Resenha: A Prisão do Rei


Terceiro volume da série A Rainha Vermelha, A Prisão do Rei mantém um ritmo monótono em boa parte da trama - e isso não é ruim. A história te prende através da tensão e batalhas épicas, e logo você se vê desesperada pelo volume final.
Sinopse: Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.
Mare está presa, sob domínio de Maven. O sombrio rei continua seu reinado de terror contra a Guarda Escarlate, tentando acabar, de uma vez por todas, com a rebelião que se ergue contra o domínio prateado. Ele usa Mare como um peão em seu jogo de poder, enganando o povo e a própria revolução com mentiras e manipulação. Enquanto isso, Mare tenta encontrar as brechas em sua personalidade, fragilidades que poderão ser usadas para destruir o rei prateado. Do outro lado da moeda, a rebelião avança, tomando cidades, derrubando a supremacia dos opressores, e mostrando que seu lema é motivo para pesadelo dos prateados.
Sou a garota elétrica. Sou a tempestade.

A Prisão do Rei é uma obra complexa, bem diferente da previsibilidade de A Rainha Vermelha e da adrenalina de Espada de Vidro. Esse terceiro volume tem de tudo: intriga política, batalhas épicas e traições inesperadas. Romance, ação e doses de terror. Victoria nos entrega um livro completo, por vezes monótono - mas apenas em cenas em que o clima parado tem justificativa - e em outras recheado de lutas bem descritas e tensão absurda. A jornada da guerra entre vermelhos e prateados se torna mais obscura e perigosa a cada volume, e a promessa de um final feliz, com união e diversidade, é uma ilusão.
É um rei, mas um garoto também, sozinho num mundo criado por suas próprias mãos.
Mare está na prisão do rei, subjugada aos caprichos de Maven. Sentenciada a usar braceletes silenciadores, para que seus poderes não fritem todos ao seu redor, a prisioneira é a protegida do rei prateado. Maven a ama, mas é um amor sombrio. E quando o livro te explica os motivos para isso, o que fizeram de Maven o monstro que todos o julgam ser, isso te quebra.



A parte mais interessante no desenvolvimento da Mare foi como a Victoria consegue equilibrar a personalidade arisca dela ao fato de ela ter se tornado um peão nesse jogo, usada pelos prateados, mais uma vez. Mare é e sempre será uma das melhores protagonistas que já li; ela não agrada, ela não é polida, ela não se dobra diante de ninguém.
Os monstros são mais perigosos quando estão assustados.
Ela é a garota elétrica, mas também é uma vermelha que se cansou de ver as injustiças às quais seu povo precisou se curvar. Mare é bruta e perigosa. Em sua prisão, ela está domada pelo silêncio, mas nunca pelo poder. Os embates entre Maven e a garota elétrica são sempre muito impactantes dentro da narrativa, emocional e psicologicamente para os dois.



E então eu falo sobre o meu favorito: Maven Calore, agora rei de Norta. Um monstro, aos olhos de todos. Uma sombra, aos olhos dos leitores. Ele é o tipo de personagem para amar ou odiar, nota-se pelas reações do fandom, mas mesmo em seus momentos mais sombrios, Maven carrega uma escuridão que não vem dele. São traumas e perdas, coisas que ele foi forçado a ter e fazer. Não é justificativa para o que ele faz, mas é uma explicação. Ele não é um monstro em todo o seu ser, ele é um garoto assustado que vê no poder sua salvação. Maven é guiado por isso, por essa ânsia de conquista e de império. Ao lado de Mare, no entanto, é muito mais um rapaz assustado do que qualquer outra coisa.
Eu também poderia ser um monstro. Se a oportunidade se apresentasse. Se alguém me quebrasse, como Maven foi quebrado.
É interessante como a Victoria mostra isso sem nunca revelar todas as nuances de Maven. Mare o odeia, tem pena dele, quer matá-lo, quer entendê-lo. Não são um ship, não com o potencial que tinham no primeiro livro, mas talvez acabem sendo a salvação um do outro.

Quanto a Cal, argh, eu não queria falar nele. De todos os personagens, o príncipe prateado, traído por seu irmão, arrancado de seu trono, é um dos mais insossos e desinteressantes da série. Não gosto dele, apesar de ele ser bem construído. Não sinto simpatia, compaixão, nada. E algumas decisões que Cal tomou no decorrer do livro me fizeram querer entrar nessa história só pra dar uns tabefes na cara desse egoísta.



