Resenha: O Grande Gatsby

A versão que li foi uma edição de capa dura, verde clara, cujo nome da obra e do autor só eram identificados na fina lombada do livro. A versão que li foi emprestada da biblioteca da faculdade, mas umas duas semanas depois achei essa edição das fotos no sebo aqui e não resisti, levei na hora. Apesar de não ser uma das melhores capas, eu queria muito ter ele – e também queria fazer minha mãe ler – por isso comprei, paguei cinco reais e estou super feliz!

Sinopse: Obra-prima de Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby é o romance americano definitivo sobre os anos prósperos e loucos que sucederam a Primeira Guerra Mundial. O texto de Fitzgerald é original e grandioso ao narrar a história de amor de Jay Gatsby e Daisy. Ela, uma bela jovem de Lousville e ele, um oficial da marinha no início de carreira. Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. A história é contada por um espectador que não participa propriamente do que acontece - Nick Carraway. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.
O Grande Gatsby - Resenha Só Mais Um


Escolhi o livro aleatoriamente, enquanto procurava Grandes Esperanças e Um Conto de Duas Cidades, do Charles Dickens. Não posso negar que a capa (a verde e dura) foi o que me seduziu primeiro e, depois, o título do livro que, logo lembrei, também era o título de um DVD que eu havia comprado há um ou dois anos e nunca assisti.

Essa edição das fotos não é a minha favorita, como já falei. A publicitária dentro de mim treme ao ver todos esses elementos misturados na capa e essas cores... Mas ai eu lembro que foi feita nos anos 70, e lembro de tudo que era feito naquela época (graficamente falando) e me sinto um pouco melhor.

Não lembro a primeira vez que ouvi falar do livro, mas tenho quase certeza que foi em algum episódio de Gilmore Girls, já que a Rory era tão apaixonada por livros clássicos. Nunca achei que pudesse gostar realmente dele e pensei que desistiria logo no início, mas não sei se foi o número muito pequeno de páginas ou porque se passa nos anos 20 – uma das minhas épocas preferidas –, a leitura engatou e em pouco mais de uma semana eu terminei ele.

Não consigo parar de comparar o Grande Gatsby a uma aventura de verão adolescente, aquele ponto inesquecível que precede o início de toda uma vida. Um acontecimento mágico que encontrou seu ápice em uma tragédia e, depois, dissipou-se como a nevoa no início de uma manhã fria.

Confesso que momentos após terminar o livro já fui para o skoob para avaliar ele e, quando vi as estrelas, fiquei em dúvida. Não tinha sido o melhor livro que li na vida, mas era bom. Então fui procurar o filme para ver e, quanto mais a história do Gatsby e as palavras do Nick giravam na minha cabeça, maior era a minha simpatia pelo livro. Resultado? Não sei exatamente como classificá-lo. Há coisas que eu realmente gostei no livro como a construção dos personagens, especialmente do Gatsby e da Daisy. No primeiro momento você não identifica a natureza real do Jay e ai passa uma página e outra e você está apegada sem nem mesmo perceber.

Era um desses sorrisos raros que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez se depare quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava - ou parecia encarar - todo o mundo eterno, e que depois se concentrava na gente com irresistível expressão de parcialidade a nosso favor. Um sorriso que compreendia a gente até o ponto em que a gente queria ser compreendido, que acreditava na gente como a gente gostaria de acreditar, assegurando-nos que tinha da gente exatamente a impressão que a gente, na melhor das hipóteses, esperava causar.
Adoro a descrição do sorriso dele e senti uma dó descomunal quando percebi o quão solitário ele era. Me apeguei principalmente a pessoa sonhadora e esperançosa que ele era, e senti uma imensa dor por ele estar cercado de pessoas fúteis e manter-se agarrado tão fortemente ao passado.

Gatsby viveu cinco anos para uma única mulher, cada passo que ele deu, cada decisão que tomou, tudo em sua vida era voltado para realizar o sonho de ter ela para si mais uma vez. Acho que o livro conta uma grande história sobre como achamos que conhecemos alguém, para no final descobrir que não conhecemos de verdade. E sobre como o amor, nem sempre, supera tudo.

O Grande Gatsby - Resenha Só Mais Um

Tem algo que eu sempre disse a mim mesma e que acho que se encaixa perfeitamente a Gatsby, “Nem sempre o amor basta”. As pessoas mudam, as circunstancias os transformam e, nesse caso, eu acho que a Daisy se deixou levar pela facilidade da vida que tinha, enquanto Jay lutou dia após dia para ser merecedor dela.

Foi muito bom chegar ao final do livro e perceber que o Nick havia chegado a mesma conclusão que eu. O egoísmo das pessoas em escolherem o seguro e não se arriscar, em jogar no fogo a vida de uma pessoa, apenas por medo da sua própria, em escolher a si mesmo em frente aos sentimentos de alguém que julgavam amar.

