Resenha: Lírio Azul, Azul Lírio


Eu não sei escrever essa resenha. Eu não consigo. Eu perdi a habilidade de algum dia conseguir. Eu estou absolutamente incapacitada de me expressar gramaticalmente e de forma humanamente decente. Lírio Azul, Azul Lírio pegou tudo o que eu era e transformou em pó.


A busca pelo rei galês continua. Blue e seus garotos corvos estão se aprofundando mais e mais nas descobertas a cerca do paradeiro do adormecido, e conforme algumas repostas chegam aos jovens aventureiros, outras os farão repensar até onde estão dispostos chegar para acordar o rei. A mãe de Blue desapareceu debaixo da terra e as linhas ley cantam para que seus segredos sejam revelados através dos garotos de Henrietta.


Rainhas e reis 
Reis e rainhas 
Lírio azul, azul lírio 
Coroas e pássaros 
Espadas e coisas 
Lírio azul, azul lírio.


De novo, eu não sei falar sobre este livro. Esta provavelmente vai ser a minha pior resenha porque quanto mais eu amo uma narrativa, menos eu sei expressar como me sinto a respeito dela. E o que eu sinto pela Maggie chega a ultrapassar o meu amor pela Laini Taylor, o que é uma demonstração muito grande de paixão arrebatadora, se vocês me conhecem o suficiente. A maneira misteriosa, poética e sagaz com que Maggie constrói a sua história e desenvolve os acontecimentos são familiares e ao mesmo tempo inesperados. Quando algumas respostas são encontradas, você não sabe se se sente totalmente arrebatado pela surpresa ou se esperava por isso como uma criança espera pelo Papai Noel. Quando os personagens interagem, você afunda a sua cara em um travesseiro e grita porque é isso o que o relacionamento entre cada um deles causa no seu coração. Quando Blue e seus garotos corvos existem, você existe junto com eles.


O que ela não tinha percebido a respeito de Blue e seus garotos era que todos estavam apaixonados uns pelos outros. Blue não estava menos obcecada por eles do que eles por ela, ou uns pelos outros.
Depois do sinistro desaparecimento da mãe, Blue está dividida entre a busca por ela, pelo rei adormecido e a banal e esquisita volta às aulas. É estranho, depois de ficar tanto tempo imersa nos mistérios dos sonhos e das realidades bizarras, ver-se frente a frente com um dia a dia que não pertence ao seu coração. Blue é um espírito livre, a garota da Rua Fox, 300, que mora com videntes e leitoras de sorte e mulheres que olham através de espelhos e nunca mais voltam. Blue é um dos elementos que compõe o grupo dos garotos corvos, é um elemento da natureza e parte da natureza e ela é tão real em sua simplicidade, em sua coragem covarde, na maneira como lida com cada um dos garotos e com as mulheres da sua casa e com as descobertas que eles estão fazendo e precisam fazer. Eu amo cada pincelada de personalidade que a Maggie deu a ela; Blue é tão real e ao mesmo tempo tão parte de uma história maior.


Blue Sargent estava com medo. Existem muitas palavras boas para o oposto de com medo. Destemida, corajosa, intrépida. Mas Blue Sargent era valente porque tinha medo.
 

A violência era uma doença que Gansey não acreditava que pudesse pegar. Mas, à sua volta, seus amigos estavam lentamente infectados.

Gansey é o mesmo apaixonado por aventuras e pelo prazer daquela busca incansável, mas mais motivado pelos amigos do que por ele mesmo. É isso o que mais me causa encantamento. Eu amo tanto toda e cada cena com o Gansey, porque ele é puro e vivo e ele é frágil e pode morrer a qualquer momento, igual a todos eles, mas os riscos envolvendo o garoto são tão maiores. Você sente a necessidade de amá-lo intensamente e protegê-lo de todos os males, tal como seus amigos fazem por ele. Gansey é o verdadeiro norte daquele grupo, de todos eles. Com Blue, ele continua naquele ímpeto de desejo e compreensão e o óbvio fato de que nunca poderão ficar juntos, pelo menos não se ele quiser continuar vivo. O ardor entre eles é forte, são raios que estalam de suas mãos quando se tocam ou quando se olham, e eles se amam tanto quanto é possível dois jovens se amarem. É um amor explícito, está ali para o leitor e leitora se apaixonar junto com eles. O amor de Gansey pelo amigos é outra coisa intensa, poderosa e indescritível. Ele, Ronan e Adam são uma coisa só. Uma irmandade. Um coração. Um espírito aventureiro. Eles são as linhas ley e o rei adormecido e eles são os garotos corvos por quem Blue se apaixonou.



