Resenha: The Wicked Deep

  • 09:00
  • 1 de out. de 2019
  • Resenha: The Wicked Deep


    The Wicked Deep é o livro de estreia de Shea Ernshaw, ainda sem publicação no Brasil. Na história, todo o verão a cidade de Sparrow passa pela temporadas das Swan, quando três irmãs - assassinadas ao serem acusadas de bruxaria - tomam o corpo de três garotas para se vingar da cidade atraindo e afogando garotos nas docas. E nesse verão a jovem Penny precisa decidir se vai salvar a si mesma ou Bo - o garoto novo na cidade.


    Sinopse: Bem-vindo a cidade amaldiçoada de Sparrow... Três séculos atrás, na pequena e isolada cidade, três irmãs foram sentenciadas a morte por bruxaria. Pedras foram amarradas em seus tornozelos e elas foram afogadas nas águas profundas que cercam a cidade. Agora, por um curto período em cada verão, as irmãs retornam das profundezes, roubando os corpos de três garotas para que possam buscar por vingança, atraindo garotos até as docas e levando-os para a morte na água. Como muitos locais, a garota de 17 anos Penny Talbot já aceitou o destino da cidade. Mas esse ano, na véspera do retorno das irmãs, um garoto chamado Bo Carter aparece: sem conhecimento do perigo no qual acabou de tropeçar ou do fato de que sua chegada pode mudar tudo. Desconfiança e mentiras se espalham rapidamente pelas ruas salgadas e chuvosas. As pessoas na cidade voltam-se umas contras as outras. Penny e Bo suspeitam um do outro de esconderem segredos. E a morte vem rapidamente para aqueles que não conseguem resistir ao chamado das irmãs. Mas apenas Penny consegue enxergar o que os outros não podem. E ela será forçada a escolher: salvar Bo, ou salvar a si mesma?



    Há séculos a cidade de Sparrow foi amaldiçoada por três irmãs: Marguerite, Aurora e Hazel Swan, após serem injustamente acusadas de bruxaria e afogadas nas docas. Desde então, por três semanas durante todo o verão a cidade passa pelo que chamam de "temporada Swan".


    O folclore local diz que durante esse período, as irmãs Swan possuem o corpo de três garotas e, então, atraem garotos até a doca para afogá-los e exercerem sua vingança contra a cidade que as condenou a morte. Embora nem todos acreditem no sobrenatural, a lenda atrai todos os anos centenas de turistas para a pequena cidade pesqueira - e todo ano, sem exceção, pelo menos três garotos se afogam.

    Penny Talbot vive na pequena Ilha Lumiére, onde o farol está localizado. E agora, além de precisar lidar com o desaparecimento do pai, ela também precisa se preocupar com Bo. O garoto, cheio de segredos, chegou a cidade no inicio da temporada Swan e, embora tenha tentado se manter afastada, Penny se pega cada vez mais atraída por ele.

    O problema é que ninguém está a salvo quando as irmãs Swan estão na cidade - infiltradas como um deles, sem deixar transparecer quem são de verdade - e Penny não suportaria perder mais ninguém, muito menos Bo. Mas, no fim das contas, salvar Bo pode terminar por condená-la.

    O amor é uma feiticeira - desonesta e selvagem. Espreita atrás de você, suave e gentil e silenciosa, pouco antes de cortar sua garganta.

    The Wicked Deep me foi apresentado como uma mistura de Da Magia a Sedução e Abracadabra embrulhado em uma realidade fantástica juvenil. Mas confesso que vi muito pouco do primeiro filme nele e, tirando a maldição das irmãs Swan, muito pouco de Abracadabra também. Não que isso seja ruim, mas definitivamente vendeu uma expectativa grande para a história.

    No geral, minha experiência com a leitura foi bem positiva. Eu me apaixonei pela mitologia e pela narrativa da Shea, e a ambientação dela era tão certeira que eu me via na pequena cidade costeira do Oregon, em um verão chuvoso e frio, com o oceano cantando e um cemitério de navios naufragados no mar.

    A narrativa, mesmo, é simplesmente linda - pelo menos em inglês - e me envolveu muito. Tem um aspecto poético que terminou por criar uma aura romântica e sobrenatural, ainda que bastante real, para a história. Realmente me impulsionou para querer saber mais, descobrir como terminaria o livro. A magia, a ambientação, a história da cidade, tudo foi tão bem feito que eu me apaixonei.

    Resenha: The Wicked Deep

    Aliás, The Wicked Deep mistura a narração de Penny, no presente, com uma narração em terceira pessoa que nos apresenta as irmãs Swan em seu próprio tempo - nos explicando sobre o oceano, as irmãs, sua convivência com as outras pessoas da cidade e tudo que, fatidicamente, levou a maldição. E sinto que isso realmente fez a diferença para a história, deixando-a mais rica - além de ser importantíssima para o desenvolvimento do livro.

