Resenha: A Traidora do Trono

Resenha: A Traidora do Trono

A Traidora do Trono, sequência de A Rebelde do Deserto, traz de volta toda a adrenalina e narrativa inesquecíveis que tinham me ganhado no primeiro volume. Mas, agora Alwyn Hamilton joga com outras cartas. Aqui, temos o inimigo da rebelião em destaque, e a certeza de que a guerra pela liberdade será mais perigosa do que eles imaginavam.
Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade- a garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.
Seis meses se passaram desde os eventos finais do primeiro livro. Amani está mais unida à rebelião do que nunca, disposta a tudo para que os ideais revoltosos se expandam pelo deserto e destronem o cruel sultão. Um imprevisto coloca Amani como prisioneira do sultão, e ela precisa conviver com a realidade da corte, do harém e do controle que o cruel governante impõe caso queira sobreviver e retornar para a rebelião.
Lendas nunca são o que se espera delas, e eu não era exceção.
Resenha: A Traidora do Trono

Se A Rebelde do Deserto foi um livro emocionante, cheio de boas cenas de ação e reviravoltas surpreendentes, A Traidora do Trono deixa ele no chinelo. Recebido em parceria com o Grupo Companhia das Letras, as 440 páginas que compõem essa obra conseguem desenvolver uma trama ainda mais impressionante que a do seu primeiro volume. Segundos livros costumam sofrer uma maldição por serem o intermédio, por precisarem dar continuidade ao mesmo tempo em que desenvolvem um caminho para o fim. Esse foi o tipo que marca, que te deixa sem fôlego e que te leva a devorar cada capítulo até chegar ao seu final.
Era isso que o deserto fazia. Transformava as pessoas em sonhadores armados.
Amani continua uma protagonista fantástica. O que ela tem em personalidade e coragem também tem em medo e hesitação. Distante dos rebeldes, depois de ter sofrido um atentado pouco tempo antes, ela confronta ideias que rebatem tudo pelo que a rebelião lutava. Seria o governo do sultão tão ruim assim? Ou é a revolta de Ahmed que sonha com coisas impossíveis? Amani vivencia um cerco emocional em sua prisão no palácio, destituída de companhias amigáveis e confiáveis, precisando sobreviver através da própria astúcia. O sultão a tem na palma de sua mão, mas Amani é inteligente. Ela sabe jogar com suas verdades; sendo uma demji, não pode mentir, mas isso não significa que não pode enganá-lo.
Lembrei de algo que Shazad me dissera uma vez: se puder ficar fora do campo de visão do seu inimigo, ele sempre vai imaginar que você tem mais força do que realmente tem.
Resenha: A Traidora do Trono

O desenvolvimento dos seus temores e dúvidas funciona muito bem dentro da história. Ela está vendo o mundo por outros olhos, cercada pelas riquezas do harém, das noivas do sultão e dos ideais apaixonados que ele discursa. Ao mesmo tempo, está ouvindo sobre os levantes ao longe, sobre a luta dos seus companheiros pela tão sonhada liberdade. Amani permanece em uma corda bamba quanto às crenças, mas seu coração é rebelde e indomável como o deserto ao qual ela pertence. Independente dos jogos psicológicos e de poder que o sultão faça com ela, Amani é fiel à liberdade.
Promessas eram como contar a verdade. Assim, elas viravam profecias, que acabariam se concretizando. Só que não da forma como se esperava.
Sua dinâmica com Shazad - que ainda mantém-se escondida sob farsas e enganações - foi a minha favorita. A amizade das duas evoluiu a uma coisa poderosa, o tipo de irmandade que protege e salva e se apoia quando mais precisa. Shazad é sua melhor amiga, uma irmã de outra mãe. Alguém que entende o espírito arisco e ansioso de Amani, que responde com calmaria e com cuidado. Shazad, inclusive, continua uma das melhores personagens dessa história! Ela é força e destemor, decisões sagazes e riscos bem medidos. Onde Amani é brusquidão, Shazad é sensatez. Eu adoro como a narrativa a coloca ao lado do príncipe rebelde, um braço direito necessário para um líder que sonha tão alto.


Resenha: A Traidora do Trono

Como eu amo as mulheres desse livro! Além de Amani e Shazad, a força feminina existe em cada personagem que aparece. Das manipuladoras às heroínas, seus traços são muito bem escritos e desenvolvidos. É o tipo de livro com um leque de empoderamento, que fala sobre os diversos tipos de forças que precisamos e queremos ler cada vez mais. Um grande exemplo foi o da personagem Shira; para não spoilar demais, apenas digo que ela tem uma das cenas mais impactantes e poderosas dentro da história, o tipo que marca a leitura e te faz parar um instante para respirar fundo e pensar "uau".

