Resenha: Paula

  • 09:00
  • 22 de jan. de 2020

  • Resenha: Paula

    O famigerado “ano que vem” chegou e eu estou voltando com força nas resenhas. Desde  oano passado, já venho conservando alguns critérios de leitura, priorizando mulheres, autores latino-americanos e negros também. Começo então 2020 com uma resenha de Paula, da nossa querida Isabel Allende!

    Sinopse: Aclamada autora latino-americana, Isabel Allende sensibilizou milhares de leitores em todo o mundo ao publicar Paula, o mais comovente, pessoal e revelador de seus livros. Em dezembro de 1991, sua filha Paula é internada em um hospital da Espanha, gravemente enferma. A escritora acompanha o sofrimento da filha que se prolonga durante meses, em um coma irreversível, e escreve a história de sua família para a jovem inconsciente, na esperança de que algum dia ela desperte.



    A obra, que já está em sua 16ª edição, foi publicada no Chile inicialmente em 1994. Chegou ao Brasil pela editora Bertrand Brasil e conta com 462 páginas.

    Para começo de conversa, o livro é uma história real, é biográfico e conta a história da própria autora. A ideia, que inicialmente seriam algumas cartas para Paula, sua filha, que encontrava-se em coma devido a um quadro de porfiria aguda, surge da vontade de Isabel contar para a filha tudo o que se passava na família e no mundo enquanto Paula estava acamada.

    A história inicia-se com Isabel falando sobre como sua filha foi parar no hospital e conta sobre o seus primeiros dias naquele ambiente, porém, ao largo do tempo, a narrativa vai se mesclando com histórias da vida da autora.

    Dividido em duas partes, a primeira parte retrata o período de Dezembro de 1991, quando Paula entra em coma e vai até Maio de 1992. Isabel inicia seu relato contando a história de sua família mais antiga, começando pelos avós, sobre como se conheceram e dando detalhes sobre a família dos dois. Dentro do capítulo existem subdivisões, nelas a história presente se intercala com os relatos da família materna de Isabel.

    Neste primeiro momento, ela conta sobre sua infância, sua relação com os avós, com a mãe e com o padrasto. Não sei se é a narrativa ou se realmente seus familiares são tão caricatos como ela os descreve, mas o fato é que seu avô e seu padrasto são pessoas muito literárias. Não é à toa que ela escreveu o seu mais aclamado romance, A Casa dos Espíritos, com base na vida dos seus avós.

    E foi durante a infância que Isabel já demonstrava ímpetos feministas, ainda que não houvesse qualquer embasamento teórico, como temos hoje; por instinto, ela já percebia que havia algo de muito errado com a sociedade.

    A primeira parte vai até mais ou menos 60% do livro e termina com a narrativa da vida de Isabel no período do Golpe Militar que sofreu Salvador Allende, tio da autora, que foi o primeiro presidente socialista eleito democraticamente na América.

    No segundo momento do livro, Isabel percebe que sua filha provavelmente jamais vai despertar do coma e inicia o capítulo indagando-se sobre o porque deveria continuar escrevendo.

    Já não escrevo para que quando minha filha desperte não esteja tão perdida, porque não despertará. Estas páginas não têm destinatário, Paula nunca poderá lê-las.

    Foi nessa parte que eu chorei. Chorei de imaginar a dor dessa mãe que via sua filhinha vegetando e perdendo a vida diante de seus olhos e que nada poderia ser feito, sentindo-se vazia.

    Paula, que antes era dada à academia, reconhecida por sua inteligência nada mais era do que um amontoado de matéria que nunca mais voltaria a pensar como antes.

    Isabel deixa de intercalar os períodos e foca boa parte da narrativa no momento presente. Após esse diagnóstico, sua luta é para revertê-lo de alguma forma, e começa uma caçada médica e espiritual para encontrar alguém que possa reverter o quadro de Paula.

    Uma das quotes mais lindas desse livro se passa neste momento em que Isabel quer transferir Paula para um hospital nos Estados Unidos e seu marido não quer porque não pode ficar longe de sua esposa, mesmo que em coma. Eis que Isabel diz a ele:

    - Em uma carta Paula me contou que quando você apareceu na vida dela, tudo mudou, se sentiu completa. Me disse que às vezes, quando vocês estavam com outras pessoas, meio atordoados pelas conversas de outras pessoas, lhes bastava um olhar para dizerem o quanto se amavam. O tempo congelava e se estabelecia um espaço mágico no qual só existiam você e ela. Talvez seja assim de agora em diante, apesar da distância, o amor de vocês viverá intacto em um compartimento separado, além da vida de da morte.

    Paula é um livro biográfico, mas também é sobre amor. Sobre o amor de Isabel pela família, pela filha, pelo marido. Sobre o amor de Paula e Ernesto.

    De início, a escrita da Isabel pode parecer um pouco confusa, mas aos poucos é possível se acostumar. Recomendo fortemente para quem gosta de romance, biografia, história e não se importa em derramar algumas lágrimas durante a leitura. É surpreendente a forma como ela consegue reunir tudo isso em pouco mais de 400 páginas.

    Título original: Paula
    Autora: Isabel Allende
    Editora: Bertrand Brasil
    Gênero: Biografia
    Nota: 5

    1. Amei sua resenha, se visse esse livro em uma livraria, provavelmente ele não me chamaria atenção, mas depois de ler seu post, fiquei bem curiosa para conhecer a história! ❤

      https://www.kailagarcia.com

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    2. Oiee.
      Eu já preciso desse livro. Mesmo sendo um livro biográfico, o que não tenho o hábito de ler, ele parece ser um livro com uma história linda. E falou em derramar lágrimas lá vamos nós hehe.

      Prefácio

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    3. Olá!! Eu não sou muito fã de biografias, e quando as leio é porque são relatos específicos de assuntos que eu gosto, porém eu me interessei pela temática como um todo. Não conhecia, mas vou procurar!
      Beijo
      https://www.capitulotreze.com.br/

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