Resenha: O Oráculo Oculto


Tio Rick ataca novamente! O Oráculo Oculto é o primeiro livro da nova série - e possivelmente a última - seguindo o universo dos semideuses gregos que começou lá em Percy Jackson. Dessa vez, temos o deus Apolo sentenciado à vida mortal graças a uma punição de Zeus. As provações existem para tentar devolver a sua imortalidade, mas quem disse que vai ser fácil?

Sinopse: Como você pune um deus imortal? Transformando-o em humano, claro! Depois de despertar a fúria de Zeus por causa da guerra com Gaia, Apolo é expulso do Olimpo e vai parar na Terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em um beco sujo de Nova York. Fraco e desorientado, ele agora é Lester Papadopoulos, um adolescente mortal com cabelo encaracolado, espinhas e sem abdome tanquinho. Sem seus poderes, a divindade de quatro mil anos terá que descobrir como sobreviver no mundo moderno e o que fazer para cair novamente nas graças de Zeus.  O problema é que isso não vai ser tão fácil. Apolo tem inimigos para todos os gostos: deuses, monstros e até mortais. Com a ajuda de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha, e Percy Jackson, ele chega ao Acampamento Meio-Sangue em busca de ajuda, mas acaba se deparando com ainda mais problemas. Vários semideuses estão desaparecidos e o Oráculo de Delfos, a fonte de profecias, está na mais completa escuridão. Agora, o ex-deus terá que solucionar esses mistérios, recuperar o oráculo e, mais importante, voltar a ser o imortal belo e gracioso que todos amam.

Tem alguma coisa de errado no Acampamento Meio-Sangue. Semideuses desapareceram, os que estão ali têm medo do desconhecido, e o bosque próximo parece estranhamente fantasmagórico. Quando Apolo é jogado na Terra - literalmente - com sua mortalidade, ele não sabe o que fez, tampouco se lembra dos últimos seis meses. Suas últimas lembranças são da guerra para derrubar Gaia, e depois disso só fumaça. Ele encontra ajuda numa garota esquisita chamada Meg, e ela parece ter a habilidade mágica de controlar as frutas; uma semideusa perdida e esquecida nas ruas de Nova York. Ao chegar no Acampamento, Apolo descobre que o seu oráculo está com defeito. O Oráculo de Delfos, mais precisamente, perdeu os poderes, e ninguém sabe porque. Semideuses sem profecias é igual a nenhuma aventura para entender o que está havendo lá fora, porque tantos deles estão desaparecendo. Eis que entra Apolo, e sua curiosa amiga Meg. Suas provações ditam que ele precisa seguir essa garota e ajudá-la a enfrentar as missões que ela designar, e Meg decide investigar o que fez o oráculo desaparecer.

- O que esse otário tiver é meu, inclusive o dinheiro! 
- Por que todo mundo está me chamando de otário?

De todos os livros do tio Rick, esse foi, sem dúvidas, o que mais me fez rir. Ele já tem uma veia humorística excelente, e suas narrativas tendem a se tornar mais engraçadas com o tempo, mas a narração do Apolo e as aberturas de capítulos com os seus infames haicais são indescritíveis de tão hilários. O deus mais egocêntrico perdeu os seus poderes, a sua beleza e a sua imortalidade. Tem como isso não ser engraçado? O Apolo vive em tamanha negação que tem a atitude insensata, logo no início do livro, de comprar briga com um bando de valentões só porque acha que seus poderes vão retornar milagrosamente. Afinal, ele é Apolo, ninguém pode mexer com ele.



Quando confrontando com as questões de mortalidade, Apolo entra em pânico. Principalmente por causa da juventude; como assim ele está sendo forçado a viver a adolescência? Ele é o deus da arquearia e da música, um soberano do Olimpo, um dos olimpianos mais importantes, inclusive! Lógico que Zeus não está nem aí. Ele lançou a punição, e agora Apolo precisa lutar para recuperar o seu poder e lugar de direito.

- Por favor, pai, aprendi a lição. Por favor, não posso fazer isso! 
Zeus não respondeu. Devia estar ocupado demais gravando minha humilhação para postar no Snapchat.

Meg é a sua "mestra", companheira de missão e comandante de suas ações. Ela é a designada para guiar Apolo em suas aventuras, quase dando ordens ao ex-deus. Graças a Meg, Apolo encontra seus caminhos, coragem e surpreendente humildade conforme as páginas do livro vão avançando. Considerando o deus que caiu em terra, vê-lo agradecendo alguém é uma baita de uma evolução!



Quando se é um deus, o mundo presta atenção em cada palavra sua. Quando se tem dezesseis anos... nem tanto.

