Resenha: The Invisible Life of Addie LaRue

  • 09:00
  • 20 de nov. de 2020
  • Resenha: The Invisible Life of Addie LaRue

    Mais um livro que me coloca num beco sem saída, porque eu simplesmente não sei como explicar em palavras o que foi a leitura de The Invisible Life of Addie LaRue. É, definitivamente, o trabalho da vida da V.E. Schwab e nota-se desde a primeira até a última linha.

    Sinopse: Uma vida que ninguém irá se lembrar. Uma história que nunca esquecerás. França, 1714: Quando Addie LaRue faz um pacto com o diabo, ela troca sua alma pela imortalidade. Mas sempre há um preço: ela é amaldiçoada a ser esquecida por todos. Assim se inicia a extraordinária vida de Addie, e uma aventura deslumbrante que a leva através de séculos e continentes, através da história e da arte, enquanto uma jovem mulher aprende até onde irá para deixar a sua marca no mundo. Sua única companhia nessa jornada é o diabo de olhos verdes, que a visita todos os anos no dia do aniversário do pacto. Sozinha no mundo, Addie não tem escolha a não ser confrontá-lo, compreendê-lo, talvez vencê-lo. Mas tudo muda quando, após quase 300 anos, ela encontra um garoto em uma livraria de segunda mão em Manhattan, e ele se lembra dela. De repente, de volta a uma vida real e normal, Addie percebe que não pode escapar do seu destino para sempre.

    Na história, estamos na França durante os anos 1700, em uma pequena vila no meio do nada. Adeline LaRue confronta o finito em uma crise de pânico, forçada a se casar jovem, e foge para a floresta a fim de oferecer qualquer coisa em troca de liberdade. Só que, quando ela pede para um deus, é a escuridão que responde, e eles selam um acordo: Addie dá sua alma em troca da imortalidade.

    O preço? Ninguém além da escuridão vai se lembrar dela. Addie é imortal, mas seu rosto, seu nome, sua história - tudo isso se apaga assim que a pessoa que a conhece vira de costas para ela. O livro transita, então, entre os primeiros anos de imortalidade e seu presente, trezentos anos depois, em Nova York - com uma Addie mais madura e ciente de sua maldição.

    É em meio a esse marasmo que ela conhece Henry e, para seu completo choque, percebe que o rapaz se lembra dela. Trezentos anos depois, Addie deixou de ser invisível para alguém.

    Livros, ela descobriu, são uma maneira de viver milhares de vidas - ou de encontrar forças para aguentar uma vida muito longa.

    Eu... Nem sei por onde começar? The Invisible Life of Addie LaRue me atraiu desde que a Schwab anunciou que estava finalizando o arquivo; ela demorou dez anos para escrever esse livro, e dá para perceber isso em cada frase, palavra e cena. É um trabalho impecável - mas não sem falhas - e emocionante e melancólico do começo ao fim.

    Eu vou começar citando os problemas que me incomodaram, e foi basicamente a falta de personagens de cor. Com exceção da melhor amiga de Henry, temos brancos em sua maioria - e eu entendo, no passado, a autora branca ter escolhido fazer de Addie uma garota branca, porque a vivência diferente da dela lá no século 18 seria uma narrativa distante da realidade da Schwab.

    E não importa o tamanho do seu desespero ou desejo, nunca reze para os deuses que respondem depois do anoitecer.

    Portanto, não considero uma falha nesse quesito; no presente, no entanto, incomoda no instante em que você percebe. Queria ter visto mais personagens diversos - pelo menos na questão das orientações sexuais ela não pecou, mostrando um leque de pessoas distantes do padrão heterossexual - e queria que Addie tivesse, em seus trezentos anos, se aventurado um pouquinho além da Europa e América da Norte. É um PROBLEMA? Não. Mas mostra uma visão muito eurocêntrica quando você tem a imortalidade e o esquecimento ao seu redor para conhecer O MUNDO.

    Enfim. Dito os probleminhas que me incomodaram, eu preciso gritar.

    Resenha: The Invisible Life of Addie LaRue

    ESSE LIVRO TEM UMA DAS NARRATIVAS MAIS BONITAS QUE JÁ LI NA VIDA! É uma poesia tão triste e solitária e desesperançosa, mas cheia de amor pelo mundo e pela infinidade de coisas que surgem no caminho da Addie com o passar dos anos e com seu amadurecimento a respeito da maldição que carrega.

    Sim, ela é esquecível - mas pode deixar seu legado através da arte, da literatura, da música. Sim, quem se apaixona por ela esquece esse sentimento - mas Addie guarda consigo as memórias e os momentos dos quais jamais vai se esquecer.

    Como você anda até o fim do mundo? 
    Um passo de cada vez.

    E ao mesmo tempo em que isso é bonito, é tão, tão triste. Com exceção de Luc - o deus da escuridão que tomou sua alma - Addie está sempre sozinha. E os primeiros anos de sua solidão são desesperadores porque ela não tem mais uma família, amigos, não tem mais um espaço em seu antigo lar; ela foi completamente apagada do mundo, mas precisa sobreviver nele.

    Eu amei como a autora construiu seus rompantes de absoluto terror e desamparo no passado para, com a quebra dos capítulos, mostrar a figura amadurecida e consciente e concisa que é Addie no presente; em Nova York, ela sabe o que fazer e quando fazer. Ela sabe quando virar as costas - até que, ao virar as costas para Henry em uma livraria, ele não se esquece dela.

    E todo o seu mundo vira de ponta cabeça, porque existe alguém, em trezentos anos, com que ela pode existir. Ser. Alguém com quem Addie pode dividir sua história, seu passado e presente, sua maldição.

