Resenha: O Dueto Sombrio - Queria Estar Lendo

Resenha: O Dueto Sombrio

Resenha: O Dueto Sombrio

O Dueto Sombrio é o volume final da duologia iniciada em A Melodia Feroz. Escrito pela grandiosa V.E. Schwab e publicado aqui pela Editora Seguinte - que cedeu o exemplar para esta resenha - é um fim melancólico e sombrio para uma história cujos monstros nasceram da própria humanidade. Da falta dela.
Sinopse: Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências. Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.
Essa resenha vai conter alguns spoilers do primeiro volume.

A sequência se inicia alguns meses depois da partida de Kate para longe de Veracidade e de todas as lembranças e pesadelos que deixou para trás. August é agora um respeitado líder da força tarefa responsável pela caça aos monstros que habitam a cidade, marcado pela dureza e pelas consequências das suas escolhas. Kate, à distância, se tornou uma caçadora temida em meio aos poucos moradores de Prosperidade que sabem sobre a existência dos monstros.

Quando uma nova criatura espreita as noites turbulentas desse mundo marcado pela violência, Kate entende que a única maneira de ajudar é voltando para sua casa - e confrontando tudo a assombrou e ainda assombra.
Ela sabia de algo mais: havia dois tipos de monstros, o tipo que caçava nas ruas e o que vivia dentro da sua cabeça.
Se eu tivesse que definir O Dueto Sombrio em poucas palavras seria mais ou menos assim: não dá pra largar.


A partir do momento em que você inicia a leitura, pare a sua vida porque você não vai querer deixar ela de lado. Schwab estabelece um ritmo frenético desde a primeira página, intercalando os pontos de vista de Kate, August, de Sloan - o principal antagonista da história - e, por fim, do novo monstro. Com o cenário já estabelecido no primeiro volume, aqui a palavra-chave é consequência. As consequências de crimes, de escolhas, de abandonos, da violência, acima de tudo.

Os monstros desse mundo são gerados por atos violentos, e todos os personagens carregam um pouco disso dentro deles. Especialmente Kate - a mais fascinante dentro da trama desse livro.
Violência gera violência, e atos monstruosos geram monstros.
Aterrorizada pelos acontecimento do fim de A Melodia Feroz e perseguida por eles a cada passo que deu para longe de Veracidade, Kate confronta o novo monstro e é a única capaz de entendê-lo. De ver o que o move. De ouvi-lo e vislumbrar um pouco através dos seus olhos. Kate e o monstro são um espelho um do outro; ela, tentada pela violência, pela fúria, por pequenas sensações que a colocam em um caminho de caos e destruição - um caminho sem volta. Ele, uma sombra, muita incerteza e quietude.

Resenha: O Dueto Sombrio

O confronto silencioso entre a Kate e o monstro e suas escolhas é fascinante. Enche a trama de tensão. A personagem é aquilo que conhecemos: a garota corajosa, sem farpas na língua, disposta a tudo para fazer a coisa certa. Mas o que é esse tudo? Até onde Kate está realmente disposta a ir pelo pouco que ainda resta? Sua relação com Veracidade e com August são as únicas bússolas a guiá-la; seu verdadeiro norte, a ordem para todo o pandemônio que ela vive.
- Segura firme na raiva, na esperança ou no que quer que faça você seguir lutando.
A aura que O Dueto Sombrio estabelece em seus protagonistas é de melancolia e terror, acima de qualquer coisa. Terror do desconhecido e do conhecido, tristeza pela realidade tenebrosa em que vivem e pela esperança que ainda cultivam. Schwab entrega isso tão bem que foi impossível não sentir desespero e nervosismo e aquela necessidade gritante de ouvir um "vai ficar tudo bem", ainda que nada no cenário incline nessa direção.
- Você pode afastar um corsai com luz e tirar as presas da boca de um malchai, mas como deter a canção de um sunai?
August, por outro lado, já está abraçado pelas sombras. Para cumprir seu papel na força tarefa e ser o soldado exemplar, o líder em quem todos podem confiar, ele aceitou sua máscara monstruosa e a usa como parte de uma armadura. O August doce e gentil que buscava a humanidade acima de qualquer coisa ainda existe, mas está escondido. Silenciado.

