Crianças e os Meus Livros - Queria Estar Lendo

Crianças e os Meus Livros

Crianças e os Meus Livros

Há um tempo eu escrevi sobre as marcas dos meus livros, porém, venho sentindo que deixei de escrever sobre coisas importantes naquele texto e por isso decidi escreve sobre algo um pouco mais específico: as crianças e os meus livros.

Pela primeira vez na vida, eu tenho crianças que frequentam minha casa assiduamente, estão por aqui toda semana o meu sobrinho, de dez meses, e o meu primo-praticamente-sobrinho, de um ano e meio. E há um tempo, quando o mais velho começou a engatinhar, eu precisei tomar uma decisão importante sobre eles e o relacionamento que teriam com a minha estante -- já que ambos são fascinados pelo meu quarto, sério, é até engraçado de ver!

Depois de ouvir por anos sobre os leitores (e colecionadores, para quem lembra daquela conversa de whatsapp que viralizou uns meses atrás, sobre uma mulher que não deixou uma criança brincar com seus colecionáveis) sobre reações extremas ao verem outras pessoas tocando seus livros, eu já sabia que não queria ser esse tipo de pessoa -- e tudo bem se você quer, isso só não bate com a minha filosofia.

No texto que citei lá no começo, já falei sobre como me sinto sobre a preservação dos meus livros e como para mim livro bom é livro lido. Com o passar dos anos, fui me desapegando dos meus livros, e não porque eu não enxergo o valor monetário deles -- afinal, eu paguei por todos eles com dinheiro ganho a duras penas -- ou porque sou relaxada com eles, porque não me importo com o apelo emocional... Mas eu realmente não sinto a necessidade de "cuidar deles como novo" e replastificá-los e tudo.

Crianças e os Meus Livros

Meus livros são cheios de marca do tempo, marcas porque foram manuseados e lidos, marcas que eu mesma fiz, com lápis e post-its, e para mim isso está ótimo. Então, quando chegou a hora de pensar em como preservá-los das crianças -- que a gente sabe, sem querer podem danificá-los -- eu bolei uma estratégia bem simples: os livros importantes, de valor sentimental, nas prateleiras mais altas, nas mais baixas, aqueles que eu não tive coragem/energia de vender, mas que não pretendo reler.

E tudo isso tendo em mente sempre que eu nunca os proibiria de tocar a minha estante ou os meus livros. A única regra que os dois tem para entrar no meu quarto, é estar acompanhado, porque eu não quero dizer NÃO quando eles pegarem um livro na mão, não quero brigar e assustá-los por estarem perto da minha estante, não quero que eles vejam os livros como objetos longe do seu alcance, feito "só para gente grande", ou distantes e sem graça.

Eu quero que eles tenham o melhor relacionamento do mundo com os livros, quero que eles aprendam a devorá-los desde de cedo, especialmente porque ignorância se combate com conhecimento e não há maior fonte de conhecimento do que os livros. E esse é um dos meus desejos para a vida deles.

Cheguei, inclusive, a colocar o "livro deles" (exemplares que solicitei através do "Leia para uma Criança" do Itaú) nas prateleiras mais baixas, entre os meus livros, para que eles possam tirar da estante e "ler" com a gente.

Deixo eles puxarem os livros para fora dos lugares, deixo passarem as mãos pelos relevos da capa ou mesmo daquelas capas soft touch, que despertam a curiosidade. Sento com eles no chão e folheamos os livros juntos, giramos de um lado para o outro, sacudimos de cabeça para baixo para fazer barulho. Meu primo, inclusive, leva a gente pela mão até o meu quarto, só para ficar lá, passando o dedinho pelas lombadas marcadas, tentando puxar eles dos espaços apertados.


Porque mais do que ensinar pelo exemplo e presentear com livros, que também é essencial, é importante que as interações que as crianças tenham com os livros -- revistas e jornais e qualquer coisa do tipo -- sejam positivas e prazerosas, estimulantes, e não amedrontadoras ou proibidas.

Quando eu descobri que precisava tomar essa decisão, sobre como eles iriam interagir com a minha estante, percebi que já tinha decidido há muito tempo. Antes de tudo, eu quero formar leitores, quero espalhar o amor pela leitura e pela literatura, o prazer de viajar pelas páginas. E não foi difícil, pra mim, perceber que se assim for, isso era muito mais importante do que impedir que aquele livro que eu nunca vou reler mantenha sua capa no lugar.