Eu achei a interação entre os dois muito emocionante; não só pela diferença de idades, de sabedorias - o que, cá entre nós, a Meg tem mais que o Apolo em vários momentos - ou de habilidades. Os dois estão perdidos e sozinhos. A Meg com sua herança misteriosa e o Apolo com sua repentina mortalidade. Os dois precisam se ajudar e serem ajudados, e a amizade cresce a partir desse apoio mútuo. Quando se trata de boas amizades, Riordan sabe como escrever uma obra prima, e As Provações de Apolo tem uma grandiosa promessa para esses dois.



O humor, aliás, é outro fator sempre presente e muito bem trabalhado nos livros do Rick. Acho fantástico como ele transporta a mitologia para os dias atuais, adaptando todos os mitos, deuses e deusas, todas as histórias antigas de tal modo que você se sente parte dessa grandiosa família conturbada que começou lá no Olimpo. Os deuses estão sempre de pano de fundo, mas com Apolo protagonizando a obra, temos uma inserção muito maior nessa eternidade que é a história da mitologia grega. Em meio ao cotidiano e a sua missão conturbada, Apolo nos traz alguns flashbacks de histórias engraçadas e algumas trágicas - até porque os mitos gregos são feitos de comédia e drama multiplicados até a décima potência. A narrativa do Apolo foi, até hoje, a melhor que o Riordan já desenvolveu. 

Para ser totalmente sincero, preciso confessar outra coisa: todos os deuses temem a morte, mesmo quando não estamos presos em uma forma mortal.

Além deles, temos aparições nostálgicas dos outros semideuses já conhecidos dessa saga. Percy Jackson, Nico di Angelo, Will Solace, menções honrosas aos outros protagonistas da série Heróis do Olimpo, além da participação especial de Leo Valdez. QUANDO O TIO RICK QUER ME FAZER SURTAR, ELE CONSEGUE MARAVILHOSAMENTE!

- Apolo, meu neto querido, bela criança... Ser um deus alguma vez impediu alguém de ser burro?

Nico e Will são os coadjuvantes principais, até por Will ser filho de Apolo - o que traz muitas situações engraçadas para a interação entre pai e filho. Will e Nico são um casal, aliás. O melhor casal. Os meus bebês preciosos que devem ser protegidos a todos os custos. Com sutileza e evidência, Riordan entrega personagens representativos muito bem trabalhados - e deixa eu falar que já vi muitas "críticas" (ou, como eu gosto de dizer, choro de babaca) ao livro só porque o Apolo é pansexual e Nico e Will são gays, VAI TER GAY SIM E SE RECLAMAR TODO MUNDO É GAY!



- Ei, só estou constatando o óbvio. Se este for Apolo e ele morrer, estamos todos encrencados. 
- Peço desculpas pelo meu namorado. 
- Você pode não... 
- Você prefere pessoa especial? - perguntou Will. - Alma gêmea? 
- Alma geniosa, no caso. - resmungou Nico. 
- Ah, você vai me pagar por isso.

Destaque também para os personagens estrangeiros, que inclui um brasileiro. Sim, um semideus brasileiro, com direito a português, bandeira do Brasil e zoeira típica! Amo o Rick e vou protegê-lo por nos amar tanto.

Eu não me sentia um floco de neve especial (embora minha mãe, Leto, sempre dissesse que eu era) e fiquei dolorosamente tentado a acusar Sherman de não me tratar como tal.

A trama principal é muito bem desenvolvida, envolvendo o silêncio dos oráculos e as consequências da guerra de Gaia. A mortalidade do Apolo está diretamente ligada ao caos que está começando a habitar o mundo dos semideuses, além da ameaça que paira sobre os oráculos. O que fez as profecias desaparecerem? O que está tentando dominar todos os oráculos existentes? A resposta é bem chocante, mas está diretamente ligada à trama de todas as sagas gregas do tio Rick até agora. ACHEI GENIAL! A maneira como ele traz as respostas, sempre mantendo aquele clima de mistério desesperador que já se tornou típico dos livros dele, é esperada e ao mesmo tempo surpreendente. Você começa a criar teorias, e de repente algumas teorias são verdadeiras e outras não chegam perto da verdade.

E FICA AQUELE CLIMA DE SUSPENSE DURANTE METADE DO LIVRO PORQUE O APOLO SABE AS RESPOSTAS, MAS NÃO FALA DIRETAMENTE CONTIGO. Não tão diretamente quanto ele fala sobre suas peripécias e a beleza infinita que tinha antes de ser "presenteado" com o novo rosto mortal.



- Apolo quer dizer que não podemos fazer uma missão sem profecia, e não podemos ter profecia sem oráculo.