    Sete sardas. Uma para cada amor que ela teve.

    Eu não quero falar muito do Henry porque a graça do personagem está justamente no mistério. Quem é ele? Por que ele se lembra da Addie? Por que ele carrega uma aura tão triste e soturna? As respostas chegam com o tempo, construindo tensão e suspense, e são arrasadoras. E importantes para o desenvolvimento da trama, principalmente para o seu final.

    Esse é um livro total e completamente dedicado a Addie LaRue. À sua memória, à sua existência, mesmo que completamente apagada do resto da história; ao que ela viveu e confrontou e temeu. Aos seus piores e melhores momentos e ao caminho que trilhou porque seguiu seu desejo. Egoísta e imaturo, sim, mas que ganhou tons mais conscientes com o tempo. Um desejo doloroso e impetuoso de viver para sempre - distorcido por uma escuridão debochada que resolveu apagá-la dessa eternidade, mas que não conseguiu apagar sua marca no para sempre.

    O que é uma pessoa, se não as marcas que ela deixa?

    Luc, aliás, tem grande destaque da metade do livro para sempre - e eu já estou preparada para revirar os olhos com comentários de que ele e Addie se apaixonaram e nasceram um para o outro e ela é a luz para a escuridão dele e toda essa baboseira sem sentido (mesma coisa que eu vivo quando escuto alguém dizendo que gosta de Darkling e Alina juntos).

    Personagens com o Luc e o Darkling manipulam, abusam (física e psicologicamente) e querem destruir a personagem até não sobrar nada além de uma sombra dela mesma.

    Resenha: The Invisible Life of Addie LaRue

    A ideia do Luc na história, pelo menos para mim, é o peso de um relacionamento abusivo sem fim. Ele é aterrorizante em alguns momentos e doce em outros, é tentador, sedutor, é belo e apaixonante, e então é furioso e perigoso; ele é um peso determinado a quebrar Addie para arrastá-la até a escuridão eterna, e ela se recusa a quebrar. Ela é forte, ela é teimosa e é incrível por isso. Ela sabe o quanto ele é nocivo, mas também sabe que não tem como se livrar dele a seus termos.

    Adeline LaRue não pode ser uma estranha aqui, para essas pessoas que ela sempre conheceu. Dói demais assistir enquanto se esquecem dela.

    A jornada de Addie LaRue fala, principalmente, sobre legado. Sobre a marca que você deixa no mundo. Para citar Hamilton, "o que é um legado? É plantar sementes em um jardim que você nunca vai ver florescer?"; eu me lembrei muito desse trecho enquanto lia, enquanto via Addie lutando contra a maldição para sussurrar inspirações em músicas e pinturas e esculturas, para deixar pequenos lembretes de que esteve ali. Viveu ali. Será lembrada ali.

    Quanto a mim, eu só posso dizer que todo esse livro vai ficar guardado no meu coração para todo o sempre. A história de uma garota que implorou por infinidade para a escuridão e, em meio a terrores e felicidades, trilhou sua história através de uma maldição.

    Lembrando que esse livro vai ser lançado aqui no Brasil em 2021 pela Editora Galera Record!

    Título original: The Invisible Life of Addie LaRue
    Autora: V.E. Schwab
    Editora: Tor Books
    Gênero: Fantasia | Romance
    Nota: 5+

    1. Olá,tudo bom?
      Olha, se eu soubesse ler em inglês começaria a ler esse livro hoje! Que premissa maravilhosa, que temática incrível! Saber o quanto foi bem desenvolvido e como a narrativa dele é bonita só me deixou ainda mais curiosa pela leitura! Amei demais sua resenha, vou esperar ansiosa pelo lançamento em 2021.

      Beijos!
      Polly
      http://www.entrelivrosepersonagens.com/

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    2. Oi, Denise
      A gringa está em pólvora com esse livro, mas eu ainda não decidi se quero ler ou não. Esse vai e volta me incomoda bastante nas histórias, mas como é Victoria, talvez eu dê uma chance. Graças a Deus ela não tem um relacionamento romântico com esse Luc, senão eu ia gritar credo.
      Amei a resenha, dá pra sentir todas as emoções maravilhosas do livro pelo seus comentários.
      Beijo
      http://www.capitulotreze.com.br/

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    3. É incrível, a sensação tem sido a mesma em todos que lêem. Impossível não ser tocado, não terminar o livro reflexivo e melancólico. Amei o cuidado em todas as palavras, a narrativa... É nítido todo o carinho da Schwab nesse livro! Independe de relação amorosa, a interação entre Addie e Luc é a cereja do bolo. Os momentos que ps dois dividem são um misto de emoções onde você simplesmente não faz idéia do que esperar. Definitivamente, um livro inesquecível.

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    4. Olá, Denise.
      Uma coisa que amo nos livros da autora é que a ideia principal é original e não se repete em seus livros. Todos que li dela até agora ainda não tinha visto em nenhum livro do gênero. E já preciso ler esse livro também hehe. Mas do jeito que a editora demora para lançar os livros dela por aqui nem vou ficar animada hehe.

      Prefácio

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    5. Mulher, quem acha o romance do Luc e da Addie lindo precisa de tratamento psicológico URGENTE!
      Esses detalhes que tu comentou, principalmente sobre a Addie ficar só ali na Europa e afins também me incomodou um pouco, mas de resto eu grito ÍCONE ATEMPORAL!!! Meu deus que livro lindo demais!!!!
      Beijos
      Balaio de Babados

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