Resenha: O Dueto Sombrio - Victoria Schwab

  • 09:00
  • 31 de jul. de 2018
  • Resenha: O Dueto Sombrio - Victoria Schwab

    O Dueto Sombrio é o volume final da duologia iniciada em A Melodia Feroz. Escrito pela grandiosa V.E. Schwab e publicado aqui pela Editora Seguinte - que cedeu o exemplar para esta resenha - é um fim melancólico e sombrio para uma história cujos monstros nasceram da própria humanidade. Da falta dela.

    Conheça outras histórias da Schwab:

    Essa resenha vai conter alguns spoilers do primeiro volume.

    A sequência se inicia alguns meses depois da partida de Kate para longe de Veracidade e de todas as lembranças e pesadelos que deixou para trás. August é agora um respeitado líder da força tarefa responsável pela caça aos monstros que habitam a cidade, marcado pela dureza e pelas consequências das suas escolhas. Kate, à distância, se tornou uma caçadora temida em meio aos poucos moradores de Prosperidade que sabem sobre a existência dos monstros.

    Ela sabia de algo mais: havia dois tipos de monstros, o tipo que caçava nas ruas e o que vivia dentro da sua cabeça.

    Quando uma nova criatura espreita as noites turbulentas desse mundo marcado pela violência, Kate entende que a única maneira de ajudar é voltando para sua casa - e confrontando tudo a assombrou e ainda assombra.

    Se eu tivesse que definir O Dueto Sombrio em poucas palavras seria mais ou menos assim: não dá pra largar.


    A partir do momento em que você inicia a leitura, pare a sua vida porque você não vai querer deixar ela de lado. Schwab estabelece um ritmo frenético desde a primeira página, intercalando os pontos de vista de Kate, August, de Sloan - o principal antagonista da história - e, por fim, do novo monstro. Com o cenário já estabelecido no primeiro volume, aqui a palavra-chave é consequência. As consequências de crimes, de escolhas, de abandonos, da violência, acima de tudo.

    Violência gera violência, e atos monstruosos geram monstros.

    Os monstros desse mundo são gerados por atos violentos, e todos os personagens carregam um pouco disso dentro deles. Especialmente Kate - a mais fascinante dentro da trama desse livro.

    Aterrorizada pelos acontecimento do fim de A Melodia Feroz e perseguida por eles a cada passo que deu para longe de Veracidade, Kate confronta o novo monstro e é a única capaz de entendê-lo. De ver o que o move. De ouvi-lo e vislumbrar um pouco através dos seus olhos. Kate e o monstro são um espelho um do outro; ela, tentada pela violência, pela fúria, por pequenas sensações que a colocam em um caminho de caos e destruição - um caminho sem volta. Ele, uma sombra, muita incerteza e quietude.

    Resenha: O Dueto Sombrio - Victoria Schwab

    O confronto silencioso entre a Kate e o monstro e suas escolhas é fascinante. Enche a trama de tensão. A personagem é aquilo que conhecemos: a garota corajosa, sem farpas na língua, disposta a tudo para fazer a coisa certa. Mas o que é esse tudo? Até onde Kate está realmente disposta a ir pelo pouco que ainda resta? Sua relação com Veracidade e com August são as únicas bússolas a guiá-la; seu verdadeiro norte, a ordem para todo o pandemônio que ela vive.

    - Você pode afastar um corsai com luz e tirar as presas da boca de um malchai, mas como deter a canção de um sunai?

    A aura que O Dueto Sombrio estabelece em seus protagonistas é de melancolia e terror, acima de qualquer coisa. Terror do desconhecido e do conhecido, tristeza pela realidade tenebrosa em que vivem e pela esperança que ainda cultivam. Schwab entrega isso tão bem que foi impossível não sentir desespero e nervosismo e aquela necessidade gritante de ouvir um "vai ficar tudo bem", ainda que nada no cenário incline nessa direção.

    August, por outro lado, já está abraçado pelas sombras. Para cumprir seu papel na força tarefa e ser o soldado exemplar, o líder em quem todos podem confiar, ele aceitou sua máscara monstruosa e a usa como parte de uma armadura. O August doce e gentil que buscava a humanidade acima de qualquer coisa ainda existe, mas está escondido. Silenciado.

