Resenha: O Diário Secreto de Lizzie Bennet

  • 09:00
  • 9 de out de 2019
  • Resenha: O Diário Secreto de Lizzie Bennet

    O Diário Secreto de Lizzie Bennet é a novelização da websérie escrita por Bernie Su e Kate Rorick. Na história, acompanhamos as aventuras e desventuras de Lizzie, a filha do meio da família Bennet, e seus diários relatando um pouco mais da sua vida nada convencional.

    Sinopse: Lizzie Bennet é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. Quando dois amigos ricos e charmosos chegam à cidade, as coisas começam a ficar mais interessantes para as irmãs Bennet — e para os seguidores de Lizzie na internet. De repente, Lizzie — que sempre se considerou uma garota bastante normal — se torna uma figura pública. Mas nem tudo acontece diante das câmeras. E, felizmente para nós, ela escreve um diário secreto... Com reviravoltas que vão deliciar os fãs de Jane Austen, assim como novos leitores, 'O diário secreto de Lizzie Bennet' expande o fenômeno da web série que encantou quase dois milhões de espectadores e faz uma releitura inédita de Orgulho e preconceito.

    Lizzie está estudando para sua pós-graduação e resolve usar o vlog como projeto para sua tese; os vlogs envolvem, basicamente, ela conversando com a câmera sobre sua vida. E é uma vida bastante agitada, diga-se de passagem. A família Bennet é composta por figuras divertidas e excêntricas - desde o pai, o mais sucinto e controlado, passando pela mãe, a maluca desesperada para casar as filhas solteiras, e as duas irmãs de Lizzie, Jane, que é um anjo em forma de pessoa, e Lydia, a diabinha enérgica mais fofa que poderia existir.


    Se tratando de uma releitura de Orgulho e Preconceito, tanto a obra quanto a websérie fazem uma adaptação excelente de tudo que existe no clássico, trazendo a história da Elizabeth para os nossos dias atuais. É totalmente crível assistir e/ou ler seus relatos sobre as aventuras e desventuras dos Bennet, sobre os problemas financeiros da família, sobre o relacionamento da irmã com o recém-chegado Bing Lee, sobre como William Darcy é um grandessíssimo hipster babaca. Enfim, é uma das melhores releituras que já tive o prazer de acompanhar.

    Essa é a minha família. Se eu não puder ser sincera em relação a eles, não serei sincera sobre mim. Essa é a minha vida, com todos os defeitos. E é isso que eu vou publicar por aí.

    Lizzie é, ouso dizer, a melhor representação que já li da Elizabeth original. Ela é cheia das opiniões e dos julgamentos e orgulhosa até o último fio de cabelo; ela é uma personagem difícil. Muito teimosa e decidida e, portanto, aberta a contradições. Ela é a garota que não mede as palavras ao falar com a câmera e com seu público para, depois, perceber que talvez tenha ido um pouco longe demais? Mas, de novo, ela tem um dever com as pessoas que acompanham seus vídeos, e sua opinião é aquela, independente de ser afiada demais.


    E bota comentário afiado nisso! O bom humor, no entanto, torna esses trejeitos egocêntricos da protagonista em equilíbrio com as mudanças e o crescimento que ela vai sofrendo ao longo da trama. O desenvolvimento da Lizzie é maravilhoso; como pessoa e como profissional, ela trilha um caminho de entender seus próprios erros e opiniões precipitadas, de olhar para trás e assumir as coisas que fez errado - e está disposta a consertar o que puder. Com a mãe, com as irmãs, com Bing Lee e mesmo, e principalmente, com Darcy.

    Eu, no entanto, estou num estado de irritação desenfreada por causa de uma pessoa. Especificamente, William Darcy.

    E ai ai... Deixa eu falar no Darcy.


    EU NÃO SEI FALAR NO DARCY PORQUE EU SÓ QUERO GRITAR O QUANTO ELE É PERFEITO E MARAVILHOSO.

    Mais de uma vez, percebi seus olhos me seguindo, mas ele disfarçava no instante em que eu olhava. Suponho que ele estava se lembrando do horror da nossa dança.

    Se o Darcy caçador de zumbis em Orgulho e Preconceito e Zumbis tinha o meu coração até agora, William Darcy, empreendedor hipster que adora usar gravatas borboleta e boinas de jardineiro, tem meu espírito.

    Como eu disse anteriormente, o Darcy não costuma participar em nada que envolva diversão, por isso ele tinha voltado às suas planilhas e ao seu cachecol hipster cuidadosamente arrumado.