Confesso, também, que tentei sentir pena da Daisy, mas não consegui. No começo, quando ela diz a Nick que espera que sua filha seja uma linda tola, senti que ela buscava desesperadamente um lugar onde pudesse ter voz. Mas no fim vi que ela só estava sendo cínica, como ela mesma disse. Ela estava cansada da situação, mas não tinha coragem o suficiente para mudar nada. Entre enfrentar o desconhecido com a promessa de felicidade, ela optou pelo seguro, porque no fim das contas, se sentir seguro é tão bom quanto se sentir feliz – nem todos têm a audácia de serem felizes, porque isso pode machucar.

Sinto uma forte simpatia e respeito por Nick, especialmente pelo reconhecimento que ele dá a Gatsby em uma das páginas finais do livro, depois de passarmos tanto tempo ouvindo os disparates preconceituosos de Tom – e mesmo o preconceito existente nas entrelinhas, sempre subentendido. Gatsby era bom o suficiente para dar festas esplendorosas, mas não para ser amigo de alguém ou reconhecido e agradecido pelo refúgio que proporcionava as figuras anônimas entediadas da cidade. Aliás, figuras essas que adoravam inventar mil e uma histórias a respeito dele, mas que só Nick pode conhecer a verdade.

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O livro tem um ritmo bom, a narrativa em primeira pessoa me deixa um pouco apreensiva e, a princípio, não achei que o tom poético combinaria com o ponto de vista, mas acho que foi um ótimo casamento. Fiquei perdida uma ora ou outra no que estava acontecendo, mas talvez tenha sido eu que tenha lido muito rapidamente ou não tenha prestado atenção a alguma palavra-chave do texto.

É um livro pequeno, a tradução não é afetada como a da grande maioria dos clássicos universais e é de fácil compreensão. Nick é um personagem adorável e identificável, que te leva a uma interessante viagem pela Nova Iorque dos anos 20, ao lado de uma figura incrivelmente misteriosa e ao mesmo tempo simples.

Queria eu, ao terminar o livro, poder abraçar Gatsby. E depois de ver o filme – de 2013, ainda não consegui ver o de 1974 – só quis mais ainda guardar o sorriso único dele em um potinho e olhar para lá sempre que precisasse de um.

Título: O Grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Círculo do Livro
Nota: 5

Saiba mais em: Skoob | Buscapé 

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COMENTÁRIOS

10 comentários:

  1. Puxa, ótima resenha!
    Quando vi o trailer do filme, não tive vontade de assisti-lo, nada me atraia nele, mas lendo seu texto mudei de ideia, e acho que vou assistir e quem sabe até ler o livro ^^

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    1. Oi!
      Obrigada <3
      Olha, eu fiquei encantada com o trailer do último filme baseado nele. Acho que foi o que mais me instigou a ler, realmente. Tenta dar uma olhada no filme, ele está bastante fiel ao livro. Assim você já tem uma base para saber se vai se interessar pelo livro.

      beijos,
      Bianca.

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  2. Não me interessei pelo livro, não é um gênero que eu curta muito. Apesar de vc não ter gostado dessa capa eu adorei confesso que é bem chamativa e Tal, mas é legal.

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    1. Oi, Jéssica!
      Eu não dava muito pelo livro, mas me surpreendeu positivamente. Porém, se romance não é o seu gênero, realmente. Passe longe. Pior coisa que tem é ler um gênero que a gente não curte, as chances de se divertir com a leitura são bem pequenas.
      Mas confesso que essa capa me aterroriza, embora seja sim chamativa :P

      bjos,
      Bianca.

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  3. Eu morro de vontade de ler esse livro e essa edição que você tem é sensacional. Amei <3.
    Super quero conhecer esse clássico.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Oi, Inês! Eu não dava nada pra esse livro, sabe? Me surpreendeu e muiiito, quanto mais penso sobre, mais eu gosto. Se você tiver a oportunidade, leia ele.

      beijos,
      Bianca.

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  4. "Adoro a descrição do sorriso dele e senti uma dó descomunal quando percebi o quão solitário ele era. Me apeguei principalmente a pessoa sonhadora e esperançosa que ele era..." eu senti o mesmo que você. Li esse livro faz muito tempo e foi o da capa verde também. Adorei sua resenha e estou pra assistir o filme mas sempre enrolo e assisto outros.

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  5. Oi, gostei da sua resenha, mas devo dizer que ainda não sinto interesse em ler o livro, ele parece ser bom, mas não é o tipo de leitura que estou acostumada, mas quem sabe mais para frente eu dê uma chance ao livro, pois leio conforme o meu humor, a capa é linda.
    Beijos *-*

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  6. Sua resenha e bem comenta adorei a form que vc falar sua opnião
    ainda nao conhecia mais achei livro bem interessante mesmo nao sendo tipo que gosto muuuito

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  7. Eu lembro quando você comprou ele e me falou. Tipo, 5 reais? Eu comprava sem olhar a sinopse. kkkk Livros de capa dura são lindos. Mas confesso que essa capa que você colocou, não é tãão bonita... as cores me dão nervoso. HAHAHAHAHA Um ponto positivo que vi aí, é que a tradução não foi afetada como alguns que vemos...
    Gostei da resenha!

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