Resenha: A Profecia das Sombras


A Profecia das Sombras é o segundo volume da série iniciada com O Oráculo Oculto. As Provações de Apolo é mais uma das sagas épicas escritas pelo querido Rick Riordan e fala sobre as aventuras do deus Apolo, agora transformado em mortal, tentando ganhar de volta a sua imortalidade.
Sinopse: Não basta ter perdido os poderes divinos e ter sido enviado para a terra na forma de um adolescente espinhento, rechonchudo e desajeitado. Não basta ter sido humilhado e ter virado servo de uma semideusa maltrapilha e desbocada. Nããão. Para voltar ao Olimpo, Apolo terá que passar por algumas provações. A primeira já foi: livrar o oráculo do Bosque de Dodona das garras de Nero, um dos membros do triunvirato do mal que planeja destruir todos os oráculos existentes para controlar o futuro. Em sua mais nova missão, o ex-deus do Sol, da música, da poesia e da paquera precisa localizar e libertar o próximo oráculo da lista: uma caverna assustadora que pode ajudar Apolo a recuperar sua divindade — isso se não matá-lo ou deixá-lo completamente louco. Para piorar ainda mais a história, entra em cena um imperador romano fascinado por espetáculos cruéis e sanguinários, um vilão que até Nero teme e que Apolo conhece muito bem. Bem demais. Nessa nova aventura eletrizante, hilária e recheada de péssimos haicais, o ex-imortal contará com a ajuda de Leo Valdez e de alguns aliados inesperados — alguns velhos conhecidos, outros nem tanto, mas todos com a mesma certeza: é impossível não amar Apolo.
Depois de entender os caminhos que precisa tomar para voltar a ser um deus - ainda que eles sejam bem confusos porque, convenhamos, o que na vida desses personagens não é? - Apolo está em busca do segundo oráculo perdido. E esse tem muito a ver com o seu passado, porque envolve um de seus filhos e uma terrível tragédia que aconteceu com ele. Ao lado dele, Leo Valdez e Calipso partem na jornada para ajudar o ex-deus, e figuras conhecidas e novos rostos se juntarão às empreitadas descabidas e destrambelhadas para recuperar o segundo oráculo perdido e, quem sabe, descobrir como parar os terríveis imperadores romanos que desejam retomar seu poder.
Compus em silêncio o meu novo haicai da morte: Aves grandes são más/Correm com pernas farpadas/Eu morro, e dói.
O que eu mais amo nos livros do Riordan e uma coisa da qual eu nunca vou me desapegar é o humor. Deuses, como eu amo a narrativa paspalha que ele escreve, e como é um humor bobo, mas muito inteligente. Minha Lady Jane teve o mesmo feeling que todos os livros do tio Rick sempre me passam: são piadas idiotas envolvidas em um contexto inesperado, mas que encaixam muito bem ali. A Profecia das Sombras mantém o mesmo tipo de conversa com o leitor que tinha usado no primeiro volume: Apolo e seu ego. Um pouco mais humilde depois dos acontecimentos do livro anterior, sim, mas ele continua o deus do sol pelo qual eu me apaixonei. Egocêntrico e bocó, achando que o mundo gira ao seu redor. E, claro, todo mundo ao seu redor faz questão de demonstrar como isso não é verdade, o que torna as situações ainda mais engraçadas.



Sendo seguidora de tio Rick há quase dez anos (!!!) dá pra reconhecer os artifícios que ele usa em "segundos livros" aqui também. O que não é uma coisa ruim; diferente de autores como a Cassandra Clare, que, honestamente, eu já tô ficando enjoada de olhar pra cara das novas séries (desisti de As Peças Infernais até que um anjo me convença a voltar) Riordan se inova dentro da sua zona de conforto. Prova disso é a representatividade e o poderio das minorias que ele tem trazido para essa série e para a trilogia do Magnus Chase.

