Resenha: Amor Letal

  • 09:00
  • 3 de out de 2019
  • Resenha: Amor Letal

    Amor Letal é o terceiro volume da série O Clã das Freiras Assassinas. Como um fechamento para a história iniciada em Perdão Mortal e Divina Vingança, vai além e te arrebata do início ao fim da leitura.

    Sinopse: Annith passou sua vida no convento de Saint Mortain aguardando ser enviada em missão, para lutar em nome do Deus da Morte. Por medo de ser punida ou rejeitada, durante seus anos de reclusão ela tentou ser sempre bondosa e obediente. Cobrava-se para ser a melhor, porém, em seu coração pairava a incerteza sobre seus dons e seu real valor como serva da Morte. Suas habilidades com arco e flecha e como lutadora sempre superaram a de todas as outras. Então, por que nunca a escolheram? Eis que Annith chega à conclusão de que existe algo errado no convento: a abadessa. Ao perceber isso, Annith decide ser dona de seu próprio destino e, num momento de extrema rebeldia, resolve fugir – ainda que isso signifique desafiar Mortain. Incerta e com medo sobre qual caminho seguir, ela aceita a ajuda de Baltazaar, uma das almas condenadas pelas irmãs do convento. Mesmo assim, Annith decide seguir seu caminho ao lado dele. No entanto, essa escolha pode ameaçar sua vida e seu grande amor.

    Nesse livro, a história é através dos olhos de Annith; deixada para trás no convento, ela espera ansiosa pelo dia em que receberá uma missão do deus da Morte a quem serve tão fervorosamente. Quando lhe é oferecida uma chance, no entanto, Annith precisa ir contra tudo o que a madre superiora e o convento lhe ofereceram, porque talvez seguir as ordens da instituição não seja o que o seu Deus destinou para ela. Talvez, para descobrir os seus caminhos, ela precise encontrá-los sozinha.

    Robin LaFevers já tinha ganhado todo o meu amor nos dois primeiros livros dessa série, mas ganhou minha devoção eterna com esse desfecho. A história de Annith foi brilhante, cheia de emoção e um desenvolvimento fabuloso. É o tipo de livro empoderador e fantástico que te prende desde a primeira página; mesmo com o ritmo lento, ele é deslumbrante.

    Eu amo a Annith com todas as minhas forças. É uma personagem destemida até o último fio de cabelo e sempre disposta a aceitar os riscos, contanto que possa se provar com eles. Annith viveu muito tempo em repressão por uma das freiras e, depois que ela se foi, acabou trazendo muito desses traumas para a maneira com que lida com as situações. Amo a força dela justamente por ser algo incomparável. Ela não é brava como Ismae e nem furiosa como Sybella. Annith é um coração e um sonho, desejosa a provar porque nasceu sob a proteção de um deus tão poderoso. Amo como ela confronta o desconhecido e como reage a ele. Ela é uma mulher forte e independente marcada por horrores, e todos os traumas que carrega servem como trilha para que ela se entenda no mundo em que vive. Para que os supere a fim de se encontrar.

    Assim girava a roda da vida: a cada fim, um novo começo.

    Sua jornada é bem diferente da Ismae e da Sybella; a submissa e respeitosa noviça decide virar as costas para tudo que conhecia e buscar seu destino longe do convento, em um mundo marcado por uma guerra, por traições e pela escuridão. Na escuridão, no entanto, Annith encontra aliados inesperados. Um grupo de mercenários amaldiçoados pelo próprio deus da Morte, e um líder marcado pela dor e pela perda que, talvez, desperte na assassina mais do que apenas empatia.


    Coisas impossíveis aconteciam. Mas só se nós as fizéssemos.

    As interações da Sybella com esses guerreiros condenados foram de arrancar lágrimas. Apesar da brutalidade e dos terrores impregnados neles, são homens em busca de redenção. A Morte lhes ofereceu essa chance e eles a aceitaram. Agora, vagam pelo mundo em busca de almas para serem guiadas até o Mundo Inferior, alheios à vida que deixaram para trás. Quando Annith se junta a eles, ela traz consigo a serenidade e empatia de um coração cheio de vida e grande impacto recai sobre esses amaldiçoados. Especialmente sobre seu líder.


