Resenha: A Rainha Vermelha #MLI2015


Desde o anúncio deste livro, faz uns bons meses, eu e Eduarda estávamos animadas. Porque A Rainha Vermelha estava sendo vendida, antes mesmo da publicação americana, como um dos melhores romances, a autora vendeu os direitos de adaptação cinematográfica por MILHÕES, e todo aquele bafafá de livro novo bom que entusiasma. Só que não foi bem assim, amigos.

Sinopse: O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.
A Rainha Vermelha é uma distopia; temos os vermelhos, que são o povo oprimido, possuidores do sangue plebeu e que vivem para servir os prateados. Os prateados são a elite, os especiais, eles têm poderes e eles mandam no mundo e naqueles debaixo do seu reinado. Mare é uma vermelha em uma família de vermelhos, só que ela é diferente. Ela tem poderes. Quando a coroa descobre isso, eles a "adotam" e a sentenciam a participar daquela farsa para garantir sua sobrevivência e a sobrevivência da família; enquanto Mare se fingir de prateada, mesmo com o sangue vermelho pulsando em seu corpo, ela fica viva. Um passo em falso e é adeus. Em meio à corte, Mare vai se unir a uma rebelião, vai dividir seu coração entre dois príncipes, e vai ver o alcance de seus poderes inéditos criar uma alternativa para toda aquela vida de servidão. Mare vai se erguer, vermelha como a aurora.




A única coisa que nos diferencia - ao menos por fora - é que os prateados andam eretos. Já nossas costas são curvadas pelo trabalho, pela esperança frustrada e pela inevitável desilusão com nosso fardo na vida.
Este livro é muito sobre o que já vimos e lemos em várias distopias, e muito sobre frases marcantes. É um livro bom, a leitura flui bem rápido, você não quer parar de ler até chegar ao fim, mas é só isso. Não tem absolutamente nada de espetacular ou muito inédito. Não tem nada que me prometeram com toda a propaganda em cima, com toda a euforia que me fizeram criar com a história. É A Seleção quando descobrimos que há um "concurso" para o príncipe herdeiro escolher sua noiva entre as prateadas, e quando Mare vai parar dentro da corte; é Jogos Vorazes pela opressão e pelas arenas, onde os vermelhos assistem ao poder dos prateados e devem temê-los por isso, pela mocinha oprimida que tem um melhor amigo mais oprimido que ela. É Divergente pela Guarda Escarlate, o levante rebelde, esgueirando-se mesmo dentro da sociedade prateada; é Estilhaça-me e X-Men porque os prateados têm poderes e oprimem seus súditos pela normalidade e fraqueza deles. É toda e qualquer distopia que já vimos até agora, mesmo as mais antigas e clássicas, bem escrita, bem trabalhada, mas mais do mesmo e absolutamente comercial.

A guerra prateada deles é paga com sangue vermelho.
A Mare é uma boa protagonista; ela tem presença, tem um desenvolvimento bacana, seus poderes são muito maneiros e a evolução de garota ladra até a vermelha e prateada na corte real foi bem trabalhada. A interação dela com os outros personagens me foi um pouco rasa, especialmente com a família; não senti toda a emoção que ela deveria passar, talvez pelos momentos entre eles terem sido tão rápidos. A Mare é muito de criar diálogos internos e questionamentos e isso acaba deixando pouco pra narrativa trabalhar entre as interações. Ela e a corte real, no entanto, foi demais.

A Guarda Escarlate é drástica demais, muito, muito rápida. Mas você é a mudança controlada, do tipo em que as pessoas podem confiar. Você é a chama lenta que pode dissipar uma revolução com um punhado de discursos e sorrisos.
O contraste entre a vida vermelha e a prateada é quase palpável nas páginas; o medo do poder e a submissão à ele, o que isso fez com os vermelhos e com a vida miserável, mas o levante rebelde que pode trazer fim a esse regime tirano. É o que todos esperamos quando lemos uma distopia, e em A Rainha Vermelha, foi uma questão muito bem trabalhada e questionada.