Resenha: O Dueto Sombrio

Com a chegada de Kate, no entanto, vislumbres dele se assomam e sombreiam o monstro. Com Kate, August é tudo de humano, representa o coração e a alma que ele sabe que não tem.

Em contraponto a esses dois, temos Sloan. Um monstro por completo, guiado pela cobiça e pelo desejo da violência. Um líder cruel e assustador que usa a lábia e sua presença aterradora para perseguir e orquestrar. O que o move é a sede de sangue, de poder, de caos - e, considerando o cenário horroroso em que todos eles vivem, nas noites marcadas por urros e por tragédias, Sloan sabe como mover suas peças para criar um jogo perfeito.

Além deles, personagens secundários enriquecem a trama e se erguem como pilares e como indivíduos próximos aos protagonistas. A família de August - Henry e sua liderança, Emily e sua seriedade, Ilsa e a doçura tão oposta à sua existência monstruosa - é importante para ele, mas está ali como a parte mais humana da história. A que não lida com o desejo de violência, que existe para resistir.
A noite estava cheia de monstros, e ele precisava caçar.
Uma adição interessante foi a do sunai Soro - um monstro nascido de uma grande catástrofe, tal como August. Muito mais conciso e menos tentado do que o garoto que conhecemos, mas ainda assim menos medonho e mais próximo de um humano.

Resenha: O Dueto Sombrio

Como eu mencionei ali em cima, O Dueto Sombrio não é um livro alegre. Não tem muito espaço nele para revolução e esperança - pequenos espaços, sim, e essenciais para o desenvolvimento da trama. Mas ele é muito mais construído em cima das sombras e do medo e de questionamentos; o que faz de um humano um monstro? Qualquer ato violento? O que aproxima um monstro da humanidade? Qualquer ato gentil? São críticas sutis e discussões geniais que se encaixam com perfeição em toda a trama, que fecham a duologia com perfeição.

A edição da Seguinte, como sempre, é maravilhosa. Eu sou completamente apaixonada pelas capas desses livros e ergueria um pedestal para venerá-las se pudesse.
- Estou disposto a me entregar às trevas se isso mantiver os humanos sob a luz.
No mais, para quem quer se aventurar em uma Fantasia densa e inquietante, com personagens caóticos que carregam muita fúria e muitos traços humanos, A Melodia Feroz e O Dueto Sombrio são a pedida perfeita. Eu, com certeza, vou indicá-los para todo mundo por muito tempo.

Título original: Our Dark Duet
Autora: V. E. Schwab
Editora: Seguinte
Tradução: Guilherme Miranda
Gênero: Fantasia | Young Adult
Nota: 5 +
Skoob

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COMENTÁRIOS

5 comentários:

  1. Ainda não peguei essa história por ser meio sombria, e não faz muito meu estilo, MAS, mesmo assim, tenho muita curiosidade.. quem sabe uma hora dessas..

    www.vivendosentimentos.com.br

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  2. Cara eu to lendo esse livro e adorando. Eu amei o primeiro e não imaginava que iria gostar tanto.
    Estou empolgada com esse segundo e espero gostar do final.

    Seguindo o Coelho Branco

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  3. Olá, Denise.
    Fiquei até mais animada agora. Comprei esse livro e estava doida para começar a ler. Mas dai fui lendo as resenhas e parece que ninguém gostou do livro. Por isso fiquei com medo de ler e não gostar também. mas agora vendo sua opinião, acho que é mais ou menos o que eu esperava do livro e assim que der vou ler ele.

    Prefácio

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  4. Oi Denise! Lá no blog quem leu foi a Ariane e ela teve uma opinião parece com a sua. Realmente não parece um livro alegre, com final feliz, mas sim uma obra para refletir e isso é bem interessante. Já li outro livro da autora e gostei bastante da escrita dela, espero curti esses também.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Oi, Nizz!
    Mulher, estava doida por sua resenha. Gente, esse livro me acabou e muito! Fiquei bem devastated.
    Sloan, nossa... só de lembrar desse embuste, me sobe uma raiva e ranço terríveis.
    Eu adorei como a Schwab utilizou a violência nos seus livros. E o final... não queria acreditar, mas vida que segue...
    Beijos
    Balaio de Babados

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