Acho o romance dele com a Mare a coisa mais sem graça, sem vontade de viver. Nenhuma cena entre eles despertou qualquer tipo de sentimento em mim além da vontade de dormir. Eles são melhores separados. O amor dos dois não me compra.
A cidade já era um barril de pólvora. O príncipe de fogo acendeu o pavio e deixou explodir.
Na corte do rei prateado, as coisas não vão tão bem. Ele é um usurpador, afinal de contas, independente de seu irmão ter se aliado à rebelião. Maven não é o rei que todos esperaram por tanto tempo, não foi treinado para isso, ainda que alienado a se tornar o governante. Sem a mãe ao seu lado, novamente, vemos os medos e terrores de Maven enquanto ele luta para sustentar a máscara de crueldade que ergueu com tanto esforço. Pequenos levantes e traições dentro da corte mostram que seu reinado pode estar ameaçado, ao mesmo tempo em que novas alianças se formam para destronar a certeza de que a Guarda Escarlate conseguiria derrubá-lo facilmente.



Do outro lado da moeda temos a rebelião. Em meio a conquistas e perdas, com o avanço dos domínios e do exército de Maven, é chegada a hora de a Guarda Escarlate tomar decisões mais drásticas. A guerra está sobre eles, e cair significa perder tudo pelo que eles se sacrificaram ao longo daqueles anos. Através dos pontos de vista da Cameron, que está ali pela vingança por tudo que foi tirado dela, e também para resgatar o irmão, acompanhamos o avanço da rebelião em meio a alianças e campos de batalha. As batalhas, aliás, que descrições espetaculares! A Victoria tem uma mão para descrever cenas de ação que é difícil explicar. Você se sente imersa dentro da luta, vê cada centímetro dela muito bem detalhado na narrativa. A de Corvium foi uma das melhores que já li na vida!
- Faça esse maldito lugar queimar.
O detalhe mais legal nisso tudo é como ela deixa claro que nenhum dos lados é 100% correto. Os prateados são cruéis, os vermelhos são vingativos. Uma guerra cujo objetivo é exterminar o outro lado; mesmo com a necessidade de aliança, as coisas não funcionam tão bem. Não quando ambos os lados veem as diferenças entre si. Vermelhos e prateados não podem se unir, mesmo que para construir um governo melhor. Poucos são os que conseguem enxergar essa mudança, e não parecem o suficiente para fazê-la acontecer.



Mesmo os sanguenovos acabam deslocados dentro dessas disputas. Nem um, nem outro, são únicos e temidos e desejados. A corte prateada os que em seu exército particular, a Guarda Escarlate os quer como suas armas indestrutíveis. Dois lados de uma guerra usando aqueles entre eles como balas de canhão.



Personagens coadjuvantes têm seu destaque merecido na obra. A família de Mare, Kilorn, Farley, os comandantes vermelhos e os sanguenovos especiais que aparecem no decorrer da história. Mas a que mais merece ser citada aqui é Evangeline Samos. Uma figura temida, traiçoeira e até então completamente odiada traz consigo um background impecável e surpreendente. De repente eu me vi amando a Evangeline mais do que muitos personagens dos quais já gostava! Ela busca liberdade, mas é fiel e honrada ao poder no nome da sua casa. Uma futura rainha destronada uma vez que quer o poder, mas teme o caminho para alcançá-lo.
Uma beleza tão simples não tem lugar aqui sem ser corrompida pelo sangue, pela ambição ou pela traição.
A edição da editora Seguinte, como sempre, incrível. Meu único problema é e continuará sendo a bendita lombada do avesso. Fica feio na minha estante, gente, eu tenho TOC com isso!


- Uma cela é uma cela, não importa como você a decore.
A Prisão do Rei tem uma narrativa impactante e vai agradar todos os fãs da série Rainha Vermelha. Com um final arrasador, do tipo que te deixa de queixo caindo gritando "POR QUÊ?", o livro arrebata desde a primeira página até o fim.


