Resenha: O Sol Perdido


Entre nuances de RPG, nostalgia de videogames e com o coração em uma trama medieval, O Sol Perdido é uma excelente história para quem quer se aventurar na ficção fantástica de cabeça, para um aventureiro disposto a ser tragado por uma trama bem construída e trabalhada.

Sinopse: Erik é órfão e faz parte dos Raposas Prateadas, grupo de ladrões infame do Reino do Norte. Em meio à tensão política e econômica vigente no reino, decidem fazer o roubo do século. O alvo? O castelo real. Tudo parecia perfeito, mas as coisas não saem como planejado: a missão falha e o grupo de Erik é capturado. Seria o fim de todos, mas Aleshandra, rainha regente, revela que o rei Corben Leindrast desapareceu e propõe uma troca: a vida do bando pelo rei, ou simplesmente pelo anel real, indispensável para resolver a questão da sucessão do trono. Sem escolhas, Erik parte em uma jornada tortuosa pelas terras de Illusa junto aos Raposas e a escolta da revolucionária princesa Taíssa Leindrast, desbravando terras perigosas e enfrentando de mercenários a grandes dragões.  Mal sabia ele que aquela aventura se desdobraria em algo muito maior e mais perigoso, que mexeria não só com suas crenças sobre aquela sociedade movida pelo poder e pela fé distorcida, mas também com seu coração solitário e com o destino de todos os povos. Intrigas, traições, um romance proibido e o despertar de um mal antigo permeiam a busca pelo rei, abrindo caminho para aquela que seria conhecida como a mais fantástica das Lendas de Illusa.

Illusa está passando por problemas. Seu rei desapareceu, a política e a economia estão instáveis e um novo governante só pode ascender ao trono se o anel do rei for recuperado. Em meio a essas intrigas, a trama nos apresenta o mundo do crime: os Raposas Prateadas. Eles são um grupo de ladrões bastante especializados em roubos chamativos, e estão determinados a executar aquele que vai marcá-los para sempre. Como tudo não são flores, o roubo dá errado e eles são presos. Uma chance lhes é oferecida para a redenção: eles devem escoltar a princesa numa missão para recuperar o anel - ou o rei - antes que seja tarde demais.


A trama de O Sol Perdido é rica em detalhes, em conteúdo e em ação. O Luiz destrincha a história sobre um resgate em uma aventura fantástica, levando os heróis da trama a confrontar inimigos terríveis e aliados inesperados, sem imaginar que a maior ameaça de todas está longe, a espreita, só aguardando a sua chegada. Achei a construção da narrativa muito boa, especialmente os detalhes do mundo fantástico. As raças já conhecidas, como elfos e fadas, ganham novas cores através das suas descrições, novas origens e personalidades, e as raças novas... Bem, eu vou deixar você descobrir sobre elas. Mas as que espreitam as cavernas são especialmente sinistras!

A vida era para ser vivida em todo seu esplendor, sem arrependimentos. "Viva intensamente, morra gloriosamente".

Vocês são que ou eu sou a leitora apaixonada pelo protagonista vou protegê-lo a todos os custos ou eu encontro um coadjuvante que rouba o meu coração e não devolve nunca. O Sol Perdido teve a segunda opção. Uriel, um cavaleiro negro solitário e sombrio, bastante recluso e ameaçador. Ele tem uma história de origem de partir o coração, temperada com perdas trágicas e uma traição horrenda. É o típico cavaleiro em busca de vingança, ligeiramente desordenado quando encontra um pouco de carinho naquela vida de dor. Ele sofreu tanto, perdeu tanto, viveu tanto. Ele está marcado pela dor a ponto de viver por causa dela. ISSO DÓI.


Ilustrações de Daniel Bogni
Tive o vislumbre do que pode vir a se tornar o meu OTP supremo nessa saga, e espero que o Luiz traga mais de Uriel e Bliss para o próximo livro! POR FAVOR, NUNCA TE PEDI NADA. ELA É A LUZ DA ESCURIDÃO DELE. A MOÇA DOCE E ESPERANÇOSA PARA UM RAPAZ QUEBRADO PELA VIDA E PELOS HORRORES DELA! É O MEU TIPO FAVORITO DE SHIP!


