Resenha: À Beira da Loucura - Queria Estar Lendo

Resenha: À Beira da Loucura

Resenha: À Beira da Loucura

À Beira da Loucura é o mais recente lançamento da autora de Entre Quatro Paredes, B.A. Paris. Publicado pelo Grupo Editorial Record - que enviou este exemplar de cortesia para a resenha - a obra acompanha uma personagem tendo que lidar com paranoias e desconfianças enquanto tenta entender um assassinato que, sem querer, acabou em seu caminho.
Sinopse: Cass está sendo consumida pela culpa desde a noite em que viu uma mulher dentro de um carro parado na estrada perto de sua casa, durante uma terrível tempestade, e tomou a decisão de não sair para ajudá-la. No dia seguinte, aquela mesma mulher foi encontrada morta naquele exato lugar. Cass tenta se convencer de que não havia nada que pudesse ter feito. E, talvez, se tivesse ido ajudá-la, poderia ela mesma estar morta agora. Mas nada disso é o suficiente para aplacar a angústia que sente, principalmente considerando o fato de que o assassinato aconteceu ali do lado, bem perto de sua casa isolada ― e que o assassino ainda está à solta. Então, depois da tragédia, Cass começa a ter lapsos de memória: não consegue se lembrar de ter encomendado um alarme para casa, não sabe onde deixou o carro, muito menos por que teria comprado um carrinho de bebê quando nem filhos tem. A única coisa que ela não consegue esquecer é Jane, a mulher que poderia ter salvado, e a culpa terrível que a corrói por dentro. Tampouco consegue esquecer as ligações silenciosas que vem recebendo, nem a sensação de que está sendo observada. Seria possível que o assassino a tivesse visto, parada no acostamento, enquanto decidia se ajudaria a mulher ou não? Será que ele está tentando assustá-la para que ela não conte nada à polícia? Mas como alguém poderia acreditar em seus temores quando nem mesmo ela é capaz de saber o que é verdade e o que é mentira? E como Cass pode acreditar em si mesma quando tudo ao seu redor parece provar que está ficando louca?
Cass está voltando para casa de uma festa, durante uma tempestade, quando avista um carro parado na estrada deserta do bosque. Por causa da chuva, ela decide que não vale a pena chamar a mulher dentro do veículo - uma vez que ela obviamente não parece querer carona - e vai para casa. No dia seguinte, Cass descobre que essa mulher foi assassinada naquele mesmo lugar; e o assassino ainda está a solta.

Não bastasse isso, ela ainda precisa lidar com lapsos de memória que começam a perturbar sua rotina e a inquietante ideia de que alguém está acompanhando todos os seus passos.

À Beira da Loucura me ganhou na premissa, mas me perdeu na execução. O livro tem um que de A Mulher no Trem e eu estava animada para conferir a narrativa, uma vez que a Bianca gostou muito do que a autora entregou em Entre Quatro Paredes. Infelizmente aqui, B.A. Paris parece ter escorregado, em muito, na hora de desenvolver a coisa mais importante no livro do gênero: os seus personagens.


Resenha: À Beira da Loucura

Quando você tem uma investigação e um mistério, a coisa principal a fazer é criar um laço de empatia entre o leitor e o protagonista, pelo menos com alguns coadjuvantes também, para que a tensão e o medo de que algo aconteça te acompanhem durante toda a leitura. Aqui, eu não poderia ter me desligado menos de cada personagem que foi apresentado.
Permiti que meus próprios temores se colocassem no caminho da verdade. E estou pagando muito por isso agora, penso quando me deito na cama.
A sensação que a narrativa passou foi quase mecânica. Cass, mesmo sendo a voz da história, era robótica e foram poucas as vezes em que sua paranoia realmente funcionou para me deixar desesperada. Cass não tinha personalidade, dependente ao extremo do marido e das circunstâncias para funcionar além de sua rotina. Entendo em parte o que a autora quis mostrar com isso, mas poderia ter sido muito melhor e mais trabalhada para estalar aquela faísca de empatia necessária pra que a gente queira continuar a leitura.

