Resenha: Filha da Fortuna - Queria Estar Lendo

Resenha: Filha da Fortuna

Resenha: Filha da Fortuna

Filha da Fortuna é um livro de 2001 da premiada autora Isabel Allende que ganhou uma nova edição este ano pela Editora Bertrand - que nos cedeu um exemplar para resenha - e conta a jornada da jovem Eliza, que abandona o Chile e aventura-se por uma Califórnia enlouquecida pela febre do ouro no séculos XIX em busca de amor.
Sinopse: Abandonada ainda bebê no Chile do século XIX, Eliza Sommers foi criada por uma prestigiosa família inglesa em Valparaíso, onde se apaixonou por Joaquín Andieta, um dos empregados do tio adotivo. A descoberta de ouro na Califórnia em 1849 mobiliza metade do país, que não hesita em içar velas e correr atrás da fortuna — inclusive Joaquín, que lhe promete um casamento tão logo volte com os bolsos cheios de ouro.Mas Eliza não está disposta a esperar e parte clandestinamente para a Califórnia em busca de seu amado. Viajando escondida no porão de um veleiro na companhia de homens e mulheres atraídos pela febre do ouro, a jovem conhece Tao Chi'en, um médico chinês que a conduz por uma inesquecível jornada pelos mistérios e contradições da condição humana. Retrato vibrante de uma época marcada pela violência e pela cobiça, Filha da fortuna é um livro sobre a redescoberta do amor, da amizade, da compaixão e da coragem, e é povoado de personagens que ficarão para sempre na memória e no coração dos leitores.
A história de Filha da Fortuna se inicia em Valparaíso, em 1843 e, por um período de 10 anos acompanhamos o crescimento de Eliza Sommers, uma jovem chilena criada como filha adotiva de um funcionário da Companhia Britânica de Exportações, e sua irmã mais nova.

Criada entre os salões de festas dos Sommers e a cozinha da velha índia Mama Frésia, Eliza cresceu em dois distintos mundos, unindo a etiqueta e moral dos Ingleses, com as superstições e os aromas dos chilenos. Sem saber ao certo sobre o seu passado, Eliza cresceu acreditando que seria como Miss Rose, sua mãe adotiva, mas aos 16 anos, quando se apaixona pelo idealista Joaquín Andieta tudo muda.

Joaquín é um jovem bastardo com ideais liberais que apenas estão começando a se difundir pela Europa, e Eliza apaixona-se perdidamente por ele. Mas quando descobre-se ouro na Califórnia, a febre se espalha por todo o mundo e não demora a atingir Joaquín, que parte em busca de riquezas para poder casar-se com Eliza e prover uma vida melhor para a sua mãe.

E é assim que, meses depois, Eliza embarca clandestinamente para a Califórnia, uma terra de imensas possibilidades, liberdade sem limites e também sem lei alguma.
Aquilo que esquecemos é como se nunca houvesse acontecido.
Ao mesmo tempo em que Filha da Fortuna foi tudo que eu esperava que fosse, ela foi completamente diferente. Você consegue ter uma ideia muito clara da história pela sinopse, que não promete nada que não chegue a cumprir, mas como é comum em histórias do tipo, o foco é sempre a jornada e não o ponto final.

Tem muito tempo que eu tenho interesse em ler algum livro da Isabel Allende e quando tive a oportunidade de pegar Filha da Fortuna não hesitei. Quando peguei o livro percebi que ele tinha aquela qualidade de livros como E o Vento Levou, que trazem essa longa jornada de crescimento pessoal das personagens, além de um conhecimento histórico acertado e ricas descrições do Chile e da Califórnia.

Resenha: Filha da Fortuna

Meu maior problema, no entanto, foi a narrativa. Não achei ruim, mas o ritmo foi bastante lento. Filha da Fortuna é o tipo de livro onde a narrativa traz pouquíssimos diálogos e as coisas nos são mais contadas do que mostradas. É o tipo de coisa que quando você termina, curti, mas faz uma leitura mais lenta e demorada, e por isso eu tive dificuldade em me concentrar em mais do que um capítulo por dia.

No mais, me apeguei bastante a Eliza e a visão de mundo dela, como uma mulher da sua época ela estava bastante conformada com a sua situação e com a expectativa de servir o homem com quem se casasse - inclusive, após conhecer Joaquim, passa a ansiar por isso. Mas a partir do momento em que entra no navio em direção a Califórnia sua vida muda completamente. A liberdade é algo com o qual Eliza nunca sonhou e uma vez que a encontra, fica maravilhada.
As crenças alheias são superstições, mr. Todd. As nossas se chamam religião.
Outros personagens que me cativaram bastante foi a trupe de Joe Quebra-Osso, com quem Eliza se envolve em suas buscas por Joaquim. Personagens transgressivas, fortes e que trouxeram muita cor para a história. Me envolvi com eles e, de certa forma, fiquei triste quando chegou a hora de encerrar o capítulos deles.

Com os irmãos Sommers eu fiquei bastante indiferente, a que mais despertou curiosidade foi a Miss Rose com o seu passado misterioso, mas não consegui me apegar a nenhum deles ou investir emocionalmente. Diferentemente da Mama Frésia. Embora ela fosse uma espécie do arquétipo da negra sábia, ela era calorosa e uma verdadeira figura materna para a Eliza, gostei da lealdade dela para com a menina e de tudo que ela fez para proteger Eliza.