    Resenha: O Dueto Sombrio - Victoria Schwab

    Com a chegada de Kate, no entanto, vislumbres dele se assomam e sombreiam o monstro. Com Kate, August é tudo de humano, representa o coração e a alma que ele sabe que não tem.

    Em contraponto a esses dois, temos Sloan. Um monstro por completo, guiado pela cobiça e pelo desejo da violência. Um líder cruel e assustador que usa a lábia e sua presença aterradora para perseguir e orquestrar. O que o move é a sede de sangue, de poder, de caos - e, considerando o cenário horroroso em que todos eles vivem, nas noites marcadas por urros e por tragédias, Sloan sabe como mover suas peças para criar um jogo perfeito.

    A noite estava cheia de monstros, e ele precisava caçar.

    Além deles, personagens secundários enriquecem a trama e se erguem como pilares e como indivíduos próximos aos protagonistas. A família de August - Henry e sua liderança, Emily e sua seriedade, Ilsa e a doçura tão oposta à sua existência monstruosa - é importante para ele, mas está ali como a parte mais humana da história. A que não lida com o desejo de violência, que existe para resistir.

    Uma adição interessante foi a do sunai Soro - um monstro nascido de uma grande catástrofe, tal como August. Muito mais conciso e menos tentado do que o garoto que conhecemos, mas ainda assim menos medonho e mais próximo de um humano.

    Como eu mencionei ali em cima, O Dueto Sombrio não é um livro alegre. Não tem muito espaço nele para revolução e esperança - pequenos espaços, sim, e essenciais para o desenvolvimento da trama. Mas ele é muito mais construído em cima das sombras e do medo e de questionamentos; o que faz de um humano um monstro? Qualquer ato violento? O que aproxima um monstro da humanidade? Qualquer ato gentil? São críticas sutis e discussões geniais que se encaixam com perfeição em toda a trama, que fecham a duologia com perfeição.

    A edição da Seguinte, como sempre, é maravilhosa. Eu sou completamente apaixonada pelas capas desses livros e ergueria um pedestal para venerá-las se pudesse.

    No mais, para quem quer se aventurar em uma Fantasia densa e inquietante, com personagens caóticos que carregam muita fúria e muitos traços humanos, A Melodia Feroz e O Dueto Sombrio são a pedida perfeita. Eu, com certeza, vou indicá-los para todo mundo por muito tempo.

    Sinopse: Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências. Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.

    Título original: Our Dark Duet
    Autora: V. E. Schwab
    Editora: Seguinte
    Tradução: Guilherme Miranda
    Gênero: Fantasia | Young Adult
    Nota: 5 +
    SKOOB

    Se você gosta de histórias como essa, pode curtir a leitura de Belles, da Dhonielle Clayton.

    1. Ainda não peguei essa história por ser meio sombria, e não faz muito meu estilo, MAS, mesmo assim, tenho muita curiosidade.. quem sabe uma hora dessas..

      www.vivendosentimentos.com.br

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    2. Cara eu to lendo esse livro e adorando. Eu amei o primeiro e não imaginava que iria gostar tanto.
      Estou empolgada com esse segundo e espero gostar do final.

      Seguindo o Coelho Branco

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    3. Olá, Denise.
      Fiquei até mais animada agora. Comprei esse livro e estava doida para começar a ler. Mas dai fui lendo as resenhas e parece que ninguém gostou do livro. Por isso fiquei com medo de ler e não gostar também. mas agora vendo sua opinião, acho que é mais ou menos o que eu esperava do livro e assim que der vou ler ele.

      Prefácio

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    4. Oi Denise! Lá no blog quem leu foi a Ariane e ela teve uma opinião parece com a sua. Realmente não parece um livro alegre, com final feliz, mas sim uma obra para refletir e isso é bem interessante. Já li outro livro da autora e gostei bastante da escrita dela, espero curti esses também.

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    5. Oi, Nizz!
      Mulher, estava doida por sua resenha. Gente, esse livro me acabou e muito! Fiquei bem devastated.
      Sloan, nossa... só de lembrar desse embuste, me sobe uma raiva e ranço terríveis.
      Eu adorei como a Schwab utilizou a violência nos seus livros. E o final... não queria acreditar, mas vida que segue...
      Beijos
      Balaio de Babados

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