Variedades: Da estante de Rory Gilmore

Olá leitores! Vocês devem estar se perguntando quem é essa que está escrevendo aqui no "Queria Estar Lendo", certo? Pois bem, meu nome é Thayrine - mas pode chamar de Thay - e serei uma das novas colunistas do blog! Ler é uma de minhas coisas favoritas na vida e escrever sobre elas vem logo em seguida, portanto unir o útil ao agradável me pareceu uma boa ideia. Outra coisa que adoro fazer é assistir séries, e o post de hoje reúne todas essas paixões: livros, escrita e Gilmore Girls!



Desde o momento em que a Netflix anunciou que Gilmore Girls voltaria com episódios inéditos, eu e minhas amigas surtamos. Agora que o dia 25 de novembro veio e se foi, agora que sabemos as quatro palavras misteriosas e o desenrolar das vidas de Lorelai e Rory, nada melhor do que continuar no assunto comentando outro ponto muito importante e intrínseco à história das garotas Gilmore: os livros de Rory.

Todo fã da série sabe que durante as 7 temporadas clássicas, Rory, interpretada por Alexis Bledel, apareceu em cena com mais de 200 livros diferentes. O amor que a menina sentia por livros era tanto que suas gavetas eram repletas de exemplares e o quarto inteiro era praticamente dominado por eles. Rory podia simplesmente passar horas garimpando livros em um sebo ou feirinha e chegava ao ponto de levar um exemplar consigo mesmo se seu destino fosse um baile.

Sendo assim não demorou muito para que os fãs de Gilmore Girls conseguissem compilar todos os livros lidos por Rory criando, dessa maneira, o Rory Gilmore Book Chalenge ou, em português, o Desafio Literário Rory Gilmore. Desde o momento em que me deparei com essa lista que decidi acompanhar os achados literários de Rory e ir riscando, pouco a pouco, os livros que eu li. A ideia desse post, hoje, é comentar um pouquinho de quatro títulos encontrados na estante de Rory que eu amo pra toda vida.

1. Anna Karenina, Liev Tolstói

Anna Karenina, um calhamaço russo de mais de 800 páginas, se divide em contar as tramas que passeiam entre a cidade e o campo, entre a nobreza e os camponeses. Quase como se partisse a história em dois roteiros, Liev Tolstói conta a trama de Anna, uma mulher presa em um casamento que não a faz feliz, e de Liévin e sua luta no campo para fazer sua fazenda dar certo enquanto corteja a jovem Kitty. Resumir o livro a isso, no entanto, é deixar de exaltar a qualidade da obra que, embora seja difícil de ler em alguns momentos (principalmente com as descrições sem fim sobre colheitas e fazendas), nos entrega um retrato de um povo intenso e cheio de nuances.

Apesar de Anna e Liévin serem os dois protagonistas do livro, eles se encontram apenas uma vez durante toda a narrativa. O que poderia soar estranha, no entanto, mostra apenas a genialidade de Tolstói: por meio de protagonistas tão diferentes vivendo em situações tão diversas, o autor consegue discutir e distribuir ao longo do livro todos os temas que o inquietavam de alguma maneira, da guerra da Sérvia a administração agrícola, a relação dos trabalhadores a decadência da nobreza. Utilizando-se desse dualismo, Tolstói consegue percorrer temas próprios da sociedade russa enquanto conta uma das histórias mais instigantes de todos os tempos. Não é um clássico a toa.

2. Emma, Jane Austen

É uma verdade universalmente reconhecida que o livro mais famoso de Jane Austen é Orgulho & Preconceito (que é meu favorito), mas Emma também é uma preciosidade e deve ser defendido. Esta obra, talvez, seja a mais diferente de Austen em termos de estrutura, personagens e enredo. Apesar de contar, novamente, com a caracterização bucólica do campo e tratar de relacionamentos amorosos, dessa vez a heroína em questão, Emma, não está em busca de um casamento para si ou algo do tipo. Muito pelo contrário, Emma interessa-se muito mais em dar uma de casamenteira para seus amigos visto que, diferente de outras heroínas de Jane Austen, ela está em uma posição muito confortável na vida: filha de um viúvo rico, Emma sente-se perfeitamente satisfeita em sua situação de independência e privilégios decidindo-se, assim, a nunca se casar.