Aos acostumados com a narrativa do Riordan, é uma boa pedida para matar a saudade do universo do Percy e para uma nova aventura por eles. Apolo é carismático e o melhor protagonista até agora, e sua história tem muito crescer. Aos que ainda não conhecem nada que o Rick escreveu, só te digo POR QUE AINDA NÃO LEU PERCY JACKSON?

Título: The Hidden Oracle - The Trials of Apollo
Autora: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Gênero: Infanto-juvenil
Nota: 5 +


Saiba mais: Skoob | Saraiva

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COMENTÁRIOS

11 comentários:

  1. Oi Denise!
    Aiii eu ainda não li Percy Jackson *corre*
    Eu queria ler, mas é uma série tão longa que fico com preguiça... Mas vou tentar!

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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    1. Oi Sora!
      AHHHHH QUE ABSURDO MENINA! AKNFASOBAOBA tem que mudar isso! Ç_Ç as séries são independentes entre si, pode ler só PJO se quiser - mas te garanto que é apaixonante e não dá pra largar.

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  2. Oi Denise!


    Nossa, eu achava que não ia mais ler os livros do Riordan, que pra mim já tinha dado essa história de semideuses, mas poxa, como evitar ler sobre o Apolo? Impossível! Eu vou ter que conferir e que bom que o humor está forte, adoro quando o autor puxa pra esse lado!

    Adorei as fotos!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Pois é, Michele! Esse homem consegue fazer magia com o universo dele, e te juro que O Oráculo Oculto tem muita coisa inesperadas no quesito trama com os semideuses. Ele aproveita tuuudo da mitologia, é um lindo <3 e é legal a maneira com que o Rick une os universos também.
      Vai na fé que a leitura vale a pena!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  3. Os livros do Riordan... <3
    Ótima resenha!

    intoxicadosporlivros.blogspot.com.br

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    1. Tio Rick é um lindo <3
      Obrigada, flor!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  4. Olá Denise,
    Eu ainda não entrei no universo do tio Rick, mas gostei desse livro de cara pelas partes de humor e como o protagonista foi desenvolvido.
    Amei os quotes.

    P.S.: Indiquei vocês numa TAG: http://www.obsessionvalley.com/2016/05/tag-12-meses-na-estante.html

    bjs
    Nana.

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    1. Oi Nana!
      A parte de se reinventar quanto aos protagonistas é definitivamente o ponto alto dos livros do Rick. O Apolo é o melhor deles até agora, ganhou até do Magnus Chase <3
      Quando puder, dá uma conferida porque vai te encantar sim!
      Ahhhh vamos fazer a tag, obrigada pela indicação!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  5. Meu Deus, melhor resenha eveeeer <3
    Li e amei, diferente do Heróis do Olimpo que pra mim foi uma chatice, esse chegou sambando na cara da sociedade, melhor livro eveeeer <3

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    1. Oi Gui!
      ASKFJASHOUAOGUOAB QUE BOM QUE GOSTOU! Acho que o tio Rick se superou demais com esse livro. Eu amo o humor dele, mas com o Apolo foi A++
      Melhor protagonista dele até agora ~tapa os ouvidos do Percy e do Magnus.
      Obrigada pela visita!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  6. Não gostei do livro. Quando o Rick lançou Percy Jackson e o Ladrão de Raios (caramba, aquilo é que era história!) a história era fresca, original, bem escrita e bem desenvolvida, tanto que ela permitia, e até pedia a continuação "Os Heróis do Olimpo". Só que agora, eu não sei, não tem mais a mesma qualidade, é tudo corrido demais e confuso demais, não parece em NADA com os livros do Tio Rick. Quer dizer, é só ler As Crônicas dos Kanes ou Magnus Chase, além das histórias do Percy pra perceber isso. Parece que ele está "forçando a barra" do universo que criou, é so mais do mesmo. Quanto ao homossexualismo e bissexualismo, todo mundo já sabia que ia rolar o namoro do Nico e Will, e quando se trata de antigos deuses pagão gregos também não é surpresa nenhuma. Mas eu não gosto do jeito como o Riordan aborda o tema, achei meio forçado, principalmente quando Apolo explica que ele não tem problemas em ver o filho com "um namorado em vez de uma namorada". Pra que ele explicar isso, só faz lembrar de que o tema é um tabu. É a mesma coisa que ele dizer "tem casal gay porque hoje em dia isso tem que ser normal". Se é normal, não precisa não precisa ser explicado. Enfim, na minha opinião o livro parece uma fanfic bem escrita (eu la li algumas que me lembraram esse livro inclusive).

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