Título original: The King's Cage
Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Gênero: Distopia / Fantasia
Nota: 4,5

Saiba Mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

23 comentários:

  1. Oi, Denise!
    Menina, eu abandonei essa série no livro passado porque era muito mimimi da Mare para minha pouca paciência. Mas pelas resenhas que ando vendo desse, ele está sendo o melhor até agora.
    E até onde eu li, eu gostava muito do Maven e o Cal era um trouxiane embuste demais... Cara sem sal.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção #Sorteio1KSeguidores

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    1. Oi Luiza, tudo bom?
      Menina, mas a Mare é uma das melhores protagonistas já escritas exatamente por ser egoísta e chata e não se importar com os outros! Ela é tudo que a Katniss poderia ter sido se não tivesse aquele complexo fingido de heroína (que não convencia ninguém). Eu aaaaamo a Mare, e nesse livro ela tá fantástica.
      MORTA COM O CAL TROUXIANE, é exatamente isso HUHAUSUHSAHUSAUHSAHUSA Maven amorzinho da vida <3

      Beijos!

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  2. Adorei a resenha, bem completa!! Não li o primeiro volume ainda, mas já ouvi várias pessoas elogiando, e pelo visto a qualidade mantem nos volumes seguintes, então certamente vale a pena a leitura!!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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    1. Oi Carol, tudo bom?
      O primeiro livro é o mais fraquinho da série, o segundo é só tiro porrada e bomba, e esse terceiro me deixou no chããão! Quando quiser uma leitura cheia de adrenalina, é a pedida certa.

      Beijos!

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  3. Oi Dê, tudo bem minha linda...
    Que resenha ein... tinha medo de pegar muito spoilers porque só li o primeiro e que gostei muito, mas pelo que vi aqui não acontece nada do que eu já esperaria em um enredo distópico, mas que quero muito saber como acontece... preciso comprar o segundo livro pra ontem, para ler logo esse terceiro e mesmo com as nuances meios paradas em certos momentos, acredito que não seja empecilho para continuar lendo a história... adorei! Xero!!!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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    1. Oi Dih, tudo bom?
      Menina, sim! É surpreendente o que a autora fez com essa série, no que ela transformou a história! Eu nunca esperaria um desenvolvimento tão bom desses, principalmente pelo primeiro livro ser bem clichêzão de distopia.
      Apesar de ser um livro parado, o terceiro é bem impactante!

      Beijos.

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  4. Nunca li nenhum livro da série, mas essas capas sempre me chamaram atenção. E estou seriamente pensando em ler, parece bem interessante a história :D

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Oi Monique!
      As capas são maravilhoooosas, amo esse efeito metalizado. É o tipo que chama a atenção logo de cara.
      Obrigada pela visita!

      Beijos.

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  5. Na boa, eu to com medo desse livrp. porque nao vejo um fim felis. Vejo um final estilo Divergente... Nao vou dizer o final pra nao dar spoiler caso voce naõ elu, mas tem a ver com a personagem principal tbm e acho que com a Mare vai acontecer a mesma coisa...
    Eiii, você resenha ebook tbm? Eu tenho um caso deseje resenhar
    Beijos
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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    1. Oi Kézia, tudo bom?
      Eu acho que o interessante dessa série é exatamente por não prometer final feliz, como Divergente. Divergente foi um baque porque contava uma história que não condizia com os rumos que tomou, Rainha Vermelha desde sempre tá batendo na tecla de que é uma guerra sangrenta e não veja finais felizes pra ela.
      Não acho que a Mare morra, mas também não acho que ela termine bem ç_ç
      Obrigada pela visita!

      Beijos.

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  6. Oie =)

    Eu tenho uma relação de amor e ódio com essa série e confesso que não suporto a protagonista. A Mare é muito chata, não dá para aguentar rs...

    Porém, mesmo achando que a série em si é uma colcha de retalhos formada por pedaços de outras séries gosto da narrativa da Victoria.

    Vou ler A Prisão do Rei em breve e já estou me preparando.

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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    1. Oi Ane! Tudo bom?
      Eu adoro a Mare exatamente por ela ser chata :P as pessoas geralmente esperam heroínas boazinhas e comportadas, que sorriem e aceitam as coisas. A Mare bate de frente, ela grita, ela é egoísta, ela retruca, AAAMO isso <3 especialmente pra uma história assim.
      Tive essa impressão com o primeiro livro, que tava vendo tudo repetido numa fórmula um pouco diferente, mas a Victoria conseguiu me deixar no chão com o 2 e o 3. Quero só ver o que ela tá guardando pro último volume!