Decidir a nunca se casar, no entanto, não impede Emma de tentar casar os outros. Dessa maneira o enredo se desenvolve com a jovem Emma tentando unir casais por toda a sua volta, a começar por Harriet Smith, uma jovem de condição social inferior a Emma e que a moça tenta unir a um cavalheiro, custe o que custar. Jane Austen escreveu em cartas que achava ser difícil o público gostar dessa sua nova heroína: um tanto mimada e voluntariosa, Emma não tinha as características de suas outras personagens porém, mesmo assim, me conquistou. É divertido acompanhar as confusões que ela apronta tentando unir casais e chega a doer no coração a tristeza que ela fica quando percebe a bagunça que ela fez. De resto, todo o primor da escrita de Jane Austen permanece em Emma, desde a excelência na construção dos personagens às sátiras e ironia tão características de sua obra.

3. A Redoma de VidroSylvia Plath

Sempre que comentava com minhas amigas que sentia uma grande curiosidade por ler A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, aquelas que já haviam lido o livro me alertavam: cuidado, é uma trama intensa e cheia de sentimentos, pode ser difícil não se identificar. Depois que li o livro, finalmente, ano passado, pude constatar que é exatamente isso: utilizando-se de Esther Greenwood, uma moça brilhante com um futuro promissor pela frente, Sylvia Plath no conta um pouco de sua própria história e a depressão que, aos poucos, tomou conta de sua vida. Assim como Sylvia, Esther acreditava que tinha tudo o que poderia desejar na vida porém, mesmo assim, sentia-se sozinha e vazia.

O livro é muito bem escrito e detalhado, fazendo com o que o leitor pudesse praticamente sentir na pele o caos se instaurando na vida de Esther. Sylvia é muito boa com as palavras e tratar de um tema tão difícil - e perto de sua realidade - apenas deixa a leitura de A Redoma de Vidro ainda mais intensa. A trama começa a se desenvolver lentamente porém, quando menos esperamos, já estamos juntos de Esther dentro de sua redoma que suga todo o ar a sua volta. É uma leitura difícil e pode despertar alguns gatilhos emocionais, mas super recomendada.

4. O Sol é Para TodosHarper Lee

Sem dúvida um dos livros mais belos que já li. Mesclando a inocência da narradora com temas tensos como racismo, injustiça e intolerância, Harper Lee desenvolve uma fábula em uma fictícia cidade do interior dos Estados Unidos em 1930. Quando um homem negro é acusado de estuprar uma mulher branca, o advogado Atticus Finch é convocado para defendê-lo. Enquanto toda a população da pequena  Maycomb está certa da culpa do acusado, Atticus, muito pelo contrário, está pronto para defender o cliente e sua inocência, enfrentando represálias e críticas por parte da comunidade racista que vive na cidade. A trama é narrada do ponto de vista de Jean-Louise “Scout”, filha de Atticus, que era criança na época dos acontecimentos e reconta tudo o que aconteceu como se estivesse escrevendo um livro de memórias. 

A sensibilidade da trama de O Sol é Para Todos reside exatamente nesse olhar sobre as memórias infantis de Jean-Louise. Apesar de agora ser adulta enquanto relembra os fatos, é notável o ponto de vista dos pensamentos de criança, com impressões e sensações típicas de um narrador inocente. Jean-Louise, junto de seu irmão Jem, e o amigo da dupla, Dill, se metem em muitas brincadeiras infantis enquanto o julgamento acontece e esse contraponto deixa a história contada ainda mais especial. Assuntos pesados como estupro e racismo encontram um viés diferente por meio dos olhos de Jean-Louise, e Harper Lee soube com maestria intercalar duas histórias, a princípio tão diferentes, culminando para um desfecho incrível. 

E aí, quais livros da lista (gigantesca) de Rory você já leu?

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