Resenha: The Wicked King

  • 09:00
  • 25 de fev. de 2019
  • Resenha: The Wicked King

    A aguardada continuação de The Cruel Prince (O Príncipe Cruel) chegou às livrarias norte-americanas no começo deste ano e eu fui forçada a me dobrar ao capitalismo porque PRECISAVA deste livro; The Wicked King é uma sequência carregada em energia e tensão, com tramoias políticas e traições capazes de roubar seu fôlego do início ao fim.


    Sinopse: Após a revelação de que Oak é o herdeiro dos imortais, Jude precisa manter seu irmão mais novo em segurança. Para fazer isso, ela ligou o rei perverso, Cardan, a ela, e tornou-se o poder por trás do trono. Navegar pelas constantes alianças políticas dos imortais já seria difícil se Cardan fosse fácil de controlar. Mas ele faz tudo em seu poder para humilhá-la e miná-la, mesmo que seu fascínio por ela permaneça inalterado. Quando fica muito claro que alguém próximo a Jude quer traí-la, ameaçando sua vida e as vidas de todos que ela ama, Jude deve descobrir o traidor e lutar contra seus próprios sentimentos complicados por Cardan manter o controle como uma mortal na terra das fadas.

    Esta resenha pode conter alguns spoilers do primeiro volume.

    Depois de coroar Cardan como rei através do seu controle sobre ele, Jude se torna sua conselheira nos assuntos da coroa, o que a coloca em colisão direta contra os interesses de outros membros da corte; forte e manipuladora, ela sabe o suficiente do reino dos imortais por ter sobrevivido a ele por tanto tempo, mas será o bastante para lidar com o poder? Porque ele consome; não só ela, mas aqueles que o almejam também.

    Quando um inimigo iminente coloca os meses de tranquilidade do governo de Cardan em xeque, Jude precisa rever suas próprias alianças e procurar traidores nas sombras dos seus aliados. O tabuleiro de acordo com as regras feéricas é incerto, e mesmo uma mortal astuta como Jude pode escorregar na hora de tomar uma decisão.

    O poder é muito mais fácil de ser adquirido do que sustentado.

    Holly Black estabeleceu um universo fascinante impossível de esquecer. Nessa sequência, ela usa todos os artifícios que deram muito certo no primeiro volume para construir um cenário tenso e incerto, com tramoias políticas bem boladas e plot twists de te deixar de boca aberta.

    Resenha: The Wicked King

    Jude, minha adora e manipuladora Jude, continua uma protagonista impecável. Sua sede de poder é nítida e crescente e bate de frente com o lado humano e racional que ela ainda sustenta. Uma mortal jogando o jogo dos tronos em meio a imortais perigosos é de um risco absurdo, mas ela sabe quais peças mover; e, quando não sabe, se esforça para fazer parecer que tem o controle da situação.

    Eu ouvi dizer que, para mortais, a sensação de se apaixonar é parecida com a de sentir medo. Seu coração bate mais rápido. Seus sentidos ficam mais alertas. Você se sente desnorteada, até um pouco tonta. Estou certo?

    Eu gostei de que mesmo com essa postura mais régia e fria, Jude ainda tem seus momentos de incerteza e de fragilidade. Ela ainda é só uma garota - agora mais solitária, já que traiu o pai adotivo e se afastou das irmãs - lutando para sobreviver. A coroa está em suas mãos, o rei, preso às suas cordas para mover como bem desejar, mas Jude sabe que não pode contar só com isso. Para garantir que Cardan continue no trono e que a ordem continue, ela precisa dos aliados certos; e a ameaça de uma guerra chega no pior momento possível.

    Sua relação com os membros da Corte das Sombras e com os próprios conselheiros da coroa é marcada por incerteza. Com Cardan, essa incerteza é uma corda bamba - às vezes eles parecem em total sintonia, como se lessem o caos um do outro de maneira única. Às vezes soam distantes como os universos aos quais pertencem, dois órfãos sombrios e abandonados pelo mundo que encontram na crueldade e na manipulação um caminho para sobrevivência.

    "Me beije de novo. Me beije até que eu enjoe disso."

    Falar sobre o Cardan é muito difícil porque ele é tão bem construído que é impossível de entender; quando eu achava que havia fragilidade em sua fala, havia frieza. Quando a cena mostrava seriedade, havia um sorriso. Quando ele olhava com crueldade para Jude, havia entrega. Ele é um garoto perturbado e complicado e talvez por isso eu o ame tanto; carrega o mesmo tipo de caos selvagem da protagonista, o mesmo coração inalcançável que Jude teme entender dentro do próprio peito, quem dirá ao analisar o feérico com quem divide um laço de poder.