    Outro ponto bem positivo, para mim, foi a forma como a autora amarrou todos os mistérios. Desde o começo sabemos que existem muitos segredos - especialmente entre Penny e Bo. E, mesmo que a história seja através do ponto de vista de Penny, ela não nos entrega nenhum de seus mistérios, revelando-os aos poucos.

    Mesmo que o mistério principal tenha sido fácil de descobrir - acho que qualquer pessoa que já tenha lido uma boa dose de realismo fantástico/fantasia urbana poderia adivinhar o plot principal - tudo foi muito bem amarrado. Shea Ernshaw deixou as pistas onde deveria e trouxe os twists na hora certa. Ainda que não tenha sido muito difícil descobri-los, foram reviravoltas muito legais.

    Mas a magia não é sempre linear. Ela nasce do ódio. Do amor. Da vingança.

    Dito isso, nem tudo na leitura foi tão perfeito assim. Embora não tenha estragado a experiência como um todo - eu ainda gostei muito da leitura - o romance entre a Penny e o Bo foi bem no estilo "puppy love". Não me importei muito com eles - eu queria mesmo era descobrir todos os segredos.

    Ainda que o desenvolvimento das personagens não tenha sido superficial - pelo menos no que diz respeito a Penny - foi essa a impressão que eu tive do romance deles. A autora tentou fazer soar como um amor profundo e antigo, almas gêmeas, mas pra mim era só algo que estava lá e não fazia muito diferença - embora ele seja um ponto muito importante no plot de The Wicked Deep.

    Não fez o coração acelerar, mas pelo menos também não encheu o saco - e depois de umas coisas que eu li, considero isso um ponto positivo, viu.

    Fora isso ainda tem dois pontos que me incomodaram. O primeiro foi a falta de responsabilidade da cidade para com esses afogamentos. É certo que todo ano eles acontecem, e não deixam qualquer marca nos corpos - de forma que os céticos acreditam ser suicídios. A policia local chega até mesmo a citar um pacto suicida entre os garotos com o único propósito de manter a lenda viva.

    Resenha: The Wicked Deep

    Sendo assim, porque não existe um policiamento? Eu sei que é uma cidade pequena, mas são apenas três semanas, eles certamente poderiam fazer algo, né? Policiar a doca, proibir banho de mar nesse época, um toque de recolher? Não existe qualquer esforço por parte dos policiais para tentar impedir esses afogamentos, o que soa extremamente surreal, especialmente quando a cidade enche de turistas mórbidos querendo dar uma espiada nas vitimas das irmãs Swan.

    Além dessa falta de ação por parte dos policiais, os adolescentes também pareciam poder fazer o que quisessem. Lá pelo meio da história, quando uma situação se complica, os próprios adolescentes tentam resolver - e mesmo sabendo como aquilo é errado, Penny e seus amigos nem mesmo cogitam contar a um adulto ou a policia o que está acontecendo.

    Foi a parte que mais me irritou porque a narrativa dizia "ah, que pena, mas não tem nada que possamos fazer!" e eu ficava aqui "vocês podem cHAMAR UM ADULTOS, POR EXEMPLO". Mas até que durou pouco.

    Amar alguém é perigoso. Te dá algo a perder.

    O segundo ponto foi o final. Não foi algo que, necessariamente, me incomodou, mas que decepcionou. Não foi ruim, seguiu a linha romantica e poética que The Wicked Deep estabeleceu desde o começo, mas foi pouco.

    O livro em si não tem muita ação, então eu não esperava por uma longa sequencia de batalha ou algo do tipo. Mas por ser uma maldição que existe há séculos, que passamos o livro inteiro ouvindo sobre como ela é impossível de ser quebrada, a resolução não esteve a altura. Eu com certeza esperava mais, foi bem anticlimático e o motivo de eu tirar uma estrela da história.

    Em resumo, como eu já disse, a experiência foi bem positiva. O livro trouxe uma aura super gostosa de ler, bem o estilo que eu queria há muito tempo, e eu adoraria ver mais histórias explorando o universo de Sparrow que The Wicked Deep trouxe. Embora o fim não tenha causado um grande impacto e nem deixado uma impressão marcante, ainda foi uma leitura bem gostosa e mágica.

    Título original: The Wicked Deep
    Autora: Shea Ernshaw
    Editora: Simon & Schuster
    Gênero: YA | Fantasia
    Nota: 4


    1. Bibs, mulher, tu falou desses adolescente fazendo o que quisessem e lidando com algumas situações, eu só lembrei dos adolescentes de Riverdale hahahhahah
      Beijos
      Balaio de Babados

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    2. Oi Bia, tudo bem? Adorei a mitologia e a premissa, apesar das ressalvas principalmente em relação ao final, fiquei interessada na obra! E amei a capa!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oi Bibs!
      A capa desse livro e uma lindeza só. Parece interessante. Nao sei se ainda teria vibe pra bruxas mas quem sabe se sair aqui no BR eu nao de uma chance.

      Abraços
      Emerson
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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