Resenha: Filha da Fortuna

Os demais personagens, como Tao e Joaquín e Jacob Todd andam por um lugar entre a indiferença e a raiva mesmo. Eu tenho grande dificuldade com livros históricos porque me irrito sempre com os homens. Se a gente já encontra homem machista e babaca em romance contemporâneo, em romances histórico é basicamente obrigatório.
Nada é em vão. E na vida não se chega a lugar nenhum, Eliza; na vida, só se faz caminhar.
E embora eu entenda a construção das personagens como foi feita, embora Isabel Allende tenha desenvolvido seus passados e suas motivações muito bem - deixando-os nessa intransponível área cinza, como as outras personagens, o que lhes dá muita humanidade - eu só conseguia rolar os olhos para eles.

Antes de finalizar eu só queria chamar a atenção para essa capa da reedição da Bertrand. Ela segue a linha de A Casa dos Espíritos e também de Muito Além do Inverno, que traz esse quê de fotografias antigas, misturado com nostalgia, misticismo e tons desbotados. Eu sou apaixonada por todas elas e, atualmente, é a capa mais bonita que tenho nas estante.

Por fim, Filha da Fortuna não é um livro para ler-se rapidamente, não é algo que se lê em um dia. É uma aventura, uma longa jornada sobre o ser humano, que deve ter seus capítulos degustados com calma, apreciados em todos os seus nuances e intrincados personagens.

Título original: Hija de la Fortuna
Autora: Isabel Allende
Tradutora: Mario Pontes
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Romance histórico
Nota: 4

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COMENTÁRIOS

12 comentários:

  1. Olá, Bibs.
    Eu já fui muito fã de livros assim que você acompanha por dias lendo um pouquinho de cada vez. Mas hoje em dia não sou mais porque tem tantos livros bons para se ler e quero ler todos eles para ontem hehe. Eu assisti A Casa Dos Espíritos tem bastante tempo já e quando descobri que tinha o livro corri ler e acabei não gostando tanto. Mas quem sabe se tiver a oportunidade eu leia esse.

    Prefácio

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    1. Oi, Sil!
      Eu gosto dessas histórias porque elas normalmente são MUITO bem escritas, tem todo um trabalho nas histórias de fundo e no desenvolvimento. No fim eu sempre curto o livro, mas sempre sofro enquanto leio e fico na mesma, de ter muitos livros bons pra ler em pouco tempo, enquanto estou ali enrolando com esses... É sempre um dilema. auhsauhsuahsuahsuh

      bjs

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  2. Oi, Bibs
    É tão bom quando uma leitura consegue ir além do que a gente espera e ainda assim ser positivo. Eu não leria porque não me interessei pelo tema, mas fico animada que gostou.
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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    1. Oi, Mi!
      O tema é bem diferente do que eu tô acostumada também, especialmente que eu vivo nos YA. Mas no fim valeu a pena.

      bjs

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  3. Oi Bibs!
    Eu odeio livros com pouco dialogo também. Demoro 3000 anos pra finalizar. Eu acho muito arrastado e sempre perde pontos, porque deixa a coisa muito estática. Prefiro com o máximo de falas possivel. Eu crio mais conexão com o personagem.
    Confesso que a temática não é muito minha praia, então, dificilmente leria.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    1. Oi, David!
      Eu gosto de descrições e tudo o mais, mas parece que sem diálogo a narrativa fica estática mesmo. Não evolui e parece que estão me contando a história, em vez de me mostrar. No fim valeu a pena, mas é sempre uma sofrência finalizar a história.

      bjs

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  4. Oi, Bibs!
    Ritmo lento é o que me mata nessa vida... Pelo menos a leitura não foi ruim pra você.
    Sendo sincera, não tenho muita vontade de conferir os livros da Isabel >< Mas eu me apaixonei por essa capa, então quem sabe um dia...
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi, Lu!
      Nossa, eu já sou uma leitora lenta, aí quando o ritmo não flui é sempre sofrido. Mas no fim valeu a pena, o que me deixa feliz.
      As capas estão lindas né? Eu tô apaixonadérrima pelas outras duas que já relançaram, quase comprando só por elas mesmo. :P

      bjs

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  5. Oi Bibs, tudo bem? A narrativa da Allende geralmente é bem densa, acho nunca são livros para ler rapidamente. Pelo o que vc conta na resenha é mais uma obra dela pra gente degustar aos pouquinhos.

    BJs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi, Mi!

      Definitivamente uma obra para ir aos poucos, talvez intercalar com outros livros para não sentir que tá ficando estática. Confesso que agora que eu li, não sei como achei que fosse ser diferente, sabe? Parece muito a cara dela agora. Ainda quero ler A Casa dos Espíritos.

      bjs

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  6. Oi, Bibs

    No chá de época falaram dessa coisa meio prolixa da narrativa, mas mostraram o lado bom, o da jornada. No meu caso, que curto diálogos, movimentação, não seria uma boa.
    Eu tenho vontade de ler algo da autora, mas acho que será mesmo A Casa dos Espíritos. Dos que foram relançados, acho que ele é o que mais entrega o que eu geralmente aprecio numa narrativa.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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    Respostas
    1. Oi, Tami!
      A jornada é realmente o ponto alto, quando a gente sente a liberdade da Eliza e as possibilidades daquele mundo novo. É bom. Mas a gente, que tá acostumada com narrativas mais ativas e com muito diálogos, demora mais a se adequar a leitura.

      bjs

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