    Eu reitero que se encontrasse qualquer traço de abuso no relacionamento dos dois, não teria o respeito pela Holly como eu tenho; Cardan e Jude são os dois lados de uma mesma moeda. A mesma aura de pandemônio incrontrolável que o rei carrega, sua conselheira e representante também possui. Os momentos vulneráveis de Cardan são raros tais como os de Jude; eles cresceram com a crueldade e se tornaram imunes e parte dela - mas, talvez, consigam encontrar algo mais um no outro.

    "Me dê uma ordem novamente e eu mostrarei a você o que é se envergonhar. O joguinho do Locke não vai ser nada perto do que eu ordenarei que você faça."

    E com licença que esse livro desenvolve uma tensão sexual entre os dois que MISERICÓRDIA MEU DEUS. Quase morri.

    O cenário deslumbrante das terras imortais é um contraste à aura sinistra e mesquinha que seus habitantes carregam. Nomes que ganharam a história no primeiro livro aqui se desenvolvem dentro dos seus arcos individuais; a irmã de Jude, Taryn, lida com a proximidade do casamento e o afastamento da gêmea, enquanto seu noivo, o traiçoeiro Locke, se esconde entre as sombras e sorrisos tenebrosos e a máscara de servo das vontades de Cardan.

    Resenha: The Wicked King

    O livro explora um pouco mais sobre a Corte das águas, um império desconhecido que reside sob o oceano e que parece despertar para exigências que colocam o governo construído por Jude em risco. E, como eu disse, Holly constrói essa história através de intrigas políticas e tensões crescentes e entrega um final de tirar o fôlego - o tipo de fim que te derruba no chão e te deixa lá por horas a fio. Se eu puder te dar uma dica, é uma só: LEIA SÓ QUANDO TIVER O TERCEIRO VOLUME EM MÃOS!

    Se ele achasse que eu era mau, eu seria muito pior.

    The Wicked King pegou minhas expectativas, riu na cara delas e falou "querida, observe" com um tom jocoso, porque esse livro foi reviravolta atrás de reviravolta de deixar minha cabeça nas nuvens. Uma obra gloriosa que me deixou implorando por mais.

    Título original: The Wicked King
    Autora: Holly Black
    Editora: Little Brown
    Gênero: YA | Fantasia
    Nota: 5 +
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    1. Amei sua resenha, acredita que nunca li um livro de romance que envolvesse esse lado mais sensual? Vi que foram lançadas muitas obras assim no ano passado, mas ainda não li nenhuma. Já anotei a dica, quero muito conhecer mais a fundo essa história!

      https://www.kailagarcia.com

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    2. Ou Nizz!
      Confesso que passei um pouco por cima na resenha porque tenho medo de tomar spoler, mas, ansioso por essa série é como eu me diria. Ja tive outras experiencias bem ruins com a autora, mas to na fé que esse salvo. Era pra eu ter lido o primeiro agora em fevereiro, mas infelizmente, nao consegui. Vai ser o primeiro de março.

      Abraços
      David
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    3. Li a sua resenha segurando o folego. Que livro maravilhoso!!!

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    4. Oi Denise! Eu não li ela totalmente porque eu ainda quero muito ler Príncipe Cruel, não sei bem do que esperar da história mas só vejo comentários bons. Espero que eu goste.
      Essa capa é lindona demais!
      Beijo

      http://www.capitulotreze.com.br/

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    5. Que resenha maravilhosa, ela diz muito do que eu ainda não consegui expressar sobre esse livro.

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    6. Oi Denise, tudo bem? Eu ando tão afastada da fantasia, mas confesso que a premissa da série é bem interessante! E amei essa capa, achei lindíssima!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    7. Meuuuu Deus!! Q resenha foi essa? Quando eu penso que n tem como eu ficar pior com esse livro, vc faz uma resenha dessa Denise. Garota vc arrasou! Conseguiu estruturar um pouco do caos que The Wicked King deixou em mim. Nunca li descrições tão próxima do real de Jude e Cardan quanto essa sua. E de fato sua dica é certeira. Porque eu estou em êxtase por ter lido o livro, mas também sem saber como será o amanhã sem nem uma linhazinha desse universo que eu amo tanto. Morrer até 2020 esperando o próximo. Foi sua resenha de O príncipe cruel que me fez endoidar pelo livro e ler. E agora só li essa depois de ter lido o bendito. Mana, muito obrigada por essas resenhas mais do que espetaculares. O blog e vc é 5+. Bjss

      P.S.: Como vcs fazem para ler em inglês?? Help me. Muito mundo bom não é lançado aqui no Brasil e acabamos perdemos muitas viagens.

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