Resenha: Atormentada - Queria Estar Lendo

Resenha: Atormentada

Resenha: Atormentada

Atormentada, livro de Jeannine Garsee, é um YA de terror que mistura doenças mentais e fantasmas em uma pequena cidade na tentativa de criar uma história sobre a linha entre o sobrenatural e as doenças mentais.
Sinopse: Rinn é uma garota bipolar, que mantém o transtorno sob controle com a ajuda de medicação. Ela mora com a mãe e estuda no Colégio River Hills, onde dizem que a piscina é assombrada por Annaliese, uma adolescente que se afogou ali vinte anos antes. Quando coisas terríveis começam a acontecer aos seus colegas e não a ela, Rinn promete descobrir por que não pode ser “atingida” pelo espírito de Annaliese. Ela consegue fazer contato com o fantasma, que não se mostra nada pacífico. Ao descobrir o motivo, Rinn pede ajuda para seu namorado Nate, e elabora um perigoso plano para descobrir a verdade. Logo realidade e fantasia se confundem, até Rinn perceber que é quase impossível diferenciá-las. Diante de uma força malévola que ameaça a vida de todos de quem ela gosta, Rinn se pergunta se de fato pode confiar no que sente ou se está novamente perdendo o contato com a realidade.
Rinn Jacobs tentou se matar três meses atrás, dois dias depois da morte de sua avó - que ela acredita ter causado. Ela também é bipolar e agora está se mudando para a cidade natal da mãe, já que seus pais estão se divorciando.

Ela está decidida a provar que pode ser confiável e que pode lidar com o que quer que coloquem em seu caminho, mas quando descobre que a piscina do colégio é assombrada pelo espírito de Annaliese, uma garota que morreu no lugar 30 anos antes, Rinn vê-se obcecada com a história e não vai parar até que tenha desvendado ela - especialmente quando parece que Annaliese está atacando a todos os seus amigos, mas é incapaz de alcançá-la.

Comprei Atormentada na bienal do ano passado porque tinha lido algumas resenha positivas. Esse ano, estou deixando que um sorteio decida o que vou ler - já que estou péssima para escolher minhas próximas leituras que não são de parceria - e acabei caindo com ele. Reli a sinopse e senti um estilo meio A Assombração da Casa da Colina, da Shirley Jackson, onde nunca sabemos se tudo que está acontecendo são realmente fantasmas ou uma doença da protagonista.

Mas não foi isso que encontrei. No começo a gente até fica achando isso. "Será que a Rinn tá imaginando isso? Será que está acontecendo?", mas lá pelo meio da leitura já fica bem nítido o caminho que a autora escolheu.

Resenha: Atormentada

Eu gostei bastante da premissa da história, mas confesso que só cheguei até o fim para confirmar se a história de Annaliese era realmente aquela que eu imaginava - uma que a gente já descobre assim que descobrimos quem foi a garota. Não achei nada de muito original no plot, mas realmente fiquei interessada nele. No fim eu não consegui largar o livro - se foi só porque eu realmente queria terminar ele de uma vez ou porque a história me prendeu, não sei dizer. Como todo brasileiro, eu sou bem movida ao ódio também. Então vai saber, né?

Os personagens não são aquilo tudo. Como falei no Li Até a Página 100 do livro, Rinn era OK quando estava sozinha ou com a mãe, mas com as amigas ela ficava insuportável e bastante incongruente com as atitudes. O romance dela com o Nate foi bem "não me importo", também. Foi bem romance miojo, sem contar que ela não queria contar nada para ele, mas era só ele falar A que a Rinn já tava O QUE FOI NATE MEU AMOR QUER O MUNDO EU TE DOU.

Outra coisa que me deixou bem chateada com o livro é como a autora deixava a Rinn se referir ao transtorno bipolar, sempre, como loucura. Eu entendo que quando o personagem ainda está em conflito com a sua condição, quando não a aceita ou entende, essa é uma forma ~natural se de referir a doenças mentais, mas a Rinn já tinha passado desse estágio. E esse é um termo bem prejudicial para pessoas que tem de conviver com esses transtornos e doenças mentais. É um estigma muito ruim e que afasta as pessoas de realmente compreender o que isso significa, apenas excluindo uma parcela significativa da população.

Além disso, a autora parecia não saber exatamente o que significa uma pessoa com Transtorno Bipolar, usou elementos de esquizofrenia e só pareceu que ela, realmente, não sabia sobre o que estava escrevendo. Ela só queria algo que transformasse a Rinn em uma pessoa que não pudesse ser completamente confiável, e aí encheu o livro com estereótipos e achismos sobre essas condições e pronto. Foi muito desapontante.

Resenha: Atormentada

E, por fim, Jeannine até estava construindo um terror interessante, ao menos até o clímax. Meu tipo de terror preferido é aquele que não me MOSTRA o monstro, é aquele que deixa a dúvida de se algo realmente aconteceu, e a forma como clímax foi feito, a solução que ela encontrou para os problemas da narrativa - do tipo "como mostrar o que aconteceu com Annaliese?" - foram muito non sense e risíveis.

O clímax não trouxe tensão alguma e me deixou rindo de vergonha alheia. O último parágrafo foi MUITO bom, mas perde toda a força com o clímax que teve e, por consequência, perde muitos pontos na nota final por causa disso.

Atormentada, apesar de ter um premissa interessante, peca em muitos pontos e não foi uma leitura agradável. Mas se você consegue relevar os pontos citados acima e tem interesse em uma história de assombração, pode ter alguns momentos interessantes com o livro.

Título Original: The Unquiet
Autora: Jeannine Garsee
Tradutora: Denise de C. Rocha Delela
Editora: Jangada
Gênero: YA - Terror
Nota: 2,5
Skoob

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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Oiii Bibs

    çE complicado o autor querer falar de um tema sem entender à fundo o assunto, principalente quando falamos em doenças como derepssão, transtorno bipolar oua té mesmo TOC. Uma pena que o livro tenha pecado em tantos aspesctos. Eu acho que não leria, apesar da premissa, nunca me chamou muito a atenção.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  2. Oi Bibs, tudo bem?

    Tratar bipolaridade como loucura foi uma boa fora da autora. E é uma pena que a leitura não foi satisfatória, tinha tanto potencial, mas acontece....

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  3. Oi Bibs, tudo bem? Pra início de conversa, geralmente acho histórias de terror, thriller e suspenso bem interessantes, mas não sou uma leitora para esses gêneros, porque sou muito medrosa, tipo nível máximo mesmo. Realmente a sinopse deixa a entender que a história é muito instigante, mas poxa, a autora deveria ter se cercado de maiores informações a respeito de doenças que estava tratando, não se pode trazer histórias que envolvam doenças mentais a um livro (mesmo que de ficção) e fazer referências erradas com informações inadequadas. Com certeza não vou ler o livro, uma pena que o sorteio para essa leitura não foi tão proveitoso.
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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