      Beijos.

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  7. Oi, Denise

    Você me perdoa por não ter lido a resenha? É que eu estou lendo o segundo aos trancos e barrancos. Se eu ler algo revelador demais a leitura vai ficar ainda mais maçante para mim! Hahahaha
    Acho que no fim do mês já começo. Vou ler o segundo, ler algo diferente, e depois vou ver esse.

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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    1. Oi Tamires! Tudo bom?
      HUSAHUSHUAHUASHUSAUHSAUHSAHU tudo de boas, flor. Eu também evito ler resenha quando tô no meio da série. O segundo volume é maravilhoso né? Eu apaixonei tanto!
      Obrigada pela visita.

      Beijos.

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  8. Particularmente queria um outro final. Fiquei gritando não sem parar pelo que me pareceu horas (sendo que terminei de ler o livro a meio minuto atrás). Estou sofrendo. De coração partido. Mare poderia não ter jogado ele na parede. Ele poderia ter largado tudo por ela. Mas ele como rei ( após suas experiências ao lado dos vermelhos e rubros que lhe ensinou a ver as coisas por um novo olhar) seria perfeito. Podendo até posteriormente acabar com a forma de governo de um reinado pra algo como democracia ou qqr outra coisa mais igualitária. E ela ao seu lado seria perfeito também, remetendo á Seleção. Um final doce após tantas torturas e ação. O livro é bom mas o final me matou. Gostei da resenha. Não tem como não rir. Beijos!

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  9. Oi Denise! Parabéns pela resenha!
    Eu sou apaixonada pela saga. Fiquei de coração partido com o final, mas estou super ansiosa para ler a continuação e saber o final dessa história! Quanto ao Cal, até concordo com o fato dele ser "trouxeane" rsrsrs, essa questão de não escolher um lado e não tomar as atitudes q a gnt esperava irrita, mas não consigo não gostar e não torcer por ele e pela Maré! Afinal, nessa história ninguém é de todo mocinho ou vilão, eles são mais próximos da realidade, fugindo um pouco desses contos de príncipe encantado que é só gentil e altruísta o tempo todo! Eles têm sentimentos que os assustam, têm dúvidas e medos como todos nós... Enfim, não vejo a hr de saber como esse enredo vai se desenrolar, rsrsrs. Bjs

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  10. Eu preciso saber oque vai acontecer, ou melhor oque aconteceu para o Maven virar a pessoa que ele mostrou ser realmente. Porque... Bem no fundo do meu coração meu otp ainda está vivo.

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  11. Uma das melhores sagas...Ansiosa pelo último livro q infelizmente só ano q vem.

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  12. Uma das melhores sagas...Ansiosa pelo último livro q infelizmente só ano q vem.

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  13. Nossa eu também odeio o Cal. É muito mimimi e egoísmo por parte dele e isso só ficou ainda mais claro em APR. Sem contar que ele é um chato, me causa uma canseira e um baita sono sempre que ele entra numa cena do livro.
    Quando a Mare, eu já não gosto dela, é uma chata. Acho que a Farley diva seria uma protagonista bem melhor.
    E quanto ao Maven Morzão? Nossa, como eu amo esse menino cara! Meu favorito, meu menino quebrado,eu fiquei com o coração partido com as revelações sobre ele.Tive tanta de poder entrar no livro e poder abraça-lo. Ele pra me, é o melhor personagem da saga. Tão bem construído. Intenso. Complexo. com as melhores frases. Fodão. Eu sinceramente amei todos os lados deles: Maven antes do fim de RQ× Maven depois de RQ ❤ ele é maravilhoso nos dois. Um personagem rico. Um dos melhores que eu já tive o prazer de conhecer ❤
    E quanto ao livro em geral, confesso que eu esperava bem mais. Teve momentos que eu meio que tive que parar, pq se não o sono ia me pegar em cheio 😅 rs'
    Enfim, eu realmente gostei muito da resenha, parabéns!

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  14. Já tem previsão para o próximo livro???

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