Imagine o que é passar onze anos com apenas uma ideia fixa de vingança na mente.

Erik é o protagonista. Um dos Raposas Prateadas, e um dos mais habilidosos, ele é um pouco heroico demais pra mim. Mas a construção e desenvolvimento das suas atitudes foram muito bem escritos. Erik é um ladrão, e tudo o que ele sabe sobre a vida são as injustiças que lhe foram ensinadas. Quando confrontado com o fato de que para sobreviver, ele deve servir à realeza, bem, tem um embate de ideologias bem legais ali. Eu não senti a química entre ele e a Taíssa, não como casal, mas gostei da interação radical se tornando uma amizade compreensiva.

- Nós cansamos de persistir por uma mudança que nunca vem. Nós só tentamos equilibrar as coisas, do nosso jeito.

E A TAÍSSA! Ah, meu amorzinho! A princesa é um doce e uma guerreira feroz. Ela está nessa missão para salvar o pai e resgatar o trono antes que um mal maior se aposse dele, e é forçada a deixar a mãe para trás para conseguir ser bem sucedida nessa jornada. As dores e os medos que a acompanham são reais, principalmente por ela ter sido parte de uma realeza tão reclusa. O mundo é uma novidade para Taíssa, e a força que ela mostra ao confrontá-lo é espetacular.

- Nem todos conseguem ouvir o que realmente foi dito.

Outros personagens ilustres participam da narrativa. Miranda e Kat, em especial, foram minhas outras favoritas. Miranda é a maga da corte, uma das responsáveis por manter a princesa Taíssa protegida. Kat é uma Raposa Prateada, igualmente habilidosa. Eu shippei? Eu shippei. ESCUTA AQUI, LUIZ. Você não pode colocar as duas interagindo com uma química tão poderosa pra me entregar um casal hétero pra Miranda depois. NÃO FAZ SENTIDO, EU QUERO QUE ELAS SE AMEM! Miranda e Kat se bicam em vários momentos da narrativa, até que de repente estão interagindo com respeito, ajudando e protegendo uma à outra. Quando eu encontro química de casal, eu encontro porque existe! E elas têm isso. Quero muito ver a força das duas sendo desenvolvida no próximo volume, e quem sabe uma aproximação mais romântica.



Os Raposas Prateadas são muitos, mas além de Erik, Olimpio e Hugo têm momentos grandiosos. Eu queria me estender falando sobre cada um deles, mas basta saber que, tal como um livro inicial deve ser, O Sol Perdido dá o destaque necessário para que cada um deles cresça nas sequências.

Qual o destino de quem não deveria andar por Illusa, afinal? Qual o caminho de quem nunca deveria existir?

O vilão é parte intrínseco, parte político. Temos um renegado ao trono e um mal ascendente. Um homem amargo desejoso pelo poder e uma criatura sombria ansiosa pelas conquistas. O desenvolvimento desse segundo mal, da sombra que cresce sobre Illusa, me deixou muito curiosa. O feel de Skyrim que veio com ele promete que coisas ruins aguardam meus nenéns no próximo livro!


A única coisa que me incomodou neste livro foi a revisão. A diagramação está muito boa, com exceção do sol de imagem meio estourada em alguns capítulos, mas a revisão deixou a desejar. Encontrei vários erros em passagens, falta de pontuação em palavras e parágrafos, coisinhas que incomodam com o passar das páginas. Ponto para a editora se atentar na próxima edição e no lançamento do próximo livro.


O Sol Perdido é uma excelente leitura para quem quer conhecer um pouco de um novo mundo trazido até nós por alguém do nosso Brasil. Literatura nacional de qualidade, com uma narrativa emocionante e personagens muito queridos.

Título: O Sol Perdido
Autora: Luiz Henrique Mazzaron
Editora: Arwen
Gênero: Ficção fantástica
Nota: 4

Saiba mais: Skoob | Arwen Store

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COMENTÁRIOS

1 comentários:

  1. Oi Denise!
    Não conhecia o livro, mas adoro ficção fantástica, então me interessei!
    Só não leria por causa dos erros de português, isso me incomoda demais... Vou aguardar a edição revisada.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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