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COMENTÁRIOS

22 comentários:

  1. Oi, Bianca!
    Como não tenho criança frequentando minha casa, então ainda não tenho essa preocupação.
    Provavelmente quando/se eu tiver filhos, talvez eu ainda tenha um receio quando eles forem beeem novinhos, mas depois de mais grandinhos com certeza vou introduzindo aos poucos no mundo da leitura.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi, Lu!
      Então, acho que é pq eu tô bem desapegada dos livros? UAHSUAHSUAHSUAHS acho muito legal eles novinhos pegando os livros da estande, sentando no chão e abrindo. Claro que eu tô sempre do lado pq não quero que eles amassem, dobrem ou arranquem páginas/capa. Mas se acontecer um acidente, não ligo muito. Livro a gente repõe, mas a experiência deles é única né.

      bjs

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  2. Ah, Bibs, que reflexão linda! Eu não tenho muitas crianças que frequentam aqui em casa e geralmente elas nem sabem onde fica minha estante, que tem um acesso quase que difícil pra chegar (fica na frente de outro móvel). O único que frequenta meu quarto mas não mexe muito nela é meu irmão, de 9 anos, que eu inclusive sugiro mexer por aqui pra ver se encontra algo do interesse dele, hahaha!

    Beijinho!
    www.controversos.com

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    1. Oi, Carol!
      Ah, super incentive o seu irmão. Ainda mais se você tem algo que pode chamar a atenção dele. Ele está em uma idade ótima para livros.

      bjs

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  3. Olá Bianca,

    Gostei do post, cuido muito bem dos meus livros e tenho muito cuidado para não estragar e nada mais, mas ensinei a minha filha a ter cuidado também e ele entende bem, crianças se explicar direitinha não tem problema, ela já tem os delas.Bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Marco!
      Sim, se explica bem com as crianças e vai repetindo, eles entendem. São uns queridos, aqui em casa eles já estão aprendendo o que é o livro deles e o que é meu, a colocar os livros no chão para abrir (já que eles ainda não tem força/coordenação para segurar eles e abrirem). São muito queridos, a gente só tem que lembrar que acidentes podem acontecer, mas que a a experiência deles vale muito mais do que o livro, que a gente pode sempre substituir.

      bjs

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  4. Livro bom, é livro que a criança pode tocar, rasgar e olhar. Faz parte da infância. Claro que os delas né..kkk :)
    Mas o que mais me deixa indignada é as pessoas que não deixam as crianças pegar nos livros. Lembro de uma vez que dei livros para um priminho meu de uns 5 anos de idade, e a mãe dele pegou e disse, vamos guardar para não estragar. Aff.. mas eles não foram feitos para serem guardados, e sim para serem lidos...

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Oi, Monique!
      Sim! auhsuahsuahsuahs Ragas faz parte, especialmente quando são tão novinhos assim. Aqui em casa a gente da revista velha, eles vão passando as páginas e a gente vai inventando história para as fotos, acham o máximo. Toda a forma de estimular a imaginação deles e o interesse pelos livros/revistas é válido.
      Fico bem chateada quando as pessoas querem guardar livro como algo intocável, especialmente quando você dá ele pra criança. Já fazem livros especiais para eles (os de plástico para o banho, com folhas grossas que não rasgam/amassam fácil) que é para aumentar a durabilidade e contato, e aí o pessoal quer guardar... Pra que, né? Eu não compro livro só pra prateleira, compro pra ler. E o mesmo vale para as crianças.

      bjs

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  5. Olá, Bibs.
    Eu já tive pavor das pessoas estragarem meus livros. Mas ultimamente estou me desapegando. Claro que cuido e muito bem, mas tem tantas coisas mais importantes na vida do que eles. Esses dias minha gata fez xixi na minha estante e me deu um treco, mas dai pensei, o livro eu compro outro, minha gata não hehe. E se tivesse crianças por perto eu deixaria pegarem sem problemas. Até já estou emprestando para uma filha de uma amiga, mas os livros que tenho aqui ainda não dá para ela ler hehe.

    Prefácio

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    1. Oi, Sil!
      Exatamente o que eu penso. Não vou descuidar dos livros ou estragar de propósito, mas se acontecer um acidente, a gente pode sempre comprar mais né? Livro a gente pode repor fácil. Cansei de ter neura por causa disso, é muito desgastante.

      bjs

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  6. Oi Bibs! Que texto lindo! Eu já fui bem neurótica com meus livros tb, mas hoje eu estou mais desapegada, alguns não quero me desfazer, mas não tenho mais essa coisa de manter fora do alcance das crianças, acho que estou aprendendo a me desapegar rsrsrss

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi, Mi!
      Também já fui muito neurótica, mas é desgastante demais. Muito chato. Muito cansativo. Aos poucos fui percebendo que o que importa é o conteúdo, e não a aparência. Cheguei a um ponto em que não tô estragando de propósito, mas não tô pirando com acidentes ou outras pessoas chegando perto/pegando. Desapego faz bem.

      bjs

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  7. Achei a ideia bonita, mas não conseguiria praticá-la jamais. Eu sou do tipo de pessoa que não suporto quando tocam nas minhas coisas (ainda mais sem pedir permissão), então deixo meu quarto fechado quando vem crianças aqui em casa (ainda bem que quase todas já cresceram). Meu sonho é estar bem velhinha com uma biblioteca enorme em casa, com livros em perfeito estado, por essa razão sou meio neurótica com esse tipo de coisa mesmo hehehe.