Ahmed tem grandes momentos dentro do livro, ainda que apareça muito mais como o nome de uma luta do que de fato nas cenas. Sua rebelião cresce entre os reinos de tal forma que se torna uma ameaça velada, o tipo que pode destronar o sultão caso ele não tenha cuidado. E aqui temos duas forças muito inteligentes batendo de frente. Pai e filho que se conhecem e se entendem, que sabem buscar fraquezas um no outro. Mas, para o sultão, lidar com a crueldade é parte do jogo, e Ahmed ainda busca opções mais pacíficas. O que diferencia esses dois líderes é a maneira com que lideram; um é o terror, outro é o cuidado. A maneira com que a autora apresenta tais ideais te faz questionar sobre o lado certo na guerra, e é genial como ela desenvolve essa culpa que se estende sobre os questionamentos.

Resenha: A Traidora do TronoJin, como pilar que se tornou de Amani, ainda é meu bebê precioso. Amedrontado por perdas, ele se torna uma sombra em um momento imprescindível na vida de Amani, mas a sensação que fica o tempo todo é de que seu coração e alma estão ali por ela. Sempre estarão. Eles são dois, mas lutam como um. Acreditam nas mesmas coisas, aceitam os riscos por elas. Jin é um garoto com um pouco de covardia e muito de bravura, uma promessa de paz à qual Amani anseia para o futuro. Ao lado dela, o príncipe bastardo tem momentos emocionantes e gloriosos, do tipo que te faz se jogar de cara no chão para gritar.


Eu tremia muito. A sensação de voltar para os braços dele. De estarmos juntos. De puro alívio.
Dois novos personagens ganharam o meu coração para todo o sempre, e foram Sam e Rahim. O primeiro tem uma participação tão importante que vou me ater em sua descrição, mas saiba apenas que ele é um menino puro, bastante ganancioso que cai de paraquedas na rebelião e acaba aceitando fazer parte dela. Uma ajuda inesperada e bem-vinda para Amani. E o outro é um dos filhos do sultão. Rahim batalhou no exército e comanda uma grande legião de soldados; tal como Ahmed, é gracioso e sério, o tipo de pessoa que guerreia tão bem quanto discursa. Tal como Jin, tem sorrisos sutis marcantes e um humor latente bem peculiar. E, tal como o sultão, suas reais intenções e filiações na guerra são enigmas até o momento em que se tornam óbvias.
Ele era um soldado na sua essência. Não, não um soldado. Um comandante.
Resenha: A Traidora do Trono

A narrativa brilhante prende desde o primeiro capítulo. É o tipo de livro que arranca seu fôlego e seu coração, que termina capítulos com aqueles cliffhangers pesadíssimos que te arrastam para mais e mais, obrigando você a se esquecer da vida até terminá-lo. É um livro sobre continuidade, sobre o que a rebelião está se tornando e promete se tornar. Tem um final arrebatador, um acontecimento marcante que grita sobre a grandiosidade do último volume.
- Meu filho é um idealista. Eles são ótimos lideres, mas nunca se saem bem como governantes.
A questão da mitologia é muito mais explorada em A Traidora do Trono. Toda a questão com a magia dos djinnis e suas ligações com seus filhos, as heranças que são passadas, as marcas mágicas e o que elas carregam, tudo é de vital importância para o crescimento da trama.


Resenha: A Traidora do Trono

Edição impecável, encontrei alguns poucos errinhos de revisão, nada que incomodasse na hora da leitura. A rapidez da editora Seguinte em publicar o volume junto à publicação norte-americana me faz louvar aos céus; meu único problema continua sendo a lombada. Por favor, parem de fazer lombadas ao contrário, o meu TOC não aguenta!

Personagens fortes bem construídos e cenas de ação não faltam nessa trilogia. Alwyn Hamilton, eu te venero! Como disse, o fim deixa aberto uma reviravolta de cair o queixo, e as consequências dela para a rebelião serão os trilhos do último livro. O que a gente faz agora é sentar e roer as unhas até que ele chegue até nossas mãos.


Título original: Traitor to the Throne
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia
Nota: 5

Saiba Mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Olá, Denise.
    Eu ganhei esse livro e o anterior em uma promoção e não vejo a hora que eles cheguem. Mas agora lendo sua resenha e sabendo do jeito que terminou acho que vou esperar lançar o próximo para ler hehe. Mas que bom saber que esse supero e muito o primeiro. Gosto de quando isso acontece, a história cresce de um livro para o outro e não tem aquela enrolação só para vender livros.

    Prefácio

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  2. Oi! A capa é linda e a história parece ser bem interessante. Bjos <3

    Click Literário

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  3. Oi Dê! Tudo bem? Eu amei suas fotos!! Não li ainda essa série, mas desde que li as críticas do primeiro livro as personagens me chamam atenção sem dúvida. Fico feliz em saber que a continuação mantém o bom nível.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Oi, Denise!
    Mirmã, o povo está só elogios a essa sequência. E me anima mais ainda saber que a série não caiu na maldição do segundo livro o/
    Beijos
    Balaio de Babados

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