Resenha: #Fui


#Fui é um dos mais recentes lançamentos da editora Globo Alt. Recebido em cortesia pelo blog, é a história de uma jornada de auto-descobrimento e mudanças.
Sinopse: Lully vai viajar! E não é uma viagem qualquer: ela vai passar quatro meses em um intercâmbio nos Estados Unidos e mal pode aguentar tanta ansiedade. Vai ser a primeira vez que ela vai passar tanto tempo longe de casa, ver neve e aproveitar todas as maravilhas que o País do Cheesebúrguer pode oferecer… A única parte difícil é esconder toda essa animação de seu namorado, Eric, que está compreensivelmente enciumado e nada satisfeito com o fato de a namorada ir viver tanta coisa nova longe dele. Logo nos primeiros dias em Lake Tahoe, Lully já descobre qual será sua rotina: MUITA neve no hotel onde vai morar, MUITA neve na estação de ski onde vai trabalhar e MUITA neve para gelar as cervejas das festas que os novos amigos não cansam de organizar. É tudo muito diferente da vida que levava no Brasil, mas, apesar de às vezes parecer difícil se adaptar, Lully está se dando muito bem. Mas isso é só até ela se ver obrigada a fazer uma escolha determinante para o resto de sua vida. A viagem acaba revelando o quanto suas certezas e seguranças podem ser frágeis, e que quem parte em uma grande jornada, dificilmente voltará a ser a mesma pessoa de antes…
Lully vai participar de um intercâmbio. Por quatro meses, vai ficar longe de tudo que conhecia e considerava confortável; e pra ela tá tranquilo, tá favorável, porque a Lully é o tipo de pessoa que não se deixa abalar pelas coisas. Paranoica e neurótica, sim, mas não do tipo que vê obstáculos e foge deles. Longe do namorado e da mãe, ela está pronta para novas experiências.



Preciso começar a resenha dizendo que tive um pequeno probleminha com esse livro: a protagonista. Apesar de bastante carismática, eu não consegui a conexão necessária com a personagem pra rir das suas tiradas. Na verdade, das vezes em que ri da Lully, era quando ela não estava tentando ser engraçada. O que não é um problema para a história, longe disso. Eu acredito que a linguagem e a abordagem da personagem são para um público mais jovem; como diria o Azaghal, eu talvez seja "véia paia" demais pra esse tipo de humor. Minha irmã, por exemplo, adorou a personagem, achou ela hilária.
Sou tipo a Luna Lovegood. O mundo não está preparado para as minhas epifanias.
Do meio para o fim do livro os exageros de tiradas cômicas da protagonista deram uma diminuída, quase como se puxasse as rédeas e deixasse uma leveza pairar sobre os pensamentos da protagonista, aquele típico amadurecimento que a gente espera em leituras assim, e aí sim eu consegui me conectar com ela.


O primeiro passo na montanha, a gente nunca esquece. É de tirar o fôlego.
O livro, em si, é uma jornada. Minha parte favorita foi a ambientação bem rica e interessante de todo o intercâmbio da Lully. Coisas que eu tinha bastante curiosidade em saber sobre esse tipo de aventura - porque deixar tudo o que você conhece, tudo de confortável na sua vida e se enfiar em um país desconhecido é uma grande aventura! - e o livro me respondeu. A sensação de imersão no curso, nos aprendizados e nas descrições dos lugares que ela visitava foi maravilhosa. Os lugares, principalmente, o modo como a Lully nos conta sobre eles faz você se sente parte de tudo aquilo. Você vislumbra cada momento muito nitidamente.



Os personagens secundários eram divertidos e bem inseridos na trama, e meu favorito foi o Blue desde o princípio. Ele estava ali como o típico melhor amigo que você sabe que pode se tornar algo mais; Lully e ele se entendem muito bem, mais do que a maioria das pessoas. Trocavam referências nerds engraçadas, conviviam com os mesmos tipos de medos. Achei o envolvimento entre os dois muito bem desenvolvido.

O ponto chave do livro é sobre mudanças. Não apenas de lugar, de ambiente, de convivência, mas o que elas significam realmente para uma pessoa. O que é vivenciar novas experiências e usar esses caminhos para trilhar seu futuro e mesmo seu presente; como essas experiências definem quem você é, quem você quer ser. A jornada da Lully é quase de auto-descobrimento. Todas essas semanas longe de casa, da mãe, do namorado, do que é conhecido, isso abre sua visão para o que o mundo oferece de verdade. O que ela pode fazer se resolver se arriscar nele.



Esse é o tipo de leitura leve recomendada para quem não quer drama e nem grandes reviravoltas chocantes. Meu problema com o humor da personagem pode não ser o mesmo que o de outro leitor, fato comprovado pela minha irmã. Como eu disse, a mensagem dentro da história é ótima. É convidativa e bem trabalhada. Recomendo para quem busca uma obra bacana sobre novas experiências, sobre coragem e sobre amizades.

Título original: #Fui
Autora: Viviane Maurey
Editora: Globo Alt
Gênero: Romance / YA
Nota: 3

Saiba Mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Oie Denise =)

    A sua é a primeira resenha que leio desse livro e sei bem como é quando nosso santo não bate com o da protagonista rs... No último livro que li passei por isso.

    Mas, apesar dos pontos que você citou, ainda assim o livro entrega uma história leve e divertida. Se tiver oportunidade vou dar uma chance ^^

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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  2. Oi, Denise!
    Eu acho que, apesar dos pesares, iria me identificar com a Lully. Há uns três anos, fiz intercâmbio e foi uma experiência que me mudou muito.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Três Anos do blog A Colecionadora de Histórias

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  3. Olá, Denise.
    Achei essa capa uma fofura. Eu sou uma pessoa avessa a mudanças, por isso acho que esse livro seja indicado para mim hehe. Mas isso de não conseguir se conectar com a protagonista é bem chato mesmo. Acabei de ler um livro que passei por isso. Não sei se estou velha, mas achei as atitudes deles tão infantis que acabei desgostando um pouco do livro.

    Prefácio

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