3 motivos para a atemporalidade de O Diário de Nisha

  • 09:00
  • 20 de mai. de 2020
  • 3 motivos para a atemporalidade de O Diário de Nisha

    Já faz um tempinho que li O Diário de Nisha, mas desde que terminei a leitura eu venho pensando no tema dessa postagem. Então finalmente chegou a hora de falar os 3 motivos para a atemporalidade de O Diário de Nisha. Pelo menos pelo meu ponto de vista.

    A história da divisão da Índia, suas tensões políticas e o destino da família de Nisha foi bastante emotiva. Me pegou desprevenida, porque não achei que fosse me envolver tanto assim com ela. Mas assim como aconteceu quando li O Caçador de Pipas e A Cidade do Sol, não consegui escapar nem um minuto da ideia de que tudo ali era tão real. Tinha acontecido. Ficou marcado na história.

    Leia a nossa resenha:

    E o que mais marcou foi que, mais de cinquenta anos depois, a história ainda soava tão atual. Todos os seus conflitos, suas motivações e os sentimentos transparecem na realidade de hoje em dia. Seja pelas guerras, as crises de refugiados criados por ela ou os intermináveis conflitos religiosos.

    Então, vamos a minha lista?

    1 - Os conflitos com base religiosa


    Em O Diário de Nisha, a Partição da Índia cria dois países, ao mesmo tempo em que a torna independente do Reino Unido. Com a partição, o Paquistão se torna a residência dos indianos muçulmanos, e a Índia a residência dos hindus e sikhs.

    E é por conta dessa divisão de base religiosa que Nisha e sua família precisam migrar para o "lado" hindu. Deixando para trás parte de sua família - que não é de sangue - e as raízes da mãe, uma indiana muçulmana que morreu no parto dela e de seu irmão gêmeo.

    3 motivos para a atemporalidade de O Diário de Nisha

    E é bastante triste ver que, ainda hoje, a religião serve de base para diversos conflitos ao redor do mundo. Especialmente quando ela está tão intrinsecamente conectada ao Estado. Quando se acredita em uma nação unidade por uma única religião, que não enxerga a pluralidade e a diversidade de pensamento.

    2 - A busca pelo sentimento de pertencimento


    Acho que a gente nem precisa falar muito desse, né? Querer fazer parte de algo, pertencer a um lugar, uma tribo. Todos querem fazer parte, desde que o mundo é mundo.

    E com Nisha não é diferente. Em seu diário, a garota escreve sobre seu desejo latente de fazer parte da família de forma completa. Ela se sente deslocada do pai, que parece pensar apenas em trabalho. Se sente distante da avô materna, que não parece entendê-la. Se sente deslocada mesmo do irmão gêmeo, já que a medida em que crescem, diferentes padrões são estabelecidos para eles.

    Nisha sente saudade da mãe que nem chegou a conhecer, sente culpa por acreditar que foi a causa da morte dela. Se questiona o tempo inteiro se elas seriam parecidas. Se a mãe também gostava de escrever, ou de cozinhar.

    Nisha é uma pré-adolescente em um mundo em guerra, mas seus sentimentos são universais e atemporais. Seu desejo por compreensão e pertencimento são os mesmos dos adolescente de hoje e de ontem.

    3 - A pluralidade da família


    O Diário de Nisha mostra que famílias vem em muitas formas. Que ela supera a barreira da religião, da distância e até da morte.

    Para Nisha, a parte mais difícil de deixar sua casa é ter que abandonar as pinturas da mãe - suas memórias físicas dela, já que não chegou a conhecê-la - e deixar Kazi, o cozinheiro da família. Kazi é uma das únicas pessoas que parece compreendê-la. Mas ele também é muçulmano, o que significa que não estaria seguro no lugar para onde estão indo.

    3 motivos para a atemporalidade de O Diário de Nisha

    A dor da separação é vista em todos os membros da família. Mesmo na avó, que demonstra poucas emoções ao longo de toda a história de Nisha.

    Em sua palavras e sentimento, a garota deixa claro que família tem a ver com aceitação, amor, compreensão e cuidado. Não necessariamente sangue. Uma realidade que é tão atemporal quanto a necessidade de pertencer.


    1. Olá Bianca, tudo bem?


      Não conhecia esse livro ainda, nossa fiquei super curioso depois que li a sua resenha, gosto demais do gênero e já vai para a minha lista de desejados, ótima resenha e dica.


      Beijos.


      http://devoradordeletras.blogspot.com/

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      1. O livro é muito bom, migs. Recomendo muito. Sem contar essa edição maravilhosa.

        Bjs

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    2. Parabéns pelo trabalho que desenvolve aqui em seu blog. Cheguei até ele após uma pesquisa pelo Google e estarei acompanhando.

      Por oportuno lhe convido para conhecer meu novo blog:

      https://www.enfoqueextrajudicial.com.br

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      1. Obrigada, Winderson! Ficamos muito felizes que tenha gostado.

        Bjs

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