Resenha [FILME]: Star Wars - Rogue One


Algumas histórias existem e crescem com você. Algumas passam e outras ficam para sempre. Gosto de dizer que Star Wars foi, é e sempre será uma parte importante da minha vida, trouxe mensagens que construíram quem eu sou hoje. Rogue One se mostrou o motivo de essas mensagens serem tão importantes; o novo filme da franquia existe para falar sobre esperança e sobre o preço dela.

O conceito mais importante de uma rebelião é o levante contra a tirania, contra uma opressão tão forte que é capaz de destruir a liberdade de uma galáxia inteira. A Aliança é uma ideia, mas também uma força. E para essa força se alastrar por todos os planetas dominados, para que a rebelião chegue a algum fim, nem tudo são flores. Nem tudo é um discurso emotivo ou uma fuga bem orquestrada, nem tudo é sorriso e felicidade. O ponto mais importante em Rogue One, a meu ver, foi como eles entregaram a mensagem de esperança sem deixar de lado os sacrifícios que ela traz.







Jyn Erso é a força motriz dessa história. Seu pai é levado pelo império quando ela ainda é uma criança, forçado a trabalhar na construção de uma arma de destruição em massa. Crescida e resignada à solidão, Jyn recebe o chamado da Aliança. Ela é a única que pode entrar em contato com aliados do pai e encontrá-lo, encontrando assim os meios para destruir a arma antes que seja tarde demais.

A história é muito, mas muito mais do que isso. Ela é tão profunda que, daqui pra frente, ninguém mais vai ver os episódios IV, V e VI da mesma maneira. Ninguém mais vai pensar "uau, até que a rebelião se deu bem esse tempo todo". Isso é muito importante. A realidade e a crueldade do Império e toda a luta contra a força dessa tirania é o que movem o filme, explicitando a complexidade da causa rebelde.



Jyn é uma das personagens mais complexas e bem construídas na saga Star Wars, e certamente uma favorita para toda a eternidade. Não há nela a figura autoritária e centrada da princesa Leia, a aristocrata politizada e determinada da Padmé, muito menos a heroína assustada e ansiosa vista na Rey. Jyn é uma sombra esquecida e repentinamente um farol dentro da Aliança. Ela viveu a perda de diversas maneiras e se encontrou na amargura. Foi incrível como o roteiro construiu uma garota pouco inclinada a ajudar mais do que o necessário até a voz que os rebeldes precisavam para encontrar fé. É o tipo de jornada de herói que eu quero ver; quero uma pessoa comum motivada por amor e pela esperança, pela ideia de que poucas pessoas podem fazer a diferença. A rebelião é isso, Rogue One é isso. Não temos jedis, não temos muito da Força, só fé e determinação.





Acompanhando Jyn, temos Cassian Andor, definitivamente um dos melhores coadjuvantes que já vi na vida. Um rebelde cego pela causa, o tipo de soldado fiel que expõe um lado mais sombrio de uma luta tida como justa e honrada. Cassian carrega consigo a presença de um espião, o tipo de guerreiro disposto a obedecer qualquer ordem contanto que ela guie a Aliança para a vitória. "Rebellions are built on hope" é, sem dúvidas, uma das frases mais emblemáticas já dita na franquia, e veio do Cassian. O desenvolvimento da sua personalidade em embate contra a da Jyn foi fantástico, e o Cassian tem um crescimento tão incrível e bem escrito dentro da história que no final eu estava chorando e berrando e querendo me jogar das escadas da sala do cinema. O próprio relacionamento dos dois, bastante crível e cheio de química, foi um dos melhores que já tive a oportunidade de amar. De duas figuras distintas a aliados e enfim companheiros de luta, Jyn e Cassian ganharam meu coração por toda eternidade.


 

 

 

Chirrut e Baze entram na missão quase sem querer, e eles carregam muitas das melhores cenas do filme. Chirrut era um guardião em Jedha, cego e sensitivo à Força, e Baze é basicamente o seu bro-protetor. Os dois têm uma dinâmica de fé x ceticismo muito bem narrada, um humor sutil em meio às personalidades. Chirrut, principalmente, com seus dizeres apaixonados "I'm one with the Force, the Force is with me." e a sensitividade às pessoas à sua volta, criando uma conexão adorável com a Jyn. Ele é basicamente um gatilho para que a heroína se encontre dentro da luta, para que ela ache suas motivações e o discurso emotivo para erguer os rebeldes. Sem falar nas sequências de cenas de ação absurdamente fodásticas protagonizadas pelo Chirrut; que personagem!



Bodhi Rook e K-2SO merecem destaque também; um piloto desertor e um androide do império reprogramado. Ambos têm cenas emocionantes e um grande destaque e desenvolvimento na trama principal. São o tipo de personagem que você acha que nem vai se importar tanto durante o filme, mas acaba perdidamente apaixonada.

Na época em que estamos vivendo, ver uma minoria lutando e se arriscando pela liberdade e pela própria voz é definitivamente uma das coisas mais emocionantes deste filme. A ideia de que os rebeldes lutaram contra ideais fascistas controladores, contra um governo autoritário tão cruel, tudo isso para dar uma chance à paz, isso é marcante.


 

 

Preciso falar sobre como o Império foi mais uma vez muito bem representado como medonho e terrorístico, como as salvas de palma e os sorrisos durante o primeiro teste da Estrela da Morte transpassam o reinado de horror instaurado por eles, uma vez que vislumbramos a destruição em massa causada pela arma. Essa opulência em contraste com a simplicidade da rebelião criam uma aura tensa e muito bem trabalhada, abrindo as portas para o que vemos nos episódios seguintes. No filme, a principal figura representando o Império é a do diretor Krennic, responsável pela Estrela da Morte e bastante ansioso para cair nas graças do Imperador.

Galen Erso, desenvolvedor da arma de destruição em massa, é um grande contraponto ao que o Império apresenta; forçado a trabalhar para eles, Galen tem dois momentos bastante emocionantes dentro da história, um discurso que vale a pena ser lembrado para entender escolhas arriscadas feitas em prol de uma chance, uma oportunidade de destruir o Império.





A presença rápida, porém marcante de Darth Vader foi outro ponto alto do filme. Não vou falar muito, mas duas cenas envolvendo o uso da Força me fizeram urrar na cadeira do cinema, especialmente a final. Além dele, mais figuras dos outros filmes marcaram presença dentro da história. Participações rápidas, mas muito especiais - principalmente a última delas. Essa foi pra fazer até marmanjo chorar.

Eu queria muito falar e gritar sobre tudo dessa obra prima, toda e qualquer cena muito bem encaixada. Queria comentar sobre as cenas que me fizeram chorar - que foram muitas - e como todo o esquadrão rebelde, especialmente o Rogue One, abriram as portas para uma nova interpretação da rebelião, uma ainda mais emocionante e tocante e inesquecível do que a que já conhecíamos. Esse filme não foi o melhor só pelas cenas de ação ou pelos personagens incríveis, foi o melhor porque foi o estopim para tudo o que vimos até agora. A Força é poderosa nessa história e na mensagem que ela carrega.

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