    Toca da Lebre

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    1. Oi, Nanda!

      Não gosto que toquem sem pedir permissão também, mas criança assim pequena não tem como né. aushaushaushaushaush Meu sonho é ter uma biblioteca enorme, cheia de livros com muitas história, marca de lido e história de quem leu. Acho lindo lindo <3 Já fui muito neurótica com os livros, mas era muito cansativo. aushuahsuahsuahsuahsuahs

      bjs

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  8. Oi Bianca, tudo bem?
    Adorei o seu post.
    não tenho criança frequentando minha casa, mas eu acho que esse é um ponto super importante. Elas devem ser incentivadas desde o começo com a leitura.E quando tiver alguma criança por aqui tenho diversos livros para ela poder se interagir com ele.

    bjs

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    1. Oi, Denise!

      Definitivamente, se a gente quer um mundo de leitores, precisamos incentivar aqueles próximos de nós, né? E nunca é cedo demais para começar. Sem contar que o contato com livros não só estimula a imaginação e induz o hábito de leitura, mas também colabora para o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. Super importante <3

      bjs

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  9. Oi Bibs,
    Que texto maravilhoso, achei tão lindo seus priminhos por aí. Depois que me mudei, raramente a casa fica com os pequenos, era mais quando morávamos no mesmo quintal. Também ando mais desapegada dos meus livros, e é melhor pra doar. Tudo que não pretendo reler, mesmo tendo gostado e MUITO, já coloco pra doar e seus primos se interessarem em ler pq não?

    Meu primo tinha mania de pegar os bonecos da minha estante, principalmente o Quico kkkk daí ele queria ficar e pegava pra levar pra casa, era quando eu ficava brava kkkk.

    bjs
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Oi, Nana!
      Quando os livros não me interessam mais eu geralmente troco no sebo ou coloco pra sorteio no blog, mas tem uns que a gente fica "ah, não quero mais", mas ai vai pegar pra doar/vender/sortear e fica com dó UHASUHASUHAUSHAUSHAUSH tem toda uma história por trás da compra de cada livro.
      E eu tô louca para que eles cheguem na idade de alguns livros, tô com O Guia do Mochileiro das Galáxias ainda lacrado aqui, que é pra gente ler juntos. Sem contar O Mágico de Oz, que amo do fundo do coração.
      Criança é fogo, né? AUHSUASHUASHAUSAHUSUAHS

      bjs

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  10. Obrigada pelo tapa na minha cara que eu estava precisando tomar. Tenho um filho de quase três anos. Desde sempre eu leio pra ele. Mas tenho pavor de imaginar ele rasgando meus livros. Eu surtaria. Eu tenho uma prateleira no meu criado mudo, bem baixinha, que tem todos os livrinhos dele. Livros do Itau criança, livros que ele ganhou das avós e de outros parentes. Eu sei que ele é capaz de destruir livros porque ele já destruiu alguns. E livros que eu cuidava com muito zelo. E me parte o coração. Ele rasgou a Bíblia do bebê que ele ganhou quando nasceu. Eu quis pegar ele pelo pescoço, mas não o fiz. Expliquei pra ele que os livros são como brinquedos cheios de palavras, e que se a gente rasga eles, as palavras vão todas embora e não tem mais como brincar. Ontem ele me pediu pra ler uma história. Peguei o livrinho de Janeiro (ele tem essa coleção com todos os meses do ano. Uma histórinha pra cada dia.) e fui ler a história do dia. Conforme eu vou lendo, ele vai me mostrando as figuras daquilo. É uma graça. Mas ainda é um desafio. Ele é muito ativo e não gosta de ficar sentado. Eu nem consigo chegar ao final de uma história de uma página.

    Vidas em Preto e Branco

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    1. Oi, Lary!
      Criança pequena é um desafio, né? Aqui eles também não param muito para focar em uma coisa só (principalmente meu sobrinho). Li que o foco de atenção das crianças é o mesmo da idade deles, em minutos. Pegar o hábito é algo que vai levando tempo mesmo e de fato, acidentes acontecem. Pode ser que estraguem o livro enquanto manuseiam, mas o que a gente tem que lembrar é livro a gente pode sempre repor né? É triste quando eles estragam, tinha um aqui em casa que oferecemos para eles e o livro nem existe mais, minha mãe até tentou montar ele de novo, mas não rolou. Deu dó, mas foi com aquele que eles aprenderam a abrir os livros, a sentar e por no colo para folhear, hoje tratam os livros muito melhor. Tudo é experiência e as vezes o livro rasgado vale muito mais do que o intacto.
      Você está fazendo um ótimo trabalho, por mais que ele ainda não sente para escutar a história toda, você tá mostrando pra ele que elas existem e bem ao alcance dele, conforme for crescendo, aposto que vai crescendo o amor dele pelos livros e pelas histórias também. Parabéns!

      bjs

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