Michael, seu marido, é o pilar de segurança de Cass e igualmente mecânico por causa disso. Ele está ali nas horas de desespero e para ser a voz de calmaria durante os lapsos de esquecimento da protagonista, mas é só isso. Tal como Rachel, sua melhor amiga e irmã de criação, Hannah e outros nomes que aparecem no decorrer da trama. Mesmo as participações que deveriam levantar uma pulga atrás da orelha para a história não servem para isso exatamente por só... estarem ali. Apareciam, rolava um diálogo, cena continuava, fim. Não tinha emoção; aquela coisa gostosa de um thriller de te deixar nervosa tentando adivinhar o que está acontecendo.
- Eu devia estar no mundo da lua. 
Amnésia periódica, era o que dizia a enfermeira que costumava examiná-la. Será que eu também estive lá, no mundo da luz? Pela primeira vez na vida, a lua me pareceu um lugar ruim.
E o mistério? Mesmo eu, que geralmente demoro bastante pra me ligar do que está acontecendo, matei a charada logo de cara. A história parece se esforçar muito pouco para esconder a obviedade dos mistérios. É previsível e, somado aos personagens enfadonhos, não dá emoção de acompanhar. As paranoias de Cass funcionam no começo, mas acabam se tornando um artifício repetitivo. Não serve para te confundir, só pra enrolar a trama. E, considerando que toda a história se desenvolve em volta dessa investigação, eis o motivo de ter sido um livro tão decepcionante.


Resenha: À Beira da Loucura

A única coisa que realmente salvou a leitura para mim foi lá para os seus 75%, quando acontece uma "reviravolta" (previsível, como eu disse, mas pelo menos faz a narrativa andar) e Cass reage, enfim. Não é um momento muito emocionante ou chocante, mas serve para que você vire as páginas com mais avidez, ansiosa para ver o que vai rolar no fim. Também não é um fim marcante, mas coerente dentro da proposta do livro.

No mais, À Beira da Loucura pode ser uma boa leitura para quem quer começar a ler obras do gênero; aos mais acostumados com ele, talvez acabe escorregando exatamente nos pontos que eu critiquei - ou, quem sabe, pode te deixar com uma pulga atrás da orelha para saber até onde a paranoia da protagonista vai chegar.

Título original: The Breakdown
Autora: B.A. Paris
Editora: Record
Tadução: Claudia Costa Guimarães
Gênero: Thriller
Nota: 2
Skoob

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COMENTÁRIOS

8 comentários:

  1. Oi, Denise
    Eu não gosto de suspenses, mas um desses mal desenvolvidos é a morte. É chato quando o autor não se preocupa em deixar o leitor instigado a descobrir quem é o verdadeiro culpado, é como se toda a obra já fosse revelada o que desanima total, aliás, estamos falando de suspense, estamos pensando em surpresas e reviravoltas.
    É uma pena total que a leitura não tenha funcionado, eu provavelmente não leria.
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  2. Livro muito interessante, principalmente no final né? Uma pena que só fique bom no final.
    Gostei do seu blog. Estarei por aqui agora.
    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
    Fanpage
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  3. Oi, Denise!
    Eu amo o gênero, mas já não gostei muito de Entre Quatro Paredes. Pensei que esse pudesse ser diferente e talvez me entregar algo mais bacana, mas posso ver que me enganei hahaha Sei que eu deveria ler para tirar minhas próprias conclusões, mas a autora já errou comigo no primeiro livro, sabe? Então acho que prefiro ler outros que estão na lista do que passar esse na frente.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  4. Oi Denise!
    Não li nada dessa autora ainda! Quero muito ler Entre quatro paredes por conta das muitas resenhas positivas, e a premissa desse até me atraiu, mas sua resenha já me desanimou. Qnd os personagens não conquistam, não tem jeito cara.
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  5. Oi, Denise!
    Uma pena que o livro tenha te decepcionado na execução, te entendi completamente. Entregar tudo logo de cara não é mesmo muito legal, até porque é esse mistério que envolve a leitura.
    Adorei tua resenha!

    Beijos! Dear Masen

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  6. Oi, Nizz!
    Quando não consigo me conectar com os personagens ou me importar com eles, o livro já perde umas duas estrelas por isso.
    Pena que o autor não soube desenvolver a história... Eu sinto que perdi tempo quando isso acontece com algum livro que li.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  7. Olá, Denise.
    Esse livro entrou para minha lista de desejados quando vi que era da mesma autora de Entre Quatro paredes, que amei. Agora levei um balde de água fria lendo sua resenha hehe. É bom porque dai já não espero muito da leitura e talvez acabe gostando mais que você. Aconteceu isso comigo de não me conectar com os personagens em A garota do trem. Até por isso não achei a história tudo isso.

    Prefácio

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  8. Oi, Denise

    Que pena que houve esse porém com os personagens. Assim como a Bianca, eu adorei Entre Quatro Paredes e estou - apesar de suas ressalvas - cheia de expectativas em relação a este novo livro. Já estou com ele aqui e espero que nossas impressões sejam diferentes, mas, caso não sejam, estou avisada! hahahaha

    Beijo
    - Tami
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