    Resenha: Amor Letal

    Balthazaar é uma figura complexa. Envolto em mistério e em uma escuridão melancólica, ele acaba se aproximando de Annith porque ambos dividem muitas similaridades pela maneira com que veem o mundo e respondem a ele. Balthazaar a admira e isso se torna óbvio conforme as páginas passam; ele vê nela essa luz inacabável, e o desenvolvimento de sua proximidade e do seu relacionamento é tão apaixonante! É um relacionamento saudável, inclusive, sempre muito bem-vindo em histórias assim. O tipo de casal que se respeita e se entende; Annith vê a escuridão nele, mas não a teme. Balthazaar enxerga algo diferente na noviça, um tipo de trilha para longe de toda a morte e melancolia com a qual ele conviveu durante sua servidão.

    Não sabia quais eram os demônios contra os quais Balthazaar lutava, mas eu conhecia a dor quando a via.

    Robin entregou o que foi, para mim, o melhor casal da série - mesmo os outros dois sendo tão incríveis. A conexão, as interações, mesmo as piadinhas provocativas, tudo isso era bastante real e consistente aos personagens. Balthazaar e Annith dividem tantas cenas maravilhosas e diálogos poderosos, e as últimas cinquenta páginas são um absurdo de beleza para o que eles se tornaram. Eu gritei, eu chorei, eu rolei pelo chão!


    Toda a questão da Annith e dos seus desígnios é muito bem explorada. Dúvidas e questionamentos batem de frente com o que ela deveria ser, até que ela decide ser quem precisa. O fato de servir ao Deus e não às suas servas mostra muito sobre a força de vontade de Annith. Ela não tem medo de desafiar a madre superiora e suas injustiças, contanto que isso a mantenha no caminho da Morte. Seus confrontos com a abadessa, aliás, são os mais importantes para o desenvolvimento da sua história. Conflitos emocionais e psicológicos pesados que definirão o que Annith vai se tornar.

    Ser criada em um convento cheio de mulheres dedicadas a questões espirituais seria uma vida difícil para qualquer criança. Mas, quando essas mulheres veneravam a Morte e dedicavam a própria vida a servi-La, a aprender Suas artes e a realizar Suas vontades, isso poderia significar uma existência fria e sem alegrias.

    As participações de Ismae e Sybella são essenciais para fechar a história. Gostei, principalmente, como a Robin conduziu as tramas políticas - mais uma vez a parte mais rica e impressionante do livro. Toda a questão da guerra e da aproximação dos exércitos franceses, a ideia de que a duquesa talvez confronte a pior parte de seu reinado, esses detalhes são destrinchados com calma. E as resoluções para eles chegam nos momentos certos, bem encaixadas na trama.


    - Estou começando a achar que o amor em si nunca é errado. O problema é o que o amor leva as pessoas a fazerem.

    Amor Letal me impressionou. Eu esperava um livro ótimo e ganhei uma história espetacular. Esse é o tipo de trama que você lê uma vez e já pensa em reler em seguida porque tudo nela faz valer a pena.


    Título original: Mortal Heart
    Autora: Robin LaFevers
    Editora: Plataforma21
    Gênero: Romance / Ficção histórica
    Nota: 5 +

    1. Oi, Denise
      Nada melhor do que terminar uma trilogia com chave de ouro. Eu nem gosto de fantasia, mas dá pra sentir sua paixão por essa obra através da sua resenha. Eu gostei mesmo foi da capa, achei lindona!
      Beijo
      Capítulo Treze
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    2. Olá, Denise.
      Eu não sei onde foi que vi alguém falando dessa trilogia e desde então eu fiquei bastante curiosa com ela. Mas nunca vejo ninguém resenhando hehe. Gostei bastante de ver sua opinião porque somos bem parecidas no gênero. Já coloquei na minha lista de desejados.

      Prefácio

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