O Cal é tipo o Maxon, só que um pouco melhor. Eu gostei de como a autora não reduziu a realeza dele e a fidelidade dele ao governo do pai, mesmo quando o Cal sabe que há muita coisa errada em toda aquela opressão. Ele quer mudanças, mas dá pra notar que ele tem medo delas; e isso acontece durante os melhores momentos da história. É uma verossimilhança bem forte pro personagem, eu amei isso! Diferente do babacão de A Seleção, o Cal é fiel ao que ele cresceu vendo, e, apesar de querer mudar, não vai tentar fazer isso de uma hora pra outra, como a Mare ou os rebeldes querem - e o Maxon é tão bocó que mesmo querendo não fez nada, vide A Herdeira.

Agora, o meu favorito: Maven. O irmão mais novo. A sombra da chama do príncipe herdeiro. O designado noivo de Mare pelo rei e pela rainha - sua mãe, a Charlize Theron (só consegui pensar nela com a descrição) - é tímido, contido e misterioso. Ele é o esquecido, solitário e muito coitadinho. Durante todo o livro; eu repito, todo o livro, eu queria abraçá-lo e prometer que tudo ficaria bem. Há um contraste forte entre a personalidade dele e a do irmão, e eu queria muito ter visto mais do relacionamento dos dois. Espero que o livro dois traga isso! Maven é um idealista, e ele topa ajudar a Mare nas infiltrações rebeldes dentro da realeza, o que vai acabar por trazer consequências fortíssimas ao governo.

O bom do livro, diferente de outros do gênero, foi que o romance e o triângulo amoroso foram bem rasos. Eu agradeci mentalmente por isso, porque até meu ship - Maven e Mare, claro - teve seus momentos curtos e rápidos, e foi o suficiente para eu amá-los fortemente. Não quero mais do que isso nos próximos volumes, porque a autora acerta quando mantém o tom do romance rápido; é uma guerra, é um mundo de opressão, não tem porque focar em "oh, eu te amo" quando o foco tem que ser na reconquista de um lugar dominado pela tirania.

Os prateados não ligam para dor, mas somos orgulhosos. Orgulho, dignidade, honra: são as coisas que nenhum poder substitui.
O trabalho da editora Seguinte, como sempre, está impecável. A capa metálica é maravilhosa e dá vontade de lamber o livro de tão linda que é a diagramação! Não encontrei erros no texto, e a única coisa que me deu tique nervoso - e sempre dá - é a lombada de ponta cabeça. SEGUINTE, MEUS NERVOS, ARRUMA ISSO!

Eu costumava imaginar os prateados como deuses intocáveis que nunca se sentiam ameaçados ou amedrontados. Agora sei que é o contrário. Passaram tanto tempo no topo, protegidos e isolados, que se esqueceram de que podem cair. Sua força se converteu em fraqueza.
Enfim, foi uma leitura prazerosa, rápida e agradável. Não é o tipo de livro que me deixou arfando e rolando pelo chão, definitivamente. A narrativa é bem desenvolvida, os personagens são bem construídos, a ação e as surpresas na trama constroem uma história admirável. Mas eu descobri tudo que ia acontecer no final logo no começo; sério, é muito óbvio.

Não foi todo o estardalhaço que fizeram em cima dele não, nem pensar. Eu acabei de sair da leitura de Herdeira do Fogo, aquilo sim foi de tirar o fôlego!


Fãs de distopia podem procurar A Rainha Vermelha para uma leitura familiar e bem legal. Mas não façam igual eu e apostem todas as suas fichas em cima dela; vão perder um pouquinho com isso.

Título original: Red Queen
Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia, Distopia
Nota: 3,5

Saiba mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

13 comentários:

  1. Eu super gostei de A Rainha Vermelha, mas concordo que o livro é uma mistura de todas as distopias que já lemos, é um livro comercial, mas tem suas peculiaridades que acabam cativando, um ponto a favor é o estilo leve e fluído da escritora, torna a leitura rápida e agradável.

    É para ler em grandes expectativas...

    xoxo
    Mila F
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

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    1. Oi Camila!

      Então, ler sem grandes expectativas não existe com um livro que tem um baita trabalho de marketing + tanto bafafá em cima UHASUHAHUSAHUUHA

      Esse foi o problema de Red Queen. Se eu não tivesse lido TANTO a respeito de como ele era fantástico e incrível e inovador e etc, eu teria gostado mais. Mas me prometeram uma coisa e cumpriram nada dela, então... :/

      A leitura é boa, e só. Diverte, dá uma angústia, mas não é o livro que eu releria porque me apaixonei por cada detalhe - como eu achei que seria.

