela, da força e da coragem. E desde o primeiro encontro entre ela e Wrath, eu passei a amar ele também. Os dois funcionam bem juntos, tem uma química interessante e por mais torto que o relacionamento tenha começado, eu achava a coisa mais adorável do mundo.

    Amei ver como eles evoluíram ao longo do primeiro livro e entrei de cabeça naquele mundo. Os redutores pareciam criaturas medonhas e assassinos frios com cheiro de talco de bebê, e ao mesmo tempo, tinham toda uma história por trás deles – mesmo que não me fizesse simpatizar com eles.

    O mundo que a Ward criou, com aqueles homens enormes, vestidos em couro e prontos para o ataque, me deixa sem fôlego. E é completamente apaixonante as crenças deles. Adoro como eles fazem de tudo pelas fêmeas que amam, gosto do respeito que tem e da cumplicidade e irmandade. Gosto de como ela criou os vampiros, não são exatamente o Drácula, mas também não brilham no sol ou andam por ai com jóias encantadas que os fazem tolerar os raios ultravioletas.


    O mundo místico que ela criou a partir de Amante Sombrio, também, é incrível. A Virgem Escriba e as escolhidas dão toda uma áurea de mundo perdido, esquecido, de tradições que deveriam ser mais fortes. Mas preciso deixar claro que eu não gosto da Virgem Escriba, e me recuso a gostar dela ainda mais depois do quinto volume, Amante Liberto.

    Por mais que seja um romance sobrenatural, ele parece algo crível, teve suas raízes bem explicadas e apresentadas, e é estimulante, sensual, dominador. Abriu possibilidades para as suas continuações, ao mesmo tempo em que amarrou e encerrou o primeiro capítulo da vida de Wrath e Beth. Impossível parar no primeiro, no segundo, no terceiro.. Ou no décimo.

    Atualização, 11/07/2019: embora seja uma série extremamente cativante, especialmente com a irmandade entre as personagens masculinas, A Irmandade da Adaga Negra se apoia extremamente em estereótipos machistas e abusivos para criar um "ideal de romance".

    Muito do "ciúme" das personagens masculinas vem de sentimentos exacerbados de posse, coisa que aceitamos como "normal" por estarem inseridos em um universo fantástico. Aceitamos os abusos mascarados de romance primeiro porque é o que nos ensinam desde pequenas ("ele puxa seu cabelo porque gosta de você", "ele não quer que você tenha amigos homens porque te ama demais", etc) e, também, porque em um contextos sobrenatural parece normal que a mocinha precise se isolar do resto do mundo para estar segura dos inimigos do mocinho.

    Mas não é. É importante ler A Irmandade da Adaga Negra como uma peça de ficção e nada mais. No mundo real, ninguém quer acordar no meio da noite e ver um homem desconhecido e enorme parado no quintal da sua casa, como acontece com Beth. Ninguém quer ser agarrada no escuro, em um lugar estranho e quando se está com medo, por um homem muito maior do que você, nu e alucinado, como foi com Mary e Rhage.

    Hoje eu percebo que parte do meu desconforto inicial não foi só a sensação de "fanfic" que tive ao começar a ler os livros. Mas da extrema violência romantizada, que mesmo na época me era estranha - ainda que eu fosse fã de Crepúsculo. Eu sei que dizer "é só ficção" não isenta livros de suas responsabilidades sociais. Mas espero que possamos encarar ele apenas como ficção, e combater com afinco"romances" (como os representados aqui) na vida real.

    Título original: Dark Lover, The Black Dagger Bortherhood, vol. 1
    Autora: J.R. Ward
    Tradutora: Jacqueline Valpassos
    Editora: Universo dos Livros
    Gênero: Fantasia urbana | Erótico
    Nota: 3,5
    SKOOB

    1. Eu amo IAN, assim como o Wrath e a nossa querida rainha <33
      Adorei a resenha, e concordo com você: impossivel parar de ler essa série!

      ResponderExcluir
    2. Bem vinda ao clube das que desdenharam no começo e depois pagaram a língua. A diferença é que virei uma fã insana da série. Adorei esse livro, com toda a ação (sim, eu adoro ação!), toda a mitologia que ela criou, toda a loucura desse mundo... Hoje Amante Sombrio não é meu favorito - acho o segundo, por exemplo, bem melhor escrito - e acho que a Ward melhorou bastante a escrita dela nesses oito anos de IAN.

      Mandou bem na resenha! Beijos!

      ResponderExcluir

    Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!

    Tecnologia do Blogger.