    As interações entre ele e a Lizzie são pautadas como no original; começam com olhares enviesados e patadas discretas, evoluem para discussões e opiniões muito teimosas a respeito do que é o Darcy e do que ele sempre vai ser, até que algumas coisas que Lizzie considerava verdade se revelam mentira e a verdadeira faceta do Darcy começa a se mostrar.


    O rapaz tímido, contido, mas atencioso e generoso e com um coração bom demais para o mundo. Ele comete erros como qualquer pessoa, mas está longe de ser a figura nefasta que Lizzie orgulhosamente julgou logo no começo.

    Eu não via o Darcy em carne e osso desde que a Jane e eu saímos de Netherfield. Ele não parecia ter piorado. Na verdade, ele... sorriu para mim. Sorriu.


    E o ship quando acontece é aquela coisa de causar borboletas no estômago e te fazer ficar rolando pelo chão gritando por mais porque eles são tão perfeitos e tão almas gêmeas e nasceram tanto um para o outro!

    Jane e Bing Lee têm destaque como coadjuvantes, tal como esperado. A doçura e sutileza da Jane contra a postura contida, mas completamente entregue do Bing tornam esse casal uma coisa ainda mais fofa do que já eram. Você torce por eles o tempo todo, torce para que os contratempos nunca aconteçam, para que as coisas se resolvam no final. E não importa o quanto você tenha decorado a obra original, essa aqui vai te surpreender.

    Lydia é o espírito aventureiro e despreocupado contra toda a postura contida e racional da Lizzie, e por isso as duas se bicam tanto. Tem aquele amor e devoção de irmãs e tem muito a ser trabalhando dentro da história, mas o ponto principal está nas diferenças e de como elas reagem uma a outra por causa disso. E, cara, o desenvolvimento que a Lydia ganha do meio pro final da história é de cair o queixo de tão incrível! Sensível e atual e extremamente emocionante.

    - Eu gosto de pensar que as mulheres não têm mais o hábito de viver e morrer pelo que as pessoas pensam delas.

    Charlotte Lu, melhor amiga de Lizzie, é outro pilar para a história. Como editora dos vídeos do vlog, ansiosa para conquistar sua própria independência, Charlotte toma caminhos surpreendentes dentro da trama e mostra muita força e determinação; um exemplo, como todas as outras, de personagem feminina bem escrita.


    Resenha: O Diário Secreto de Lizzie Bennet

    A família Bennet é carismática como o esperado - com exceção da Senhora Bennet que deus me leva, é ainda mais insuportável que a original. O Senhor Bennet é aquele pai presente e carinhoso disposto a tudo pelas filhas, até mesmo ir contra tudo que elas esperam que ele faça em situações mais sérias.

    Traduzindo, meu plano para minha futura felicidade envolve muito trabalho e criatividade; o plano da minha mãe para minha futura felicidade inclui casar com um cara rico. E, aparentemente, todos os solteiros ricos por aí estão simplesmente morrendo de vontade de assumir essa tarefa.

    O humor e as sacadas geniais da adaptação tornam o livro extremamente prazeroso. É aquele tipo de leitura que você não quer largar nunca até terminar; eu intercalei alguns episódios da websérie com o livro e posso afirmar que é uma ótima experiência. Apesar de a websérie ser fantástica, o livro é muito superior. Diz muito mais sobre os personagens, mostra muito mais, desenvolve ainda mais.

    Aos fãs de Jane Austen ou de um bom romance divertido, O Diário Secreto de Lizzie Bennet é a pedida perfeita para uma leitura descompromissada que vai te fazer gargalhar e chorar na medida certa. E, claro, sempre dá pra completar a leitura com a websérie, pra tornar essa experiência imersiva no mundo adaptado de Orgulho e Preconceito ainda melhor.

    Título original: The Secret Diary of Lizzie Bennet 
    Autores: Bernie Su e Kate Rorick
    Editora: Verus
    Tradução: Cláudia Mello Belhassof
    Gênero: Comédia romântica
    Nota: 5 +
    Skoob


    1. Oi, Denise
      Vamos enaltecer essa obra maravilhosa! Eu achei legal porque quando li o livro, descobri que fizeram uma série no youtube pra poder dar um hype (ou foi o contrário). Enfim, eu achei muito legal e bem criativo. Nunca tinha lido Orgulho e Preconceito mas eu amei essa releitura, e a Lizzie é maravilhosa! Só não posso falar da irmã dela porque a odiei do início ao fim... ô menina difícil!
      Beijo
      https://www.capitulotreze.com.br/

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    2. Oi De! Geralmente eu adoro releituras de clássicos e pela resenha eu acho que vou amar os diálogos!

      Bjs, Mi
      O que tem na nossa estante

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