Adam Parrish é desejável, vale uma paixão, não da parte de qualquer pessoa, mas de uma pessoa como Ronan, que poderia querer Gansey ou qualquer outro, mas escolheu Adam para seus olhos famintos.
Adam... Ah, meu Adam Parrish. Tão quebrado, tão forte. As consequências do primeiro livro ainda o assombram, mas ele está muito mais familiarizado com as energias e o poder dentro das linhas ley. Ele é o poder. Se acostumou com ele a ponto de aceitar a ajuda de uma das mediúnicas da rua Fox, 300, para descobrir tudo o que puder sobre os espíritos adormecidos debaixo de seus pés. A relação dele com os amigos continua instável de um jeito familiar. Ainda há orgulho e esse orgulho ainda fere a ligação entre eles, mas Adam se torna mais forte conforme aceita as próprias fraquezas. Especialmente em relação a Gansey e Ronan. Deus, eu não consigo nem pensar em palavras pra descrever o que foi Adam Parrish e Ronan Lynch neste livro! O fato de eles se odiarem e se amarem tão abertamente, mas tão misteriosamente. Adam é o segundo segredo de Ronan; Adam é o garoto real para o ladrão de sonhos. Adam é do Ronan e já era muito antes de ambos perceberem isso.


Ronan! MEU GAROTO CORVO SOFREDOR. Ele, o mais durão e bad boy do grupo, é talvez o mais afetado pelas emoções. Ronan é o tipo de cara que se esconde atrás da faceta séria e assassina, dos olhos frios e perigosos, da aparência bruta e mortal. O fato de Gansey e Adam estarem ao lado dele o tempo todo prova que eles o entendem; eu preciso focar muito em Ronan/Adam, no entanto, porque neste livro enquanto Gansey era da Blue, Ronan era do Adam. Cada cena entre eles era um incêndio. A Maggie destrinchou um casal arrebatador, um ship que pisoteia tudo o que você tem de sentimento porque eles são tão intensos e são tão infernalmente simples nessa intensidade. Nada mais do que alguns olhares e gestos e palavras que significam tanto quanto ou até mais do que um beijo ou um abraço. A busca e o entendimento de Ronan a respeito dos seus próprios sonhos une os dois rapazes ainda mais, criando uma conexão diferente do que a que Ronan tem com Gansey, Noah ou Blue. É tão... ARGH. EU QUERO MORRER. EU QUERO GRITAR. EU QUERO BATER A CABEÇA DOS DOIS NA PAREDE E DEPOIS EMPURRAR UM PRA CIMA DO OUTRO PRA QUE ELES SE BEIJEM ATÉ O FIM DO MUNDO!


O cheiro de Cabeswater, de todas as árvores após a chuva, passou por Adam, e ele percebeu que, enquanto estivera olhando para Ronan, este estivera olhando para ele.

Noah aparece menos neste volume, mas seus sumiços são importantes. As mudanças nas linhas ley significam mudanças em Noah, no seu espírito e na maneira com que ele se porta diante dos amigos. Ele não é mais só o Noah. Ele é outra coisa também.

- Trata-se de um número estável, três. Cinco e sete são bons também, mas três é o melhor. As coisas estão sempre crescendo em três ou diminuindo para três.
Três é um número mágico, e três estão adormecidos. Um deve ser despertado, o outro jamais. O do meio talvez. Mistérios são resolvidos, quebras-cabeças são encaixados e novas peças aparecem para construir uma trama ainda mais elaborada. 



- Armas e poesias andam lado a lado.
Outros personagens importantes, como o Sr. Cinzento, Calla e Persephone aparecem bastante no decorrer da história, sempre acompanhando um dos protagonistas em sua jornada de descobrimento. Não pense que esse é o volume final, não. O Rei Corvo será lançado no primeiro semestre deste ano lá fora, e o final de Lírio Azul, Azul Lírio deixou uma brecha tão perigosa que eu tenho até medo de pensar no que está por vir. A Maggie já me provou que é capaz de tudo.


Em uma narrativa de tirar o fôlego, intrincando suspense a revelações bombásticas e um final arrasador, Maggie Stiefvater se consagra como a rainha da minha alma e senhora da minha existência. E que Deus salve a América, porque o último volume vem aí.


Título: Blue Lily, Lily Blue
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus
Gênero: Romance, Fantasia 
Nota: 5 +

Saiba mais: Skoob | Buscapé | Extra |  Saraiva

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COMENTÁRIOS

1 comentários:

  1. EU PRECISO LER ESSA SÉRIE.
    EU VEJO TODO MUNDO SURTANDO.

    E EU TÔ AQUI... SURTANDO COM A SUA RESENHA.

    sos

    Btw, sempre amo esses seus gifs ahaha

    Resenha maravilhosa!

    Beijos,
    Gi.
    --
    Surtando com palavras

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