      Obrigada pela visita!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ainda lerei esse livro!!! (Mesmo não querendo muito.... tá lá para o final da minhas lista de leituras)

    Ótima resenha.

    Beijos :*

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    1. ASHUUHASUHASUHASUHASUHASHUAS isso, foca em livros bons tipo Trono de Vidro, deixa esse pra depois, beeem depois :P

      Obrigada pela visita, sua linda!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  4. Oie!
    Ainda estou lendo o livro e já concordo com você. To achando o relacionamento dela com os outros personagens bem raso, mas como você disse a Mare é de pensar muito então talvez isso a atrapalhe. Também sou team Mave hahahaha e estou sofrendo antecipadamente porque sinto vibes dele ser o secundário, não sei. Vejo sofrimento a nossa frente. Agora deixa eu voltar pro livro.

    Bjs :*

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    1. Oi Patrícia!

      Pois é, narração em primeira pessoa é ótima, quando a narradora sabe entender os personagens secundários. A Mare é muito pensativa, a cabeça dela não cala a boca HUASHUASHASHASUHSAHUSUAH daí os coadjuvantes ficam meio apagados ç_ç

      O MAVE <3 ele é precioso demais para o mundo, viu? Um lindo. Ame forte ele, e segura o coração porque sim, tem sofrimento pela frente.

      Quando terminar de ler, comenta o que achar!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  5. Eu gostei desse livro porque achei a capa muito bonita rs, e ele tá super comentado no momento. Gostei muito da resenha!

    Se puderem passar no meu blog, agradeço <3


    http://sweetlikecaramel.blogspot.com.br

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    1. Oi flor! HUASHUASUHASHUAHUASUH amar o livro pela capa, quem nunca né? Faço isso o tempo todo.

      A arte é maravilhosa mesmo, pena que o conteúdo não foi tão surpreendente quanto parecia ser :/

      Apareceremos lá no seu blog sim!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  6. Oi Denise, tudo bem?

    Acho que o bafafá deste livro contagiou toooodo mundo, porque bombou nas redes sociais, em blogs e na euforia, muita gente leu. A Iza lá do blog adorou a leitura e tal. Mas lendo sua resenha, sei que pra mim terá o mesmo efeito que teve pra ti: leitura normal e mediana.
    Nós que lemos tantos livros épicos ou distópicos de qualidade, nos acostumamos a esperar muito deles, ainda mais com o marketing bombando em cima e tudo. Então é fácil nos decepcionarmos né?

    De certa forma o livro é legal, não parece ruim, mas tem muitas características de outros livros do gênero mesmo, o que o torna "mais do mesmo" definitivamente. Se lerei um dia? Talvez, pegando emprestado.

    O ponto mais forte dele é a edição, porque a capa é linda!

    Beijo, gostei bastante da resenha e da sinceridade!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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    1. Oi Camila, tudo bom e contigo?

      Exato, flor, tu comentou exatamente o que eu sinto. Ultimamente paro e penso que estou ficando chata para as leituras, mas a verdade é que eu estou mais crítica. Sei que se pegasse vááários livros que eu amava no passado pra reler hoje sentiria algo totalmente diferente.

      Red Queen foi muito bem vendida e distribuída e teve um marketing fodástico, mas não cumpriu pra mim tudo o que tinha prometido. Eu comecei a ler no maior AGORA VAI e acabei UÉ.

      O livro é realmente mais do mesmo, o que é uma pena. Talvez a autora inove no próximo, pelo menos espero que faça isso, dado aquele final "bombástico". Vale a pena ler? Vale. Vale o estardalhaço todo? Nunca.

      A capa é maravilhosa, SIM! A diagramação também derruba forninhos!

      Muito obrigada pela visita, sua linda!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  7. Ajuda aqui, a Mare beija alguém? E se beija Cal ou Maven? Ou os dois?

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  8. Ajuda aqui, a Mare beija alguém? E se beija Cal ou Maven? Ou os dois?

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