Aqui, temos um protagonista pansexual (porque né, o Apolo atira para todos os lados literalmente) que está lidando com seus medos e fraquezas e traumas como todo bom adolescente. Mesmo caído de mudança nessa história de mortalidade, é legal notar a fragilidade do Apolo, como ele se esconde atrás do humor com medo de se perder, de não ser corajoso o bastante para ajudar aqueles que ele ama. E Apolo ama muita gente; ele percebe isso, e ter noção disso é aterrorizante. A partir do momento que você ama alguém, essa pessoa está sempre em risco. Multiplique isso por mil dentro do universo dos deus gregos, onde a corrida contra o tempo tem como adversário o Triunvirato Romano.
- Ó Flecha Sábia, estamos perdidos.EU SOUBE DISSO QUANDO TE CONHECI.
O relacionamento do Apolo com outros personagens foi bem desenvolvido. Léo e Calipso são uns queridos e acabam se tornando a voz da consciência do protagonista - e muitas vezes o tapa na cara, quase literalmente. Ainda que Léo continue com sua aura maluquinha e carisma exacerbado, ele está mais maduro, mais consciente das consequências de uma guerra, e está disposto a se arriscar para ajudar os outros. O mesmo pode-se dizer da Calipso; presa durante séculos e mais séculos em uma ilha amaldiçoada, livre enfim, ela vê o mundo e quer entender tudo que existe nele. Para fazer isso, precisa ajudar o Apolo primeiro, e precisa se reencontrar como feiticeira e como guerreira dentro dessa história toda.
- Você vai saber quando eu recuperar minha magia, porque vai perceber que foi jogado do outro lado de Indianópolis.
Além do Apolo, Riordan introduz um casal de senhoras que foi contra todo o esperado pelo amor que dividiam, e ele mostra como esse amor as ajudou a criar sua filha. Eu poderia passar horas falando sobre elas, mas as duas são parte crucial da história e do desenvolvimento do livro, então vou me abster. Só digo que tem um diálogo genial entre elas e o Apolo e isso mostra o quanto o autor é consciente do seu papel, dando espaço para quem precisa dessa representatividade.



Meg volta, claro, como a senhora mandona designada a cuidar do Apolo. Ela está um pouco mais melancólica nesse livro, marcada pelo fim do volume anterior, mas a narrativa construiu uma ligação de confiança bem importante entre ela e o ex-deus, e aqui nós vemos como ela se desenvolve e como marca ambos os personagens. Eles se tornam importantes um para o outro.
Talvez, em vez de um castigo grandioso, eu tenha uma morte lenta decorrente de mil insultos. Com que frequência um deus da música ouvia que sua voz dava para o gasto antes de desmoronar em uma pilha de poeira de desprezo por si mesmo?
A parte de ação e dos mistérios é um pouco mais arrastada do que em O Oráculo Perdido - e aqui dá pra comparar com O Filho de Netuno, que achei o mais fraco dos Heróis do Olimpo e coincidentemente também era o segundo livro da série. Não é nada que atrapalhe, mas torna alguns momentos mais enfadonhos do que deveria, uma vez que são as partes da ação. No mais, se desenvolveu bem, com algumas surpresas pelo caminho e um final com um gancho que me deixou berrando EU PRECISO DO TERCEIRO VOLUME! Minha curiosidade para entender mais a respeito dos três Imperadores e sua missão para conquistar o mundo vai me deixar roendo as unhas até o próximo.


- Depois de mais de sessenta anos vivendo com as Caçadoras, nós descobrimos uma coisa. Não é por quanto tempo você vive que importa. É aquilo pelo que você vive.
A Profecia das Sombras é importante porque fala dos diferentes tipos de amizades, de amor e de medo, como todo bom infanto-juvenil tem que ser. A jornada de Apolo apresenta um mundo de possibilidades e diz que tudo bem você ser diferente e escolher o diferente. Isso faz de você tão normal quanto qualquer outra pessoa.


Título original: The Dark Prophecy
Autora: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Gênero: Infanto-juvenil
Nota: 4,5

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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Oi, Denise!
    Menina, realmente... quase 10 anos acompanhando o tio Rick.
    Eu não gostei tanto desse livro como gostei do anterior, mas foi divertida a leitura.
    Ah! Se puder, leia sim Sementes da Guerra porque esse livro é um hino de diversidade e empoderamento feminino *----*
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

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    Respostas
    1. Oi Lu!
      POIS É. Fiquei assustada quando fiz as contas. TUDO ISSO JÁ?
      Que pena que a leitura não te agradou tanto ç_ç mas sim, foi bem divertido. Amo o humor daquele homem!
      Eu tô MORRENDO por Warbringer, pensei em comprar o hardcover porque o preço tá quase o mesmo que a versão BR T_T mas vou ver se convenço minha sócia de livros a comprar, ai facilita a vida :P ASUHASUHUHASUHASUH

      Beijos.

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  2. Oi Denise! faz tempo que não leio nada do Tio Riordan, preciso voltar logo! eu fico feliz que ele ainda consiga se renovar e tb adoro o humor dele!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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